
Dicionrio de Folclore Para Estudantes




Este DICIONRIO DE FOLCLORE PARA ESTUDANTES foi uma idia da professora
  Rbia Lssio, estagiria na Coordenadoria de Estudos Folclricos, do
    Instituto de     Pesquisas Sociais, da Fundao Joaquim Nabuco.

  A professora Rbia Lssio, no exerccio de sua     profisso, sempre
  constatou a existncia de dificuldades, da parte de seus alunos, que
  no dispunham de um dicionrio de folclore, que usasse uma linguagem
   mais acessvel, e     no qual as manifestaes folclricas fossem
                verbeteadas com simplicidade e clareza.

Achei a idia interessante e, de parceria,     comeamos a elaborar este
       dicionrio, procurando no confundir o aluno com teorias,
  divergncias de pontos de vista entre os autores, procurando sempre
   descomplicar os     assuntos, omitindo a paternidade autoral, sem
                confundir, procurando eliminar dvidas.

 Trabalho feito a quatro mos, este dicionrio,     gerado na Fundao
    Joaquim Nabuco, como no poderia deixar de acontecer, ter seus
possveis desacertos, que sero corrigidos nas prximas edies, quando
              apontados     pelos estudiosos no assunto.

  Como todo mundo sabe, no existe nada completo,     nada perfeito e,
  assim sendo, este dicionrio no poderia ser a exceo de uma regra
                              universal.

Assim, esperamos ns, seus autores, que este     DICIONRIO DE FOLCLORE
PARA ESTUDANTES tenha o mrito de ser pioneiro na sua     especialidade
   e que seja compreendido o nosso esforo, esforo este que consumiu
   bastante tempo, com a finalidade de ser preenchida uma lacuna e de
havermos feito um     trabalho  altura da necessidade existente.






                A        ABC /         AZUL E ENCARNADO
               B        BABA         DE MOA / BUSCA-P
                C        CABAAL         / CUX ou CUX
                  D        DANDALUNDA         / DUNGA
                      E        EB /         EXU
                    F        FADAS         / FUBICA
                   G        GAGAU         / GURIAT
                 H        HARMNICA         / HUMULUCU
               I        IAI-DE-OURO         / ISQUEIRO
                    J        J /         JURUPARI
                   L        LABATUT         / LUZIA
                   M        MACACA         / MUVUCA
           N        NA         GUA E NO COURO / NOVA-SEITA
                      O        OB /         OXUM
           P        PACIC         / PUXAR TERRA PARA OS PS
                  Q        QUADRA         / QUIZUQUI
                      R        R /         RUMPI
           S        S-DONA         / SUSTENTAR A PO DE L
                    T        TABA /         TUXAUA
                   U        ULALOC         / USINA
                   V        VAIA /         VUCO-VUCO
                   W        WALDEMAR         VALENTE
                  X        XCARA         / X.P.T.O.
                 Z        ZABEL         / Z-PEREIRA

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* ABC . So quadras ou sextilhas que comeam com cada uma das letras do
alfabeto. Os ABCs so muito antigos no mundo todo. Usados na literatura
popular em     versos, tambm conhecida como literatura de cordel (veja
 LITERATURA DE CORDEL), os     ABCs contam a vida de heris populares,
estrias de cangaceiros valentes, de santos, de     estadistas famosos.

  ABACAXI .  uma fruta muito saborosa e seu     nome tambm  dado s
  pessoas que no sabem danar e pisam os ps do parceiro.      como
          tambm se nomeiam os problemas de difcil soluo.

    ABAFA-BANANA . Quando as bananas esto     ficando amarelas so
   colhidas, amontoadas e cobertas com as folhas secas da bananeira,
para que fiquem bem madurinhas. Essa  a razo pela qual abafa-banana 
o nome     que se d s roupas masculinas (os ternos) feitas de tecidos
  grossos, quentes, pesados     como a casemira, imprprios para nosso
clima tropical, mas que eram usados nas dcadas     de 30 a 50, aqui, no
                               Nordeste.

  ABAFO.  o frevo-de-rua, conhecido por frevo-de-encontro, no qual os
     trombones predominam.  chamado de abafo porque abafa o som da
   orquestra de outro clube de frevo que se encontre nas imediaes.

 ABOIO .  um canto triste, geralmente com     poucas e alguns at sem
 palavras, entoado pelos vaqueiros quando conduzem a boiada.     Alguns
vaqueiros, entretanto, improvisam versos como no aboio cantado : "- Ei,
                    boi!./ Ei, vaca malhadinha!..."

ABRE-ALAS. 1.  o carro alegrico que     simboliza a escola de samba e,
no desfile, vem em seguida  Comisso-de-Frente; 2.     O Abre-Alas, de
Chiquinha Gonzaga, foi a primeira cano do carnaval     carioca (1899).


ABRIDEIRA .  o comeo de tudo: a     primeira dana, o primeiro copo de
 bebida, o primeiro prato do almoo ou do jantar. E saideira  o ltimo
         copo, a ltima rodada, quando a reunio vai terminar.

   ABUSO .  a superstio que o povo tem     de fazer ou no alguma
     coisa. Por exemplo: a) deixar o chinelo emborcado, a me pode
  morrer; b) passar por baixo de uma escada no  bom, podem acontecer
desgraas na vida     da pessoa; c) abrir-a-boca (bocejar) e no fazer o
                sinal da cruz, o diabo pode     entrar.

ACADEMIA . 1.  um jogo ginstico     infantil, muito antigo, no qual a
  criana pula com um p s, para apanhar a pedrinha     que jogou do
primeiro at o ltimo quadrado. Em outras partes do pas o jogo tambm 
conhecido como amarelinha, cademia. 2. Nome que se d ao coro masculino
                      de uma     escola de samba.

ACALANTOS . Os acalantos so     cantados pelas mes do mundo todo para
adormecer seus filhos: 1. "Boi, boi, boi/Boi     da cara preta/Vem pegar
 este menino/Que tem medo de careta"; 2. "X, x,     pavo/Sai de cima
do telhado/Deixe meu filho dormir/Seu soninho sossegado"; 3.     "Nanai,
 meu menino/Nanai meu amor/A faca que corta/D talho sem dor". O mesmo
 que cantiga-de-ninar, berceuse, cantiga-pra-botar-menino-pra-dormir.

 ACARAJ .  um bolo de feijofradinho com molho de pimenta-malagueta,
cebola, camaro. Muito vendido em tabuleiros e barracas     de Salvador,
               considerado um prato da culinria baiana.

ADGIO . O adgio  uma das frmulas     clssicas da sabedoria popular.
   Tem forma rtmica, com sete slabas. Os brasileiros     no fazem
  diferena entre adgio, anexim, rifo, mxima, ditado, dito , e no
obedecem ao nmero de slabas. Exemplos: Pimenta nos olhos dos outros 
  refresco,     Filho de burro um dia d coice, P de galinha no mata
  pinto, Quem anda na garupa no     pega as rdeas, Sombra de pau no
         mata cobra, Mulher de janela, nem costura nem panela.

ADIVINHAO . A adivinhao  universal.     Pode ser em prosa, como: "O
que , o que ? Cai em p e morre deitado?     (chuva)"; "O que , o que
 ? Tem quatro ps, mas no anda? (mesa)";     "O que , o que ? Nasce
 grande e morre pequeno? (vela, lpis)"; "O que     , o que ? De dia
        est no cu (da boca) e de noite est na gua (no copo)?
  (dentadura)". A adivinhao pode ser em verso, como a do vinho e do
 vinagre:     "Somos iguais no nome,/ Desiguais no parecer;/ Meu irmo
no vai  missa,/ E eu     no posso perder,/ Entre bailes e partidas,/
 Todas l me encomendaro;/ Nos trabalhos     de cozinha/ Isso  l com
                              meu irmo".

  ADIVINHANDOCHUVA . Quando um menino     est trelando muito, ou um
 adulto apronta alguma arte , diz-se que esto adivinhando     chuva.

ADUFE .  um pandeiro quadrado, oco, feito     de madeira leve, coberto
   com dois pergaminhos delgados, tocado com todos os dedos, menos o
                  polegar que serve para sustent-lo.

  AFOX . Cordo carnavalesco de negros na     Bahia, trajando roupas
 principescas de fazendas brilhantes, entoando canes de candombl na
                        lngua nag ou ioruba.

   AGOG .  um instrumento musical de     origem africana, usado nos
 candombls.  uma dupla campnula de ferro na qual se     bate com uma
 varinha de metal, cada campnula produzindo um som diferente. Tambm 
usado nas orquestras de carnaval, principalmente quando esto tocando o
                        maracatu pernambucano.

                         AGOURO . Veja ABUSO

  AGOSTO .  o oitavo ms do ano. No mundo     todo agosto  conhecido
  como o ms da desgraa, da infelicidade, quando coisas     horrveis
acontecem com as pessoas. No  bom casar, viajar, fazer negcios, mudar
      de     casa, durante o ms de agosto, porque nada d certo.

 AGUARDENTE . Bebida de alto teor     alcolico, obtida pela destilao
  de frutos, cereais, razes, sementes, etc. A mais     conhecida  a
                  aguardente feita de cana-de-acar.

AIPIM.  o nome que se d  macaxeira ,     mandioca doce. No Nordeste,
 o aipim  mais conhecido como macaxeira. Os     ndios faziam vinho de
  aipim, muito bom para o fgado, servido nas festas dos     indgenas
 brasileiros. No Nordeste, quando um homem conduz uma mulher e consente
que ela     caminhe pela extremidade da calada,  chamado de macaxeira.
  A mulher deve ficar     sempre  direita de quem vem e  esquerda de
                               quem vai.

 AJUDAR-A-MORRER . No serto nordestino     quando algum est sofrendo
muito, custando a morrer, sua famlia chama o ajudador, uma pessoa que,
  conforme o nome est dizendo, ajuda o doente a morrer mais depressa,
             cantando incelena, rezando. Veja INCELENA.

   ALAMOA. A alamoa aparece na Ilha de     Fernando de Noronha.  uma
mulher de cor branca, de longos cabelos louros, nua, para     tentar os
pescadores. Os homens vem a alamoa, ficam apaixonados por sua beleza e,
 de repente, ela se transforma num esqueleto horrvel, perseguindo quem
   foge dela. A alamoa mora no Pico, uma elevao rochosa situada no
Arquiplago. Toda sexta-feira a Pedra     do Pico se abre e, na chamada
 ponta do Pico, aparece uma luz que atrai as mariposas e os     homens
                   que se encontram nas imediaes.

ALCEU MAYNARD ARAJO nasceu no dia 21 de     dezembro de 1913, na cidade
   de Piracicaba, SP. Formou-se professor em 1930 e veio para     So
 Paulo, ingressando no Curso Colegial e Cientfico do Colgio Ipiranga.
  Em 1944     bacharelou-se na Escola de Sociologia e Poltica de So
Paulo, depois do que exerceu     diversas funes e pertenceu a diversas
 entidades. Na rea do Folclore publicou: Cururu (1948), Danas e ritos
   populares de Taubat (1948), Folia de Reis de Cunha (1949), Rondas
    infantis de Canania (1952), Literatura de cordel (1955), Ciclo
 agrcola, calendrio religioso e magias ligadas s plantaes (1957),
Poranduba     paulista (1958), Folclore do mar (1958), Medicina rstica
 (1961), Novo     dicionrio brasileiro  verbetes de folclore (1962),
 Folclore nacional (1964), Pentateuco nordestino (1971), alm de muitos
ensaios e artigos na imprensa     brasileira e revistas especializadas.
                            J  falecido.

 ALECRIM .  uma planta usada na medicina     popular para curar tosse,
             rouquido, falta de ar. Combate o mau-olhado.

ALFAZEMA .  uma planta com a qual se     faz um perfume tradicional e 
usada, tambm, para que o enxoval dos     recmnascidos fique cheiroso.
No quarto da parturiente, a tradio manda queimar     alfazema. Tambm
                      usada nos banhos de cheiro.

ALFEL .  um dos doces dos mais antigos     trazidos pelos rabes para
 a Espanha e Portugal. Os colonizadores portugueses trouxeram o alfel
  para o Brasil.  ainda vendido em algumas cidades do Nordeste.  uma
  pasta de mel em ponto grosso, "puxado" at clarear; depois se fazem
  colunas     finas, embrulhadas em papel colorido. Quando o alfel 
 feito com mel de engenho     passa a ser chamado de puxapuxa .  uma
                               delcia.

    ALFENIM .  um doce popular, feito de     massa de acar muito
    branquinha, em forma de flor, sapato, cachimbo, peixe, etc. Foi
     trazido pelos rabes para Portugal e Espanha. Os colonizadores
            portugueses trouxeram o alfenim para o Brasil.

 ALFINETE . O alfinete est ligado a     muitas supersties, dentre as
quais, as seguintes: alfinete apanhado no cho,     d felicidade no dia
 em que  apanhado; alfinete que foi usado em vestido de     noiva deve
ter a ponta cortada e ser atirado fora para no ser utilizado por outra
pessoa, para no diminuir a felicidade da noiva . Alfinetes tambm so o
    dinheirinho que os maridos do s esposas para as suas pequenas
 despesas. Dois alfinetes amarrados em cruz, com linha preta, trazem a
   desgraa para a casa onde forem     escondidos. Para acabar com o
           feitio  bom, a pessoa que achou, urinar neles.

ALHO . O alho combate a tosse em     forma de ch ou lambedor , e a dor
  de dente quando colocado na cavidade do     dente. O cheiro do alho
 afasta todas as feitiarias e onde houver alho no     haver bruxaria
  por perto. Os lobisomens e as mulas sem cabea fogem do alho como o
                            Diabo da cruz.

 ALPARCATA .  uma sandlia de couro presa     aos ps por meio de uma
  correia. No Nordeste sertanejo a alparcata geralmente      leve, de
  couro cru, chamada de alparcata de rabicho . Os frades costumam usar
 alparcatas que so os sapatos mais baratos. Na linguagem popular essa
 sandlia tambm  conhecida     como alpargata, alpercata, alpregata,
                           pregata, pracata.

                      ALPARGATA . Veja ALPARCATA

                      ALPERCATA . Veja. ALPARCATA

                      ALPREGATA . Veja ALPARCATA

 ALTIMAR PIMENTEL nasceu no dia 30 de     outubro de 1936, na cidade de
Macei, AL, havendo exercido as seguintes funes:     diretor do Teatro
 Santa Rosa (Joo Pessoa), diretor do Departamento de Extenso Cultural
da Paraba, coordenador do Ncleo de Pesquisa e Documentao de Cultura
 Popular da     Paraba, diretor da Rdio Correio da Paraba, assessor
 cultural do Instituto Nacional     do Livro (Rio de Janeiro), assessor
    cultural da Pr-Reitoria para Assuntos Comunitrios     da UFPB
(1977-1979), assessor administrativo da Cmara dos Deputados (Braslia,
 1980),     membro do Conselho Estadual de Cultural da Paraba (1963),
    secretrio do Conselho     Consultivo de Alto Nvel do Instituto
Nacional do Livro (Rio de Janeiro, 1969), redator     da Coordenao do
  Ministrio da Agricultura (Braslia, 1974), assessor de imprensa do
 Ministrio da Agricultura (Braslia, 1975), assessor de divulgao de
  Imprensa e     relaes pblicas da Cmara dos Deputados (Braslia,
1975), do jornal Correio     Braziliense (Braslia, 1976), da Agncia de
  Notcias dos Dirios Associados     (Braslia, 1976), do Jornal e da
 Rdio Correio da Paraba (Joo Pessoa, 1970/76).     Publicou, na rea
  do Folclore, O coco praieiro (1968), O Diabo e outras     entidades
mticas no conto popular (1969), O mundo mgico de Joo Redondo (1971),
  Estrias da boca da noite (1976), Saru, lenda de rvores e plantas
  do Brasil (1977), Barca da Paraba (1978), Catlogo prvio do conto
popular da Paraba (1982), Estrias de Cabedelo (1990), Estrias de So
Joo do Sabugi (1990), Incantion (Flrida, USA, 1990), Estrias do Diabo
(1995), Estrias de Luzia Tereza (1995), Contos populares brasileiros 
Paraba (1996), Contos populares de Braslia (1998), Como nasce um cabra
  da peste (adaptao teatral do livro de igual ttulo, de Mrio Souto
   Maior, 1997).     Autor de vrias peas teatrais, Altimar Pimentel
 tambm publicou muitos ensaios e     artigos na imprensa brasileira.

 ALU .  uma bebida de milho ou de     abacaxi, depois de fermentados.
   Usa-se, tambm, principalmente em Pernambuco, o alu feito     com
arroz. No Cear, o alu  feito com milho torrado, fermentado com gua e
       rapadura que, em Pernambuco, recebe o nome de quimbemb.

ALVSSARAS . Recompensa que se d  pessoa     que traz boas notcias ou
                     que entrega coisas perdidas.

AMADEU AMARAL nasceu no dia 6 de novembro     de 1875, em Monte-Mor, SP.
 Fez o curso primrio em Capivari. Com onze anos de idade, em     1888,
foi para So Paulo trabalhar como menino de recados na firma Lion & Cia.
Sabe-se que freqentou o curso anexo da Faculdade de Direito, trocando-o
  pelo de     Jornalismo que trazia nas veias como herana de seu pai,
   Joo de Arruda Leite Penteado,     fundador da Gazeta de Capivari
 (1885). Foi auto-didata. Comeou a trabalhar no Correio     Paulistano
  e, em seguida, em O Estado de So Paulo , foi oficial de gabinete do
 Chefe de Polcia, trabalhou na Secretaria de Justia de So Paulo. Em
  1922, mudou-se     para o Rio de Janeiro, secretariando a Gazeta de
Notcias , foi Diretor do Imposto     de Renda e, transferido para Belo
 Horizonte ou Porto Alegre, resolveu pedir demisso.     Retornou a So
 Paulo, nomeado diretor do Ginsio Moura Santos (1927/8). Foi membro da
   Academia Brasileira de Letras, na vaga de Olavo Bilac (1919) e da
    Academia Paulistana de     Letras. Jornalista, poeta, novelista,
conferencista, folclorista, Amadeu Amaral publicou     vrios livros. Na
rea de Folclore, so de sua autoria, O dialeto caipira (1920), A poesia
da viola (1921) e Tradies populares (obra pstuma,     1948). Faleceu
              em So Paulo, no dia 24 de outubro de 1929.

                      AMARELINHA . Veja ACADEMIA.

 AMAZONAS . So mulheres indgenas,     guerreiras, exmias cavaleiras,
 sem marido, que amputavam um dos seios para melhor     empunharem seus
 arcos e flechas. Foram avistadas, pela primeira vez, em 24 de junho de
1541, por Frei Gaspar de Carvajal, na foz do Rio Jamund, na Amaznia.

 AMENDOIM . Tambm conhecido por mendobi,     mandubi, amendo, mendu,
   manobi, midubim, o amendoim , assado ou cozinhado,     com sal, 
   consumido no mundo inteiro tambm como tira-gosto nos cock-tails .
   Conta a tradio que o amendoim s deve ser plantado por mulheres.
                Plantado por     homem, ele no nasce.

   AMIGA .  um prato feito com o caldo do     feijo, engrossado com
   farinha, temperado com pimenta, cebola, a gosto da pessoa. Tambm
      tem o nome de remate e, no Recife,  conhecido como apito.

AMULETO .  toda medalha, inscrio,     bentinho, venera , figa, figura
ou qualquer objeto que se traz pendurado no pescoo     ou na roupa, com
 um broche, para prevenir as doenas, cur-las, destruir os malefcios
 e desviar as calamidades.  usado por todos os povos desde o comeo do
                                mundo.

ANDAR . Tem menino que custa a andar .     Para que ele comece a andar 
    bom faz-lo caminhar em volta de sua casa nas trs     primeiras
sextas-feiras durante trs meses seguidos. Ou segura-se a criana pelas
   mos,     dizendo-se, trs vezes: - "Vamos para a missa, menino!"

ANEL . Feito de metal, de madeira, de osso,     de plstico ou de vidro,
o anel  usado h sculos como adorno ou com um significado     especial
por todos os povos. A aliana  usada pelos noivos no dedo anular da mo
direita e, pelos casados, no da mo esquerda. As vivas passam a usar as
  duas alianas     no mesmo dedo. Na linguagem infantil, os dedos tm
outros nomes: o polegar  o cata-piolho ,     o indicador  o fura-bolo
   , o mdio  o maior de todos , o anular  o senhor     vizinho , o
  mnimo  o mindinho. Os meninos costumam brincar de anel. Faz-se uma
  roda de meninos e meninas e um deles, com um anel entre as mos, vai
  passando     pelas mos dos outros e, entre as mos da pessoa de sua
   preferncia, namorado ou     namorada quase sempre, deixa o anel .
    Depois um deles  argido: "- Onde      que est o anel?". Se o
indagado disser com quem est o anel, ele     continuar a brincadeira,
 passando o anel . Se errar, sai da brincadeira, leva um bolo ou outro
                               castigo .

                         ANEXIM . Veja ADGIO.

 ANGU .  uma papa mole de fub de milho     ou de farinha de mandioca,
 feita com gua e sal, ou com leite, ou caldo de peixe, de     carne ou
 de camaro para se comer com guisado ou carne assada. Tambm se faz o
angu, no Nordeste, de outra maneira: somente  base de milho, do xerm (
    angu doce, na     ceia, e salgado, para ser comido com carne).

 ANJINHOS . So anis de ferro, com     parafusos, presos a uma tbua,
 para apertar os polegares dos criminosos e faz-los     confessar seus
          crimes. Tambm foram usados no tempo da escravido.

  ANJO . Diz-se das criancinhas quando     morrem. Como no chegaram a
                  pecar, vo para o cu e so anjos.

 ANJO DA GUARDA .  o anjo que Deus d a     cada pessoa quando nasce,
  para proteg-la, defend-la, mostrando sempre o caminho do     bem.
Antes de dormirem, as mes costumam rezar, com seus filhos, a orao do
anjo da     guarda : "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, que a
 ti me confiou a     piedade divina, sempre me rege, guarde e governe e
 ilumine. Amm". Ou "Amigo     bom, Anjo de Deus, vinde guiar os passos
                   meus. Fazei-me uma boa criana".

 ANO-NOVO . Celebrado com muita festa, muita     comida, muita bebida e
 dana, a festa do Ano-Novo  comemorada no primeiro dia do     ano que
 comea, representado por uma criana recm-nascida, enquanto que o ano
velho, o     que passou,  representado por um velho de longas barbas e
de andar trpego, apoiado num     basto. O povo criou uma srie enorme
   de crendices e supersties ligadas  entrada     do Ano-Novo . No
primeiro minuto do Ano- Novo , a pessoa deve estar com uma     cdula de
    maior valor na mo direita ou no sapato do p direito para dar o
  primeiro     passo para ser feliz e nunca lhe faltar dinheiro. Deve
estar vestida de branco     (influncia dos cultos afro-brasileiros) ou
de amarelo, que  a cor do ouro. Rompido o Ano-Novo ,     a pessoa deve
dar o primeiro passo com o p direito. Tambm  bom fazer o seguinte: 1.
   Comer sete caroos de rom e guardar as sementes na carteira para
  garantir um ano sem aperto ;     2. Usar roupas novas, inclusive as
 ntimas; 3. Comer carne de porco, porque o porco fua     para frente,
   evitando carne de peru, que cisca para trs; 4. Guardar a rolha da
   garrafa     de champanhe num lugar que ningum possa descobrir; 5.
Trocar toda a roupa da cama; 6.     Fazer muito barulho, gritar, quando
   romper o ano, que  para afugentar os maus     espritos; 7. Jogar
    moedas da calada para dentro de casa, para atrair dinheiro; 8.
 Livrar-se de tudo quanto for velho, quebrado, imprestvel; 9. Acender
 todas as luzes da     casa para receber um Ano-Novo cheio de luz e de
                               alegria.

ANTNIO, Santo . Fernando de Bulhes     nasceu em Lisboa, Portugal, no
  dia 15 de agosto de 1195. Ingressou na Ordem de So     Francisco em
  1220 e, como frade, recebeu o nome de Antnio. Faleceu no dia 13 de
  junho de 1231, em Arcela, perto de Pdua, na Itlia.  um dos santos
  mais populares     no somente em Portugal como tambm no Brasil. 
considerado como santo casamenteiro .     Quando as moas no encontram
   rapazes para casar fazem promessas a Santo Antnio e muitas delas
     conseguem um marido. Santo Antnio tambm ajuda a encontrar as
 coisas perdidas. Os escravos africanos pintaram de preto uma imagem de
Santo Antnio que passou a ser conhecido como Santo Antnio dos Pretos .


  ANTNIO SILVINO . Era este o nome de     guerra de Manuel Batista de
     Moraes, nascido em Afogados da Ingazeira, PE, em 1875. Como o
   assassino de seu pai no foi preso, Antnio Silvino procurou fazer
 justia com as     prprias mos,  sua maneira. Durante quatorze anos
  foi o governador do     Serto. Era um cangaceiro que respeitava as
mulheres, distribua dinheiro, tomado     dos ricos (as moedas), com os
  pobres. Vivia sempre perseguido pelas foras policiais de     vrios
 estados do Nordeste. Foi ferido em combate em Taquaritinga, PE, no dia
28 de     novembro de 1914 e preso. Depois de cumprir quase toda a pena
a que fora condenado ,     Antnio Silvino morreu em Campina Grande, PB,
  em agosto de 1944. Muitos folhetos     de feira foram escritos pelos
   poetas populares sobre sua valentia, seus combates, sua     vida.

APARTAO . No serto, o gado  criado     solto. As vacas e os bois so
ferrados com a marca do dono. E, depois do inverno,     o gado  reunido
   pelos vaqueiros das fazendas para ser entregue aos seus donos.  a
  apartao ,     uma das melhores festas do serto, com muita comida,
    baile, reunindo vaqueiros e     fazendeiros. Acontece, ento, a
                      vaquejada. Veja VAQUEJADA.

APITO .  um pequeno instrumento de sopro,     usado pelo regente de uma
orquestra, para avisar o incio do toque de um frevo e,     tambm, pelo
          mestre da bateria das escolas de samba. Veja AMIGA.

   ARANHA . Diz o povo que quando Nossa     Senhora, com So Jos e o
Menino Jesus iam fugindo para o Egito, perseguidos pelos     soldados de
   Herodes, esconderam-se em uma gruta e uma aranha teceu uma teia na
 entrada e os soldados no acharam os fugitivos, razo pela qual Nosso
 Senhor abenoou a aranha e sua teia. No  bom desmanchar uma teia de
 aranha porque ela traz     felicidade. Botando uma aranha num saquinho
  de pano e pendurando esse saquinho no     pescoo de uma pessoa que
      sofra de algum mal na garganta, essa pessoa ficar curada.

ARARA .  uma dana engraada. Todos os     pares esto danando, menos
   um rapaz que, em determinado momento, grita: Arara !     Todos os
  rapazes trocam suas damas e quem ficar sem dama para danar  o novo
                                arara.

ARCO-RIS . Tambm conhecido como arco,     arco celeste, arco-da-chuva,
   olho de boi, arco-da-velha, o arco-ris no      muito amigo dos
 agricultores porque ele bebe a gua dos rios, dos audes, das lagoas.
   Para acabar com o arco-ris costumam fazer filas de pedrinhas, de
  gravetos,     pauzinhos e ele vai embora porque no gosta de linhas
                                retas.

   ARENGA-DE-MULHER . Diz-se, no Nordeste, da     chuva fraca, fina,
                       insistente, que no pra.

    ARGUEIRO . Para retirar um argueiro do olho nada como esfregar a
  plpebra e dizer: "Vai-te argueiro, pro olho do     companheiro"! Ou
   ento botar uma semente de alfavaca na plpebra e     esfreg-la.

ARIANO SUASSUNA nasceu no dia 16 de junho     de 1927, na cidade de Joo
   Pessoa, PB. Fez o primrio em Tapero, PB. Concluiu o curso     de
 Bacharel em Cincias Jurdicas e Sociais pela Faculdade de Direito do
 Recife (PE), em     1946. Professor de Esttica e Teoria do Teatro na
 Universidade Federal de Pernambuco, foi     poeta e, quando ainda era
 estudante de Direito, fundou, com Hermilo Borba Filho e outros,     o
Teatro do Estudante de Pernambuco. Renomado teatrlogo, romancista, foi
 membro fundador     do Conselho Federal de Cultura e, em 1969, Diretor
  do Departamento de Extenso Cultural     da Universidade Federal de
 Pernambuco. Levando a literatura popular em verso para suas     peas
   teatrais, Ariano Suassuna, na rea de Folclore, publicou A poesia
 clssica do     serto nordestino (1949), Coletnea da poesia popular
nordestina: romances do     herico (1962), Coletnea da poesia popular
     nordestina: romances do ciclo     herico  concluso (1964).

     ARRASTA-P . Baile popular. O mesmo que bate-chinela , forr.

 ARRASTAR-A-MALA. Diz-se de quem deu uma     viagem perdida, isto , de
     quem foi procurar uma pessoa e no a encontrou, por exemplo.

ARRIBA . Tambm conhecida como riba,     reba, avoante, avoete , 
 uma ave de imigrao que aparece no serto     nordestino. A arribao
  chega no fim do inverno, em bandos, nas caatingas ,     passando nos
    lugares onde encontram o capim-milho , que  a alimentao que
 prefere. Os caadores entram em ao e abatem uma quantidade enorme de
                arribas que so vendidas nas feiras.

  ARRUDA . Amuleto contra o mau-olhado .     A casa que tiver um p de
 arruda plantado no jardim as foras contrrias desaparecem.      uma
 planta muito usada nas macumbas, nos candombls, nos catimbs .     Na
medicina popular a planta funciona como fortificante do sistema nervoso,
  como     sudorfico e tambm como aperitivo. Suas sementes, secas e
                  queimadas, combatem os     insetos.

  ASCENSO FERREIRA nasceu em 1895, na cidade     de Palmares, PE, onde
 passou sua infncia e adolescncia, tendo sua me como     professora.
Aos treze anos foi obrigado a trabalhar na loja de um tio para ajudar no
  oramento domstico. Com alguns amigos fundou, em 1917, a sociedade
  literria Hora     Literria de Palmares , com reunies dominicais,
 quando os scios liam e discutiam     suas produes intelectuais. No
mesmo ano estreou como poeta, publicando Pro Pace ,     soneto dedicado
     a Oliveira Lima, no Jornal do Recife . Participou do movimento
modernista (Mrio de Andrade foi seu hspede, certa vez) e colaborou nos
    jornais e     revistas da poca, percorrendo os grandes centros
  literrios do pas lendo seus famosos     poemas. Publicou: Catimb
 (1927), Cana Caiana (1939), Xehenhem (1951), 64 poemas e 3 historietas
populares (livros e discos) (1958), Catimb e     outros poemas (1939).
   Na rea de Folclore escreveu Maracatu, Prespios e     Pastoris, O
     bumba-meu-boi , na revista Arquivos , da Prefeitura do Recife,
                      1942-1944. Faleceu em 1965.

 ASSOMBRAO .  o aparecimento de     barulhos, de vozes, de correntes
   arrastadas, de gemidos, de sons misteriosos, de luzes em     casas
                           mal-assombradas.

ASSUSTADO. Existente at hoje, o assustado  a maneira de se comemorar o
  aniversrio de uma pessoa amiga, sem que ela saiba.     Juntam-se os
 amigos, compram-se os comes e bebes, contrata-se uma pequena orquestra
   e, de     surpresa, aparecem todos na casa do aniversariante, onde
       danam, comem, bebem e conversam     at tarde da noite.

  ATABAQUES . So tambores feitos com peles     de animais, espichadas
   sobre a abertura de um pau oco e que servem para marcar o ritmo de
  danas religiosas nos clubes afro-brasileiros e foram trazidos pelos
                          escravos africanos.

  ATIRADEIRA .  o mesmo que tiradeira,     estilingue, funda, setra,
baladeira, badoque ou bodoque . So duas tiras de borracha     de cmara
de ar de automvel amarradas nas extremidades de uma pequena forquilha e
que     vo ser fixadas num pequeno pedao de couro onde  colocada uma
  pedrinha. Pegando-as a     forquilha com a mo esquerda e, com a mo
direita, esticando-se as tiras de borracha, a     pedrinha  arremessada
  at certa distncia. A baladeira serve para caar     passarinhos.

                        AVIO . Veja ACADEMIA.

                       AVOANTE . Veja ARRIBA.

                        AVOETE . Veja ARRIBA.

  AXS .  a mistura do sangue dos animais     sacrificados nos cultos
                           afro-brasileiros.

 AZIA . Calor de estmago, azedume. Para     melhorar  bom dizer trs
                      vezes: " Azia, ave-maria".

 AZUL e ENCARNADO . So as cores dos dois     cordes dos pastoris. H
  uma explicao catlica sobre a cor dos cordes dos     pastoris: o
 encarnado representa o manto de Jesus Cristo e o azul representa     o
                manto de Nossa Senhora. Veja PASTORIL.


*   BABA-DE-MOA . Doce antigo e popular no Brasil, feito com polpa de
 coco verde, acar, gemas de ovo. Sobremesa leve, servida em qualquer
 ocasio. Gilberto     Freyre sempre ofereceu essa iguaria aos hspedes
  de sua casa. Tambm  feito com o     leite de coco e com acar, da
                maneira como so feitos todos os doces.

 BABALA . Sacerdote dos cultos     afro-brasileiros, tambm chamado de
babalorix mestre, pai-de-santo, jeje-nags,     bab, piji-gan (dono do
altar). Para ser um babala a pessoa tem que ter     devoo, direitos e
       deveres, jurisdio e misteres da religio africana. Veja
                             PAI-DE-SANTO.

BABALORIX .  o pai-de-santo,     zelador, pai-de-terreiro, o mestre, o
guia terreno, governador espiritual e     administrador do candombl. O
feminino de babalorix  alourix,     me-de-santo . A diferena entre
  babalorix e babala  que o babalorix fica sempre ligado ao culto
 atravs dos orixs , enquanto que babala diz     o futuro consultado
pelo If, Opel, Elu, so videntes. So bastante     confundidos, mas o
   babala  superior ao babalorix. O babalorix  conhecido fora da
   religio africana como feiticeiro, macumbeiro, bruxo das     artes
                  negras e assombrosas. Veja BABALA.

   BABAU .  o nome popular do mamulengo,     fantoche , brincadeira
 popular nas festas dos engenhos e das cidades do interior. O babau no
 tem nada a ver com o bumba-meu-boi .  irmo gmeo do cavalo-marinho .
So personagens do babau ou mamulengo o Cabo 70 , o Preto Benedito , Z
                      Rasgado, Simo e Etelvina.

BABOSA. A babosa  uma planta     originria do sul e do leste da frica
e est aclimatada nas regies tropicais de     todos os continentes. Seu
   nome botnico  aloe e  encontrada no nordeste e     centro-oeste
     brasileiros. Seu uso na medicina popular  muito grande. Como
 supositrio      usada na cura de hemorridas e oxiuros. bem como nas
 inflamaes vaginais e priso     de ventre. As mulheres usam a babosa
      para combater a caspa e afinar os cabelos.     Para curar as
queimaduras, nada como colocar um pedao de babosa na rea     atingida.
  O rgo que controla a venda de remdios nos Estados Unidos (FDA) j
  aprovou     o uso da planta para testes de pacientes com AIDS. Mas a
 babosa est sendo muito     usada entre pessoas portadoras de tumores
malignos da prstata e no combate ao cncer.     No ltimo caso,  feita
 uma mistura de babosa , mel de abelha e cachaa ou     usque, remdio
      que tem obtido resultados positivos. O remdio j est sendo
               industrializado e vendido nas farmcias.

 BACALHAU-DO-BATATA. Troa de carnaval     que, desde 1965, se exibe na
Quarta-Feira de Cinzas na cidade de Olinda, PE, composta de     garons,
 motoristas, vigilantes e enfermeiros que no brincaram o carnaval por
  estarem     trabalhando. Foi fundada pelo garon Isaias Ferreira da
Silva, j falecido, com a     participao de seus amigos Lima, Toinho e
                  Isaque. Saa da rua das Bertiogas.

 BACO-BACO. Como o povo chama aos     caminhes que queimam gs leo. A
 origem  onomatopaica, isto , do barulho que o     motor do caminho
                     faz quando est trabalhando.

 BACURAU . Pssaro noturno, de plumagem     sedosa, que se alimenta de
  insetos. As penas das asas do bacurau curam dor de     dentes quando
  esfregadas neles. Diz-se das pessoas, dos bomios que saem  noite 
procura de aventuras amorosas. No Recife, existia uma feira-do-bacurau ,
          que     comeava de noite e ia at o dia amanhecer.

BAIANA .  a roupa vestida pela negra,     pela mestia de Salvador. As
baianas usam uma saia rodada de vrias cores,     angua (saia de baixo,
  engomada), uma bata (blusa branca comprida e solta). Um pano     da
  costa (comprido manto de algodo listrado), um torso ou turbante de
algodo ou     seda  volta da cabea, calam chinelos de salto baixo, e
se enfeitam com colares,     brincos, braceletes e balangands . Carmen
    Miranda universalizou a baiana em     Holywood, vestindo-se como
      verdadeira baiana, e cantando "O que  que a baiana tem?".

BAIO .  uma dana popular do Nordeste,     o mesmo que rojo, baiano .
 Quem divulgou o baio foi o sanfoneiro pernambucano     Lus Gonzaga,
apresentando-o, com muito sucesso, nas estaes de rdio e televiso de
  todo o pas, gravando muitos discos, razo pela qual ficou conhecido
                      como o "Rei do     Baio".

 BAIO-DE-DOIS . Comida tpica, popular do     Cear, feita com arroz e
      feijo cozinhados juntos, para se comer na hora do almoo.

    BAILE . Dana. Na linguagem popular     significa descompostura,
      agresso verbal pblica: "Alice deu um baile em     Clara".

  BAILE-DA-SAUDADE. O Baile-da-Saudade apareceu     em 1973, como uma
     prvia do carnaval do Recife. Duranteobaile, muito concorrido
principalmente por saudosistas, a orquestra s toca msicas do passado,
 como Aurora,     Um pierot apaixonado,  de amargar, Jardineira, etc.,
 que, na realidade, continuam     animando os carnavais nos bailes dos
                                clubes.

BAILE-DOS-ARTISTAS. Prvia do carnaval     recifense que rene artistas
e intelectuais de todas as reas e que foi realizado, pela     primeira
 vez, em 1979 pelo teatrlogo Marcus Siqueira. Cada ano, um escritor ou
                     um     artista  homenageado.

   BAILE MUNICIPAL. Baile promovido pela     Prefeitura da Cidade do
    Recife, desde 1965, como abertura oficial do carnaval recifense,
                    ultimamente no Clube Portugus.

BAIO . 1. Dana popular no Piau.     Assemelha-se ao miudinho , do sul
 do pas. Ritmo vivo, parecido com a arcaica chula ,     onde os pares
   fazem piruetas no meio da roda, e os danadores se movimentam com
 rapidez,     com sapateados difceis e elegantes; 2. Diz-se do cavalo
                               castanho.

   BALA .  o projtil de arma de fogo que     significa, tambm, na
 linguagem popular, rapidez, como na expresso: "Foi e voltou     como
 uma bala !" Na culinria,  o ponto em que a calda do acar refinado
 com a essncia de uma fruta atinge o ponto certo para a fabricao de
balas, bolas,     rebuados . No Nordeste, a bala  mais conhecida como
                                bombom.

                     BALADEIRA . Veja ATIRADEIRA.

   BALANGANDS .  a coleo de ornamentos     que as crioulas trazem
  pendentes na cintura nos dias de festa, principalmente na do Senhor
do Bonfim. O vocbulo erradicou-se na Bahia, "quem no tem balangands ,
no vai ao Bonfim!", diz a cantiga. Tambm podem ser usados no pescoo.
  Quando uma     pessoa est muito enfeitada diz-se que est cheia de
 balangands. Tambm  um     conjunto de miniaturas em prata, ouro ou
   qualquer outro material, em forma de figas,     coraes, dentes,
    chaves, cadeados, placas, frutos, sapatinhos, bonecas, tesouras,
                   chifres, conchas e outras peas.

BAL . Nos xangs pernambucanos bal  um quartinho fora do barraco das
 festas, destinado a hospedar o esprito dos mortos     antes da viagem
               para o outro mundo.  a casa dos mortos.

BAL-MASQU. Luxuosa prvia carnavalesca     realizada, desde 1948, com o
 comparecimento de folies, vestindo ricas fantasias,     realizada no
                    Clube Internacional do Recife.

 BAMBEL .  samba, coco-de-roda ,     dana em crculo acompanhada por
 instrumentos de percusso, tendo, no centro do     crculo, um ou dois
                              danarinos.

  BANANEIRA . rvore de fruta tropical que     tem variadas espcies :
 an, ma, prata, comprida, etc.  um vegetal que tem     suas origens
na criao do mundo. A bananeira tem suas estrias e mistrios. Na noite
 de So Joo,  meia-noite, a moa que enfiar uma faca virgem no tronco
 de uma     bananeira ver o nome do futuro noivo escrito na lmina da
 faca. Quando a bananeira vai     dar cacho, ela geme como a mulher nas
  dores do parto. A banana est presente na     culinria brasileira.
 Mingaus, bolos, tortas, saladas, farinhas, doces (inclusive o nego-bom
   ),     so feitos com a banana. As folhas da bananeira servem para
     envolver peixes,     assados, pratos afro-brasileiros e outras
                              guloseimas.

BANDEIRA . Alm de ser o smbolo de uma     nao, a bandeira tambm tem
  sua significao religiosa. A bandeira de So     Joo d incio s
  festividades juninas quando iada nos mastros antes ou depois     da
 novena do santo, entre msica e salva de foguetes. Terminada a novena,
uma pessoa     ser escolhida ou sorteada pelos presentes para guardar a
bandeira at o ano     seguinte, o que lhe trar sorte e felicidade. Nas
 festas de So Gonalo, do Divino, e     de So Joo, as bandeiras saem
   da casa onde ficaram guardadas durante o ano que     passou e, em
  procisso, vo at o local onde se encontram os mastros em que sero
                                iadas.

 BANGUELO . Pessoa sem dentes. Entre 6 a 7     anos a criana perde os
    dentes-de-leite ficando banguela . Antigamente os banguelos eram
    escravos que vinham de Angola com os dentes limados, por motivos
                     estticos ou     religiosos.

 BANHO-DE-CHEIRO .  um banho aromtico     preparado com ervas, cascas
      de plantas, flores, essncias e resinas, que tem o poder de
conservar a felicidade, afastar o caiporismo e readquirir os favores da
 sorte. O banho-de-cheiro nordestino  feito com sete plantas: arruda,
     alecrim, manjerico, malva-rosa,     malva-branca, manjerona e
  vassourinha. Antes do banho, fricciona-se o corpo com cachaa.     O
  banho-de-cheiro  muito usado nas religies afro-brasileiras.  bom
lembrar     que nos banhos de cheiro no se usa sabonete nem toalha. Os
 melhores dias para     tomar banho-de-cheiro so os seguintes: dia de
Ano-Novo, no Sbado de Aleluia, no     dia de So Joo, no dia de Natal
   e antes de casar.  bom tomar um banho-de-cheiro para acabar com o
                             mau-olhado .

 BANHO-DE-MAR--FANTASIA. Juntando o     carnaval  praia, os cariocas
 promovem o banho-de-mar--fantasia, que comeou,     numa promoo do
          jornal A Noite, em 1935, no Posto 4, em Copacabana.

 BANHO-DE-SARGENTO .  lavar o rosto e os     braos.  uma meia-sola ,
                       como se diz em So Paulo.

BANHO-DE-TARTARUGA .  o banho em     banheira. A gua pode ser fria ou
morna, de acordo com a vontade da pessoa.  bom para     relaxar, quando
                          a gua est morna.

  BARBA . A barba antigamente dava ao     homem o tom de seriedade, de
  poder. Os condes, os bares, os nobres, de maneira geral,     usavam
barba crescida at os comeos do sculo. Os rapazes, quando iam fazer a
  barba pela primeira vez, tinham que pedir licena ao pai. No  bom
barbear-se nas     teras-feiras, dia em que o diabo anda solto, nem s
 sextas-feiras, porque nesse dia os     judeus fizeram a barba de Nosso
 Senhor. Antigamente, um fio de barba valia     at mesmo como garantia
                           da palavra dada.

  BARRIGA VERDE . Nome dado s pessoas     nascidas no Estado de Santa
     Catarina, por causa do colete verde usado pelos soldados de um
            batalho de fuzileiros formado por Silva Paes.

 BATALHA-DE-CONFETE. Promovida pelo jornal A     Gazeta de Notcias, do
  Rio de Janeiro, no carnaval de 1907, a batalha-de-confete consistia
        no arremesso, entre os folies, nos bailes, de confete.

 BATE-BATE . Bebida feita com cachaa,     acar e limo, ou maracuj,
   abacaxi ou outra fruta qualquer.  consumida nos     carnavais do
   Nordeste. No Sul, esta bebida tem o nome de batida , feita, quase
                          sempre, com limo.

                    BATE-CHINELA . Veja ARRASTA-P.

   BATERIA . Conjunto de instrumentos de     percusso muito usado em
espetculos e shows, tocados por uma s pessoa. Tambm      uma coleo
                 de bebidas ou de panelas de cozinha.

                       BATIDA . Veja BATE-BATE.

 BATUCADA . 1. Conjunto de trs ou quatro     ritmistas batucando seus
instrumentos de percusso e que sai s ruas, no Rio de Janeiro,     nos
dias de carnaval; 2. Estilo de msica, com ritmo bem marcado, herdado do
   batuque     angolano. Duas batucadas fizeram bastante sucesso nos
carnavais cariocas do passado: General     da Banda (de Stiro Melo, J.
Alcides e Tancredo Silva), em 1949 e Nega do Cabelo     Duro (de Rubens
                   Soares e David Nasser), em 1942.

BATUQUE . Dana acompanhada de sapateado,     palmas e tambor, quando de
  negros. No batuque de branco, o pandeiro e a viola so     tocados.
  Batuque  o nome que se d, geralmente, a todas as danas de negros
                           vindos da frica.

BEBER-GUA-DE-CHOCALHO . Quando as     crianas esto demorando a falar,
 as mes nordestinas enchem um chocalho com gua e,     depois de meia
 hora, do ao filho para beber, para falar logo. Quando uma pessoa fala
muito, demais, o povo diz que ela bebeu gua de chocalho quando criana.


BEBER-FUMO . Era o nome que se dava ao ato     de fumar, logo que o fumo
apareceu. Na linguagem popular, beber fumo, agora,      fumar maconha.

BEDEGUEBA . Na linguagem popular nordestina bedegueba significa o chefe,
  o patro , o homem autoritrio ,     o mando, o manda-chuva local.
  Tambm  o homem desprezvel, inferior:     "Ele  um bedegueba . Um
qualquer". No pastoril,  o velho que     dirige a brincadeira, que faz
        papel de palhao, conta anedotas, canta, pinta o sete .

BEIJA-FLOR .  um passarinho de bico bem     fininho que se alimenta do
 mel que tm as flores. O beija-flor anuncia visitas.     Quando entra
numa casa e no sabe sair, significa que vai haver briga do casal. Para
os     indgenas, o beija-flor  o mensageiro de outro mundo. Diz o povo
 que ele passa     seis meses dormindo e seis meses acordado. Tambm 
conhecido em outras regies     brasileiras como pica-flor, chupa-mel.

 BEIJU . Feito com a massa da mandioca     na zona rural, nas casas de
farinha , com coco ralado e um pouco de sal, na poca     das farinhadas
 . Comido ainda quentinho, com manteiga-de-garrafa,  uma     delcia.

    BELISCO-DE-FRADE . Belisco dado com os     ns do dedo mdio e
   indicador, ou seja o maior-de-todos e o fura-bolo. Tambm pode ser
                      chamado belisco-de-beata .

 BEM-CASADOS . 1. Planta que veio de     Madagascar, na frica, para o
 Brasil, com duas pequenas flores de vermelho muito     brilhante e que
       ficou conhecida, entre ns, como dois-amigos, dois-irmos,
 bem-casados, coroa-de-cristo . 2. Biscoito de goma, redondo, uma parte
maior sobre uma     parte menor. A parte maior representando o homem e a
parte menor, a mulher. Tambm      conhecido nas festas de aniversrios
como um tipo de brigadeiro, feito com leite     condensado, uma parte 
                branca e a outra preta, com chocolate.

BEM-TE-VI .  um pssaro cujo canto      como se ele estivesse dizendo
  seu prprio nome, avisando que algum dele se aproxima. O bem-te-vi
 anuncia visitas. Quando uma pessoa morre o bem-te-vi cantando, costuma
  perguntar: -     "Quem tu viste, bem-te-v i? Homem ou mulher?". Se o
passarinho cantar logo     depois da pergunta, a visita  de homem; mas
              se demorar a cantar, a visita  de mulher.

 BENDITOS . 1. Canto religioso entoado pelas     pessoas que acompanham
 as procisses: - "Bendito, louvado seja, o Santssimo     Sacramento".
     2. Oraes cantadas pedindo uma graa a Deus e aos santos. No
serto, quando est demorando muito a chover com o povo morrendo de fome
e o gado j     no tendo mais pasto, as famlias se renem para cantar
o bendito da seca : -     "Meu pai, meu Senhor,/ De ns tenhais d,/ Que
 a seca est grande,/ Est tudo em     p". E muitos versos se seguem,
             mostrando a devoo do povo e pedindo chuva.

  BERIMBAU . Instrumento sonoro feito de     ferro ou de ao. So dois
espaos que se ligam arqueando-se com uma lingueta no meio.     Toca-se
    o berimbau levando-se  boca, prendendo-o nos dentes e fazendo a
 lingeta     vibrar, puxando-a com o dedo indicador. O berimbau traduz
    um som parecido com um     zumbido. O berimbau foi trazido pelos
                             portugueses.

     BERIMBAU-DE-BARRIGA . Trazido pelos     escravos africanos, o
berimbau-de-barriga  um instrumento musical composto pela     metade de
 um cabao presa a um arco formado por uma varinha curva com um fio de
lato, sobre o qual se bate ligeiramente. Algumas varetas tm um cabao
bem     pequeno, cheio de sementes, fazendo, assim um minsculo marac.

BICHO . Diz-se que bicho  pessoa     muito feia, de gnio mau, parecida
 com animal selvagem, monstro. Tambm  alma de outro     mundo. Quando
 as babs querem amedrontar as crianas costumam dizer: - "Olhe o bicho
 ",     "No faa isso que o bicho te pega". Tambm dizem bicho-papo .
      Quando uma pessoa toma uma bebida pela manh diz-se que est
                   matando-o-bicho, o     gnio mau.

 BLOCO .  um grupo de pessoas, homens e     mulheres, vestindo a mesma
fantasia, cantando seu hino, desfilando pelas ruas da cidade     durante
  os dias de Carnaval. O bloco  acompanhado por uma banda de msica e
    quase sempre seus componentes fazem crtica ou stira social ou
poltica. Atualmente o     bloco mais em evidncia na cidade do Recife 
o Galo da Madrugada que, pela     quantidade enorme de acompanhantes, j
 entrou no Livro dos Recordes Mundiais, o Guines     Book, como o maior
   bloco do mundo. Em Olinda, os blocos mais famosos so a Pitombeira
dos Quatro Cantos, Elefante e o Bloco da Saudade , alm de muitos outros
                que desfilam     pelas ruas da cidade.

BLOCO-EU-SOZINHO . Original bloco de     carnaval composto de apenas uma
 pessoa, sendo seu fundador Jlio Silva, pernambucano, em     1919. Ele
 mesmo, vestido com uma camisa listrada e uma cala de cetim, conduzia
seu     micro-estandarte. Faleceu em 1979, sem deixar continuador de sua
                            original idia.

BOA-HORA . Deseja-se que a mulher grvida     tenha uma boa-hora , isso
            , que tenha um parto normal, sem complicaes.

BOA-MO . H pessoas que tm uma boa-mo para tudo quando fazem. Boa-mo
para botar ovos para galinha chocar, para bater     bolo, para plantar,
e tudo que elas fazem d certo. H, tambm, pessoas que tm boa-mo para
                  certas coisas e mo-m para outras.

BOB . O bob  uma comida     africana muito popular na Bahia. O bob 
 feito de feijo-mendubi (tambm conhecido como feijo- mulatinho ) bem
   cozido com pouca gua, sal a gosto, batata-da-terra, quase madura.
   Depois que o feijo  reduzido a uma massa pouco     consistente,
  junta-se bastante azeite-de-dend e farinha de mandioca. Tambm usam
  fazer o bob com inhame. Bob , na linguagem popular,     significa
                             bofe, pulmo.

 BODE . Bode  o mulato, o mestio, filho     de branco com negra. Bode
   preto  sinnimo do Diabo . Bode tambm  o     marido enganado, a
      refeio que os operrios levam para o lugar de trabalho, o
  protestante que canta muito nos seus cultos. Bode  o conquistador.

                 BODOQUE ou BADOQUE . Veja ATIRADEIRA.

BOI. O boi se faz presente no     folclore, nas cantigas de ninar ("Boi,
   boi, boi!/Boi da cara preta,/Pega este     menino/Que tem medo de
careta"), nas vaquejadas , nos folhetos de feira, no bumba-meu-boi e em
muitas outras manifestaes o boi sempre d o ar de sua graa. Dizem que
  do boi nada se perde, a no ser seu mugido. De seu couro so feitos
  sapatos, cintures,     sandlias. De seus ossos so feitos botes,
 pentes, etc. Da vaca, temos o leite com que     se fazem a manteiga, o
                       queijo, a coalhada, etc.

BIA . Comida, refeio, alimento     preparado na cadeia, no quartel ou
   rancho. Bia-de-governo  almoo e jantar     servidos em servio
social. O nome bia surgiu, no quartel ou cadeia e vem de     feijo mal
  cozido ou podres que fica boiando. Nas universidades, os estudantes
   chamam de chepa .     Em Portugal, bia-de-salvao  um barril de
cortia fechado, lanado a quem     ameaado de afogamento. No-ver-bia
 estar sem esperana de xito. No campo     h os bias-frias , que so
 trabalhadores rurais que viajam de caminho e     executam servios de
               agricultura nas fazendas durante a safra.

   BOI-BUMB .  o nome que se d ao bumba-meu-bo i     no Par e no
  Amazonas e que se exibe nos festejos juninos. O boi-bumb quando sai
            de sua sede visita a casa das pessoas do lugar.

                   BOI CALEMBA . Veja BUMBA-MEU-BOI.

   BOI-DE-FITA . Dos bois que vo     correr durante sua exibio nas
vaquejadas, o mais bonito, o maior, o mais gordo no se     derruba pela
     cauda. Na ponta dos chifres so amarradas duas fitas de cores
  diferentes. A     brincadeira consiste em o vaqueiro tirar o lao de
 fita do lado onde ele est correndo.     O vaqueiro que no conseguir
 tirar o lao de fita dos chifres do boi  vaiado. Quando     consegue
tirar o lao,  aclamado como ganhador e oferece o lao ao prefeito, ao
                 vigrio,  namorada, noiva ou mulher.

 BOI-DE-MAMO .  o nome que se d ao bumba-meu-boi em Santa Catarina.
                          Veja BUMBA-MEU-BOI.

                   BOI-DE-REIS . Veja BUMBA-MEU-BOI.

 BOI-SANTO . Movimento supersticioso     ocorrido no Cear (1918-1920),
com repercusso no Nordeste. Foi chamado Boi Santo ,     porque o padre
Ccero ganhou um zebu de presente e mandou seu administrador levar     o
 animal at sua fazenda, no municpio do Crato. O administrador, que se
      chamava Jos     Loureno, no conhecendo aquela raa, ficou
 impressionado com o porte do animal e     comeou a fazer promessas e
 oraes. O boi tinha o nome de Mansinho .     Jos Loureno dedicou ao
   animal inteira devoo. Foi o primeiro devoto do boi-santo .     E
  depois sua fama de milagreiro espalhou-se em toda a regio. Mansinho
                          virou boi     pis.

BOINA . No folclore amazonense, boina  uma cobra escura, a me-dgua
  que, para enganar as pessoas, se     transforma em canoas, vapores,
  navios. A boina engole uma pessoa. Quando ela anda     no rio faz o
   barulho de um navio. Quando bota a cabea fora da gua, seus olhos
     parecem     dois archotes que, de to fortes, fazem com que os
  navegantes fiquem desnorteados. O     nmero de estrias da boina,
                     contadas pelo povo,  enorme.

 BOI-VAQUIM . O boi vaquim  um boi     mstico, do Rio Grande do Sul,
 com asas e guampas de ouro. Mete medo aos camponeses     porque fasca
fogo das pontas das guampas e tem olhos de diamante.  preciso ser muito
   bom, muito forte e muito corajoso para la-lo e estar montado num
  cavalo bom de patas e     de rdeas. Guampas so vasilhas, feitas de
                               chifres.

 BONECAS DE PANO ou BRUXAS . So, como o     prprio nome est dizendo,
bonecas feitas com retalhos ou sobras de fazenda para a     alegria das
   meninas pobres cujos pais no tm dinheiro suficiente para comprar
bonitas e     maiores bonecas de loua ou de plstico, com vestidos bem
  feitos, que choram, fazem xixi e chamam mame. As bonequeiras ainda
 existem nas cidades do interior nordestino e so     representantes da
    nossa arte popular. H pessoas adultas que possuem colees com
                     centenas de bonecas de pano .

 BORBOLETA . Diz o povo que a borboleta  mensageira, que uma borboleta
 de cores claras traz felicidade, alegria e     fortuna. J a borboleta
negra  o contrrio da borboleta de cores claras.     A borboleta negra
 aliada da morte, avisando que algum vai morrer. Na Europa,     ela 
 o esprito de uma criana que morreu sem ser batizada;  a encarnao
  das     bruxas. De qualquer maneira a borboleta  uma festa para os
olhos. O povo acredita     que quem pegar uma borboleta e passar as mos
           nos olhos, fica cega, por causa de     seu pelo.

    BOR .  um instrumento de sopro feito de     bambu, usado pelos
                              indgenas.

 BOTADA .  o comeo da moagem da cana nos     engenhos do Nordeste. O
  ato  solene. O padre d a bno e  servido um jantar aos senhores
de engenho da vizinhana, amigos e convidados. Se a botada no receber a
bno do padre pode acontecer, como castigo, alguma desgraa de srias
 conseqncias. Alguns senhores de engenho mandam, logo cedo, antes da
 botada ,     rezar uma missa, assistida por todos os que trabalham no
                engenho, bem como seus     familiares.

 BOTAR-NO-OLHO-DA-RUA. Botar no olho-da-rua significa expulsar algum,
                  botar pr fora de casa, do emprego.

 BOTIJA . 1. As botijas de barro     vidrado que vinham da Holanda e da
  Blgica, cheias de genebra, eram, depois de bebido seu     contedo,
 transformadas em instrumentos musicais. Segurando-se a asa da botija e
   atritando-se com qualquer objeto metlico ao longo do seu pescoo,
  ouvia-se um som     alegre vivo, servindo para dar ritmo ao samba e
   embolada. 2. Como antigamente no havia     bancos nas cidades do
    interior, as pessoas colocavam suas economias (moedas de prata e
   ouro), dentro de uma panela de barro devidamente fechada e que era
  enterrada num dos     quartos da casa ou debaixo de uma rvore. Se a
pessoa morresse e deixasse suas economias     numa botija enterrada, sua
alma ficaria penando. E a pessoa morta aparecia aos     vivos mostrando
     onde  que estava enterrada sua botija. A pessoa tinha que ir
   sozinha. Se fosse com outra pessoa, a botija desaparecia ou virava
carvo. Quando a alma     do falecido aparecia a uma pessoa, pedia que a
   botija fosse desenterrada e que     parte do dinheiro fosse gasto
                   celebrando missas para sua alma.

BOTO .  o golfinho do Rio Amazonas.     Existe o boto vermelho, o boto
 branco , o piraia-guar , ou pira-iauara , peixe-cachorro . O boto no
 Rio Amazonas  to conhecido que virou lenda no     Par. O boto seduz
 todas as moas que vo lavar roupa ou se banhar no Rio     Amazonas. 
  noite, transforma-se num bonito rapaz, alto, branco, forte, caador,
 bbado. Freqenta os bailes, namora, conversa e aparece fielmente aos
encontros     femininos. Antes da madrugada pula na gua do rio e volta
     a ser boto novamente.     Engravida as moas e torna-se o pai
desconhecido. O boto protege as canoas em     poca de temporais, enxota
 os cardumes para as margens. O boto leva sempre a     culpa, mesmo no
  praticando o ato e  sempre o culpado de adultrios e defloramentos.
 Tambm  chamado genericamente de tucuxi e possui faro mais aguado do
    que o de     cachorro. O boto vermelho  o mais perseguido pelos
  caboclos. A crendice pertence     aos mestios e no aos nativos da
selva e se espalhou com a presena do nordestino na     regio do Par e
                               Amazonas.

 BRULIO DO NASCIMENTO nasceu no dia 22 de     maro de 1924, na cidade
      de Joo Pessoa, PB. Diplomado em Letras, professor, crtico
   literrio, jornalista, folclorista, Bralio do Nascimento exerceu
 diversas funes     pblicas entre as quais a de diretor do Instituto
Brasileiro de Folclore, tempo em que o     folclore brasileiro foi mais
  estudado, mais divulgado, atravs de inmeros livros e     revistas
publicados, muitos CDs, cursos, seminrios, congressos, encontros, etc.
    Quase     todos os dias o folclore brasileiro estava presente na
 imprensa, na televiso,     radiodifuso brasileira, razo pela qual o
folclore muito deve ao folclorista Brulio     do Nascimento quando foi
   diretor do Instituto Brasileiro de Folclore. De sua autoria foram
 publicados Processo de avaliao do romance (1964), Literatura popular
  em     verso (1965), As sequncias temticas no romance tradicional
  (1966), Bibliografia     do folclore brasileiro (1971), Pesquisa do
  romanceiro tradicional do Brasil,     Eufemismo e criao potica no
  romanceiro tradicional (1972), Um sculo de     pesquisas do romance
    tradicional do Brasil (1973), Literatura oral  um     sculo de
 pesquisas no Brasil (1973), O romance tradicional do Brasil (1973), O
   ciclo boi na poesia popular (1973), Romanceiro tradicional (1974),
   Arqutipo     e verso na literatura de cordel (1977), Um romance
    tradicional entre ndios do     Amazonas no sculo XIX (1979).

BREVE .  um saquinho feito de pano ou de     couro, contendo uma orao
destinada a proteger as pessoas que o trazem pendurado ao     pescoo.

      BRINCANTE .  como se auto denomina o     artista popular.

BRINCO . Usado pelas mulheres e por     indgenas, o brinco  um adorno
 preso s orelhas por uma argola. Logo quando     nascem, a maioria das
   meninas e tm suas orelhas furadas para que possam usar brincos .
           Atualmente, at os rapazes esto usando brincos.

 BROTE . O brote  uma bolacha     vendida no Nordeste e quando  feito
em tamanho pequeno recebe o nome de brotinho.  uma das poucas palavras
 deixadas pelos holandeses em nossa linguagem popular. A palavra brote
 vem de broot (po), como se escrevia no sculo XVII. E brotinho tambm
            a denominao de adolescentes, meninas jovens.

 BUCHADA . A buchada  um dos pratos     mais tradicionais do Nordeste;
consumida sempre num almoo para se comemorar um     acontecimento, como
 casamento, batizado, etc. A maneira de se preparar a buchada varia de
Estado para Estado. Na Bahia, por exemplo, as pessoas costumam colocar a
cabea     do carneiro ou do cabrito dentro do fato, saco do estmago do
animal onde tambm so     colocados, em pedaos, o sangue coalhado e as
 vsceras. A buchada  considerada     uma comida pesada, muito gorda,
 razo pela qual  bom tomar um clice de cachaa para     cortar seus
 efeitos. No  bom dormir depois de comer buchad a: a pessoa pode ter
                        uma congesto e morrer.

 BUMBA-MEU-BOI . Tambm conhecido como Boi-Calemba,     Bumba (Recife),
Boi-de-Reis, Boi-Bumb (Maranho, Par e Amazonas), Trs-Pedaos (Porto
   de Pedras, Alagoas ), Folguedo-do-Boi (Cabo Frio, Estado do Rio ),
   Boi-de-Mamo (Santa Catarina),  um dos folguedos brasileiros mais
 importantes. O Bumba-Meu-Boi tem uma durao enorme; comea s 8 ou 9
horas da noite e vai at o dia amanhecer. O Bumba-Meu-Boi tem incio com
a apresentao do Cavalo Marinho , que  o dono do boi . Em     seguida,
vem o boi que d marradas e corre atrs de Mateus e Birico, que so uma
 espcie de palhaos. Um deles d uma cacetada no boi e o boi morre. O
 Cavalo     Marinho manda chamar o Doutor. Vem o padre para confessar o
    boi ou o Mateus e     algumas vezes para celebrar o casamento de
 Catirina com Bastio. O Doutor chega e receita     um clister. Um dos
 vaqueiros corre atrs dos meninos que esto assistindo ao     folguedo
   e, pega um deles que funcionar como seringa e mete o menino pela
  traseira do     boi que, em seguida, ressuscita. Em continuao, tem
lugar a dana da Burrinha, as loas dos Galantes e Damas ao Menino Jesus.
    O folguedo do Bumba-Meu-Boi termina     com a retirada do Cavalo
                               Marinho.

BUNDA-CANASTRA .  a brincadeira que     consiste em apoiar a cabea no
cho e, com as pernas, tomar um impulso para cair     sentado. Canastra
   o nome que o povo d s costas, espduas. Tambm  um     jogo de
                                cartas.

  BUSCA-P . Fogo de artifcio muito usado     nas cidades do interior
      nordestino por ocasio da noite de So Joo e Santo Antnio.
Trata-se de um mosquito medindo trinta centmetros, feito com pedaos de
 bambu,     de pequeno dimetro e que, depois de aceso, corre atrs das
 pessoas e termina com a     exploso de uma bomba.  muito perigoso.

* CABAAL . Conjunto musical composto de instrumentos de sopro (pfanos
ou pifes , feitos de bambu) e de percusso (zabumbas, usados na marcao
     do     ritmo), animando as festas e os bailes, acompanhando as
procisses nos sertes de     Pernambuco, Paraba e Alagoas. O conjunto,
   tambm  conhecido como banda de pfanos ou esquenta-mulher . Est
     sempre presente no coco , no tor , no bumba-meu-boi ,     nos
  caboclinhos . Alguns conjuntos cabaal contam com a participao de
            ganzs , tars e tamborins, conforme a ocasio.

              CABEA-CHATA . Apelido dado aos cearenses.

  CABEA-DE-CUIA . Alto, de cabelos bem     compridos caindo na testa,
   magro, o cabea-de-cuia aparece no Rio Parnaba, no     Piau, por
 ocasio das enchentes, amedrontando as crianas. At mesmo os adultos
tm     medo de ficar nas margens do rio, receando serem aprisionados. O
cabea-de-cuia tambm aparece durante o tempo da seca e devora uma moa
que tenha o nome de Maria, de     sete em sete anos. O cabea-de-cuia 
     assim chamado porque sua cabea      parecida com uma cuia .

CABEA-DE-NEGRO .  uma bomba de mdio     poder explosivo, muito usada
                       nos festejos de So Joo.

CABEA-DE-PROA . Os barqueiros do alto     So Francisco colocam na proa
 de suas embarcaes, esculpidas em madeira e coloridas,     figuras de
  animais misturadas com gente. Alm de enfeitar suas embarcaes, as
  cabeas-de-proa ou carrancas servem, tambm, para afugentar os maus
espritos de pessoas ms que     morreram afogadas. Os indgenas tambm
usavam tais figuras em suas canoas quando iam     guerrear. Os africanos
      herdaram dos egpcios o hbito de usar tais figuras em suas
                             embarcaes.

CABELOS . As tradies ligadas aos     cabelos nos foram trazidas pelos
     colonizadores mas, em diversos pases do mundo, elas     ainda
  persistem. Os cabelos s podiam ser cortados pelas mos do homem. Os
   cachinhos dos cabelos das crianas eram presenteados s pessoas da
famlia como lembrana,     amarrados com fitas ou encastoados em ouro.
As pessoas ainda hoje fazem promessas aos     santos de sua devoo, de
 deixarem crescer os cabelos durante certo tempo e, depois,     do as
 cabeleiras cortadas aos santos que atenderam aos seus pedidos. O homem
 que tem     cabelos no peito  considerado como um homem valente, que
no tem medo de nada. Os     cabelos so usados nas bruxarias e traduzem
  fora fsica, como no caso de Sanso, que     foi aprisionado e teve
   seus cabelos cortados por Dalila e, quando seus cabelos voltaram a
   crescer, tornou a ter foras para derrubar as colunas do templo. A
trunfa ou topete era smbolo de destemor, cacho usado pelos valentes de
 antigamente,     principalmente os cangaceiros do Nordeste. Quando as
mulheres tinham mau comportamento     seus cabelos eram cortados e eram
expulsas da cidade. A linguagem popular nordestina     registra, tendo o
    cabelo como motivo, as seguintes expresses: 1. Cabelo de espeta
caju: diz-se do cabelo que fica em p; 2. Cabelo de cupim : cabelos dos
negros;     3. Cabelo de ju : cabelos dos negros, quando assanhados; 4.
                Cabelo pixaim :     cabelos dos negros.

   CABIDELA . 1. Conhecida tambm como galinha-ao-molho-pardo ,     a
cabidela  um guisado de galinha, pato, peru ou ganso no molho feito com
   sangue     da ave, misturado com vinagre. No Nordeste,  um prato
   tradicional nos almoos     domingueiros, nas festas de batizado e
          casamento. 2.  a roupa quando fica velha, surrada.

CABOCLINHOS OU CABOCOLINHOS . Grupo de     homens que se vestem de ndio
 durante o carnaval pernambucano, com seus cocares     multicoloridos,
   tufos de penas na cintura e nos tornozelos, colares de contas e de
  dentes     de animais, empunhando arco e flecha. A dana  primria.
  Fingem flechar um inimigo     inexistente. Quando usam sua arma, ela
  produz um estalido seco, produzido pelo encontro da     flecha com o
    arco. A orquestra  composta de pfano, tarol, marac e surdo.

 CABOCLO-DGUA . O caboclo-dgua vive no Rio So Francisco, dominando
   suas guas e seus peixes. Os compadres do caboclo-dgua so seus
amigos, mas as pessoas com as quais ele no simpatiza sofrem muito, tm
    suas     canoas viradas, aumentam a altura das ondas durante as
  tempestades, afugentando os peixes     dos anzis e das tarrafas dos
     pescadores. Ele mora nas ribanceiras mais profundas,     mais
   sossegadas. Tem o corpo monstruoso, de gigante, da cor de cobre e
                   costuma engolir os     canoeiros.

   CABOCLO-DE-LANA . O caboclo-de-lana faz parte do maracatu rural.
   Quando se apresenta, usa uma lana de dois metros, saltando     e
danando sem parar. Na cabea, usa um chapu de palha coberto com tiras
               de papel     celofane de diversas cores.

CABOCLO-DE-PENA . Tambm conhecido por tuxu ,     o caboclo-de-pena usa
   um chapu com quase um metro de altura enfeitado com     aljofre,
               vidrilhos e muitas penas de muitas cores.

 CABRA . 1. A cabra , criada em longa     escala no serto nordestino,
 por no ser exigente no que se refere  alimentao,     ajuda muito a
criar os filhos dos sertanejos. Seu leite  mais grosso, mais saboroso e
mais forte que o da vaca, sendo aconselhado s crianas fracas. A cabra
  um     animal tido como simptico ao diabo, e tanto  assim que uma
  das oraes fortes  a     famosa orao-da-cabra-preta . Os antigos
   consideravam a cabra como um     animal malfazejo por ter a saliva
  venenosa e seu hlito ser capaz de fazer murchar as     plantas. No
  serto nordestino, a cabra , por prestar tanto servio  famlia com
   seu leite, seu couro e sua carne, anda nos cmodos da casa e  at
 chamada de comadre. 2. Cabra tambm  o filho de mulato com negro. Uma
    reunio de cabras  uma cabroeira . Os adgios sobre a cabra so
 numerosos: no h doce     ruim nem cabra bom; cabra bom nasceu morto;
  cabra quando no furta      porque esqueceu; cabra valente no tem
   semente; valentia de cabra      matar aleijado. Mas cabra tambm
  significa homem forte, destemido, valente: -     "O Joo  um cabra
      danado de bom; trabalhador, honesto, um homem     direito".

 CABRA-CABRIOLA .  um monstro horrvel,     que bota fogo pelo nariz e
  pela boca e que entra na casa das pessoas, durante a noite,     para
devorar as crianas.  um bicho-papo usado para meter medo aos meninos
        quando esto trelando, para fazer parar seus malfeitos.

 CABRA-CEGA .  uma brincadeira que     consiste em vendar os olhos de
 uma criana, fazer com que ela d umas voltas e depois     deixar que
 pegue outro componente da brincadeira. Quando conseguir tirar o leno
  dos     olhos da pessoa que foi agarrada, passa a mesma a ser a nova
      cabra-cega . A     brincadeira veio da Europa trazida pelos
 colonizadores portugueses. As meninas tambm     brincam de cabra-cega
usando um chicote; no menino que o cabra-cega acertar     uma chicotada,
                     esse ser o novo cabra-cega .

  CABRA-DA-PESTE . Nome dado aos nordestinos,     por sua coragem, sua
                               valentia.

 CABRA-DE-PEIA. Diz-se do homem mau, sem     palavra, mau carter, sem
                          nenhuma qualidade.

  CACHAA .  a aguardente obtida pela     fermentao e destilao do
     mel, ou borras do melao.  a bebida mais popular do     povo
            brasileiro. Tambm  conhecida por outros nomes:
gua-que-passarinho-no-bebe,     assovio-de-cobra, birita, branquinha,
capote-de-pobre, dengosa, jeribita, meu-consolo,     pinga e aguardente
   , dentre outros apelidos. Associada ao mel faz-se o cachimbo (Ver
  CACHIMBO); ao suco de algumas frutas com acar, faz-se a batida. A
  cachaa tambm significa hbito, mania, vcio, preferncia e tanto 
assim que os namorados     dizem s namoradas: - "Minha cachaa  voc".


CACHIMBO . 1. Feito de madeira, de barro ou     de osso, o cachimbo  um
instrumento feito para se fumar. O cachimbo , at     o sculo XVI, no
  era conhecido na Europa; os portugueses  que introduziram o uso do
 cachimbo entre os europeus. 2. Quando as mulheres do  luz, no serto
 ou at mesmo na Zona da     Mata ou do Agreste, os maridos servem uma
  bebida chamada cachimbo , que  a mistura     de cachaa com mel de
                                abelha.

   CACHORRO . Conhecido como fiel amigo do     homem, o cachorro est
   ligado a uma srie de supersties: 1. O cachorro quando uiva est
 chamando infelicidade, desgraa, para seu dono; 2. Cavando na porta da
casa ou se cavar areia com o focinho, est cavando a sepultura do dono;
 3.  anncio de     dinheiro quando o cachorro, com o focinho voltado
 todo para a casa, est cavando     para fora; 4.  sinal de mau agouro
quando est dormindo com a barriga para cima; 5.     Uivando na porta 
  sinal de felicidade para as pessoas de casa; 6. Quando est uivando
 porque est vendo almas de outro mundo; 7. No  bom erguer o cachorro
  pelas     orelhas para ele no ficar covarde; 8. Para o cachorro no
 pegar hidrofobia deve     ter o nome de peixe; 9. Puxado pela cauda, o
 cachorro fica ladro; 10. Para curar tosse-de-cachorro nada como fazer
     um rosrio de sabugo de milho e coloc-lo no pescoo da pessoa
                                doente.

  CAULA . Caula  o filho ou a filha     mais nova do casal. Quando
  nasce outro filho o caula fica-no-canto isto , perde     todas as
   regalias, todas as atenes que antes lhe eram dispensadas, como o
   corao da     galinha, as frutas mais maduras, os brinquedos mais
                               bonitos.

  CADEIRAS-NA-CALADA . Antes da chegada da     vitrola, do rdio e da
 televiso, era costume, nas noites de vero, as famlias     colocarem
     cadeiras na calada , depois da ceia e ficarem conversando. As
donas-de-casa trocavam receitas de bolo, ensinavam remdios, contavam as
fofocas dos namoros e dos casamentos desfeitos. As meninotas namoravam,
de longe, seus bem-amados.     E os meninos brincavam de dono-da-calada
   , de chicote-queimado . Os que     estudavam e estavam adiantados,
 brincavam de adivinhao. E quando o sino da matriz     tocava as oito
                horas, todos se recolhiam para dormir.

                        CADEMIA . Veja ACADEMIA

 CAF . O consumo do caf s se tornou     popular no comeo do sculo
XIX. Bebida estimulante, nutritiva, reconfortante,     animadora, o caf
    consumido pelos motoristas que dirigem  noite, para no dormir.
   Muitos remdios populares so feitos com o caf como, por exemplo,
     colocar p de caf     nos ferimentos para estancar o sangue.
Atirando-se o caf numa superfcie plana - a     toalha de uma mesa, uma
 folha de papel ou uma parede  ele forma desenhos de animais,     que
  so palpites para o jogo do bicho . A borra do caf serve para tirar
                         mal cheiro das mos.

      CAFIOTO .  o freqentador dos cultos     afro-brasileiros.

  CAFUN . O cafun  feito com os     dedos polegar e o anular cujas
unhas produzem estalos na cabea da pessoa que est     recebendo, como
 se algum estivesse catando piolhos em sua cabea. O cafun esteve em
  moda no sculo passado. Muitas sinhs gostavam de adormecer com uma
                    escrava     lhes dando cafuns.

CAIAPS . Em So Paulo, nas cidades e     vilas do interior, nas festas
  de Natal e Reis, bem como nas do Divino Esprito e do     Sbado de
Aleluia, um grupo de homens vestidos como ndios, guiado pelo cacique e
 um curumim (menino), usando apenas instrumentos de percusso (tambor,
   caixa , pandeiro, reco-reco )     dana o caiaps. Toda a dana se
 resume no seguinte: O curumim finge que     est sendo perseguido por
 guerreiros brancos e cai morto. O cacique, danando em torno     dele,
 ressuscita-o e vai em seguida, repetir a mesma dana em outro local.

 CAINDO-NAS-MOLAS. Passo da dana do frevo quando o passista, na ponta
       dos ps, ora apoiado nos calcanhares, flexiona as pernas,
                            alternadamente.

CAIPIRA . O caipira ou matuto  o     homem e a mulher que no moram nas
 cidades. Moram nas fazendas e no sabem se apresentar     em pblico.
 Nos diversos Estados o caipira tem um nome diferente: roceiro (Rio de
Janeiro, Mato Grosso e Par), tapiocano, babaquara e muxuango (na regio
  de Goitacases), matuto (Pernambuco, Paraba e Rio Grande do Norte),
  casaca e baiano (no Piau), curau (em Sergipe), e tabaru (na Bahia,
     Sergipe, Maranho e Par). Jogo de caipira  o jogo de dados.

  CAIPORA .  um duende, habitante do mato,     que dizem ser o diabo
disfarado em figura de gente. Outros afirmam que caipora      o mesmo
  que curupira , tendo os ps normais, mora nas matas e no tronco das
  rvores. H, tambm, os que dizem ser caipora ou caapora um pequeno
ndio, de cor escura, que anda vestido com uma tanga, fumando cachimbo e
 que  doido por     cachaa e por fumo. Os caadores levam pedaos de
    fumo em rolo que so colocados no     tronco das rvores como um
 presente para caipora/curupiras . No Cear, aparecem     montados num
porco e tm os olhos em brasa. Em Pernambuco, apresentam-se com um p s
que  redondo. A lenda da caipora/curupira corre o Nordeste todo. Diz-se
 que uma     pessoa  caipora quando est sem sorte em tudo quanto faz.
 Caiporismo  a     qualidade de quem  caipora . Na linguagem popular
 caipora  a pessoa que     fuma muito, um cigarro atrs do outro. Veja
                               CURUPIRA.

 CAJU . O caju  uma das frutas mais     populares do Norte e Nordeste
brasileiros. Como sua safra coincide com o comeo e o fim     do ano, os
ndios tupis costumam guardar uma castanha de cada colheita e assim eles
 sabiam quantos cajus , quantos anos tinham de idade, de vida. Do caju
  nada se     perde. Do pednculo se faz o vinho, o vinagre, o doce, o
suco, o sorvete. A castanha, que      propriamente o fruto, serve para
comer assada, para enfeitar os bolos e para servir de     aperitivo. Da
  resina, faz-se uma goma que substitui a goma-arbica. Do fruto, das
  folhas     e das razes o povo faz remdios para curar seus males. O
caju tambm participa     da linguagem popular, quando se diz: - "Besta
  caju, que nasce de cabea     para baixo", ou - "Homem  como caju :
                       sempre deixa um rano ".

  CALUNDU . At o final do sculo XVIII, calundu era a mesma coisa que
   macumba . Depois calundu passou a significar tambm     mau-humor,
                  neurastenia, irritao, melancolia.

 CALUNGA . 1. Nos maracatus do Recife, calungas so duas bonecas (ou s
 vezes uma s), representando Dom Henrique e Dona Clara,     conduzidos
  pelos brincantes encarregados de angariar dinheiro. 2. Na linguagem
 popular, calunga  o homem que ajuda a colocar a carga nos caminhes.

 CAMA-DE-GATO . 1. Cama-de-gato  um     divertimento infantil, com um
 cordo com as duas extremidades atadas, entrelaadas nos     dedos das
mos formando uma rede, para que outra pessoa se apodere da brincadeira,
    transformando-a em outra mais difcil. 2. Na linguagem popular,
cama-de-gato acontece nos jogos de futebol, quando um dos jogadores pula
   para cabecear uma bola e um     adversrio o escora pelas pernas,
   provocando desequilbrio e uma queda de mau jeito que     pode ter
                         srias conseqncias.

  CAMARINHA . 1.  um esconderijo, na mata,     usado pelos criminosos
    quando so perseguidos pela polcia. 2.  o quarto de dormir na
 cantiga infantil: - "A bno, Dindinha sua/Me d po com farinha/Para
 eu dar      minha galinha/Que est presa na cozinha./X, galinha!/Vai
   pra tua camarinha ".     Assim, tambm  galinheiro, lugar onde as
                           galinhas dormem.

 CAMBICA . D-se o nome de cambica a     uma sopa feita de jerimum com
 leite de vaca e acar. J no Amazonas cambica      a polpa de frutas
                     dissolvida no leite da vaca.

  CAMBINDAS. Folies vestidos de baiana que     desfilam sem enredo no
carnaval de algumas vilas e povoados nordestinos, ao som de     qualquer
                orquestra. Surgiram antes do maracatu.

CAMBITO . 1.  perna fina, magra: -     "Maria tem uns cambitos de fazer
             d!" 2 . Esticar o cambito significa morrer.

  CANDANGO . Candango era o nome dado pelos     escravos africanos aos
portugueses, em Angola, e aos senhores de engenho no Nordeste.      uma
 palavra do dialeto quimbundo. Quando comeou a construo de Braslia,
   as     pessoas que trabalhavam na construo civil tambm ficaram
                      conhecidas como candangos.

  CANDOMBL .  uma festa religiosa dos     negros africanos do grupo
        jeje-nags na Bahia e que ainda hoje  mantida por seus
 descendentes. No Rio de Janeiro, candombl  macumba . Em Pernambuco e
       Alagoas, candombl  xang . J na Argentina o candombl 
diferente:  uma festa profana, parecida com reisado , congos, maracatus
  ,     coroamento de reis nas festas de Nossa Senhora do Rosrio. Nos
    candombls onde a     influncia mestia e indgena predomina, o
               candombl  chamado candombl-de-caboclo.

CANGACEIRO . No Nordeste brasileiro, o cangaceiro era um criminoso que,
   isolado ou fazendo parte de um grupo, vivia assaltando e saqueando
os fazendeiros, as cidades do Serto e do Agreste, lutando com as foras
 policiais     estaduais, at que era aprisionado ou morto em combate.
Para no serem assaltados,     alguns fazendeiros eram amigos dos bandos
 de cangaceiros , dando-lhes dinheiro,     alimentao e escondendo os
 grupos nas matas de suas fazendas. Esses fazendeiros eram     chamados
   de coiteiros . Os principais cangaceiros do Nordeste foram Antnio
Silvino     e Lampio. Em Minas Gerais, o cangaceiro chamado Antnio D
                tambm deixou sua     marca de terror.

   CANGAO . Cangao  o nome que se     d aos pequenos objetos, aos
utenslios de famlias humildes, moblia de pobre.     Tambm  troos,
burundangas, cacarecos, cangaado .  bagao.  o conjunto     de armas
   conduzidas pelos valentes. No serto,  tudo quanto um cangaceiro
  carrega:     armas, bisacos com suprimento, balas, alimentos secos,
  remdios populares, calas,     camisas, etc. E vivem no cangao os
        bandidos, os assaltantes, os ladres de mo     armada.

   CANHOTO . Canhoto  um dos muitos     nomes pelos quais o Diabo 
conhecido na boca do povo. Tambm  a pessoa que faz tudo     com a mo
  esquerda, mo que tem mais fora, mais jeito para fazer as coisas.

 CANJICA .  um dos pratos mais     tradicionais das festas juninas do
Nordeste.  feita com milho verde ralado, ao qual se     junta leite de
vaca ou de coco, e acar. Depois de pronta, a canjica  colocada     em
   pratos, enfeitando-se com canela em p, e com ela escrevendo-se as
   iniciais dos donos     da casa ou da pessoa que fez a canjica. Em
 algumas cidades do sul chamam a canjica de mangunz , que  feito com
        gros de milho cozido com leite de vaca ou de     coco.

   CANTADOR . O cantador  o nome que     se d ao cantor popular nos
     estados do Nordeste, Leste e Centro brasileiros. Ele canta de
improviso e as pessoas que esto escutando lhe do o mote (dois versos)
  e com ele     faz seus versos, ao som da viola. Os cantadores tambm
                  fazem desafios e pelejas entre si.

                  CANTIGAS DE NINAR . Veja ACALANTO.

      CANTIGAS-DE-RODA . As cantigas-de-roda ,     trazidas pelos
colonizadores portugueses, so muito populares no Brasil. As meninas, de
 mos dadas, formam uma roda e cantam "A barca virou", "Atirei o pau no
 gato", "Capelinha de melo", "Caranguejo", "Ciranda,     Cirandinha",
                      "Terezinha de Jesus", etc.

    CANTORIA .  a disputa, o desafio ao som     da viola entre dois
 cantadores cada um procurando diminuir o outro mas que, no     final,
                           tudo termina bem.

CO . 1. O co  o Diabo na     linguagem popular. E o Diabo tem muitos
  nomes na boca do povo: Capiroto, Capeta, Fute,     Azarape, Belzebu,
 Bicho-Preto, Cafuu, Canhoto, Demo, Esprito Maligno, Ferrabraz, Gato
Preto, Imundo, Lcifer, Mequetrefe, Nego, P-de-pato, Rabudo, Satans,
Tinhoso .     2. Co tambm  o cachorro. 3. Co  uma bebida que se faz
 assim:     pe-se no liqidificador, em alta velocidade, meio litro de
cachaa-de-cabea ,     trs limes e trs maracujs, meia xcara de mel
  de abelha, uma caixa (das pequenas)     de passa sem sementes, meia
xcara de acar, uma colherinha de baunilha e duas     colheres de sopa
de chocolate em p. Depois a mistura deve ser coada em peneira fina para
             ser engarrafada e servida trs meses depois.

   CAPANGA . 1.  o indivduo que  pago     para ser guarda-costa ,
segurana de algum muito importante. 2. Tambm      uma pequena bolsa,
   presa  cintura, na qual so conduzidos os mais diversos objetos e
                               dinheiro.

   CAPOEIRA . A capoeira  um jogo     atltico ofensivo e defensivo,
   trazido para o Brasil pelos escravos bantos de     Angola e que se
  espalhou pelo Recife, pela cidade de Salvador e pelo Rio de Janeiro,
  onde     so encontrados os mestres conhecidos por sua agilidade. No
  comeo, a capoeira foi reprimida pela polcia e os capoeristas eram
perseguidos e presos porque     vinham no comeo dos blocos de carnaval
 e das bandas musicais que, quando encontravam     seus adversrios, as
  pessoas lutavam, saiam feridas ou mortas. Atualmente, em quase todas
              as capitais, funcionam escolas de capoeira.

CARACAX . Tambm conhecido como reco-reco,     regue-regue , o caracax
   feito com um pedao de bambu ou taquara com talhos transversais. A
execuo  feita passando, sobre os talhos, uma vareta de     madeira ou
                               de ferro.

  CARIMB . 1. O carimb  uma     dana negra brasileira, de roda, da
Ilha de Maraj e do Par. Num crculo formado por     homens e mulheres,
       uma bailarina vestida de baiana vai para o centro e dana,
  requebrando-se ao som do carimb , pandeiro, reco-reco e, s vezes,
instrumentos de corda. 2. O carimb  um atabaque trazido pelos escravos
 africanos, feito de um tronco oco, medindo um metro de comprimento por
30 cm de dimetro.     Numa das aberturas do tronco,  aplicado um couro
  de veado sem pelos, bem esticado. O     tocador do carimb senta-se
sobre o tronco e bate com as mos no couro, numa     cadncia prpria.

CARIT . 1.  uma prateleira presa      parede e que funciona como uma
 espcie de armrio das pessoas humildes, pobres. 2.      uma choupana
   suja, casebre, quarto, depsito de velharias onde so guardadas as
 coisas     quebradas ou que no tm mais utilidade. 3. Tambm  o nome
 dado s moas velhas,     solteironas, que passaram da idade de casar,
 como registra o cancioneiro popular: -     "Bota p, vitalina tira p,
               /Que moa velha no sai mais do carit!"

CARNAVAL . At a metade do sculo XIX o entrudo (nome que tambm se dava
ao carnaval ) era brutal, jogando-se gua,     farinha-do-reino, fuligem
e goma para molhar as pessoas que caminhavam nas ruas das     cidades do
 Norte, Nordeste, Centro e Sul do Brasil. Atualmente o mela-mela ainda
existe, no como antigamente. O carnaval, o futebol, o jogo do bicho e a
cachaa     so as grandes paixes do povo brasileiro. O Rio de Janeiro,
com as suas escolas de     samba ; Salvador, com seus trios-eltricos e
   Recife/Olinda  com seus blocos (o Galo da Madrugada , o Bloco da
 Saudade , o Elefante, a Pitombeira     dos Quatro Cantos ) e o frevo ,
so os principais plos do nosso carnaval que,     todos os anos, atrai
  milhares de turistas vindos do mundo inteiro. As escolas-de-samba ,
        os trios-eltricos , o frevo e o passo so manifestaes
  carnavalescas existentes somente no Brasil que tm o melhor e o mais
animado carnaval do mundo. Os maracatus , os caboclinhos, os papangus ,
 os bailes     populares fazem a alegria de todos. No Carnaval, o povo
       esquece seus problemas para     pular, danar e brincar.

                  CARNE-DE-SOL . Veja CARNE-DO-CEAR

                 CARNE-DE-VENTO . Veja CARNE-DO-CEAR

CARNE-DO-CEAR . Tambm  o nome que se     d  carne de charque, jab
ou carne-do-rio-grande . Por incrvel que     parea o charque comeou a
ser feito no Cear (em Camucim e Aracati) e no Rio     Grande do Norte,
 principalmente no lugar chamado Oficinas. Depois que o boi  abatido,
sua carne  cortada em mantas, salgadas, expostas ao sol e ao vento para
  secar. Em 1780,     o cearense Jos Pinto Martins fundou o primeiro
fabrico de carne-do-cear no Rio     Grande do Sul e comeou a abastecer
a regio. Somente em 1821  que passou a carne-do-cear a ser conhecida
    como charque . Depois, o mesmo tipo de carne passou a ter outros
   nomes: carne-seca, carne-do-serto, carne-de-sol, carne-de-vento.

                CARNE-DO-SERTO . Veja CARNE-DO-CEAR.

                   CARNE-SECA . Veja CARNE-DO-CEAR.

 CARPIDEIRAS . A carpideira  uma     mulher que, mediante pagamento de
   uma quantia previamente combinada, chora o defunto     alheio. No
 Brasil, no tivemos a carpideira, conhecida em quase toda a Europa; a
   carpideira no somente chorava o defunto mas tambm cantava hinos
religiosos. Os escravos africanos     e os ndios brasileiros conheciam
o trabalho da carpideira . No interior tivemos as choronas, que choravam
 o defunto, faziam quarto ao falecido e se encarregavam do     velrio,
                       cantando as incelncias.

                    CARRANCA . Veja CABEA-DE-PROA.

 CARRANQUINHA .  uma das mais antigas     danas de rodas populares do
 Brasil. Sua origem  portuguesa e foi trazida pelos     colonizadores.
   Feita a roda pelas meninas, de mos dadas, elas cantam: - "A dana
 da carranquinha /  uma dana deliciosa/ Que bota joelho em terra/ As
  moas ficam     formosas./ Fulana levanta os braos/ Fulana sacode a
saia/ Fulana tem d de mim/ Fulana     me d um abrao". Segundo alguns
    pesquisadores, entre eles Waldemar de Oliveira, a     dana das
 carranquinhas  uma corrutela nascida entre as crianas participantes
daquele     folguedo. Em vez de dana das tais anquinhas , (o correto),
           elas modificaram para dana     da carranquinha .

 CARROSSEL .  um dos passos da     dana do frevo. O passista comea a
  dana com o corpo agachado e depois, com os braos     abertos e na
  ponta dos ps, gira o corpo como um carrosel, encontrado ainda hoje,
embora     com mais tecnologia, nas festas do interior e nos parques de
                              diverses.

CARTA-DA-SECA . Os sertanejos acreditam na carta-da-seca, um vento vindo
  do sul e que sopra nas madrugadas de alguns dias do ms de maro. Se
  assim acontecer, o ano vai ser de seca, no vai chover ou vai chover
                             muito pouco.

 CARTOLA . 1. Antigo chapu usado pela     nobreza; 2.  uma sobremesa
       feita com bananas fritas, queijo assado, acar e canela.

   CARURU . 1. O caruru  uma comida     indgena feita com bredo; 2.
Comida de So Cosme e Damio, o caruru  um     prato afro-baiano feito
   conforme a receita que se segue: Quiabo cortado mido e cozido em
   caldo de peixe seco e temperado com sal, um dente de alho, cebola
   ralada, camaro     seco batido no pano, pimenta ralada, quioi ,
castanha assada e moda, catassol     torrado e azeite-de-dend. Alguns
     colocam sementes de jerimum torradas e modas com     tempero,
 substituindo o egossi. No se cozinha caruru em panela de     alumnio
  nem em panela de esmalte quebrado, pois fica escuro, com os caroos
    arroxeados.     Os quiabos devem ser cortados em cruz no sentido
  longitudinal e depois, ento, em     rodelinhas bem finas, e enxutos
    antes de serem cortados para no babar. Se depois     de fervido
persistir em babar, corta-se a baba com pingos de limo. As cozinheiras
antigas cortavam a baba com a colher de pau numa tcnica toda especial.
 O caruru est     bom de tirar do fogo quando o caroo do quiabo ficar
     cor-de-rosa. Joga-se uma     poeira de farinha de mandioca ou
flor-de-milho por cima e mexe-se bem para engrossar.     Despeja-se numa
tigela ou deixa-se na prpria panela de barro, pondo-se mais azeite por
 cima. Come-se com arroz, aca , angu de bola de inhame, farinha seca,
 etc. O     caldo, alm do peixe fresco, de preferncia garoupa , pode
                  ser de siri, carne-do-serto, etc.

    CASA .  onde as pessoas moram ou     trabalham. Os portugueses
    trouxeram muitas supersties sobre a casa . Vejamos     alguns
  exemplos: 1. Casa de esquina, morte ou runa; 2. Casa do meio, vida
 sem receio; 3. Quando uma pessoa se muda, o dono da casa deve fechar a
casa que     deixou e abrir a nova residncia entrando com o p direito;
4. Nunca abrir a porta do     quintal primeiro que a porta da casa ; 5.
No passar pelas janelas os alimentos j     preparados; 6. Na mudana,
a primeira coisa que se manda para a nova casa  o     sal, a segunda 
 o carvo e a terceira  a farinha. A nova casa deve ser varrida     a
  primeira vez com uma vassoura nova e a mesma pessoa que varreu deve
   apanhar o lixo; 7.     Duas vassouras varrendo a mesma casa varrem
tambm a felicidade; 8. Quem apanha o     lixo que outra pessoa varreu,
leva todo o bem que possa acontecer a quem morou antes na casa ;     9.
  A mudana de uma casa para outra deve ser feita nos dias de sbado,
porque o     primeiro dia que a famlia passar na nova morada deve ser o
  domingo, que  o dia de     Deus; 10. Sair de casa quando o sino da
 igreja estiver tocando ao meio-dia traz     infelicidade, desgraa. O
oratrio (pequeno mvel envidraado onde esto guardadas as     imagens
   dos santos da famlia) deve ficar voltado para a rua. Na linguagem
  popular, casa-de-chapu  um lugar muito longe, distante, no fim do
   mundo; casa-de-noca , casa-de-me-joana ,      o lugar onde todos
mandam. A sabedoria popular ensina: casa de ferreiro, espeto de     pau;
                         quem casa quer casa.

 CASACA . Tambm conhecida como canz,     ganz, canzaca e reco-reco ,
 casaca  um instrumento musical usado nas bandas     de congo em quase
toda as cidades do Esprito Santo, e  feito com um cilindro de     pau,
 medindo uns 70 cm, escavado na parte superior, coberto por uma tala de
bambu dentada.     A escavao  a caixa de ressonncia.  a denominao
                         do caipira no Piau.

    CASA-DE-FARINHA .  onde se fabrica a     farinha de mandioca. A
 casa-de-farinha  composta das seguintes partes: 1. O rodete ,     que
  tritura a mandioca, depois de descascada; 2. A prensa, que extrai o
   lquido     (manipueira) da mandioca triturada; 3. O forno, onde,
finalmente, a farinha fica pronta.     Na casa-de-farinha tambm  feito
                               o beiju.

 CASA-DO-FREVO . No dia 10 de fevereiro de     1984, por iniciativa da
 Fundao de Cultura Cidade do Recife, foi instalada a Casa-do-Frevo ,
 espcie de museu, onde so expostos trofus, estandartes, partituras e
    tudo que diga     respeito  histria do Carnaval pernambucano.

CASAMENTO . Por meio do casamento      que comea a existir a famlia.
 As supersties ligadas ao casamento so em     grande nmero e fazem
 parte das crendices de todos os povos. No  bom casar nos dias     de
domingo. Moa que casa no dia 26 de julho, dia de Nossa Senhora Sanlona,
morre de     parto. A noiva no deve dar seu vestido e seus sapatos e se
der,  a mesma coisa que     estar dando, aos outros, a sua felicidade.
  Escreve-se o nome das moas no solado do     sapato dos noivos; quem
assim fizer, casa logo. O noivo s pode ver a noiva com seu     vestido
de noiva no dia do casamento ; se assim no acontecer, o casamento ser
infeliz. No dia do casamento os noivos no podem olhar para trs, tanto
 na     ida como na vinda da igreja. Os noivos sero felizes se chover
    durante ou depois da     cerimnia. A noiva deve comear o baile
danando com o marido ou com seu padrinho-de-casamento .     Na igreja,
  a noiva, de costas para a assistncia, joga seu bouquet ; a moa que
                conseguir pegar o bouquet casar logo.

 CASCABULHO .  a casca do milho depois de     descascado.  coisa sem
valor que se joga fora.  tudo quanto no presta, no tem     utilidade.


    CATIMB .  feitio, coisa-feita,     canjur, muamba . Tambm 
 conjunto de regras e cerimnias que devem ser obedecidas     durante a
 feitura do encanto . O catimb no  religioso e no tem ritos     do
  candombl baiano, do xang pernambucano, sergipano ou baiano, nem da
   macumba carioca. Catimb quer dizer cachimbo, usado pelo mestre de
  cerimnia para defumar     os assistentes com sua fumaa e receber o
esprito de um mestre defunto, mestre     Carlos, Xaramundi, Pinavaruu,
 Anambar, Faustina, indgenas, negros feiticeiros como pai     Joaquim,
                             bons e maus.

CATUCAR-O-CO-COM-VARA-CURTA . Catucar ,     no Nordeste,  variante de
CUTUCAR, e CO  o diabo. Essa expresso popular diz     respeito a quem
        comete qualquer ato sem que tenha condies de faz-lo.

CAVALHADA . A cavalhada  um     desfile de cavaleiros montados em seus
cavalos;  uma corrida de cavalos;  um jogo de     argolas. Os desfiles
 de cavaleiros nas festas oficiais e nas festividades sacras, desde os
romanos, eram um acontecimento que juntava muita gente. Mas a cavalhada
mais em     voga atualmente  a manifestao folclrica que consiste no
seguinte: Os cavaleiros     sempre em nmero par, se vestem de branco e
azul. Cada ala tem o seu maquinador. O maquinador da direita  do Cordo
 Encarnado e denomina-se Roldo; e o maquinador da esquerda, do cordo
     azul, denomina-se Oliveiros. Empunhando lanas, os cavaleiros
     procuram tirar as argolas que esto penduradas por cordes que
     atravessam o trajeto.     Depois da corrida de argolinhas, os
   cavaleiros, em ordem, vo render graas diante da     capela ou da
igreja e desfilam ao som de uma banda de msica ou de uma banda cabaal.
 Alguns cavaleiros oferecem as argolinhas conquistadas s suas noivas,
                       namoradas ou     esposas.

 CAVALO . Desde a mais remota antigidade,     principalmente, no ciclo
 do gado, o cavalo  o animal favorito de todos os povos.     A posio
 social do homem do interior ainda  medida pelo cavalo que possui. Se
o homem tiver um cavalo bonito, grande, de longas crinas e de boa raa,
  de uma     pessoa importante. Mas se aparecer montado num pangar ,
   sua importncia social      pequena. Na antigidade, no tempo das
cruzadas, o guerreiro tinha que ter um bom cavalo para mostrar seu valor
      social e sua arte de guerrear. Os vaqueiros, os gachos, os
   fazendeiros tm sempre um cavalo , bom, dentro de suas limitaes
    financeiras. No folclore, o cavalo participa das cavalhadas, das
 vaquejadas. Na linguagem popular, cavalo batizado  a pessoa que come
 muito, estpido,     ignorante, grosseiro. Cavalo-do-co  todo homem
                  que  metido a brabo,     valento.

CAVALO-DO-RIO .  um animal encantado que     vive no Rio So Francisco
      e que tem o poder de perseguir embarcaes, virando-as. Para
 afugentar o cavalo-do-rio nada como sua escultura colocada na proa das
                                canoas.

  CAVALO-MARINHO . 1.  um animal encantado     que vive no mar ou nos
rios. Sua origem  oriental. Muito branco, com as crinas e cauda     de
    fios dourados, o cavalo-marinho aparece nos contos, nas estrias
tradicionais     de muitos povos. 2. No bumba-meu-boi o cavalo-marinho 
 um dos principais     personagens. Aparece com o traje de capito, com
      seu chapu armado e dragonas, montado     no seu cavalo, mas
   fingidamente, com uma armao presa  cintura, para representar o
   animal. Tambm aparece no bumba-meu-boi montado num cavalo de pau,
trazendo na     garupa a Zebelinha, sua filha, ladeada por dois meninos
    Galante e Arrelequinho, vestidos     com roupas espalhafatosas,
     berrantes. 3. Cavalo-marinho tambm  nome de um     inseto.

CAVAQUINHO . De origem popular,  um     instrumento de cordas, menor do
  que o violo e a viola, muito usado nas orquestras     populares. 2.
 Tambm  um biscoito de farinha de trigo, em forma de cone, vendido na
 periferia das cidades, nas praias e cidades do interior, ao som de um
                              tringulo.

   CH . Originrio da China, o ch  uma infuso feita com folhas de
   certas plantas. O ch tanto pode ser usado na     alimentao como
 tambm ser feito com folhas de plantas medicinais, no combate a certos
  males. Na linguagem social, ch-danante  uma reunio danante que
comea      tardinha,  hora do ch, e vai at certa hora da noite, sem
    que as pessoas estejam     vestidas a rigor. Ch-das-cinco  uma
refeio leve, servido mais ou menos s     17 horas, com ch, torradas
   e bolos. Ch-preto  o ch feito com folhas     torradas depois de
 fermentadas. Na linguagem popular, no tomar ch em pequeno      ser
pessoa mal educada. Tomar ch  gracejar, brincar. Tomar ch-de-cadeira
          no ser, uma moa, convidada para danar nos bailes.
   Tomar-ch-de-sumio      desaparecer. Ch-de-burro  o mesmo que
             manguz (mangunz) ou munguz     (mungunz).

                  CH-DE-BURRO . Manguz ou mangunz.

 CHAMA .  um instrumento de sopro que     imita o canto dos pssaros e
     aves, atraindo-as para a mira do caador.  o mesmo que pio.

  CHAPU . O chapu fazia parte,     at certo tempo, da elegncia das
       pessoas. Atualmente, o chapu  raramente     usado. S os
chapus-de-palha so vistos no interior, protegendo a cabea dos     que
  trabalham na agricultura. As crendices que o povo criou em torno do
   chapu so     numerosas e interessantes: 1. Mulher no deve botar
 chapu de homem na cabea     porque pode brigar com o dono do chapu;
2. Fazer as refeies com o chapu na cabea pode afugentar Jesus Cristo
 ou o Anjo da Guarda que sempre assistem s     refeies; 3. Entrar em
 casa com o chapu na cabea  chamar a morte ou a     infelicidade nos
                         negcios ou na sade.

                    CHARQUE . Veja CARNE-DO-CEAR.

 CHARUTO .  uma bebida feita com vinho e     mel de abelha. Os negros
              eram chamados de charutos por causa da cor.

CHAVE . Usada como amuleto, a chave significa o poder de abrir e fechar,
ligar e desligar, afastar todas as dificuldades.     Feita de prata, de
ouro ou de platina, a chave  muito usada como adorno feminino,     nas
pulseiras e nos colares. A chave  muito citada nas oraes populares e
nas     demais. Do catimb e magia branca, uma chave virgem  usada para
            fechamento     do corpo contra tiros e facadas.

   CHEIRO . O cheiro  uma carcia     chinesa.  comum no Nordeste o
cheiro em vez do beijo, especialmente nas     crianas. Os chineses no
do beijo; aproximam a boca e o nariz do rosto da pessoa e     aspiram o
  cheiro que as pessoas tm. Eles cheiram as moedas para saber se elas
                     so de ouro ou falsificadas.

  CHICOTE-QUEIMADO. Trata-se de uma     brincadeira em que uma criana
tenta alcanar as outras batendo com um leno enrolado,     em forma de
   chicote. Tambm  conhecida como chicote-queimado a brincadeira em
  que uma criana esconde um objeto qualquer que dever ser procurado
  pelas outras. Cada     vez que uma das crianas se aproxima do lugar
 onde o objeto est escondido, a pessoa que     escondeu o objeto, vai
dizendo: - Est quase quente! ou Est quente! Se a     criana se afasta
      do esconderijo,  advertida: - Est frio! Quando o objeto 
 encontrado, a pessoa grita: - Chicote queimado! A criana que achou o
         objeto     escondido passa a comandar a brincadeira.

 CHINA .  chamada de china a mulher     de ndio, mulher morena de cor
carregada e tambm a mulher pblica. O diminutivo chinita  muito usado
para moas do interior, muito citado em poesia e cantos regionais (RS).

   CHORO, CHORINHO . 1. O conjunto de     instrumentos, como flauta,
  bandolim, clarinete, violo, pisto e trombone, um deles     fazendo
 solo. 2. Tambm  a msica tocada por esse grupo de instrumentos. 3. O
         choro  carioca e choro  o msico que toca choros.

                      CHORONAS . Veja CARPIDEIRA

   CHOURIO .  um doce feito com sangue de     porco e especiarias,
 conhecido em Portugal com o nome de morcela. Vejamos como se     faz o
chourio nordestino e quais so seus ingredientes: lingia, geralmente
 feita em casa, tripa cheia de carne de porco picada e temperada, ou de
 sangue cozido com     temperos. Faz-se o chourio assim: uma tigela de
farinha de mandioca bem peneirada     e outra tigela, do mesmo tamanho,
  contendo os seguintes temperos: erva-doce,     pimenta-do-reino bem
    picada, um pouco de gengibre pisado com um pouquinho de farinha,
 cravo picado, castanha de caju assada bem seca, gergelim pisado com um
  pouquinho de     farinha de mandioca e, tudo bem peneirado, misturar
tudo, bem misturado. Faz-se mel da     rapadura, esfria-se e mistura-se
  no fogo brando com o sangue de porco at ferver,     mexendo-se com
   colher de pau para no encaroar. Depois de bem fervido, coa-se e
adiciona-se a farinha e os temperos. Depois, vai-se despejando, devagar,
 a banha     derretida, mexendo-se sem parar em fogo esperto para que a
mistura fique perfeita. O chourio s fica pronto, no ponto de tirar do
fogo, quando vai desapregando do tacho. O chourio leva duas horas para
  ficar pronto. Enfeita-se, finalmente, com castanhas de caju assadas,
            inteiras e come-se frio, com farinha bem fina.

 CHULA .  um canto e dana,     independentes.  bailado no Rio Grande
  do Sul, danado por homens numa coreografia     agitada, ginstica,
difcil. Chula tambm  um canto profano conhecido como fandango .     A
chula gacha  um bailado como se as pessoas estivessem pisando em uvas;
      a chula cantada  danada por mulheres e rapazes que bailam
        acrobaticamente. A chula est     quase desaparecendo.

 CHUPA-CABRA .  uma espcie de lobisomem     que comeou a aparecer no
Mxico e que, faz pouco tempo, tambm em So Paulo. O chupa-cabra chupa
 sangue de ovelhas e de outros animais do mesmo porte. Diz o povo que o
 chupa-cabra tem dois metros de altura, mais ou menos, e  meio bicho e
                              meio homem.

   CHURRASCO .  uma comida do gacho.  a     carne de espeto assada
   rapidamente, comida com farinha e, s vezes temperada com molho de
  salmoura ou gua de sal. O churrasco se espalhou por todo o pas e 
apreciado     por milhes de brasileiros. Nos Estados Unidos tem o nome
                             de barbecue.

CHUVA . Sem a chuva, a vida seria de     todo impossvel. Quando chove,
a terra fica molhada e em condies de receber sementes     que geram a
alimentao dos homens e dos animais; os rios aumentam seu volume d'gua
e     se tornam navegveis, alm de aumentar a quantidade de peixes; as
represas armazenam     gua para fornecer energia eltrica e iluminar as
     casas e fazer com que as fbricas nos     forneam alimentos,
 vesturios, aparelhos eletrnicos nas casas, nos hospitais. A chuva ,
    pois, um presente da natureza. Quando a estiagem  prolongada no
 Nordeste, os homens     migram, os animais morrem por falta de gua e
pastagem. O povo faz procisses, cantando benditos ,     novenas e reza
   para que a chuva faa cessar seu sofrimento. A sabedoria popular 
 prdiga no que se refere aos prognsticos da chuva : 1. Se o dia 1 de
 janeiro     for um dia limpo , o ano ser bom de inverno; mas, se for
chuvoso, indica que o     inverno ser fraco; 2. Se no dia 1 de janeiro
   ou no dia de Natal o Sol nascer detrs     de uma barra escura, o
    inverno ser bom; 3. Com chuvas parciais em outubro,     pequena
 vegetao verde e relmpagos para o poente, o inverno ser bom; 4. Se
chover     em novembro, o inverno ser ruim; 5. Se na vspera de Natal o
dia tiver algum sinal de chuva ,     o inverno ser bom na certa. E uma
quantidade enorme de prognsticos garante um bom ou     um mau inverno.

CIGANOS . Os ciganos saram da     ndia e hoje esto em todos os pases
   do mundo. No Brasil, eles comearam a aparecer     no sculo XVI,
    exercendo sempre as mesmas profisses: soldadores, caldeireiros,
trocadores de animais, enquanto as mulheres continuam lendo a sorte das
 pessoas na palma     das mos. Os ciganos no tm um lugar certo para
    morar. Esto sempre na     estrada, percorrendo cidades, vilas e
   povoados. So, assim, um povo nmade. Os ciganos gostam de festas,
   msicas e danas; as mulheres usam saias longas, lenos na cabea,
                 muitos colares, pulseiras e brincos.

  CIGARRA . A cigarra  um inseto homptero ,     que muda de casca .
  Quando canta est chamando o sol, anunciando que o vero vai     ser
   longo. A cigarra tambm anuncia chuva, segundo outras pessoas. Na
    Grcia,     acredita-se que o canto da cigarra provoque o sono.

      CINZA . A cinza , sempre foi o     smbolo da humildade, do
arrependimento, da penitncia. Cobrir-se, a pessoa, de cinzas  o mesmo
que pedir, a Deus, o perdo de suas culpas. Quando a quaresma comea na
 quarta-feira     de cinzas , o sacerdote faz, na testa dos penitentes,
 uma cruz com a cinza das     palmas que sobraram do Domingo de Ramos,
depois de queimadas. As cinzas so     atiradas no ar para fazer com que
as tempestades terminem. Colocadas nas soleiras das     portas, impedem
  a entrada dos entes malvados e poderosos, perturbadores do sono das
  crianas que no foram batizadas. No catimb, as cinzas tm o mesmo
poder do sal. As coisas feitas, muambas, feitios, eb, perdem seu poder
                     quando enterrados nas cinzas.

CIRANDA . 1. Dana infantil, de roda,     vinda de Portugal, danada por
adultos e muito em voga no Brasil; 2. Samba rural em     Parati, Estado
     do Rio de Janeiro; 3. Dana de adultos em So Paulo, em rodas
  concntricas: a roda dos homens por dentro e a roda das mulheres por
fora; 4. Em     Pernambuco, principalmente na Ilha de Itamarac,  muito
conhecida a ciranda de     Lia, de Lia de Itamarac, como  conhecida de
  todos. Homens e mulheres de mos dadas,     na praia, nas noites de
    luar, danam a ciranda ao som das batidas das ondas do     mar.

  CRIO DE NAZAR .  uma festa religiosa     que acontece no segundo
domingo de outubro, na cidade de Belm, Par, desde a segunda     dcada
do sculo XIX, e que consegue reunir milhares de fiis que acompanham a
  procisso da imagem de Nossa Senhora de Nazar. Os fiis pagam suas
 promessas com ex-votos, velas, flores e dinheiro. A festa consta dessa
                procisso, chamada de Crio de Nazar.

CISMA . Cisma  a desconfiana, a     suspeita, um aviso misterioso que
 a pessoa sente ao tomar conhecimento de um fato, de uma     informao
 que no lhe parea verdadeira. A pessoa fica cismada , desconfiada: -
 "Fiquei cismado com a estria que Joana me contou!". A pessoa fica sem
                     saber se     acredite ou no.

COBRAS . As cobras so divididas     pelo povo em cobra de sangue frio -
 que so as venenosas - e as cobras de sangue     quente - que no so
   venenosas. H um santo que manda nas cobras, que lhe     obedecem
 cegamente:  So Bento. Quando uma pessoa v uma cobra  bom rezar: -
 "Esteja presa, por ordem de So Bento!" e a cobra fica imvel enquanto
 a pessoa segue seu caminho. Quando uma pessoa vai passar por um lugar
que tem muita cobra deve rezar: - "So Bento, po quente,/ Sacramento do
altar/Toda colina do caminho/     Arrede que eu vou passar!..." O nmero
de crendices e supersties sobre a cobra  muito grande: 1) Assobiar de
noite, chama cobra; 2) Cobra no morde     quem traz azougue (mercrio)
no bolso; 3) Certas cobras ,  noite, procuram entrar     no quarto das
 mulheres que tiveram menino para roubar o leite dos filhos e, para que
  os     meninos no chorem, essas cobras botam a pontinha da cauda na
boca do menino, como     uma chupeta; 4) Quando uma mulher v uma cobra
 vira o cs da saia e a cobra fica parada. H uma quantidade enorme de
                 estrias, de lendas sobre as cobras.

 COBRA-ENCANTADA . A cobra-encantada  uma tradio conhecida na maior
parte do Brasil.  uma princesa muito bonita     condenada a viver como
 uma serpente, at que aparea um homem de muita coragem que quebre seu
 encanto, restituindo-lhe sua antiga forma humana de moa encantadora.
Para quebrar seu encantamento  preciso sacrificar a vida de um cristo,
 e molhar a cobra com     seu sangue. Ou basta ferir a cobra-encantada
                 para que ela volte a ser uma pessoa.

                      COBRA-GRANDE . Veja BOIUNA.

 COBREIRO .  uma erupo da pele. O povo     diz que quando uma cobra
      passa por qualquer parte do corpo de uma pessoa, no lugar da
passagem deixa o cobreiro . A inflamao provocada pelo cobreiro  capaz
de matar a pessoa, caso o comeo e o e o fim do cobreiro se encontrarem.
 Um     remdio bom para curar o cobreiro  esta orao: - "Pedro, que
 tendes/     Senhor, cobreiro ./ Pedro, curai/ curai com que?/ gua das
       fontes,/ Ervas dos     montes".  herpes , fogo selvagem ,
                        fogo-de-santo-antnio .

 COCADA . A cocada  um doce muito     popular.  feito com coco seco,
  raspado, com acar branco (cocada branca) ou com     acar escuro,
 mascavo (cocada preta). Depois do doce feito  espalhado num tabuleiro
 para secar e ser cortado em pedaos quadrados ou em forma de disco. Na
    linguagem popular, cocada  o mesmo que se dar um bofeto, tapa,
    cocorote, murro na cabea ou na     face. Tambm  elogio fcil,
conversa-fiada ou conversa-mole . Fazer     cocada  o namoro-grudado ,
                               chamego .

COCO . 1. O coco  uma fruta     tpica das praias do Nordeste. Tem mil
    e uma utilidades. Sua folhas servem para cobrir as     casas dos
     pescadores. Do fruto, fazem-se vrios doces, entre os quais a
  baba-de-moa ,     e a cocada . A gua de coco  muito saudvel. Na
Segunda Grande Guerra     Mundial, num dos hospitais americanos situados
 no Pacfico, alguns feridos em combates     estavam condenados  morte
   por falta de soro fisiolgico. Um dos mdicos teve a idia     de
substituir o soro em falta pela gua de coco verde, depois de filtrada,
obtendo     timos resultados. Do tronco do coqueiro so feitos bonitos
  e diferentes mveis. Do     endocarpo, a quenga do coco, so feitas
vrias peas de artesanato. Do coco, tudo se aproveita e sua presena na
  culinria nordestina  enorme: na canjica ,     nos bolos, nas mais
variadas guloseimas o coco d o ar de sua graa, de seu     sabor; 2. O
  coco tambm  uma dana popular nordestina, das praias e do Serto.
   uma roda de homens e mulheres com o solista no centro, cantando e
fazendo passos     figurados at que se despede, convidando o substituto
 escolhido com uma umbigada .     Os instrumentos que animam o coco so
   de percusso, como cucas , pandeiros,     ganzs e bombos. Alguns
 estudiosos acham que o coco  a fuso da     musicalidade cabocla e da
                                negra.

COCHO . 1.  o nome que se d a um     recipiente feito do tronco de uma
 rvore ou at mesmo de tbuas e que serve para     colocar a comida de
   animais; 2. Tambm  a denominao que se d a uma viola de cinco
 cordas feitas de tripas de mico ou de coati, ainda muito usada em Mato
                                Grosso.

                           COC. Veja TOT.

     COITEIROS . Eram os fazendeiros que se     tornavam amigos dos
  cangaceiros, dando-lhes comida, balas, armas, dinheiro, para     no
sofrerem violncia da parte deles, escondendo-os em suas matas, em suas
                               fazendas.

                      COISA-FEITA . Veja CATIMB.

 COMADRE FULOZINHA .  uma caboclinha de     grande cabeleira derramada
  nas costas, servindo-lhe de chicote. Ela tem os olhos escuros,     
 zombeteira, malvada, e vive na Zona da Mata de Pernambuco. Tem o poder
 de se     transformar ora em mocinha, ora em animais, ora em um menino
 magro. Ela desaparece sem     deixar rastro. Uma das suas distraes 
  fazer tranas nas caudas dos cavalos,     surrando os cachorros que
encontra na mata e desorientando os caadores com seus     assobios. Ela
   protege a caa contra os caadores. Orgulha-se de sua ascendncia
  selvagem. Como a curupira , detesta pimenta no seu mingau. A Comadre
           Fulozinha gosta muito  de fumo. Veja CURUPUIRA.

COMER-SAFADO.  passar mal, sofrer     dificuldade, na linguagem popular
                             do Nordeste.

 COMIDA .  um momento sagrado e de muito     respeito quando a famlia
    se rene  mesa para fazer as refeies: no se come      mesa
    conduzindo armas, com chapu, ou despido. No se deve pronunciar
  palavres nem     fazer gestos obscenos. No se deixa o po cair no
  cho. Lavam-se as mos antes e     depois das refeies. Os romanos
  costumavam beijar a mesa. O povo estabeleceu uma srie     enorme de
  tabus alimentares. Leite com manga, faz mal. Comer carne e peixe na
 mesma     refeio faz com que a pessoa fique doente de morfia. Se a
pessoa tomar vinho e chupar     manga, morre envenenada. Chupar manga e
   abacaxi numa mesma refeio faz muito mal,     principalmente se a
    pessoa for uma mulher e estiver menstruada. Comer piro quente e
         beber gua gelada, em seguida, a pessoa pode morrer.

   COM-UM-OLHO-NO-PADRE-E-O-OUTRO-NA-MISSA. No perder nada de vista;
        observar tudo que se passa, tudo que est acontecendo.

 CONFETE . Minsculas rodelinhas de papel,     das mais variadas cores,
jogadas entres folies nos bailes de carnaval. De origem     italiana ou
   espanhola, o confete enfeita muito o carnaval nos clubes nas ruas.
Apareceu no carnaval brasileiro do ano de 1892. De l pra c, o confete
   continua     existindo e sendo motivo at de batalhas, batalhas de
 confete. Em 1970, na cidade     Bauru, SP, foi inventado um canho que
ao invs de balas jogava confetes que se     espalhavam com facilidade,
                            como uma chuva.

CONGADAS, CONGADOS, CONGOS . De     motivao africana as congadas , os
    c ongados , os congos so autos     (peas dramticas) populares
 brasileiros representados no Norte e Sul do pas. Os     elementos de
   formao so: coroao dos reis de congo; prstitos e embaixadas;
   reminiscncias de bailados guerreiros e a reminiscncias da Rainha
Njinga Nbandi, Rainha     da Angola, falecida em 1663, defensora de seu
              reinado, contra o domnio dos portugueses.

  CONSELHEIRO . Antnio Conselheiro, Bom     Jesus Conselheiro, Santo
Antnio Aparecido foram apelidos dados pelos jagunos de     Canudos ao
seu chefe Antnio Vicente Mendes Maciel, nascido em Quixeramobim/CE, em
 1828,     e que morreu de disenteria no curral de Canudos, em setembro
de 1897, no serto da Bahia.     Por vrios motivos abandonou sua terra
 e saiu, vestido de monge, pregando uma moral     rgida e severa e, em
    pouco tempo, foi seguido por uma multido de homens e mulheres.
 Depois de percorrer Sergipe, escolheu o interior da Bahia  margem do
Rio Vasa Barris,     onde fundou o povoado de Canudos. Srio, exigente,
  casto, Antnio Conselheiro dominou a     populao da regio que lhe
  dava ttulos divinos e lhe obedecia cegamente. Ajudado por     seus
seguidores, Antnio Conselheiro construiu igrejas, cemitrios, e pregou
   seu     Evangelho, como um santo. Aconselhava prolongados jejuns,
 combatia o uso de bebidas. Com a     proclamao da Repblica em 1889,
 Antnio Conselheiro permaneceu monarquista, sem     reconhecer as leis
 republicanas nem o casamento civil. Ele era uma espcie de santo vivo.
  Dizem at que fazia milagres. E ele ia vivendo em paz com seu povo,
completamente ilhado     do resto do mundo. Um dia, houve um caso com o
Comissrio de Polcia do Juazeiro, por     causa de umas madeiras que o
   Conselheiro lhe comprara mas no lhe haviam sido entregues.     O
Comissrio, aproveitando-se do cargo, tornou-se violento e os seguidores
do Conselheiro     reagiram  violncia policial. Canudos se transformou
num foco de insubmisso, de     rebeldia. E quatro foras policiais bem
  armadas foram enviadas para combater o que o     governo chamava de
  insubmisso. Os seguidores do Conselheiro, mal armados, conseguiram
 resistir s quatro foras policiais bem armadas e com muitos soldados.
 Para terminar o     caso, o governo mandou uma tropa do Exrcito e das
 Polcias Estaduais composta de quase     5.000 homens, armados at com
canhes, sob o comando do general Artur Oscar de Andrade     Guimares,
 que cercou Canudos, e seus canhes destruram toda a Vila de Canudos,
matando seus habitantes com exceo de poucas pessoas que sobraram para
                    contar como tudo     aconteceu.

   CORDO . Durante os dias de carnaval     desfilam, pelas ruas, os
cordes , grupos de folies fantasiados, cantando e     danando. Fazem
     parte dos cordes : mascarados, velhos, palhaos, diabos, rei,
  rainha, ndios, baianas e outras pessoas vestindo as mais estranhas
             fantasias como a de     alma, de pirata, etc.

 CORDO-DOS-BICHOS . Fundado por Vicente de     Almeida e Aladim Ponce
desfilou, pela primeira vez, na cidade de Tatu, SP, o cordo-dos-bichos
,     composto de animais feitos de madeira, papelo, estopa e arame. Em
  1980 um incndio     destruiu todos os animais do cordo , que foram
     refeitos com o auxlio da     Prefeitura e do povo da cidade.

      CORDO-DOS-PSSAROS. Desde o incio do     sculo passado, o
 cordo-dos-pssaros j existia no Par, um auto popular que     ainda
no se conseguiu saber sua origem. Em algumas cidades do Estado, durante
 o ms de     junho, o cordo-dos-pssaros surge como uma manifestao
folclrica prpria     da regio, na cidade de So Caetano de Odivelas,
a 110 km de Belm, Par, os cordes     de Bode Montez, Lhama, Zebra e o
 famoso Boi Tunga , fazem a alegria do povo. Seu     enredo  parecido
com o dos autos dos boi-bumbs, com a morte e ressurreio do     animal
e com a incluso de novos elementos. Na mesma festividade junina os bois
  danam     no terreiro e, os cordes-de-pssaros, nos teatros e nos
 coretos. Dos temas que     motivam a brincadeira alguns giram em torno
  de nobres e coronis. O cenrio  o     ambiente rural, envolvendo o
   nordestino que deixa sua terra para se dedicar  pecuria e     
extrao da borracha nos seringais. Os pssaros pertencem s filhas dos
 donos das     fazendas e vivem como encantados. Um dia, em seu passeio
pelas matas, as aves, so     cobiadas pelos caadores e feiticeiros. O
caador, entretido com a beleza do belo     animal, atira nele o rouba.
 Esta cena gera toda a ao do espetculo. Da por diante o     animal
        volta  vida e  curado. Um mundo de coisass acontece no
                  cordo-dos-pssaros e do boi-bumb.

COR-DE-BISPO .  o nome que o povo d  cor     escarlate ou solferina.
     Tem este nome porque  a cor de uma parte da veste usada pelos
                       bispos da Igreja Catlica

CORES . As cores sempre tiveram um     significado especial. A cor preta
    sinal de luto, de morte. A cor branca     significa paz, pureza,
 alegria. A cor vermelha traduz o sangue,  vida. A cor roxa      uma
 cor triste. Nos cultos afro-brasileiros, o branco  a cor de Oxal. O
  vermelho  cor de Xang, a cor de Omulu  a preta, a de Anamburucu 
azul-escuro. Os catlicos, em suas promessas, se vestem de azul, quando
  promessa feita     a Nossa Senhora; azul e branco, quando  feita a
   Nossa Senhora de Lourdes; branca e     marrom,  Santa Terezinha;
 vermelho e branco ao Sagrado Corao de Jesus; branco, a     So Joo
 Batista; e roxo, a Nosso Senhor dos Passos. Nos bailes de pastoris os
 cordes     azul e vermelho so rivais seculares. Com a roupa branca,
  meninos e meninas fazem a     primeira comunho e os rapazes e moas
 casam. Em Portugal a cor branca era a cor de luto. O amarelo, entre os
Judeus, era a cor da traio. O riso-amarelo ,     na boca do povo,  o
               riso falso, mentiroso, da boca para fora.

 CORPO FECHADO . Diz-se que uma pessoa tem o corpo fechado quando no 
 atingida por bala, faca, coice de animal. A pessoa     consegue ter o
   corpo fechado quando traz amuletos pendurados no pescoo ou quando
se submete s cerimnias do feitio da muamba , do catimb , da macumba
  .     Tambm, de acordo com a religiosidade das pessoas, algum pode
 fechar o corpo rezando     certas oraes que tm este poder. A orao
 para fechar o corpo mais conhecida  a     da Pedra Cristalina: "Minha
Pedra Cristalina, que no mar fostes achada entre o     clice e a Hstia
  consagrada; treme a Terra mas no treme Nosso Senhor Jesus Cristo no
  Altar, assim tremam os coraes de meus inimigos quando olharem para
  mim. Eu te benzo em     cruz e no tu a mim, entre o Sol e a Lua, as
  estrelas e a Santssima Trindade. Meu Deus,     na travessia avistei
  meus inimigos e que fao com eles? Com o manto da Virgem Maria serei
 coberto; com o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo serei valido; meus
 inimigos tm     vontade de atirar porm no atiram, se atirarem, gua
 pelo cano da espingarda correr;     se tiverem vontade de me furar, a
faca de suas mos cair; se me amarrarem, os ns se     desataro; se me
  trancarem, as portas se abriro. Amm. Salvo fui, salvo sou e salvo
serei; com a chave do sacrrio eu me fecharei". Reza-se um Padre-Nosso,
trs     Ave-Marias, trs Glria ao Pai e oferece-se s cinco chagas de
                    Nosso Senhor Jesus     Cristo.

                     CORRIDA-DO-ANEL . Veja ANEL.

  CORSO . Cortejo de automveis de capotas     arriadas e de caminhes
    conduzindo folies fantasiados, que percorriam as ruas da cidade
usando muita serpentina e confete. O primeiro corso do carnaval carioca
aconteceu     em 1907, com o carro do presidente Afonso Pena, conduzindo
  suas filhas. Da dcada de 40     para c, o corso foi desaparecendo
     porque os automveis passaram a ter suas     capotas de ao.

CORTA-JACA . 1.  uma dana solta, cada     participante com sua maneira
de danar; 2. Depois foi o nome dado a uma espcie de tanguinho composto
por Chiquinha Gonzaga; 3. Na linguagem popular corta-jaca  o mesmo que
enxuga-gelo , chaleira , puxa-saco; 4. Tambm  uma expresso nordestina
utilizada para     pedir ajuda de namoro: "Vai, Roberta, corta jaca para
      mim. Fala com ele. Diz a     ele que eu estou apaixonada".

  CORUJA . As corujas , em todo o     mundo, tm a fama de agoureiras.
  Quando voam sobre a casa de uma pessoa que est doente,     a pessoa
morre. A coruja rasga-mortalha  a mais agourenta de todas. Na linguagem
  popular, me-coru ja, av-coruja , tia-coruja so, no caso, pessoas
 que querem muito bem aos filhos, aos netos, aos sobrinhos e tudo fazem
   para agrad-los,     v-los felizes. A coruja  uma ave no muito
bonita, e a me-coruja , a av-coruja ,     e a tia-coruja , acham seus
  filhos, netos e sobrinhos muito lindos, embora, s     vezes, no o
                                sejam.

COSME E DAMIO . Cosme e Damio eram gmeos quando foram martirizados no
dia 27 de setembro de 287, na Egia,     Cclica, sia Menor, durante a
   perseguio do imperador Diocleciano. So Cosme e So Damio foram
canonizados pela Igreja Catlica e hoje so patronos dos     cirurgies
 e padroeiro da cidade de Igarassu, Pernambuco. No Brasil, So Cosme e
  So Damio so defensores da fome, das doenas do sexo e dos partos
duplos.     Quando as parturientes sofrem de hemorragia costumam rezar:
        "So Cosme /So Damio /Dei     sangue/desde cristo".

                       CRENDICES . Veja ABUSO.

    CRUVIANA .  o nome que se d ao frio da     madrugada,  queda
    repentina de temperatura,  friagem durante o inverno. Em Minas
         Gerais, o nome  corrubiara e no Cear,  graviana .

CRUZ . A cruz sempre foi um sinal     dos cristos, talvez porque Nosso
Senhor Jesus Cristo morreu crucificado, isto ,     pregado numa cruz .
  A cruz , feita com a palha de coqueiro seca do Domingo de     Ramos,
  afasta o perigo do raio e faz cessar a tempestade. As almas do outro
   mundo fogem     quando se faz uma cruz com dois dedos indicadores
 cruzados. As cruzes de     madeira esto nas sepulturas dos cristos e
   nos lugares onde as pessoas foram     assassinadas ou morreram em
  acidentes de automvel. O diabo corre da cruz. Quando     se faz uma
    cruz nos ovos para a galinha chocar, eles no goram. Uma cruz na
   soleira do porto de entrada das casas no deixa que nada de ruim
  acontea com as     pessoas da casa. Para fazer chover, em Gois, os
agricultores costumam dar um banho nos     cruzeiros erguidos na frente
                    de algumas capelas ou igrejas.

CUCA .  um bicho-papo, papo     feminino, que devora as crianas, no
                                 Sul.

CUCA.  um pequeno barril, tendo uma     pele numa das extremidades, em
   que, na parte do centro, est presa, pela parte de dentro,     uma
 varinha ou uma tira de couro. Atritando-a com um pano mido, produz um
som rouco, que     marca o ritmo dos sambas e dos cordes carnavalescos.
  A cuca tambm      instrumento musical dos candombls e macumbas e
indispensvel nos bailes     populares. A cuca chegou ao Brasil trazida
pelos escravos bantos ,     especialmente de Angola, onde lhe do o nome
  de ruita , como tambm o instrumento      conhecido no Nordeste. Em
                     Portugal, seu nome  ronca .

CUMCUBI . Prstito com pequeno enredo e     bailados guerreiros, popular
                     na Bahia e no Rio de Janeiro.

 CURADO DE COBRA, CURADOR DE COBRA . O curado de cobra  a pessoa que,
   quando  picada por cobras, nada sofre. O curador-de-cobra      o
  curandeiro que sabe rezar as pessoas quando so picadas por cobras.

 CURAU . 1.  um angu feito com xerm de     milho verde modo e cozido
           com acar; 2. Nome dado aos caipiras em Sergipe.

                       CURUPIRA . Veja CAIPORA.

CURURU . 1.  uma espcie de sapo muito     conhecida no Nordeste. 2. 
uma dana, canto em desafio, quase como acontece com os     repentistas
nordestinos que, ao som da viola, cantam, de improviso, os seus heris,
ou     fazem pelejas entre si, cada qual procurando diminuir o outro. 2.
              um carro velho, com     muitos anos de uso.

CUSCUZ . O cuscuz  um prato     nacional dos mouros e rabes, feito com
  arroz, trigo, cevada, milhetos ou sorgos. Logo     quando apareceu o
 milho americano, no sculo XVI, o cuscuz passou, no Brasil, a     ser
  feito de milho, comido com mel de abelha ou acar. Tambm pode ser
  comido com     carne, peixe, crustceos, legumes ou ainda molhado no
 leite de vaca, de cabra ou de     ovelha. O cuscuz foi inventado pelos
   brberes que levaram para Portugal e Espanha     e os portugueses
      trouxeram para o Brasil, onde passou a ser feito com milho.

    CUX ou CUX . O arroz de cux ou cux  um prato tradicional no
 Maranho e  feito assim: Farinha seca     peneirada,  qual se junta
gergelim torrado e socado no pilo com alguns camares     secos, sal e
   um bob de vinagrete. Soca-se a farinha com o camaro, junta-se o
gergelim     j torrado, bota-se um pouco de sal e leva-se ao fogo com o
   bob de vinagrete,     adicionando-se um pouco dgua at ferver e
      cozinhar e virar uma papa. Serve-se     quente, com arroz.

*     DANDALUNDA .  como tambm se chama Iemanj, Anambunucu, Dona
                   Janana, Me Dand. Veja IEMANJ

  DANTE DE LAYTANO nasceu no dia 23 de     maro de 1908, na cidade de
      Porto Alegre, RS. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da
Universidade de Porto Alegre. Foi juiz municipal de Sobradinho (RS) e de
Torres (RS),     promotor pblico da Comarca de Cachoeira do Sul (RS) e
     consultor jurdico da Secretaria     de Agricultura. Professor
       Catedrtico da Faculdade de Filosofia da PUC, professor de
  Literatura da Lngua Portuguesa, do Curso de Jornalismo e professor
    catedrtico da     Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras da
  Universidade do Rio Grande do Sul, Dante     Laytano, pertencendo a
  diversas organizaes culturais,  cronista, crtico     literrio,
socilogo. Na rea de Folclore publicou Congadas (1945), A     estncia
        gacha (1952), Pequrno esboo de um estudo do linguajar
  gacho-brasileiro (1961) e O folclore do Rio Grande do Sul (1987).

DA-REDE-RASGADA . Diz-se da pessoa que no     leva nada a srio. Algum
            metido a besta, insolente. Moa mal comportada.

   DAR-O-N . Significa casar. Significa,     tambm, quando qualquer
problema ficou difcil, como na expresso: "Agora, deu-o-n .     E no
                           h quem desate".

      DAR-O-PIRA . Ir embora, se mandar ,     sumir, desaparecer,
                             escafeder-se.

  DEDOS . Os passatempos e as brincadeiras     feitas com os dedos so
   muito interessantes. O nome dado aos dedos pelas     crianas  de
 origem portuguesa: dedo mindinho , seu vizinho , maior de     todos ,
  fura-bolo , cata-piolho . As formas eruditas, usadas pelos adultos,
so: mnimo, anular, mdio, indicador e polegar. Tem a brincadeira feita
 com as     criancinhas: " Dedo mindinho, seu vizinho, maior de todos,
fura-bolo e     cata-piolho. Depois toca-se na palma da mo da criana,
  perguntando: Onde est o     bolinho que deixei aqui? O gato comeu,
  responde. Vai-se subindo pelo brao, cocegando e     dizendo em cada
 parada: aqui descansou, aqui almoou, aqui comeu, aqui parou e sobe-se
at as axilas, fazendo ccegas: est aqui, est aqui. Outra brincadeira:
 toca-se em     cada dedo da criana dizendo: "Este diz que quer comer;
este diz no ter o     que; este diz que vai furtar; este diz que no v
 l; este diz que Deus dar!"      com os dedos que se d cafun. (Ver
 CAFUN). Com os dedos  feita a brincadeira     de cama-de-gato. (Ver
CAMA-DE-GATO). At na linguagem popular vamos encontrar os dedos na boca
 do povo, como na expresso: "Dei dois dedos de prosa com ele". O dedo
 indicador serve para mostrar a direo de uma rua, de uma casa, de uma
pessoa, e tambm     acionar o gatilho das armas de fogo. Os dedos tocam
  instrumentos de corda. Dizem     umas pessoas engraadas que a gente
             devia ter um olho na ponta do dedo indicador.

  DEFUNTO . As vivas para no pronunciarem     o nome dos maridos, em
suas conversas, dizem: - "O defunto do meu     marido..." O morto tambm
 o finado , o falecido , alm de defunto .     Nas notcias policiais o
  morto  o cadver, como nas manchetes: "O cadver da     vtima foi
  encontrado dias depois", etc. Mas essa, vivas herdaram esse tabu de
  no pronunciarem o nome de seus falecidos esposos, dos australianos,
    polinsios,     mongis, tuaregues, acambas da frica Central.

  DEIXADA .  o nome que se d  mulher     abandonada pelo marido: -
"Fulana no  solteira, nem viva.  deixada !"     A expresso  comum
                             no Nordeste.

 DEIXE-OS-PATOS-PASSAR .  uma expresso     baseada num conto popular
meio esquecido. Tambm se usa carneiros em lugar de patos.     Significa
    alguma coisa que no acaba nunca, que jamais acontecer, como na
                  expresso no     dia de so nunca .

       DEND . O dend  um azeite     indispensvel na culinria
 afro-brasileira. A palmeira que d o dend      encontrada em todo o
    litoral africano do Atlntico e foi trazida para o Brasil pelos
escravos africanos. Na linguagem popular pernambucana, dend quer dizer
    pitu,     gostoso, coisa boa, aprecivel; tambm coisa difcil,
                              obstculo.

DENTES . Os dentes so usados nos amuletos para combater o mau-olhado .
  Quando colocados no pescoo das crianas facilitam     uma dentio
forte, principalmente os de jacar e da aranha-caranguejeira. Na Europa,
colares feitos com dentes de tubaro e cao-lixa livram as crianas do
medo.     Entre os africanos e amerndios os dentes do inimigos abatidos
eram os trofus de     maior valor. A criana atira o dente extrado da
primeira dentio (os chamados dentes de leite ) pra cima do telhado da
casa, dizendo: "Mouro, Mouro toma     teu dente podre, d c meu dente
so!". Esse hbito tornou-se muito     popular no Brasil. Tambm se usa
  atirar o dente no mar, para trazer felicidade     para a criana. Na
 sabedoria de muitos pases corre a expresso "Olho por olho, dente por
dente ", significando que as pessoas devem pagar o mal com o mal e o bem
                              com o bem.

  DESAFIO . O desafio  uma disputa     entre poetas cantadores e que,
  vindo de Portugal, foi, no Nordeste onde melhor se     aclimatou. O
     desafio  acompanhado por viola, na maioria dos casos. Outros
cantadores nordestinos, como o negro Incio da Catingueira, usavam, nos
 desafios ,     tambm o pandeiro . Os desafios so verdadeiras pelejas
 entre os cantadores     que procuram diminuir as qualidades e aumentar
os defeitos dos parceiros, mas que no fim     d tudo certo, de vez que
                   tudo no passou de uma cantoria .

DESEJO . Desejo  a vontade que a     mulher grvida tem de comer alguma
   coisa difcil ou fcil de ser encontrada. Se no     satisfizer o
 desejo, a mulher pode abortar, perder o filho. Quando aborta, o menino
                       nasce com a boca aberta.

 DESPACHO . Despacho  feitio , macumba , eb , coisa-feita . O eb ou
 despacho  de     procedncia africana. Muitas vezes basta uma pequena
 quantidade de pipocas, embrulhos com     farinha e azeite-de-dend ou
outros objetos usados na feitiaria, para se fazer um despacho que deve
       ser jogado na direo da pessoa a quem se quer fazer mal.

                           DIABO . Veja CO.

  DIA-DA-MENTIRA . Tudo comeou em 1564,     quando Carlos IX, rei da
 Frana, determinou que o ano comeasse no dia primeiro de     janeiro,
  no que foi seguido por outros pases da Europa e, depois, por quase
   todos os     pases do mundo.  claro que no incio a confuso foi
  geral, de vez que os meios de     comunicao eram inexistentes. No
   havia, na poca, rdio, nem mesmo o jornal, pois a     inveno da
 imprensa, por Gutemberg, s aconteceu muitos anos depois. Antes do rei
  Carlos IX determinar que o dia primeiro de janeiro fosse o comeo do
  ano, este tinha     incio no dia primeiro de abril , o que resultou
 ficar conhecido como o dia-da-mentira ,     por causa das brincadeiras
 feitas com inteno de fazer rir. Surgiram, ento, as     brincadeiras
    em todo o mundo, como a da carta que se mandava por um portador
  destinada a     outra pessoa, na qual se lia: - "Hoje  primeiro de
           abril. Mande este burro para onde ele quiser ir".

 DIA-DE-SO-PAGAMIO .  um santo tambm     imaginrio, inventado pelo
povo como o Dia-de-So-Nunca . O Dia-de-So-Pagamio tem dia certo;  o
    dia em que as pessoas recebem seus salrios: "Eu s lhe pago no
                        dia-de-So-Pagamio ".

   DIA-DE-SO-NUNCA . Nunca  um     santo que no existe;  um santo
criado pela imaginao popular. "S lhe pagarei     no dia-de-So-Nunca
         ", isto , nunca o pagamento da dvida ser efetuado.

DINHEIRO .  bom o recebedor persignar-se (fazer o sinal da cruz) com o
 primeiro dinheiro que ganhar com seu trabalho, para que     nunca lhe
                          falte o que fazer.

 DOBRADIA . A dobradia  um passo com que o danador do frevo marca o
 compasso da msica carnavalesca, dobrando     vrias vezes a cintura,
  como se fosse uma dobradia de porta. A coreografia do frevo      o
                         passo   muito rica.

  DOIS-DOIS .  o nome que o povo d, na     Bahia, aos santos Cosme e
Damio, festejados no dia 27 de setembro, com refeies     oferecidas a
sete crianas, seguindo-se o almoo dos adultos e danas, diante do peji
   ou altar onde esto as imagens dos santos gmeos. A dana  muito
          animada, ao som de     um atabaque e de um agog .

  DONA SANTA . O nome de dona Santa era Maria Jlia do Nascimento, mas
 seus familiares lhe deram o tratamento de Santa,     Santinha por ser
uma menina muito dcil e querida de todos. Foi escolhida como rainha do
Maracatu Leo Coroado. At que seu marido  Joo Vitorino  foi coroado
  rei     da Nao Elefante, quando deixou de ser rainha. Mas quando o
marido morreu, Dona     Santa assumiu a direo do Maracatu Elefante at
   sua morte, em 1962. O acervo do     Maracatu Elefante foi doado 
                       Fundao Joaquim Nabuco.

DOR-DE-COTOVELO . 1. Tambm chamada de dor-de-viva ;      uma dor mais
 ou menos forte e rpida, causada por uma pancada no cotovelo onde fica
 situado o nervo cubital; 2. Na linguagem popular,  a situao em que
fica o namorado     (a) quando o namoro acaba e um dos dois fica roendo
               , sentindo a falta do outro     parceiro.

                  DOR-DE-VIVA . Veja DOR-DE-COTOVELO

  DORMIR . Quando a pessoa est dormindo,     sua alma deixa o corpo e
viaja. Antes de dormir , os catlicos dizem uma orao,     recomendando
 sua alma a Deus, pedindo proteo para que ela no sofra influncia de
    foras malignas, para que volte ao corpo da pessoa. Uma srie de
 crendices tem o ato de dormir como tema: a pessoa no deve dormir com
sede, porque o anjo da guarda     levanta-se de noite para beber gua e
pode se afogar no pote; no dormir com a casa sem     gua porque a alma
  pode sentir sede e procurar os rios, os lagos, as cacimbas e se cair
  dentro d'gua, o corpo morre; no dormir em cima da mesa, porque d
   azar, como     tambm, no dormir com os ps para a porta da rua.

  DUNGA .  o valento , o homem que     no tem medo de nada, nem de
ningum.  o chefe do bando, da galera .  o chefe     poltico local, o
            mando, que tudo resolve e todos lhe obedecem.

*    EB .  uma comida africana, trazida pelos escravos. Faz-se com
 farinha de milho branco, sal ou misturada com feijo-fradinho torrado.
Depois,     quando estiver fervendo, junta-se o sal ou azeite de dend.
 Foi, o eb , a     primeira refeio de Oxal no palcio de seu filho
Oxum-Guiam , quando     voltou da priso, libertado por X ang , tambm
 seu filho. Eb significa,     ao mesmo tempo, o feitio , a muamba , a
             coisa-feita , o despacho .     Veja DESPACHO.

ECLIPSES . Os agricultores nordestinos, por     ocasio do eclipse lunar
 para que no morra a plantao de algodo, costumam     acordar os ps
   de algodo gritando, batendo em latas, dando tiros de espingarda.
 Acreditam que as crianas, filhos de brancos, quando nascem durante os
      eclipses ,     tm a cor morena.  uma tradio universal.

EF . O ef  um prato da cozinha     baiana, feito da seguinte maneira:
      Cortam-se em pedacinhos folhas de taioba. Depois     de bem
     aferventadas, escorre-se a gua, usando-se uma peneira grossa.
  Tempera-se com     camares secos, descascados e bem modos, cebola
 ralada, coentro, pimenta e sal.     Junta-se, em seguida, um pedao de
peixe seco ou bacalhau, dando-se preferncia aos     pedaos da cabea,
   com os ossos. Cozinha-se com pouca gua, at ficar como pasta bem
  cozida e bem enxuta. Pe-se um pouco de azeite-de-dend , mexendo-se
  bem. O ef  servido numa terrina untada com azeite-de-dend quente.
            Come-se com arroz     branco, aca ou aberm.

  EFUM .  uma cerimnia que consiste em     pintar a cabea do iau ,
candidato ao posto de filho-de-santo. Raspada a     cabea, no incio da
cerimnia, ela  pintada com as cores do orix ao qual se     devotar.
 A escolha das cores  feita pelo babala . O efum ser apagado     com
         uma infuso de ervas tambm dedicadas ao mesmo orix.

   EMBIGO-DE-FREIRA .  um biscoito doce     muito popular na Bahia.

EMBIRICICA . 1.  uma fieira, que se faz     com uma embira, dos peixes,
 depois de pescados; 2. Tambm , no sentido figurado, a     gente que
 acompanha, em Belm, PA, os cordes-de-marujos durante o carnaval, os
           boi-bumbs no So Joo e as pastorinhas no Natal.

   EMBOLADA .  uma forma potica musical,     improvisada ou no, em
 compasso binrio, cuja melodia  declamada em intervalos curtos,     e
 que  usada pelos cantadores como refro coral ou dialogada. O rei dos
   emboladores     foi, sem nenhuma dvida, Manuel Pereira de Arajo,
conhecido artisticamente como Manezinho     Arajo , o pernambucano que,
na poca, divulgou em todo o Brasil, atravs das     estaes de rdio e
 de televiso, bem como em discos, seus grandes sucessos como     "Pra
onde vai, valente?", "Cuma  o nome dele?", "O caminho do     Coron".

  EMENDAR-A-CAMISA .  o duelo sertanejo. Os     contendores tm suas
   camisas amarradas pelas pontas e, armados de faca ou punhal, lutam
                     at que um deles caia morto.

 EMENDAR-OS-BIGODES .  lutar, corpo a     corpo, solucionar um caso de
             honra, resolver uma parada, como o povo diz.

 EMPELICADO . Diz-se da criana que nasce     com a cabea coberta com
 uma membrana branca chamada pelica . O povo acredita que a     criana
       que nasce empelicada ser uma pessoa rica quando crescer.

 ENCAMISADA . Era um cortejo nos carnavais     passados, saindo s ruas
  apenas na segunda-feira, vestindo camisas compridas at os     ps,
mascarados de branco, danando, fazendo graa. Aparecia a encamisada nos
carnavais do Rio Grande do Norte e da Paraba. No carnaval atual  feita
uma stira     como a dos encamisados; a crise financeira fez do cortejo
         ou bloco carnavalesco, os descamisados (sem camisas).

   ENCOMENDAO-DAS-ALMAS . Nas     sextas-feiras da Quaresma, at os
 meados do sculo XIX ou mesmo durante o ms de     novembro (conhecido
    como ms das almas), saiam procisses noturnas que percorriam as
   principais ruas da cidade, em sufrgio das almas do purgatrio. A
   procisso saa da     igreja entre onze horas e meia-noite, com os
 homens  frente, com as feies     encobertas, conduzindo lanternas.
Cantavam ladainhas, rezavam rosrios em voz alta. Todas     as casas das
 ruas por onde a procisso passava estavam com as portas fechadas e as
  luzes     apagadas. As portas ou janelas que estivessem abertas eram
          alvo de pedradas. Alguns     devotos se flagelavam.

   ENCRENCA . Encrenca significa     complicao, problema, confuso,
terminando muitas vezes, em briga. Termo da gria dos     gatunos do Rio
    de Janeiro, a palavra se espalhou pelo pas a partir de 1911, na
   agitao poltica das eleies estaduais. Muitos maridos costumam,
  carinhosamente,     chamar suas esposas de Dona Encrenca . Quando o
     automvel pra com algum defeito,     o povo diz que "o carro
                              encrencou".

ENCRUZILHADA . A encruzilhada  a     parte onde os caminhos se cruzam.
    , apesar de sua forma geomtrica, o local dos     demnios. Nas
   encruzilhadas os gregos e romanos depositavam presentes a Hcate,
 aos fantasmas. A tradio foi trazida pelos portugueses colonizadores.
Os ndios e os     escravos no conheciam os mistrios das encruzilhadas
que era coisa de brancos.     Nos cultos afro-brasileiros, Exu tambm 
            conhecido como o homem das     encruzilhadas .

    ENFEITAR-O-MARAC .  contar uma     estria, enfeitando o mais
 possvel, para que se torne verdadeira sem ser, com a     inteno de
  convencer as pessoas que esto ouvindo.  uma expresso corrente no
                Nordeste, especialmente em Pernambuco.

  ENGENHO-NOVO .  uma dana popular do     Nordeste, pertencente aos
cocos de ganz . Homens e mulheres danam em roda,     soltos, cantando
       com o ritmo da embolada , batendo palmas: "Engenho-Novo,/
Engenho-Novo,/ Engenho Novo,/Bota a roda pra rodar". No sul do pas (So
 Paulo e     Minas Gerais) o engenho novo  uma dana diferente, tambm
                           chamada guarap .

 ENGUIO .  o nome que se d ao mau-olhado , quebranto , caiporismo ,
 mau-agouro , empecilho . Tambm  coisa     pequena mas difcil de ser
 feita. Passar a perna pelo corpo de algum que estiver     deitado, 
 enguio . A pessoa no cresce mais. Para desenguiar, basta     apenas
    fazer o contrrio, isto , passar a perna no sentido contrrio.

ENSALMO . O ensalmo  uma orao     supersticiosa cujas palavras foram
tiradas dos salmos, usado pelos curandeiros para     as pessoas voltarem
                            a gozar sade.

  ENTERRO-DOS-OSSOS .  um almoo do que     sobrou da refeio do dia
 anterior (festa de casamento, batizado, aniversrio, etc.).     J em
Mato Grosso,  um clube carnavalesco que sai no primeiro domingo depois
do     carnaval. Os folies, vestidos de preto, trazem caveiras pintadas
 e instrumentos musicais     tocando musicas fnebres. Conduzem caixes
    morturios cheios de galinhas, perus,     churrascos e cachaa 
              vontade. O povo ri, come e bebe  vontade.

  ENTRUDO .  o perodo de divertimento     popular, que compreende os
 trs dias que precedem a Quarta-Feira de Cinzas.  o     carnaval, com
                          seu nome primitivo.

ER .  um orix filho de xang .     Trata-se de um esprito inferior,
um companheiro da filha-de-santo . Todas as     pessoas que tm santo ,
 tambm tm um er , que pode ser de Cosme, de     Damio, de Do ou de
                                Alab.

ESCADA . Muita gente no passa por baixo     de uma escada, superstio
  muito espalhada no Brasil. O pernambucano Joaquim Nabuco no     era
supersticioso, mas nunca passou por baixo de uma escada. A escada lembra
 a subida, a     elevao social, econmica. E passar por baixo do que
sobe  renunciar  melhoria     social, econmica. Quem passa por baixo
 de uma escada fica marcando passo a vida inteira,     sem melhorar de
                                 vida.

ESCALDADO .  um prato da culinria     brasileira, feito com carne, ou
  peixe ou crustceos cozidos num molho especial, com     azeite-doce,
   tomate, coentro, sal, jil, quiabo e ovos inteiros. Quando o caldo
comea a     ferver, pe-se, na panela, o peixe e os camares tratados.
    O piro escaldado  feito     com farinha seca, pondo-se em cima
                   colheradas do caldo, bem quente.

 ESPELHO . Quando uma pessoa morre todos os     espelhos da casa devem
   ser cobertos com pano preto durante toda a semana aps sua morte.
No  bom a pessoa falar diante do espelho porque ter sonhos horrveis,
  pesadelos.     No se deve pr recm-nascidos diante de espelhos; se
assim acontecer, eles vo     demorar a falar. Essas supersties correm
                             o mundo todo.

ESPERANA . Diz o povo que quando uma esperana (inseto ortptero) pousa
 numa pessoa  porque vai acontecer coisa agradvel. H,     tambm, a
  crena da esperana da boca preta, que traz m sorte quando pousa em
                                algum.

   ESPIA-CAMINHO .  uma planta que     geralmente nasce  margem dos
caminhos, onde a terra  mais frtil, por receber fezes     dos animais,
  restos de comida, etc. As mulheres tm raiva da espia-caminho e, por
   onde elas passam, costumam arrancar todos os ps que encontram. As
 mulheres acham que a espia-caminho tem uma flor imoral, parecida com o
                        rgo sexual feminino.

ESPIRRO . O costume de se dizer:     "Salve!", "Viva!", "Sade!", "Deus
te salve!"     quando uma pessoa espirra,  muito antigo e universal. Os
  romanos acreditavam que     espirrar  meia-noite e ao meio-dia era
     sinal de ms notcias, o que no acontecia se     a pessoa no
espirrasse ao meio-dia,  meia-noite. A pessoa no deve espirrar quando
  se     deita na cama pela manh ou quando estiver  mesa durante as
 refeies. O povo diz que     quando o doente espirra no morre nesse
  dia. O espirro faz com que a pessoa fique     livre das bruxarias.

ESQUENTA-MULHER . Conjunto musical popular     em Alagoas, constante de
  dois ou trs pfes (flautas rsticas de bambu), uma caixa ,     dois
          zabumbas (bombos) e pratos de metal. Veja CABAAL.

     ESTAR-DE-BODE-AMARRADO . Diz-se de quem     est de mau humor,
             macambzio, triste, sem achar graa em nada.

 ESTHER KARWINSKY, Baronesa, nasceu em     Brodosqui. SP. Advogada pela
Faculdade Catlica de Direito de Santos, professora,     museloga, com
   diversos cursos de extenso no Brasil, na Frana, no Mxico, tendo
   participado em congressos e festivais de Folclore em Marrocos, na
  Frana, no Chile, nos     Estados Unidos, na Grcia, na Hungria, na
Noruega, em Portugal, Canad, na Argentina, na     ustria, na ndia, na
China, na Alemanha, nos quais apresentou comunicaes sobre     assuntos
pertinentes ao Folclore brasileiro, Esther Karwinky  membro da Comisso
Paulista de Folclore, da Comisso Municipal de Folclore e artesanato de
  Guaruj (SP), da     Associao Brasileira de Folclore, da American
  Folklore Society, da Societ     dthnologie Franaise, da Socit
  Internationale dEthnologie et Folklore      SIEF, da International
Society for Folk Narrative Research - ISFNR e da Folklore     Fellows da
 Finlndia e, na rea de Folclore, publicou Danas e folguedos (1974) ,
  Guaruj, uma experincia em levantamento de Folclore (1975) , Festas
 Folclricas     fixas mais importantes da Ilha de Santo Amaro (1977),
  Museus e museologia (1990)     e O Caiara (1993), alm de ensaios e
          artigos na imprensa e revistas     especializadas.

     ESTILINGUE . O mesmo que baladeira , badoque ou bodoque .Veja
                              ATIRADEIRA.

   ESTRIA .  o conto popular. A estria     de Trancoso com que os
  contadores-de-estrias deliciam a crianada,     principalmente nas
    cidades do interior. Os contadores de estrias eram, geralmente,
           pretos velhos, avs e pessoas de idade avanada.

ESTRELA . A estrela  cercada por     um mundo misterioso de crendices e
 supersties. Quem aponta com o dedo indicador (o fura-bolo ),     uma
   estrela no cu ou conta as estrelas (uma, duas, cinco, dez, etc.)
nascer no corpo tantas verrugas quantas estrelas a pessoa contar. Tem a
orao     das estrelas que, rezada com muita f, faz com que as pessoas
 alcancem a proteo     divina. Quando a pessoa tem uma ngua , sai de
casa,  noite, fita uma estrela     qualquer, coloca a mo direita sobre
a parte inflamada e diz, trs vezes: "Minha estrela donzela, esta ngua
diz que morrais vs e viva e crena nela, eu digo que     cresais vs e
  morra ela". O povo tambm tem muito medo das estrelas cadentes, que
  correm no cu. Acreditam que se uma estrela cadente cair na Terra, o
 mundo se acabar.     Outras pessoas dizem que toda vez que correr uma
                estrela , uma alma entrar no     cu.

  EXCELNCIA . A excelncia, ou incelena como o povo diz,  um canto
    entoado por muitas pessoas  cabea do moribundo. Cantam     sem
   acompanhamento musical, aos ps do morto e os benditos  cabea do
   falecido.     A excelncia tem o poder de despertar no moribundo o
 arrependimento de seus     pecados. As excelncias tambm so cantadas
      em Portugal e de l foram trazidas     pelos colonizadores.

EXIBIO-DE-PROVA-DE-VIRGINDADE . Nos     idos de 1870, era costume, no
Serto nordestino e vrios pases da Europa, os noivos     mostrarem s
 pessoas que estavam esperando na manh seguinte ao dia do casamento, o
     lenol manchado de sangue, comprovando, assim, a virgindade da
recm-casada. Quando uma     moa era falada , por seu procedimento, as
pessoas duvidavam da sua virgindade,     dizendo: "Aquela no mostra os
                               panos..."

  EXU .  o Demnio nos cultos     afro-brasileiros. Exu  respeitado,
   temido e objeto de culto. Nada se faz sem Exu e para se conseguir
    qualquer coisa  preciso fazer o despacho de Exu . Exu tambm 
              conhecido como o homem das encruzilhadas .

*FADAS . As fadas so entidades femininas dotadas de poderes     mgicos,
     principalmente quando usam sua varinha de condo , capazes de
transformar     pessoas em animais e animais em pessoas. As fadas podem
    ser: fadas-ms ou bruxas, que s fazem o mal: e as fadas-boas ou
     fadas-madrinhas que s fazem o bem.     As fadas esto sempre
                participando das estrias de Trancoso.

    FADO . O fado  uma cano     popular portuguesa, mas de origem
 brasileira. Quando a corte portuguesa se estabeleceu no     Brasil, em
1808, os nobres gostaram muito do lundu brasileiro. De volta a Portugal,
os nobres e msicos lusitanos deram ao lundu , com algumas modificaes,
              o nome     de fado , como  conhecido hoje.

 FALAR . A voz foi o primeiro meio de     comunicao usado pelo homem,
que comeou a inventar nomes para as pessoas, para os     animais e para
 as coisas. Em torno da fala, existem algumas crendices como o remdio
  que     se d  criana que est custando a falar , muito usado nos
  sertes     nordestinos: dar, para o menino beber, gua de chocalho,
isto , a gua na qual se     encheu um chocalho. Na linguagem popular,
  quando uma pessoa fala muito, diz-se que tomou gua     de chocalho
 quando criana. No  bom mostrar a criana num espelho porque; assim
    acontecendo, ela vai demorar a falar. O remdio, no caso,  dar
                    gua-de-chocalho pra ela beber.

FALAR-PELA-BOCA-DOS-ANJOS . Argumentao     que se faz quando se deseja
  ardentemente, de corao, que se realize o que a pessoa     acaba de
                                dizer.

     FALAR-PELOS-COTOVELOS . Diz-se da pessoa     que fala muito.

 FALSETE . Voz esganiada, falsa,     imitao da voz de criana ou de
                                mulher.

   FANDANGO . Em alguns Estados do Brasil o fandango  o bailado dos
 marujos ou marujada , ou chegana ou barca . No Sul, fandango  dana,
 baile, festa de danas regionais. Foram registradas cem modalidades de
    fandango no Sul, entre as quais tontinha , velho-vai-moa-fica ,
          pega-fogo , marrafa , Joo Fernandes , pipoca, etc.

  FANHO . Diz-se que fanho  a pessoa     que fala pelo nariz, com voz
                               fanhosa.

                         FANHOSO . Veja FANHO.

  FARINHA . 1. Feita de mandioca, a farinha  conhecida como o po dos
 brasileiros . A linguagem do povo registra vrios     ditados: comer a
vergonha com farinha seca; de pouca farinha meu piro tem     medo; mel
em casa  gasto de farinha . Quando tem muita gente reunida numa festa,
numa feira, diz-se que : Tem gente como farinha . A farinha de mandioca
tambm      chamada farinha-de-pau; 2. A farinha de trigo  usada para
                     o fabrico do     po e bolos.

FARINHA-DE-BARCO .  a farinha de mandioca     que vem por mar, ficando
                        com cheiro de maresia.

    FARRA-DO-BOI. A farra-do-boi, que     acontece todos os anos no
 Balnerio Barra do Sul, a 40 quilmetros de Joinville (SC),     comea
na Quinta-Feira da Semana Santa. Tudo comeou na Pennsula Ibrica, por
volta     do sculo XIV, originando-se de uma mistura da luta de animais
   que era um dos     lazeres da burguesia  com a corrida de touros,
festa nacional espanhola. Atualmente,     ainda existe a Corrida de So
   Firmino, na Espanha. Mas do jeito que acontece hoje, em     Santa
Catarina, a farra-do-boi teve origem na Ilha Terceira, nos Aores, com o
      boi     correndo pelas ruas, sendo enfrentado por toureiros
  improvisados. A tradio chegou em     Santa Catarina trazida pelos
primeiros seis mil aorianos que l desembarcaram entre     1748 e 1756.
   A farra-do-boi consiste na corrida de bois pelas ruas ou em lugar
   preparado, ficando as pessoas com o direito de irritarem os bois e
  correrem  procura de     abrigo. A polcia probe esta manifestao
   folclrica, por fora de uma deciso que     a ps na ilegalidade.
   Pessoas so presas mas, apesar dos pesares a farra-do-boi continua
                      acontecendo todos os anos.

 FAZER-A-CABEA . Convencer algum; fazer     com que algum aceite sua
     maneira de ser, de pensar, de agir, seu ponto de vista, sobre
                         determinado assunto.

FAZER-CASA-COM-PAU-BICHADO . Fazer as     coisas mal feitas, sem lgica,
                             sem certeza.

FEIJO-AZEITE . Comida feita com feijo-fradinho tendo azeite-de-dend ,
cebola, o sal como temperos. Juntam-se camares modos. O feijo-azeite
                    tambm  chamado de humulucu .

 FEIJOADA . A feijoada  um dos     pratos mais populares da culinria
 brasileira, preferido por ricos e pobres. A feijoada rene verduras e
  carnes (de porco e de boi), paio, lingia, salsicha, carne-de-sol ,
  charque, orelha de porco, etc. O feijo-preto  o mais apreciado na
  feijoada domingueira reunindo a famlia toda em volta da mesa, todos
 ansiosos para sabore-la. E,     como se trata de uma comida pesada ,
 gordurosa,  aconselhvel, depois de comer     uma gostosa feijoada ,
 tomar um clice de batida ou at mesmo de gua-que-passarinho-no-bebe
                      para equilibrar o estmago.

   FEITIARIA .  o nome dado s prticas     de magia popular como o
 candombl baiano, a macumba carioca, o xang pernambucano (paraibano e
   alagoano), o catimb nordestino, a pajelana , o tambor-de-mina e
   tambor-de-creoulo maranhenses, e o babassu paraense. Os africanos
                 trouxeram a feitiaria para o Brasil.

    FEITIO .  o despacho , o eb ,     a coisa-feita , a muamba .

  FEL .  um rebuado de acar,     vendido enrolado em papel.  uma
      espcie de puxa-puxa, quando feito com acar     mascavo ou
                mel-de-engenho, ou melado. Veja ALFEL.

 FERRA .  uma marca feita a fogo     (iniciais ou um desenho qualquer)
  que os fazendeiros usam para saber quais os bois, as     vacas e os
                     garrotes de sua propriedade.

FERRADO . D-se o nome de ferrado aos legumes que so cozidos misturados
   com toucinho: feijo-ferrado, arroz-ferrado ,     na regio norte
                     mineira do Rio So Francisco.

    FERRADURA . Feita de ferro e usada nas     patas dos cavalos, a
ferradura , quando encontrada casualmente, serve como amuleto,     para
atrair felicidade, sade, bons negcios. Deve ser pregada atrs da porta
   da casa     da pessoa que a achou na rua ou no campo. A ferradura
      comprada ou recebida como     presente, no tem este poder.

   FESTA . Festa , de um modo geral,      uma reunio de pessoas que
   comemoram um batizado, um casamento, uma data cvica, ou o     dia
consagrado a um santo. Mas o povo entende que a festa  o Natal e o ms
de     festa  dezembro, quando se trocam cartes natalinos e presentes,
e considera o     Natal, o Carnaval e o So Joo como as trs principais
                            festas do ano.

   FETICHES . So objetos que representam a     fora divina como os
                     mascotes, amuletos, talisms.

FIGA . O povo acredita que a figa      um dos mais eficientes amuletos
 contra o mau-olhado. Representa a mo humana em     que o polegar est
 colocado entre o indicador e o mdio. A figa tambm      conhecida no
Brasil pelo nome de isola , porque isola , afasta a fora das     coisas
                    ruins que nos possam acontecer.

   FICAR-A-COISA-PRETA . Tornar-se ou ficar a     situao difcil.

 FICAR-CHUPANDO-O-DEDO . Diz-se de quem fica     com a cara de idiota,
                               logrado.

FICAR-COM-O-P-ATRS . Diz-se da pessoa     desconfiada, sem ainda saber
qual a atitude que vai tomar, sem acreditar no que lhe foi     contado.

FICAR-NO-CANTO . Situao em que fica o     filho mais novo de um casal
quando nasce outro irmozinho, relegado a um segundo plano,     deixando
  de ser o alvo da ateno dos pais e parentes, perdendo o direito de
comer o     corao da galinha nos almoos domingueiros, as frutas mais
               bonitas, os melhores     brinquedos, etc.

   FILHA-DE-SANTO .  como se chama a     sacerdotisa dos candombls
baianos, tendo como papel mais importante o de servir     como cavalo ,
  de corpo, de instrumento do medium, de aparelho ao orix que nela se
                              incorpora.

FINADOS . O Dia de Finados , ou o dia     dos mortos, acontece no dia 2
de novembro. No se pesca e nem se caa no dia de Finados .     As almas
 dos afogados passeiam por cima das guas do mar, dos lagos, dos rios,
dos     audes, das represas.  o dia em que as almas visitam os lugares
   onde morreram ou foram     assassinados. Os vivos vo ao cemitrio
visitar os entes queridos, levando-lhes flores,     velas, rezando pelo
                        descanso de suas almas.

FLORES . As flores so oferecidas aos     santos e s pessoas queridas.
 Enfeitam as casas e as igrejas. Mas so muito usadas (suas     folhas,
  razes) na medicina popular como remdios para curar pequenos males,
   doenas.     Dar uma flor a uma moa, a uma mulher  uma prova de
                   admirao, de respeito, de amor.

 FOGO . Esfregando a ponta de um pedao de     galho seco de madeira em
um buraco feito num tronco de madeira seca e com o auxlio de     folhas
tambm secas, o homem inventou o fogo para afugentar os animais ferozes,
combater o frio do inverno, iluminar suas noites, assar seus alimentos.
    O fogo sempre foi considerado como purificador, por seu poder de
   destruir tudo, de reduzir tudo a     cinzas. Os homens primitivos
 danavam ao redor das fogueiras, como ainda acontece nas     noites de
      So Joo. O fogo chegou at a ser adorado como um deus pelos
 primitivos. Em torno do fogo, a imaginao popular criou uma srie de
crendices     ainda hoje em uso entre as pessoas do interior, do serto:
   1. Quem brinca com fogo urina na cama; 2. Quem cospe no fogo fica
tuberculoso; 3. Quem queima os cabelos,     fica doido; 4. Quem urina no
 fogo , seca a urina e morre de doena na bexiga ou nos     rins; 5. 
 bom, quando a pessoa for morar em outra casa, acender logo o fogo ; 6.
  No  bom apagar o fogo de uma fogueira com os ps e sim batendo com
galhinhos     de rvores; 7. No se deve apagar o fogo no fogo  lenha,
com gua; o certo      afastar as achas de lenha; 8. Apagar o fogo com
  gua faz com que a pessoa perca     tudo que ganhou ou economizou.

 FOGO-MORTO . No Nordeste, um engenho est     de fogo morto quando no
                        est funcionando mais.

 FOLCLORE. Folclore foi uma palavra criada     por William John Thoms -
um arquelogo ingls - quando, no dia 22 de agosto de 1846,     publicou
 uma carta no jornal O Ateneu , de Londres, mostrando a necessidade da
 existncia de um vocbulo destinado a denominar o estudo das tradies
populares     inglesas. Desde a data da publicao da carta passou a ser
   comemorado, no mundo inteiro     o dia 22 de agosto como o Dia do
  Folclore. A palavra folclore foi formada da unio     de dois termos
   oriundos do antigo ingls falado na Inglaterra: folk (povo) e lore
   (saber) e substituiu o que, na poca, era chamado de antiguidades
 populares. Na carta     escrita ao jornal londrino William John Thoms
usou o pseudnimo Ambrose Merton e pediu     que se fizesse um registro
  de antigas lendas, crenas em desuso, baladas, velhos     costumes,
fatos curiosos, de sua terra. Mas, o que  Folclore ? Definir continua a
   ser uma das artes mais difceis, principalmente quando se trata de
  definir Folclore ,     dada a sua abrangncia e seu vasto e complexo
mundo de ao. Cada estudioso do assunto     tem sua definio prpria,
de conformidade com a tica de cada um. Na minha opinio,     o Folclore
  muito difcil de ser definido. Uma definio de Folclore seria muito
 comprida e incompleta. Assim, Folclore  a cultura popular, envolvendo
  sua sabedoria, a linguagem falada pelo povo, as cantigas de roda, as
 adivinhaes, os     provrbios, os folhetos de feira, as estrias de
Trancoso, a culinria, a medicina     ortodoxa, o artesanato utilitrio
  e decorativo, as anedotas, os folguedos, os autos     populares, as
     bandas de pfanos, as brincadeiras infantis, as crendices, as
supersties, a religiosidade, as cantigas de ninar, as danas, a poesia
 popular     cantada de improviso e tudo que o povo faz, usa, acredita.
    Tudo que vem do povo, de sua     sabedoria, , pois, Folclore.

    FOLE . A mesma coisa que harmnica , realejo , gaita , sanfona ,
    acordeon(a) . Para ns, aqui, no Nordeste, realejo, que se toca
soprando,  um pequeno instrumento musical (de 3 a 20 cm) conhecido como
                  realejo-de-boca ou gaita-de-boca .

   FOME .  a vontade e a necessidade que o     corpo humano sente de
       receber alimentos para transform-los em energia. A fome 
representada por uma mulher velha, horrvel, desdentada, tendo  cabea
                      um chapu     muito grande.

FOME-CANINA . Diz-se quando a fome  muito grande, principalmente quando
   as pessoas passam muitas horas ou, at mesmo dias,     sem comer.

 FORMIGAS . As formigas ainda hoje     so comestveis, como acontecia
     entre os povos antigos. Mas no so todas as formigas que so
comestveis. A formiga que se come ainda hoje no Nordeste  a tanajura ,
 a parte de seu corpo onde esto seus ovos, antes da postura. Elas saem
 dos seus ninhos,     debaixo da terra, para cada uma fazer seu prprio
   ninho e ter seus filhos. Antes que tal     acontea, so caadas,
     retirados seus ovos que, depois de fritos, so um prato muito
                              apreciado.

                       FORR . Veja ARRASTA-P.

 FREVIOCA .  o trio-eltrico pernambucano que, durante o carnaval, s
  toca frevo. O termo frevioca j     aparecia no n 55, de 1914, numa
                     notcia do jornal Pernambuco.

 FREVO . O frevo , que comeou a     aparecer em 1909,  uma dana, de
rua e de salo, do carnaval pernambucano. O que     caracteriza o frevo
       ele ser danado no apenas por algumas pessoas mas por uma
   multido, como acontece no Galo da Madrugada que enche as ruas do
Recife. O frevo vem de frever , corrutela popular de ferver e nasceu da
   polca-marcha.     So duas as qualidades do frevo: o frevo somente
tocado, frevo-de-rua, e o frevo tocado e cantado, que  o frevo-cano .
  Nelson Ferreira, Capiba, Carnera, Levino     Ferreira, Timoshenko e
 muitos outros msicos pernambucanos escreveram frevos que     foram e
continuam ainda sendo a alegria de muitos carnavais, de ontem, de hoje e
de     amanh. Um dos frevos mais conhecido em Pernambuco  Vassourinhas
  que quando     tocado, todo mundo se agita. D-se o nome de passo ,
          fazer-o-passo ,      maneira de se danar o frevo.

         FUMO-BRABO .  o nome que tambm se d      maconha.

FUBICA . Nome dado aos automveis velhos,     caindo os pedaos, tambm
                       conhecidos por cururus .

* GAGAU . Nome dado a um antigo jogo de dados no qual o dois e o s eram
os pontos maiores. Tomar gagau era como se dizia quando um rapaz ou uma
 moa     estavam perdidamente apaixonados. Gagau tambm  o mingau das
                               crianas.

 GAGUEIRA .  a maneira sincopada de falar,     prpria de pessoas que
  tm essa deficincia, isto , que so gagas. Para a     pessoa ficar
 curada da gagueira , nada como se bater trs vezes, na cabea do gago,
                        com uma colher de pau.

  GAITA . 1 . Sanfona, gaita-de-fole,     realejo, fole, acordeon ; 2.
   Gaita tambm  dinheiro, porque quem tem dinheiro     anda sempre
             alegre, bem humorado, como quem toca gaita .

   GALINHA . 1.  a fmea do galo; 2. Mulher     muito volvel que se
  entrega aos homens com facilidade; 3. Pessoa covarde, medrosa; 4. Na
         linguagem popular a galinha tambm se faz presente: 1.
    Dormir-com-as-galinhas      dormir cedo, como as galinhas ; 2.
    Quando-as-galinhas-criarem-dentes , nunca,     jamais, porque as
     galinhas nunca criaro dentes; 3. Galinha-choca  a     pessoa
irrequieta, que no pra um instante; 4. Galinha-d'gua  o descendente
         de holands com brasileiro, aloirado, de olhos azuis.

GALINHA-GORDA .  uma brincadeira de     meninos durante o banho de mar,
   de aude, de rio. Um dos meninos pega uma pedra, diz:     "Galinha
  gorda! Gorda  ela! Vamos com-la? Vamos a ela!" Em seguida atira a
              pedra dentro d'gua e todos vo procur-la.

  GALINHA-MORTA . 1. Diz-se quando uma     mercadoria  barata,  uma
   pechincha ; 2. Coisa fcil de aprender, de ser     feita; 3. Certa
  cantiga executada  viola ou ao violo (RS), e a dana que acompanha
                             essa cantiga.

GALINHEIRO . 1.  o lugar onde dormem as     galinhas; 2.  tambm, nos
teatros, o poleiro , as torrinhas , onde a pessoa     paga ingresso mais
                                barato.

 GALO-DA-MADRUGADA. O bloco carnavalesco Galo-da-Madrugada foi fundado
 por folies residentes no bairro de So Jos, da cidade do Recife, em
    1978. Todos os anos, acompanhado por uma multido de milhares de
 pessoas, o bloco desfila     no centro da cidade pela manh do Sbado
   Gordo. Este bloco entrou para o livro dos     recordes mundiais.

GANZ . O ganz , ou canz , caracax ,  um cilindro feito de flandres,
    fechado, com um cabo. No seu interior     so colocados gros ou
    pequenos seixos que soam quando o ganz  agitado,     sacudido,
                             movimentado.

GARAPA . 1.  o nome que se d s     diversas bebidas servidas geladas,
    feitas com gua, acar e o suco de frutas     geralmente como o
tamarindo, o limo (limonada), o caju (cajuada); 2. No Serto, garapa 
  o caldo de cana tirado das moendas; 3. Garapa  tudo que  fcil de
   ser adquirido, coisa de pouca importncia. Tambm  uma coisa boa,
  supimpa; 4. ,     tambm, gua misturada com acar, que se d para
   beber quando uma pessoa est     nervosa ou quando leva um susto.

GATO . O gato , o bichano ,      o animal domstico encontrado em quase
   todas as casas, usado para pegar ratos e baratas.     Sobre o gato
     existem muitas crendices e curiosidades: 1. Gato-preto : para
 algumas pessoas o gato preto d sorte e para outras traz infelicidade;
    2. Quem pisa no     rabo de um gato no casa no ano, s nos anos
seguintes; 3. Dizem que o gato no gosta     de seus donos e sim da casa
  onde ele vive. Assim, quando uma pessoa muda de residncia,     deve
levar o gato dentro de um saco e passar azeite no focinho dele para que
 ele perca o     faro e no volte  antiga casa; 4. O melhor couro para
 se fazer uma tamborim  o couro     do gato , segundo os entendidos no
  assunto; 5. Dizem que o gato  o animal mais     difcil de morrer,
  porque tem sete flegos; 6. Quem mata um gato tem sete anos de azar.
 Os gatos esto nas estrias de Trancoso, como no Gato de botas , e no
desenho animado, como no Gato Flix . Os homens aprenderam com os gatos
a     fazer fossas, vendo-os cavar um pequeno buraco, para fazerem coc
                         e cobri-lo com terra.

GEMADA . A gemada  uma bebida     feita com gema de ovo, acar e leite
  quente, tudo misturado e bem batido, muito boa     como fortificante
    capaz de restaurar as foras perdidas. Algumas pessoas costumam
          substituir o leite por conhaque ou vinho do Porto.

GMEOS . Para que a mulher no tenha     filho gmeos deve evitar comer
    frutas gmeas. As crianas gmeas so dotadas     de qualidades
  singulares e tudo o que fazem tm mais poder, mais valor, at mesmo
quando     rezam. No Brasil, o gmeo que atirar farinha para o ar em dia
  de nevoeiro acabar     com a neblina. Dizem que menino gmeo nunca
 morre afogado, nem se perde nos     caminhos desconhecidos. Na Igreja
Catlica vamos encontrar alguns santos gmeos :     So Cosme e Damio,
 So Crispim e So Crispiniano, So Gervsio e So Protsio. O     povo
diz que quando um dos gmeos sente uma dor, o outro tambm sente; quando
 um adoece,     o outro fica triste, quase doente. Os gmeos so sempre
                             muito unidos.

  GILBERTO FREYRE nasceu no dia 15 de maro     de 1900, na cidade do
     Recife, PE. Seus estudos iniciais foram feitos com professores
  particulares, entre os quais o ingls Mr. William, a francesa Madame
   Meunier, seu     prprio pai, que lhe ensinou latim e portugus, e
    Telles Jnior que foi seu professor     de desenho. Fez o curso
 secundrio no Colgio Americano Gilreath, do Recife, seguindo     para
 os Estados Unidos, onde se bacharelou em Cincias Polticas e Sociais
   pela     Universidade de Baylor, fazendo, em seguida, o mestrado e
doutorado de Cincias     Polticas, Jurdicas e Sociais na Universidade
   de Colmbia onde teve como mestres o     antroplogo Franz Boas, o
 socilogo Giddings, o economista Selingman, o jurista John     Bassett
Moore e outros. Em sua tese universitria - Social life in Brasil in the
 middle of the nineteenth century  publicada em ingls, sustenta que a
  situao do escravo no Brasil patriarcal fora superior  do operrio
europeu no     comeo do sculo XIX. Teve os graus de Bacharel, Mestre,
Doutor em Letras, Doutor e     Professor. No governo de Estcio Coimbra,
 Gilberto Freyre foi Chefe de Gabinete,     merecendo daquele Chefe de
      Estado, extraordinria confiana. Foi fundador da cadeira de
     Sociologia Educacional na antiga Escola Normal de Pernambuco,
inaugurando, pioneiramente,     com a colaborao de suas alunas, no s
     no Brasil como na Amrica Latina, trabalhos     de campo cujos
 resultados de sentido social foram aproveitados pelo ento Prefeito do
 Recife, criando playgrounds com o propsito de afastar as crianas dos
perigos da     rua. Em 1933 publicou Casa-Grande & Senzala , obra bsica
da histria social     brasileira, para, em seguida, publicar Sobrados e
   Mucambos (1936), Nordeste (1937), Acar (1939), Aventura e Rotina
(1953), Assombraes do     Recife Velho (1955), Sociologia da Medicina
     (1967) e dezenas de outros     trabalhos que honram a cultura
brasileira. Preso, por seu profundo amor, ao Recife, daqui     nunca se
  ausentou, a no ser temporariamente, a ponto de recusar ministrios,
 ctedras     em Universidades brasileiras, americanas e europias. Foi
   uma lei de sua autoria, quando     deputado federal  eleito pelos
 estudantes pernambucanos - que criou o Instituto     Joaquim Nabuco de
   Pesquisas Sociais, hoje Fundao Joaquim Nabuco, nunca deixando de
  presidir seu Conselho Diretor. Gilberto Freyre colaborou em revistas
 especializadas em     jornais nacionais e internacionais, participou,
 como membro efetivo, do Conselho Estadual     e do Conselho Federal de
 Cultura. Faleceu, no dia 18 de julho de 1987, na cidade do     Recife,
                                  PE.

GIRASSOL . O girassol  uma flor de     bom tamanho, de cor amarela, que
 acompanha sempre a direo do sol, razo pela qual tem     este nome.
  Serve para a alimentao dos pssaros e seu leo est sendo usado na
                         culinria brasileira.

GOG-DE-SOLA . Trata-se de um pequeno     animal que vive no Acre e que
 tem o pescoo da cor de ferrugem. Apesar de seu pequeno     tamanho, 
                           muito agressivo.

    GONALVES FERNANDES nasceu em 1909,na     cidade do Recife, PE.
  Diplomado em Medicina (1937) pela Universidade de Pernambuco, sempre
 foi conhecido como psiquiatra, antroplogo e folclorista especializado
na faixa das     supersties e da religiosidade popular. Foi professor
da Faculdade de Cincias     Mdicas do Recife, da Faculdade de Direito
   do Recife e da Universidade do Brasil.     Dedicado ao estudo e 
      pesquisa dos problemas humanos e sociais, encarados, de modo
 particular em seus aspectos religiosos e psiquitricos sob critrio e
      mtodos da     Antropologia e Folclore, fez vrios cursos de
   especializao antropolgica,     neuropsiquitrica e sociolgica,
  estagiando, tambm, nos principais centros culturais     da Blgica,
     Holanda, Sua, Itlia, Frana, Portugal, Espanha e Argentina,
  especialmente convidado, pronunciando conferncias sobre assuntos de
interesse     luso-brasileiro em diversos institutos cientficos. Esteve
no exerccio de diversos     cargos ligados  Medicina, de modo especial
   Psiquiatria,  Psicanlise e      Antropologia Cultural. Assumiu,
durante algum tempo, a direo do Departamento de     Psicologia Social
  do ento Instituto Joaquim Nabuco de Cincias Sociais, hoje Fundao
  Joaquim Nabuco, onde coordenou vrias pesquisas.  autor de diversos
 livros na     especialidade a que se dedicou, entre os quais Xangs no
Nordeste (1937), O     folclore mgico do Nordeste (1938), As religies
  no Brasil (1939), Seitas     afro-brasileiras (1940) e O sincretismo
 religioso no Brasil (1941). Faleceu em     1986, na cidade do Recife,
                                  PE.

GONGU . Tambm conhecido como chama ,     porque chama os danarinos. O
 gongu  um pequeno tambor usado no zamb ,     no bambel . Seu som 
                          surdo e seco (RN).

    GOTEIRA .  o nome que os maons do aos que no so maons. Na
  linguagem da cantoria , goteira      o cantador que no canta bem.

 GRILO . Quando a pessoa est com o     problema de reteno de urina,
 nada como tomar um ch de grilo , que  feito da     seguinte maneira:
     pega-se um grilo e cozinha-se uma tera parte.  um remdio de
   efeito indiscutvel. Pode-se, tambm, fazer o ch com 1/3 do grilo
                    torrado na     chapa do fogo.

GRITADOR . O gritador , tambm     chamado de Z-Capiongo ,  da regio
    do Vale do So Francisco. Tem este nome     porque passa a noite
       gritando. Dizem que o gritador  alma de um vaqueiro que,
 desrespeitando a Sexta-Feira da Paixo, saiu para trabalhar e ningum
   mais deu notcia     dele. Ele grita tanto de noite como at mesmo
 durante o dia. Na Sexta-Feira da Paixo     ouve-se at o barulho dos
                         cascos de seu cavalo.

GRUDE . 1.  uma cola feita com goma e     gua; 2.  um bolo feito com
   goma ou massa de mandioca, embrulhado em folha de bananeira     e,
 depois, assado, muito conhecido no Nordeste. Diz-se dos namorados que
   ficam agarrados o     tempo todo, como um grude. Grude tambm  a
                 sujeira dos que no tomam     banho.

    GUAIAMUM .  um caranguejo terrestre, de     cor azulada, tambm
 conhecido por outros nomes: guaiamu , goiamum , fumbaba , gaiamum . O
 guaiamum vive em buracos nos mangues, e deixa sua casa no tempo     de
 trovoada. Quando o povo quer pegar guaiamum fora do tempo de trovoada,
  aproxima     uma lata qualquer da boca do buraco e bate nela com uma
  pedrinha. O guaiamum pensa     que  trovoada e sai da sua toca. Na
 medicina popular, comer guaiamum  bom para     quem tem coqueluche.

  GUASCA ou GACHO . Como  conhecida toda     pessoa que nasce no Rio
         Grande do Sul. Gacho  a denominao mais conhecida.

 GUDE .  um jogo infantil, com bolinhas de     vidro, de massa ou com
    rolims de automveis e que consiste em faz-las entrar em trs
     buracos, ganhando o jogador que acertar mais vezes. H vrias
     modalidades de se jogar o gude ,     entre as quais a barca.

     GUERREIROS . Pertencendo ao ciclo do reisado, guerreiros  uma
 manifestao folclrica muito conhecida em Alagoas. Os guerreiros tm,
  como figurantes, o rei, a rainha dos guerreiros e rainha das moas,
  mestre e     contramestre, primeiro e segundo embaixadores, o ndio
 Peri, a lira, o general, a sereia,     dois palhaos, dois Mateus, num
 total de 30 a 45 figurantes, incluindo as damas, os guerreiros , etc.
Usando chapus imitando catedrais, coroas, tiaras, mitras,     espelhos,
      aljfares, miangas, fitas prateadas, os guerreiros tm uma
  coreografia (dana) pobre, animada apenas por sanfonas e pandeiros.

  GURIAT .  uma ave da orla martima e     da zona da mata, de canto
     imitando outros pssaros. Tambm  conhecida como gurinhat ,
                         guriat-de-coqueiro .

*                        HARMNICA . Veja FOLE.

  HERMILO BORBA FILHO nasceu no dia 2 de     junho de 1917, no Engenho
     Verde, Palmares, PE. Concluiu o curso de bacharel em Cincias
Jurdicas e sociais na Universidade Federal de Pernambuco. Homem plural,
 foi diretor do     Departamento de Documentao e Cultura e da Diviso
    de Extenso Cultural da Secretaria     de Educao e Cultura da
 Prefeitura da Cidade do Recife, chefe do Departamento de Teatro     da
Universidade Federal de Pernambuco, diretor do Museu de Arte Popular do
        ento     Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais,
 secretrio-geral da Comisso Pernambucana     de Folclore, Diretor de
    Argumentos da Kino Filmes (So Paulo), presidente da Associao
 Paulista de Crticos Teatrais, produtor de TV e secretrio da revista
  VISO (So     Paulo), romancista teatrlogo, contista, folclorista,
professor universitrio. Na rea     do Folclore, publicou: Arte popular
   nordestina (1966), Fisionomia e esprito do     mamulengo (1966),
     Espetculos populares do Nordeste (1966), Apresentao     do
 bumba-meu-boi (1967), Trs espetculos populares de Pernambuco (1967),
Cermica     popular do Nordeste (1969) e Um problema de cultura popular
(1970). Faleceu no     dia 2 de junho de 1976, na cidade do Recife, PE.

 HIPOCAMPO . O hipocampo  um     monstro que  metade cavalo e metade
                                peixe.

HOMEM-DA-MEIA-NOITE (O). Fundado em 1931,     na cidade de Olinda, PE, o
   Homem-da-Meia-Noite comeou, inicialmente, como uma troa da qual
participava um boneco com trs metros de altura. O nome foi tirado de um
  seriado de muito sucesso, de igual nome, no tempo do cinema mudo. Em
                 1937 a troa passou     a ser bloco.

HOMEM-DOS-PS-DE-LOIA .  um fantasma     que costuma aparecer na Ilha
       Grande, Mangaratiba, Estado do Rio de Janeiro. Dizem que a
  assombrao  a alma dos pescadores que esto pagando seus pecados;
 outros acreditam     ser o esprito de nufragos. Tem o corpo igual ao
    dos demais homens, mas os ps so     diferentes, so de loua.

  HORAS . As horas tm a finalidade     de dividir o dia e a noite. As
 horas abertas so aquelas em que as coisas     ms podem acontecer. Os
  demnios e os fantasmas esto livres.  durante a     madrugada e o
     anoitecer que as pessoas morrem. Meio-dia e meia-noite e pelas
trindades,     so horas misteriosas, horas de aparies e de bruxedos.

                    HUMULUCU . Veja FEIJO AZEITE.

* IAI-DE-OURO . 1. Era como se chamava uma famosa feiticeira que morava
 no largo do Forte das Cinco Pontas, no Recife, e que viveu nos fins do
   sculo XIX e     comeos do sculo XX. Quando faleceu, deixou uma
      considervel fortuna, graas aos seus     clientes ricos; 2.
Iai-de-ouro era tambm um tecido, uma chita vermelha,     enfeitada com
  bolas amarelas e Iai-de-prata era o mesmo tecido, azul, com rodelas
   brancas, preferido pelas mulheres ciganas, com o qual se faziam as
                fantasias nos carnavais     do passado.

IAI-IOI . 1.Tratamento dado pelos     escravos, significando senhora e
   senhor ; 2. Ioi tambm  um     brinquedo que consiste num pedao
    redondo de madeira ou plstico que sobe e desce num     cordo.

   IALORIX .  a me-de-santo , me-de-terreiro ,     sacerdotisa e
                      governadora de candombl .

     IANS .  um orix (do Sudo, na     frica), dos ventos e da
 tempestade, uma das vrias mulheres do Xang . Tambm      conhecido
  por Oi , na Bahia e Oxum . Sexta-feira  o seu dia, dia de Xang ,
                e vermelho e branco so as suas cores.

 IAS . Assim so denominadas as filhas-de-santo quando esto cumprindo
             os deveres e encargos do curso de iniciao.

   IAPINARI . Diz uma lenda da regio do Rio     Negro, Amazonas, que
      Iapinari era filho de uma mulher virgem. Nasceu cego, tendo
recuperado a viso depois que esfregou nos olhos o sumo dos olhos de um
canco .     Voltaria a ficar cego se sua me contasse, a outra pessoa,
 como ele ficou bom, vendo     tudo. Apaixonada por um homem, a me de
   Iapinari contou-lhe o segredo da cura do     filho, que ficou cego
  novamente e se atirou no rio onde se transformou numa pedra, o mesmo
     acontecendo com outras pessoas que tambm se atiraram no rio.

 IARA. A iara  a me-dgua, a rainha das guas. Metade mulher, metade
  peixe, a iara  uma ndia muito     bonita, que enfeitia os homens
 entoando canes mgicas, atraindo-os para a     profundeza dos rios,
 dos lagos ou do mar, onde se afogam. Os caboclos dizem que a iara fica
deitada nos bancos de areia dos rios, brincando com os peixes, penteando
 seus longos     cabelos com um pente de ouro. A iara se confunde com a
                           sereia europia.

 IEMANJ . Iemanj  a me de     todos os orixs .  a me-dgua dos
 iorubanos e a entidade que goza     de maior prestgio nos candombls
baianos. Ela recebe, no seu dia, comemorado com muita     festa, muitos
   presentes de flores, animais vivos (e at crianas como acontecia
antigamente), que so atirados no mar. Iemanj  a padroeira dos amores,
 encontrando soluo para os problemas amorosos. , tambm, a protetora
 das viagens e      conhecida por outros nomes: Janana, Dona Janana,
Princesa do Mar, Princesa do     Aioc ou Aroc, Sereia, Sereia do Mar,
   Olxm, Dona Maria, Rainha do Mar, Sereia     Macun, Ina, Marb,
       Dandalunda e outros mais. Quem vive no mar (marinheiros e
   pescadores)  devoto de Iemanj . Ela representa a gua salgada; a
    concha do mar      o seu fetiche . Tem o leque e a espada como
 insgnias. Seus alimentos sagrados     so o pombo, o milho, o galo, o
bode castrado. Suas cores so vermelho, azul escuro, e     cor-de-rosa.
  As pulseiras so de alumnio. Sbado  o seu dia sagrado. Iemanj ,
 na religio catlica, corresponde a Nossa Senhora. Ela tanto protege,
   como defende,     castiga e mata. s vezes se apaixona e leva seus
amantes para o fundo do mar, de onde     nunca mais voltam.  ciumenta,
vingativa, cruel. Na cidade de Salvador sua festa acontece     no dia 2
            de fevereiro, dia de Nossa Senhora do Rosrio.

   IER .  uma semente parecida com a do     coentro, muito usada na
     culinria baiana para temperar o caruru, o peixe, a galinha.

ILU . Tambor grande, atabaque grande usado     nos candombls da Bahia.

 IMBU ou UMBU . O imbu ou umbu  um fruto muito amigo dos sertanejos. 
 muito gostoso. Dos frutos que esto     querendo amadurecer  feito um
doce em calda muito apreciado. Faz-se, tambm, a imbuzada ou umbuzada da
   seguinte maneira: espremem-se os frutos maduros e junta-se o caldo
com leite e acar, pondo-se ao fogo at engrossar. O imbu ou umbu  uma
fruta amiga dos sertanejos porque, durante as secas, as pessoas retiram
de suas razes     umas batatas para matar a sede. Quando o serto est
seco, com todas as rvores sem     folhas, o imbuzeiro ou umbuzeiro est
  sempre verde porque guarda gua     necessria em suas batatas e com
ajuda delas, da gua que contm, o imbuzeiro ou umbuzeiro consegue ficar
 sempre verde e sobreviver s secas. Os gramticos dizem     que o nome
 certo  imbu , palavra tupi, i-mb-u , "a rvore que d de     beber".

INAMBU . Tambm conhecido por inamu , inhambu , enambu , nhambu e nambu
   , nome como  conhecida, no     Nordeste, esta ave cujo canto  o
relgio do sertanejo, avisando que so seis horas da     tarde, hora de
       largar o trabalho. Trata-se de uma caa muito apreciada.

INDEZ .  o ovo que se bota no ninho das     galinhas quando elas esto
                           demorando a pr.

 INFERNO . O povo acredita que o inferno  o lugar onde mora o Diabo e
  pra l vo as almas das pessoas que morreram em estado de     pecado
    mortal, sem fazer as pazes com Deus. No inferno , o Diabo e seus
  companheiros     castigam as almas dos pecadores, que so metidas em
caldeires enormes, com gua     fervendo, ou tomando banho de fogo, ou
sendo espetadas por garfos de ferro. Na linguagem     popular o povo usa
muito a palavra inferno , quando quer se referir a um lugar ruim,     a
                         uma situao difcil.

    INHAME .  um tubrculo comestvel,     trazido da frica pelos
escravos. Algumas pessoas chamam o inhame de car ,     tubrculo tambm
comestvel. Os inhames , durante a colonizao, eram comidos     apenas
pelos negros e pelos colonos brancos, enquanto que o car era preferido
    pelos ndios. Na primeira sexta-feira de setembro tem lugar, nos
candombls da     Bahia, a festa do inhame-novo , em homenagem a Oxal .


  INSELNCIAS . Oraes cantadas nos     velrios. Veja EXCELNCIAS.

 INVERNO, SINAIS DE. Os agricultores do     Nordeste sabem se o inverno
vai ser bom ou no, observando o seguinte: 1. Na madrugada de     25 de
dezembro, observa-se a faixa que fica no horizonte formada pelas nuvens
 e o sol que     vem nascendo. Quando as nuvens so pesadas formam uma
 barra, que  sinal de um bom     inverno no ano prximo. A experincia
pode ser repetida no dia 1 de janeiro; 2.     Relmpago para o lado do
 serto, no dia 2 de fevereiro,  sinal de que o ano vai ser     bom de
 inverno; 3. Relmpago, na direo do serto, no dia de So Jos, 19 de
maro,  sinal de ano bom de inverno; 4. Se o crculo do sol for branco,
 sinal de     sol e, se for roxo,  sinal de chuva; 5. Se o crculo da
 lua for grande,  sinal de     chuva e se for pequeno,  sinal de sol;
6. Quando a ponta da lua nova estiver voltada     para o Norte,  sinal
     de chuva; 7. Nas noites escuras, nuvens fechadas fazem listras
  largas e longas no cu. Os agricultores dizem que so os carreiros,
sinal bom de chuva;     8. Redemoinhos fortes levantando folhas secas 
sinal de trovoada, de chuva; 9.     Quando o arco-ris aparece,  sinal
 de chuva; 10. Quando faz muito calor durante a     noite, pode esperar
 que vai chover; 11. Quando faz frio durante a noite,  sinal de que o
dia vai ser ensolarado; 12. Quando a fuligem do fogo de lenha comea a
escorrer,      sinal de chuva; 13. Todo ano bissexto terminado em 4, 
bom de chuva; 14. Todo ano     terminado em 5 e 7 tem inverno fraco, de
  pouca chuva; 15. Quando o formigueiro muda os     filhos para outro
    buraco,  sinal de chuva; 16. Quando a formiga de asa aparece ao
 anoitecer, a chuva est bem prxima; 17. Quando a caranguejeira sai de
sua toca e vai     passear,  sinal de chuva; 18. Quando a aracu canta
  em pau seco,  sinal de sol. Em     pau verde,  sinal de chuva; 19.
 Cobra esquentando ao sol,  sinal de que o inverno     est acabando;
   20. Quando as cobrinhas novas saem de suas tocas,  sinal de que o
 inverno est terminando; 21. Quando o gado est correndo e jogando as
patas traseiras     para os lados (escamurando, como dizem)  sinal de
trovoada prxima; 22. Quando a arriba ou avoante vai embora  sinal de
seca; 23. Quando as abelhas fazem enxame  sinal     de fim de inverno;
24. Barata voando  noite,  sinal de chuva; 25. Quando o tei ou teij
 desaparece,  sinal de que o inverno vai comear; 26. Quando a galinha
   est se espreguiando,  sinal de chuva; 27. Quando o vagalume voa
   baixo,  sinal de     chuva. Quando voa alto, vai fazer sol no dia
 seguinte; 28. Quando o mandacaru flora,  sinal de chuva; 29. Quando a
 barriguda flora, o prximo ano ser bom de     inverno, principalmente
   se o fruto sustentar; 30. Fumo bravo, florando,  sinal de fim de
  inverno; 31. Camar florando,  fim de inverno; 32. Cip de se fazer
cesta florando,      sinal de inverno; 33. Quando uma cicatriz antiga,
sarada, coa,  sinal de chuva; 34.     Quando o calo comea a latejar,
   chuva na certa; 35. Quando a mulher sente muito calor,     a chuva
                             est prxima.

    INVOCO .  o mesmo que feitio , muamba , canger , em Sergipe,
                            principalmente.

IPET . Prato da culinria afro-baiana     feito com inhame que, depois
de cortado bem mido e fervido at ficar como uma     papa,  temperado
           com azeite-de-dend , cebola, pimenta e camaro.

IR-A-VACA-PARA-O-BREJO . Quando se bota     tudo a perder, diz o povo na
                         sua maneira de falar.

   IR-COBRIR-O-PILO . Na linguagem popular     significa esquecer as
                                mgoas.

                  IR-COMER-CAPIM-PELA-RAIZ . Morrer.

       IR-PARA-O-ENGENHO-DO-PESTANA . Dormir,     pegar no sono.

IR-VER-A-COR-DA-CHITA . Tomar conhecimento     da verdade, do fato como
            realmente ele , registra a sabedoria popular.

ISOLA . Com os dedos indicador e mnimo     estirados, faz-se o isola ,
 um amuleto contra o mau-olhado . O povo bate na     madeira com os ns
dos dedos, proferindo a palavra isola , para que as coisas ruins     no
                              aconteam.

   ISQUEIRO .  feito da parte mais fina de     um chifre, no qual os
fumantes colocam um pouco de algodo. Atritando duas pedras (fuzil     e
   pederneira), a faisca inflama o algodo e os fumantes acendem seus
cigarros. Tambm     tal isqueiro era conhecido como pai-de-fogo . Hoje,
  os isqueiros so     pequenos, funcionam com gasolina, cujo pavio se
        inflama ao receber a fasca da     "pedra de isqueiro".

*   J .  uma sineta de metal trazida pelos escravos africanos para o
   Brasil.  utilizada na cerimnia de dar comida ao Santo , Orix.

                         JAB . Veja CHARQUE.

   JACAR . Os dentes do jacar so os     protetores da dentio das
 crianas. A criana que usar um dente de jacar, na volta     ou numa
pulseira, ter dentes sadios. Tambm faz com que as crianas no tenham
                           dor de     dente.

   JACI .  a Lua, a me dos frutos. Casada     com o Sol ( Coaraci ,
  Coraci , Goaraci , Gorazi ), Jaci  motivo     de muita festa pelos
    ndios, com muita comida, muita bebida, cantos e danas, quando
                          aparece a Lua Nova.

JAGUNO . Jaguno  um chuo,     uma haste de madeira com uma ponta de
   ferro na outra extremidade, antiga arma de defesa e     de ataque.
 Depois, a palavra passou a ter outro significado: valento , capanga ,
   bandoleiro , cangaceiro, guarda-costas de polticos, fazendeiros,
                       senhores     de engenho.

JANA . Na regio amaznica,  um     macaco bulioso que,  noite, pega
       as crianas para sugar o sangue. Tambm conhecido     como
               macaco-da-noite , macaco-da-meia-noite .

                  JANANA . Veja DANDALUNDA, IEMANJ.

JANGADA . A jangada  uma     embarcao feita com paus rolios, de uma
   madeira especial mais conhecida por pau-de-jangada ,     usada em
 pescarias desde a colonizao. No comeo, as jangadas no tinham vela.
Os tupis comearam usando uma vela em forma de tringulo que chamavam de
 cutinga , lngua branca e chamavam as jangadas de itapaba , igapeba ,
piperi , candandu , catamar e hoje so conhecidas como bote , burrinho
 , catre , paquete . As jangadas maiores so feitas com sete paus e as
    menores com cinco. Pero Vaz de Caminha foi a primeira pessoa que
 registrou a existncia     das jangadas entre os ndios, na carta que
 mandou ao rei de Portugal, dando     notcias da terra descoberta por
 Pedro lvares Cabral. A jangada , no Nordeste,     ainda  usada pelos
   pescadores. Nos audes, as jangadas, sem velas, so feitas     com
    troncos de bananeira. Os ndios do Rio So Francisco faziam suas
   jangadas com     junco de piripiri e os guaranis usavam o bambu .
Geralmente a jangada nordestina menor tem 3 metros de comprimento por 80
cm de largura e a maior, a jangada grande, chega a medir de 8 a 9 metros
de comprimento por at 2 metros de largura. Sua     tripulao varia de
            acordo com o tamanho, de dois a quatro homens.

JEBU . Tem o mesmo significado de chabu ,     isto , quando os fogos de
  So Joo falham, logo no comeo. Diz-se, tambm, quando     qualquer
                          coisa no d certo.

 JEGUED . Instrumento de percusso dos     africanos, usado no Sul do
 Brasil e que deu nome  dana-do-jegued , uma     espcie de bambel
          individual, mas tambm danada por muitas pessoas.

     JEJUM . O jejum da Igreja Catlica     comeava ao meio-dia da
Quinta-Feira Santa at o romper da Aleluia, no sbado. No se     comia
 carne, nem tudo que fosse doce e as pessoas passavam estes dias quase
sem comer. O jejum catlico era feito todas as sextas-feiras durante os
quarenta dias da Quaresma. E os     catlicos s voltavam a se alimentar
   normalmente no Sbado de Aleluia, quando o povo     cantarolava: -
"Aleluia, Aleluia! Carne no prato, farinha na cuia". Na     Quinta-Feira
Santa ou na Sexta-Feira da Paixo era costume, como ainda hoje acontece
 em     muitas cidades do interior, os mais pobres pedirem o jejum que
 consiste em receber     peixes e bacalhau dados pelos mais abastados.

 JENIPAPO . Alm de comerem o jenipapo ,     os nossos ndios faziam de
 sua madeira uma tinta azul-negra, com a qual pintavam o corpo     todo
    nas suas festas. Com a polpa de jenipapo ,  feito um gostoso e
tradicional     licor muito apreciado no Nordeste, como tambm um vinho.
Tambm  dado o nome de jenipapo  mancha escura que os mestios trazem
 nos quadris ou na cintura, ao nascerem. O uso do jenipapo, na medicina
 popular,  bastante conhecido no Par, no Amazonas e no Acre: "Para as
doenas do bao, nada como colocar o p no tronco do jenipapo . Corte a
    casca do     tamanho do p da pessoa doente. A casca retirada do
  jenipapeiro deve ser colocada no     fumeiro da cozinha. A casca vai
                      engelhando e o bao tambm.

                       JERIBITA . Veja CACHAA.

    JERIMUM . Como  conhecida a abbora no     Norte e no Nordeste
                 brasilieiros. Tambm se diz jirimum .

    JINJIBIRRA . A jinjibirra  uma     bebida que existia antes dos
   refrigerantes gasosos de hoje. Era feita com garapa de gua     e
      acar, suco de qualquer fruta (o abacaxi era uma das frutas
    preferidas), cremor de     trtaro, fermento de padaria ou cido
   ctrico. No Cear, ainda  preparada com suco     de jenipapo . A
jinjibirra  a cerveja do povo. Tudo faz crer que os     ingleses foram
os introdutores da popular bebida em Pernambuco, em 1810, graas  Carta
     Rgia que franqueou os portos do Brasil  Inglaterra. O uso da
  jinjibirra foi     desaparecendo nas primeiras dcadas do sculo XX,
quando comearam a aparecer as sodas     de frutas (de pera, de uva, de
    ma), as gasosas , a cerveja, etc. No serto     ainda se toma,
                    esporadicamente, a jinjibirra .

JOO-DA-CRUZ . Era o sinnimo popular de     dinheiro, antigamente, por
 causa da cruz gravada nas moedas portuguesas e do nome Joo,     muito
                      comum aos reis de Portugal.

JOO FERNANDES . Nome dado a uma dana     sapateada, ao som da viola e
   que faz parte do baile pastoril gacho. Uma espcie de fandango .
                            Veja FANDANGO.

  JOO GALAFOICE . Tambm conhecido como Joo     Galafaice (Sergipe),
 Joo Galafuz (Pernambuco), o Joo Galafoice  um     negro que pega as
      crianas quando esto fora de casa, principalmente  noite.

         JOO REDONDO . Nome dado, na Paraba, ao mamulengo .

 JOGO-DO-BICHO . O jogo-do-bicho teve     a seguinte origem: O Baro de
Drummond fundou o Jardim Zoolgico do Rio de Janeiro, no     ano de 1893
e, como teve a subveno federal cortada, os animais estavam condenados
  a     morrer de fome. Para que isso no acontecesse, o Baro teve a
    idia de escrever, num     pedao de papel que era colocado num
 envelope, preso num galho de uma rvore bem alta, o     nome de um dos
bichos do zoolgico. Durante o dia as pessoas que visitavam o zoolgico
    jogavam num dos bichos e,  tarde, o envelope era aberto e quem
acertasse, isto , quem     jogasse no bicho que estava escrito no papel
dentro do envelope, ganhava um prmio. Com o     dinheiro que sobrava o
  Baro comprava a comida dos animais. Depois, o jogo-do-bicho saiu do
Jardim Zoolgico e comeou a ser explorado por outras pessoas. Apesar de
ser     proibido por lei, o jogo-do-bicho existe na maioria dos Estados
brasileiros e  o     ganha-po de milhares de pessoas. O jogo-do-bicho
 agrupa vinte e cinco bichos.     Cada bicho tem um nmero, de 1 a 25.
Cada bicho tem quatro dezenas. Exemplo: o avestruz      o nmero 1 e as
     dezenas 01, 02, 03 e 04 so as dezenas do avestruz. Depois das
dezenas, vm as centenas de 0 a 100, de 101 a 200, etc. e, finalmente o
  milhar que      composto de 4 nmeros, unidades, dezena, centena de
    milhar. Exemplo: o milhar 1401  o     milhar de avestruz porque
  avestruz  todo milhar que termina com dezenas 01, 02, 03, 04.     O
jogo-do-bicho  a esperana de milhares de brasileiros que, diariamente,
    tentam     a sorte. Os bicheiros so os vendedores do jogo e os
 banqueiros so os que     bancam o jogo, pagando os prmios e ficando
com o lucro dos que jogaram e no acertaram.     Interessante  a figura
do decifrador dos sonhos no jogo-de-bicho: 1. Se a pessoa     sonhar com
    um gato, joga gato. Mas se a pessoa sonhar com um gato caindo do
telhado, joga burro ,     porque gato que cai do telhado  burro , isto
  , no  inteligente; 2. Se a     pessoa sonhar com uma cobra, joga
 cobra, n 9. Mas se sonhar com uma cobra saindo de um     buraco joga
     burro , porque o buraco  zero (0) e o nmero da cobra  nove.
Juntando o buraco (0) zero com o nmero da cobra 9 forma dezena 09, que
                 uma dezena de burro (09,10,11 e 12).

 JOSEPH M. LUYTEN nasceu no dia 15 de     agosto de 1941, na cidade de
Brunssun, Holanda. Chegou ao Brasil em 1952 e residiu,     inicialmente,
  na rua Motocolomb (onde morou o poeta Leandro Gomes de Barros), no
Recife.     Em 1968 concluiu o curso de Jornalismo pela Faculdade Csper
Lbero (SP), passando a     trabalhar ativamente na imprensa paulistana.
    Em 1970 terminou o curso de ps-graduao     em Literatura pela
  Universidade de So Paulo, passando a ensinar em diversas escolas de
nvel superior, como a Faculdade Csper Lbero, Objetivo, ESPM e Escola
de     Comunicao e Artes da Universidade de So Paulo. Em 1980, Mestre
  em Cincias da     Comunicao, pela USP, Joseph Luyten parte para o
  Japo, onde permanece durante sete     anos pesquisando no National
Museum of Ethnology de Osaka (3 anos) e lecionando na     University of
Tsukuba (4 anos). Em 1991,  convidado para exercer as funes de Reitor
  do Campus Avanado da Universidade Teikyo, em Maastrich, Holanda. Em
     1995 retorna ao     Japo para lecionar Cultura Brasileira na
Universidade de Tenry (Nara), durante dois     anos. De volta  Holanda
     convidado para lecionar Literatura Popular na Universidade de
    Poitiers (Frana) e organizar o Fonds Raymond Cantel dedicado 
literatura de cordel.      professor catedrtico da UNESCO, crtico de
Artes Plsticas , membro da Associao     Internacional de Crticos de
   Artes (UNESCO), da ABE (desde 1981), da Academia Brasileira     de
  Literatura de Cordel e da Associao Paulista de Folclore. Tem vasta
 bibliografia     sobre assuntos folclricos do Brasil e do mundo, mais
   de 50 artigos em revistas     acadmicas do Brasil, da Blgica, da
Holanda, do Japo, das Filipinas, do Peru. Expert em literatura popular
em versos, Joseph Luyten tem uma coleo de 15.000 folhetos de     feira
 , alm de uma biblioteca e de um arquivo especializados em Literatura
   Popular     com mais de 7.000 tens. Na rea de Folclore, publicou
Bibliografia especializada em     literatura popular em verso (1981), O
 que  literatura popular (1983), Sistemas     de comunicao popular (
    1988) , Burajiru Mishin Bom no Sekkai (1990) e A     notcia na
literatura de cordel (1992). No momento, mais uma vez est residindo no
  Brasil, ministrando curso de ps-graduao sobre Folk-Comunicao na
   Universidade     Metodista de So Paulo (SP). Joseph M. Luyten tem
prestado, ao longo dos anos, excelentes     servios no que diz respeito
     divulgao do Folclore brasileiro na rea     internacional.

 JUDAS .  um boneco feito com uma roupa de     homem que se enche com
   palha ou pano, pendurado num poste ou numa rvore e, no Sbado de
 Aleluia,  rasgado e queimado. Foi o apstolo Judas quem vendeu Cristo
 por trinta     moedas. E, no Sbado de Aleluia, os catlicos se vingam
   de Judas . Costumam,     tambm colocar no seu interior, pequenas
bombas. O Judas tem outros nomes, como Homem     da Quaresma, Jacques da
Quaresma, Judas de Palha, Homem de Palha , etc. Antes da     destruio
  do boneco,  lido seu testamento, colocado no bolso do seu palet. O
   testamento de Judas , escrito em versos,  uma stira s pessoas e
   coisas do     lugar. No testamento, Judas deixa seus bens para as
pessoas moradoras na cidade.      um hbito corrente principalmente nos
                       pases da Amrica Latina.

JUDEU . Na linguagem popular judeu  toda pessoa m, capaz de judiar dos
  outros. Um dia cheio de contrariedades, de     problemas  um dia de
judeu . A crendice popular diz que quem cospe em cristo,  judeu ; quem
     promete e falta,  judeu ; quem come carne, na Sexta-Feira da
   Paixo,  judeu ; judeu bebe sangue de gente; judeu come carne de
                             menino novo.

JUDEU ERRANTE . O Judeu Errante  um velho     alto e magro, barbado, de
cabelos compridos, vestindo um manto escuro e que aparece     durante a
  Quinta-Feira Maior e a Sexta-Feira da Paixo quando a morte de Jesus
est     sendo comemorada. Dizem que o Judeu Errante era um sapateiro de
Jerusalm, chamado     Ahasverus, que estava em sua tenda de trabalho e,
    quando Jesus passou por sua porta, ele     parou o trabalho para
 empurrar o Salvador, gritando: - "Vai andando! Vai logo!"     E Jesus
 respondeu: - "Eu vou e tu ficars at minha volta!" E Ahasverus ficou,
    at hoje, errando pelo mundo, sem caminho certo, sem morrer, sem
              descanso, esperando a     volta do Senhor.

    JUNA .  uma planta que vive nas margens     dos rios, lagoas e
 alagados. Na frica,  conhecida como dand , usada como     remdio e
defumador para expulsar os maus espritos do corpo das pessoas e atrair
os     bons. As razes da juna , colocadas numa garrafa de cachaa, so
    receitadas s     pessoas que tm clicas uterinas, intestinais,
  reumatismo, digesto difcil e,     friccionadas no lugar das dores,
                           aliviam bastante.

    JUNTAR-AS-CANELAS . Na linguagem do povo     significa morrer.

   JUREMA .  uma rvore de duas qualidades:     a jurema-branca e a
  jurema-preta . Os pajs (sacerdotes tupis) usavam uma     bebida da
jurema-branca que fazia com que as pessoas tivessem sonhos afrodisacos.
  Os feiticeiros , babalorixs pernambucanos, os mestres de catimb ,
   os pais-de-terreiro dos candombls da Bahia usam muito a jurema .
 At o sculo XX, beber jurema era sinnimo de feitiaria ou prtica de
                                magia.

  JURUCUTU .  o nome de uma ave do tamanho     de um frango, que anda
    pelos telhados das casas  noite.  uma ave agourenta. Quando os
  indgenas esto trabalhando em seus roados ou pescando e escutam o
canto do jurucutu ,     param de trabalhar e de pescar porque nada mais
                              dar certo.

        JURUPARI . Era o demnio dos indgenas     brasileiros.

*  LABATUT .  um monstro que tem forma humana e que vive na regio do
Apodi, fronteira do Cear com o Rio Grande do Norte.  um bicho pior que
 o     lobisomem, pior que a caipora e o co coxo . Ele mora no fim do
mundo e,     todas as noites, percorre a cidade procurando o que comer.
Seus ps so redondos, as     mos so compridas, os cabelos so longos
 e assanhados, seu corpo  cabeludo, s tem     um olho na testa e seus
 dentes so como os do elefante. O nome do monstro  uma     lembrana
 das violncias e brutalidades do General Pedro Labatut, que esteve no
   Cear     (1832-1833) para combater a insurreio de Joaquim Pinto
  Madeira, e que terminou se     rendendo com 1690 homens em armas. O
 monstro Labatut preferia comer as crianas por terem     a carne mais
                                 mole.

  LADAINHAS . So oraes de Nossa     Senhora, do Sagrado Corao de
Jesus e de todos os Santos, rezadas durante as novenas e     os teros.

 LAGO ENCANTADO DO GRONGONZO . O morro do     Grongonzo fica situado no
municpio de So Bento, Pernambuco. No morro, que      arredondado, diz
 a lenda que aparece e desaparece, sem deixar vestgios, um grande lago
 que guarda, no fundo de suas guas, riquezas incalculveis. Quem viu o
                    lago uma vez no     ver mais.

  LAMA-DE-POTE .  o lodo formado nas     paredes do lado de fora dos
potes e das quartinhas (bilhas) de barro.     Misturado com cinza e suco
de limo  um remdio popular bastante usado pelas pessoas     que esto
                        com papeira (cachumba).

LAMPIO . Virgulino Ferreira da Silva,     mais conhecido como Lampio ,
nasceu em Floresta do Navio, Pernambuco, no dia 4 de     junho de 1898.
 Com trs anos de escola aprendeu a ler e escrever. Antes de tornar-se
  assassino, com 17 anos de idade, Lampio era vaqueiro, amansador de
  cavalos e     burros. Nas horas vagas, fazia obras de couro (selas,
   arreios, etc.) e tocava sanfona de     oito baixos. Quando seu pai
 faleceu, Lampio j havia assassinado algumas pessoas     e assaltado
 muitas fazendas e pequenas cidades. Lampio no entrou no cangao por
vingana. Conhecedor da regio, Lampio sabia se esconder, em companhia
 de seu     bando, das foras policiais de quatro Estados que andavam 
sua procura, combatendo-o em     batalhas das quais ele conseguia sempre
    escapar. Ningum sabe quantas pessoas Lampio matou. Considerado
violento, sdico, estuprador, incendirio, Lampio escreveu     uma das
  pginas mais sangrentas da histria dos sertes nordestinos. Rezava,
 tocava     sanfona, gostava de ler e de ser fotografado, fazia versos,
era temido e respeitado     durante os anos que dominou o serto. Apesar
 de cego de um olho (leucoma), tinha uma boa     pontaria para matar os
    soldados que lhe davam combate. Depois de muitas lutas, cercos,
fugas, Lampio foi abatido com um tiro de fuzil, na cabea, pelo soldado
Antnio     Honorato da Silva, da Fora Policial Alagoana, sob o comando
   do Capito Joo Bezerra da     Silva, que era pernambucano. Maria
Bonita, que era sua amante e vivia no grupo, caiu morta     ao seu lado,
 em companhia de mais nove cangaceiros. Com a morte de Lampio , a paz
  recomeou a reinar nos sertes nordestinos. Veja COITEIROS, XAXADO.

  LAPINHA .  o nome que o povo d ao     pastoril, sem a incluso de
danas e cantos estranhos aos assuntos natalinos,     substitudos pela
  manjedoura, o menino Jesus, Nossa Senhora, So Jos e os Reis Magos
 com seus presentes, bem como os animais, em forma de pequenas imagens
 dos santos e     miniatura de animais da manjedoura. Na Noite de Reis,
retiradas as imagens dos santos e as     esttuas dos animais, a lapinha
                   queimada. Veja PASTORIL e QUEIMA.

  LARANJINHA . 1. Cachaa em cuja garrafa     so colocados pedaos de
laranja; 2. Tambm era, nos carnavais antigos, bolas de cera     cheias
 de gua perfumada, que eram jogadas nos folies, tambm conhecida como
 lima-de-cheiro ou limo-de-cheiro dos carnavais cariocas. A laranjinha
          desapareceu depois     que surgiu o lana-perfume.

     LARANJO . O laranjo  como se chama, no     interior da Bahia,
    Pernambuco e Piau, o homem ruivo de olhos azuis. Talvez seja o
resultado do casamento de brasileiros com holandeses e franceses, quando
                       andaram pela     regio.

 LAURA DELLA MONICA nasceu no dia 21 de     novembro de 1922, na cidade
      de So Paulo, SP. Licenciada em Msica - pelo Conservatrio
 Dramtico e Musical de So Paulo (1947), em Pedagogia  pela Faculdade
 de     Educao e Cincias Humanas "Prof. Laerte de Carvalho" (1978) e
   em Educao     Artstica  pela Faculdade de Cincias e Letras de
  Araras  SP (1980),     Ps-Graduao, em nvel de Especializao em
Percepo Musical  pela Escola     Nacional de Msica do Rio de Janeiro
 (1972), em Didtica do Ensino Superior  pela     Faculdade So Judas
 Tadeu, em Museologia  pelo Instituto de Museologia de So     Paulo e
Ps-Graduao em nvel de Mestrado  pela Escola de Comunicao e Artes
da Universidade de So Paulo (1992), Ps-Graduao em nvel de Doutorado
  curso     de Cincias da Comunicao  Escola de Comunicao e Artes
    da Universidade de     So Paulo, alm de vrios outros cursos,
   seminrios e jornadas sobre Folclore,     Turismo, Lazer, etc., e
    estgios em diversas entidades culturais, Laura Della Mnica que
 muito tem divulgado o Folclore brasileiro nos pases que tem visitado
  tomando parte em     congressos e seminrios alm de vrios ensaios
 publicados em revistas especializadas e     muitos artigos na imprensa
 brasileira, nos deu Folclore paulista (1965), Rosa     Amarela (1967),
Manual do Folclore (1976), Folclore brasileiro (1976), Acorda     povo!
     (1988), Festas populares (1991), Folclore e taologia (1992), A
influncia indgena na formao cultural brasileira (1993), A influncia
 francesa no cancioneiro infantil do Brasil (1994) e Os trs santos do
                   ms de     junho (1995) e outros.

LAVAGEM-DE-IGREJA . Dizem os historiadores     que a lavagem das igrejas
 uma tradio que tem mais de duzentos anos e     consiste na promessa
   que as pessoas fazem de varrer, lavar e enfeitar as igrejas.  uma
  tradio que vem dos tempos imperiais, quando uma princesa varria a
Igreja de     Petrpolis, como uma simples empregada. Em Salvador  que
a tradio se mantm viva     at hoje. A lavagem da Igreja do Senhor do
 Bonfim na quinta-feira de oitava no      de origem africana, de vez
   que j existia em Portugal. Quem introduziu a lavagem da igreja do
 Senhor do Bonfim foi um portugus que combateu na Guerra do Paraguai e
  fez     uma promessa de lavar o trio da referida igreja se voltasse
   vivo. Hoje, entretanto, a     cerimnia se transformou numa festa
                             tradicional.

   LAVANDEIRA .  um pssaro de cor     branco-creme com asas pretas,
 tambm conhecida como lavandeira de nossa senhora .     Quem matar uma
     lavandeira ofende Nossa Senhora porque a ave ajudou a lavar as
                      roupinhas do Menino Jesus.

LAZARINA . A lazarina  uma     espingarda de carregar pela boca, usando
   chumbo fino e mdio, muito amiga dos homens do     campo que, aos
   domingos, saem para caar. Seu nome teve origem em 1651, quando o
 milans     Lzaro Caminazzo comeou a fabricar essas espingardas que
                          ganharam seu nome.

LGUA-DE-BEIO . Para o nosso matuto,     acostumado a andar a p, todo
lugar fica perto. Quando perguntado onde fica a fazenda ou     stio de
  um agricultor, ele, estendendo o lbio inferior, diz: - " ali...".
Acontece que o stio ou fazenda ficam a algumas lguas de distncia. Da
   a expresso lgua-de-beio, geralmente lguas muito grandes, muito
                              compridas.

LENO .  muito comum presentear uma     pessoa com uma caixa de lenos.
Mas o povo acredita que no  bom receber lenos de presente porque eles
  chamam lgrimas, isto , fazem com que morra algum da     famlia.
    Quando uma pessoa recebe lenos de presente  bom dar logo outro
    presente  pessoa que lhe deu; assim fazendo, nada acontecer.

 LENDA . A lenda  um episdio herico ou     sentimental com elemento
 maravilhoso ou sobre-humano, transmitida na tradio oral     popular,
  conservadas as quatro caractersticas do conto popular: ambigidade,
persistncia, oralidade e anonimato. Muitas so as lendas existentes no
Brasil e em     todos os pases do mundo: a lenda da Me-D'gua, a lenda
             de Santo Antnio, a lenda do     Barba-Ruiva.

 LEONARDO ANTNIO DANTAS SILVA nasceu em     1945, na cidade do Recife,
   PE. Bacharel em Cincias Jurdicas e Sociais pela     Universidade
 Catlica de Pernambuco (1969), dedicou-se, desde jovem, ao jornalismo,
 tendo     comeado na reviso e posteriormente exercido as funes de
redator do Jornal do     Commercio (1965-1975) e do Diario de Pernambuco
      (1974-1988). Diretor do     Departamento Estadual de Cultura
    (1975-1979), criador da Fundao de Cultura Cidade do     Recife
  (1979-1983), Diretor de Assuntos Culturais da Fundarpe (1983-1987),
  atualmente     exerce as funes de Diretor da Editora Massangana da
  Fundao Joaquim Nabuco. Alm     de produtor fonogrfico e animador
cultural, tem publicado inmeros ensaios e artigos,     bem como vrios
livros dentre os quais destacamos Bandeira de Pernambuco (1972), Recife:
       uma Histria de Quatro Sculos (1975), Pequeno Calendrio
   Histrico-Cultural de     Pernambuco (1976), Ritmos e Danas-frevo
 (1977), Cancioneiro Pernambucano (1978), O Piano em Pernambuco (1987),
Alguns Documentos para a Histria da     Escravido (1988), A Imprensa e
 Abolio (1988), A Abolio em     Pernambuco (1988), Estudos sobre a
    Escravido Negra 2v. (1988), Nabuco e a     Repblica (1990) e A
   Repblica em Pernambuco (1990), Blocos carnavalescos     do Recife
            (1998) e Bandas musicais de Pernambuco (1998).

   LIMO . O limo, com que se faz     uma deliciosa limonada, muito
   aconselhvel aos que moram nos lugares de clima quente,     tambm
 afasta os malefcios. Quando a pessoa vai viajar de navio ou de avio,
  conduzir     um limo no bolso ou na bolsa faz com que a pessoa no
 enjoe. O sumo do limo  um poderoso contraveneno. Na culinria,  bom
  espremer limo , principalmente     em carne de porco. Depois de uma
feijoada bem pesada , nada como um clice de batida-de-limo ,     feita
             com gua de coco, para equilibrar o estmago.

  LNGUA . Estirar a lngua em quase     todos os pases do mundo  um
  insulto. Mas no Tibet  a maneira mais educada de se     saudar uma
pessoa. Os meninos gostam de estirar a lngua, dar merda , quando esto
                                brabos.

 LITERATURA ORAL . A literatura oral  a     literatura falada, como a
estria , a lenda , as adivinhaes , os provrbios ,     as parlendas ,
as frases-feitas , os ditos , os trava-lnguas ,     etc., diferente da
   literatura escrita que compreende o romance, o conto, a crnica, a
                             poesia, etc.

 LOBISOMEM . O lobisomem  um mito     universal. A imaginao do povo
  retrata o lobisomem assim:  um homem plido,     magro, de orelhas
 compridas e nariz levantado. Como  que surge o lobisomem? Nasce     o
lobisomem quando o filho  resultado de um incesto.  o filho que nasceu
de um     casal que teve sete filhas. Quando chega aos treze anos, numa
tera ou quinta-feira, sai      noite e, quando encontra um lugar onde
   um jumento se espojou, comea o fado. Da por     diante, todas as
teras e sextas-feiras, de meia-noite s duas horas, o lobisomem tem que
 fazer sua corrida, visitando sete cemitrios, sete partidas do mundo,
 sete     oiteiros, sete encruzilhadas e, ao regressar ao lugar onde o
    jumento se esponjou,     readquire a forma humana. Quem ferir o
lobisomem, quebra-lhe o fado; mas a pessoa     no deve se sujar com seu
  sangue porque, se assim acontecer, tambm se tornar lobisomem. Para
desencantar um lobisomem basta feri-lo ou usar uma bala untada com cera
 de     vela acesa durante trs missas de domingo ou na Missa do Galo,
                  rezada na meia-noite de     Natal.

LONGUINHO .  um santo popular do     Nordeste. Quando uma pessoa perde
  alguma coisa, faz uma promessa a So Longuinho ,     rezando, assim:
 "Meu So Longuinho , se eu achar o que eu perdi, dou trs     saltos,
 trs gritos e trs assobios". Achando a coisa perdida a pessoa paga a
    promessa feita, dando trs pulos, trs gritos e trs assobios.

 LORDE . A palavra lord em ingls     significa senhor e o vocbulo se
popularizou com o intercmbio comercial do Brasil com a     Inglaterra,
 comeado em 1810. Ainda hoje o povo usa este termo quando acha que uma
 pessoa     est alinhada , bem vestida. A pessoa est, assim, lorde .

   LOURENO . Loureno foi um santo     que morreu queimado vivo numa
grelha, por perseguio do Imperador Valeriano, em Roma,     no sculo I
 I I . O povo diz que So Loureno  o guardio dos ventos, governador
  dos ventos.     Quando os meninos nordestinos querem soltar papagaio
 (pipa) e no tem vento, eles     costumam gritar: - "So Loureno, So
  Loureno! Abra a porta do vento!" E o     vento num instante chega,
            fazendo com que os papagaios ganhem as alturas.

 LOUVA-A-DEUS .  um pequeno inseto tambm     conhecido por pe-mesa .
   Parecido com um grilo muito magro, traz sempre as mos     postas,
  juntas, os joelhos dobrados e os olhos voltados para o cu, como se
    estivesse     rezando, razo pela qual  chamado louva-a-deus .

  LUA . A Lua  considerada como a     me das plantas, presidindo seu
  crescimento. O povo cr que cabelo cortado em noite de Lua     Nova
cresce rpido e afina. Se a mulher grvida dormir banhada pela claridade
 da Lua, o filho nasce dbil mental, aluado .  bom mostrar dinheiro 
Lua Nova para que ele se multiplique, cresa. Nas noites de Lua, as mes
 embalam seus     filhos cantando: - "A bno, Dindinha Lua,/Me d po
   com farinha,/ Para eu dar      minha galinha,/ Que est presa na
  cozinha!/ X, galinha! Vai pra tua     camarinha!". A Lua tem muito
 significado para as pessoas que se amam.  nas     noites de Lua Cheia
  que so feitas as serenatas , as serestas , ao som     de violes e
   clarinetes, quando os rapazes enaltecem a beleza da mulher amada,
 declarando     seu amor. O cancioneiro popular  rico tendo a Lua como
 tema, principalmente     valsas. A Lua sempre foi e continuar sendo a
         inspirao dos poetas, nos seus     sonetos e poemas.

   LUS DA CMARA CASCUDO nasceu em 1898,     na cidade do Natal, RN.
    Comeou a estudar medicina em Salvador, mas teve que desistir em
    virtude das dificuldades financeiras de sua famlia. Estreou no
   jornalismo aos vinte anos     de idade, publicando seus primeiros
artigos em A IMPRENSA , jornal de propriedade de     seu pai. Concluiu o
  curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife em 1928. Publicou
   seu primeiro livro aos vinte e trs anos, Alma Patrcia, reunindo
    artigos sobre     escritores de sua terra. Professor de Direito
Internacional Pblico da Faculdade de     Direito, e de Etnologia Geral
  da Faculdade de Filosofia do Natal, Cascudo foi um homem     culto e
  simples, havendo publicado mais de cem livros e ningum sabe quantos
     artigos em     jornais e revistas nacionais e internacionais.
 Considerado por suas pesquisas, seu saber e     seus trabalhos na rea
     de sua predileo como o Papa do Folclore Brasileiro, publicou
   dentre outros os seguintes livros: Vaqueiros e Cantadores (1952),
    Geografia do     Mito Brasileiro (1947), Literatura Oral (1952),
   Dicionrio do Folclore     Brasileiro (1954), Geografia do Brasil
    Holands (1956), Jangada (1957), A Vaquejada Nordestina (1974),
  Antologia da Alimentao no Brasil (1977).     Faleceu na cidade do
  Natal, onde viveu toda a sua vida no seio de seu povo, que ele tanto
                            amou, em 1986.

      LUMINRIAS . Os indgenas brasileiros     descobriram o fogo
friccionando, pacientemente, uma haste de madeira, seca, na cavidade de
  um tronco de rvore. Logo que esse atrito continuado produzia chama,
 fogueiras eram     feitas para adorar seus deuses, moquear a carne da
 caa abatida, proteger a taba dos     animais ferozes e iluminar suas
noites. J os colonizadores sabiam dominar o fogo e     fabricavam suas
 luminrias de pequenas panelas de barro contendo azeite de mamona, de
 coco ou de baleia, com uma torcida de algodo e comearam a ser usadas
no Brasil a     partir do sculo XVI, recomendadas por Cartas Rgias. O
   querosene s apareceu em 1850.     Somente depois de 1870  que os
 candeeiros passaram a iluminar as casas, e as cidades     tiveram suas
 ruas iluminadas por lampies. Algum tempo depois comearam a chegar da
Europa bonitos candeeiros de vidro, coloridos com flores e pssaros, de
  diversos     tamanhos, com mangas medidas por linhas, enfeitando as
   salas dos senhores de engenho, dos     comerciantes e das famlias
  abastadas. Os funileiros da zona rural, aproveitando     as latas de
    manteiga, de compotas, de leo lubrificante e de outros produtos
   industrializados, comearam a fabricar seus fifs , de mesa ou de
  parede, ainda     hoje usados nas casas humildes. As famlias ricas
iluminavam suas salas com artsticos     lustres de cristal a carboreto,
novidade trazida para o Nordeste pelos trens da     Great Western. Ainda
  hoje vamos encontrar no interior, durante as festas de Natal, de Ano
   Novo, de Reis ou da padroeira do lugar, toscos bicos de carboreto
   iluminando os taboleiros     de confeito, mata-fome ou cocada e as
toldas de sorvete raspa-raspa. Os velhos funileiros do interior, no seu
artesanato, matam a saudade do tempo passado     fazendo seus fifs at
               mesmo de lmpadas eltricas inutilizadas.

LUNRIO PERPTUO . Durante cerca de     duzentos anos o Lunrio Perptuo
   foi o livro mais lido do Nordeste brasileiro.     Nele, as pessoas
  encontravam as informaes mais diferentes como horscopos, remdios
  populares, fazes da lua, o tempo certo de serem plantados o milho, o
  feijo, etc. A     primeira edio do livro data de 1703, feita pela
      casa de Miguel Menescal, em Lisboa.     Hoje o Lunrio  uma
       preciosidade s encontrada na biblioteca dos estudiosos ou
                             biblifilos.

LUNDU . Conhecido tambm como lundum,     landu, londu , o lundu foi uma
  msica e dana trazidas pelos escravos     africanos. Outros gneros
   musicais surgiram do lundu , como aconteceu com a chula , o tango
          brasileiro e o fado . Era um bailado muito ertico.

LUZ . A luz, combatendo a escurido     noturna, afugenta os fantasmas,
as almas penadas, o esprito dos mortos recentes que     ainda acham que
  esto vivos.  crena do povo que criana pag, mulher de resguardo,
  doente grave, no devem dormir no escuro. O diabo, os morcegos e as
           feras noturnas no     gostam e tm medo da luz.

 LUZIA . Santa Luzia nasceu (281) e     faleceu (304) em Siracusa. Foi
perseguida pelo Imperador romano Diocesano que mandou     arrancar seus
 olhos, colocando-os numa bandeja e enviando de presente, a quem havia
  elogiado sua beleza. No dia de Santa Luzia , comemorado no dia 13 de
 dezembro, no     se caa, no se pesca, no se costura. Quando cai um
 argueiro no olho de uma pessoa, o     melhor remdio que o povo usa 
recitar, esfregando o dedo no olho, dizendo as seguintes     palavras: -
  "Corre, corre, cavaleiro,/ Vai  porta de So Pedro,/ Dizer a Santa
  Luzia/ Que me d uma pontinha do leno/ Pra tirar esse argueiro!". A
 Experincia     de Santa Luzia , pra saber se o inverno vai ser bom, 
      feita da seguinte maneira:     Colocam-se doze pedras de sal
enfileiradas, no sereno. Cada pedra representa um ms do     ano. No dia
seguinte, as pedras que estiverem derretidas so os meses de chuva e as
  outras, que no se derreteram, so os meses secos, sem chuva. Luzia
  tambm era o     nome que o povo dava ao Partido Liberal no Segundo
 Imprio, depois que Caxias derrotou a     insurreio em Minas Gerais.
Depois da Revoluo Praieira de 1848, os liberais     pernambucanos eram
                        conhecidos por Luzias .

*                   MACACA, JOGAR A . Veja ACADEMIA.

                   MACACA, JOGO DA . Veja ACADEMIA.

                   MACACA, PULAR A . Veja ACADEMIA.

   MACACO . 1. Animal dotado de muita     agilidade e que sai sempre
vitorioso nas estrias de Trancoso; 2. Pequeno elevador usado     pelos
     motoristas para levantar umas das rodas do carro quando se faz
   necessria a troca     de pneus; 3. Quando as moas vo danar uma
 msica lenta, os rapazes se aproveitam     para abra-las. E as moas
 botam o macaco , isto , fazem uma escora com um dos     braos com a
   finalidade de afastar o rapaz; 4. Nome dado pelos cangaceiros aos
                       soldados     de polcia.

  MACACOA . Dizem que algum est com macacoa quando esse algum est
             mole, esmorecido, sem coragem pra fazer nada.

  MACAMBZIO . Diz-se de quem anda triste,     pensativo, descontente,
                 melanclico, sem achar graa em nada.

 MACAQUINHO .  o velho costume de carregar     as crianas escanchadas
 nos ombros ou nas costas das pessoas, com as pernas pra frente.     As
   crianas se agarram no pescoo de quem as conduz de macaquinho .

 MACAXEIRA . A macaxeira, tambm     chamada aipim no Rio de Janeiro e
mandioca em So Paulo,  uma planta     cujas razes so comidas cozidas
   ou assadas. Os vendedores de macaxeira apregoam     sua mercadoria
cantando, assim: - " Macaxeira! Macaxeira-rosa! Cozinha     ngua fria,
dona Maria!". Mas, cozinhar a macaxeira tem um segredo pra     ela ficar
mais gostosa, mais macia, segredo que consiste no seguinte: Descasca-se
  a macaxeira e seus pedaos so colocados numa panela grande com gua
 fria e, em seguida, a     panela  levada ao fogo. Quando a macaxeira
estiver se abrindo, joga-se na     panela que est fervendo, gua fria.
     o que as cozinheiras chamam "dar um     susto" na macaxeira".

MACONHA . A maconha  conhecida     por diversos nomes: diamba, liamba,
niamba, marijuana, rafi, baseado, morro, fumo     brabo, gongo, malva,
     fmea, maricas.  uma planta de origem asitica trazida para o
  Brasil pelos escravos africanos. O nome tambm varia de acordo com a
quantidade usada nos     cigarros feitos de suas folhas secas. Trata-se
  de um estimulante que deixa uma euforia no     fumante, e tambm uma
   forte depresso depois de seu uso, pouco aconselhvel pelo grande
  mal que faz. A pessoa pode se tornar viciada, pelo constante uso da
                               maconha .

 MACULEL .  um bailado na festa de Nossa     Senhora da Conceio, em
  Salvador e outras cidades baianas. Os danarinos variam de dez     a
    vinte negros, vestidos de camisas brancas de algodo, com lbios
     pintados de vermelho,     empunhando bastes de madeira que se
entrechocam durante a dana. As pessoas danam e     cantam o maculel .


MACUMBA .1. Eb, feitio, coisa-feita,     macumba, bruxaria . A macumba
    como se chama o candombl no Rio de Janeiro;     2. , tambm um
  instrumento musical de percusso, de origem africana e que d um som
                       de rapa , quando tocado.

                  MACURU, CANTIGA DE. Veja ACALANTOS.

 MADEIRA-QUE-CUPIM-NO-RI . As madeiras     so rodas pelo cupim, na
  sua maioria. Entretanto, algumas, de to duras que so, no     so
 rodas pelo cupim e a barana ou brana  uma delas,  madeira     que
    cupim no ri . A expresso passou a significar as pessoas boas,
                    honestas,     amigas, direitas.

   MADORNA . Madorna  um sono leve,     rpido, quando o corpo est
                       cansado, a qualquer hora.

MADRINHA . Chama-se madrinha o     animal que vai na frente dos outros,
      com um chocalho maior e por seu som o comboio se     guia.

ME-D'GUA . A me-d'gua  uma     sereia dos rios, lagos e igaraps da
Amaznia. No Rio So Francisco, a me-d'gua  uma moa muito bonita, de
cabelos loiros bem compridos, que protege as donzelas. A me-d'gua mora
  debaixo de um rochedo ilhado, que tem seu nome, e os pescadores no
 passam por perto     porque ela faz com que as embarcaes desapaream
     com seus tripulantes, vivendo com os     que mais lhe agradam,
    dando-lhes, depois, a liberdade, com muita riqueza. Na Lagoa do
          Prata, em Apipucos, Recife, ela costumava aparecer.

  ME-DA-MATA .  um duende (duende  um     ente fantstico, isto ,
  criado pela fantasia do povo) que manda em todas as plantas e     em
                   todos os animais de uma floresta.

 ME-DA-SERINGUEIRA . A seringueira  uma     planta amaznica de cujo
 ltex (leite conseguido por meio de talhos no seu tronco) se     faz a
borracha. A me-da-seringueira  um fantasma que protege a seringueira.

       ME-DE-SANTO . A me-de-santo ,     tambm conhecida como
  me-de-terreiro ,  a sacerdotisa do culto jeje-nag, na Bahia. Ela
      orienta a educao das filhas-de-santo ou cavalo-de-santo ,
  presidindo as cerimnias festivas com sua autoridade indiscutvel.

   MALASARTES . As estrias de Pedro     Malasartes foram trazidas da
     Pennsula Ibrica (Portugal e Espanha) pelos     colonizadores
   portugueses. Aqui, Pedro Malasartes - astucioso e sem escrpulos -
    caiu no gosto dos contadores-de-estrias que se encarregavam de
 aumentar, ainda     mais, as peripcias que lhes foram atribudas por
 fora da inventiva do povo. Na     literatura popular em verso, tambm
conhecida como literatura-de-cordel , os poetas     populares escreveram
               muitos folhetos sobre Pedro Malasartes .

MAL-ASSOMBRADA . Todas as cidades do mundo     tm casas mal-assombradas
   , nas quais pessoas morreram tragicamente, assassinadas     ou se
enforcaram.  noite, so ouvidos gemidos, correntes arrastadas, gritos,
   janelas e     portas que se abrem sozinhas, vidros que se quebram,
 mveis que mudam de lugar, mas que     no dia seguinte, tudo fica como
                     se nada houvesse acontecido.

  MALINA .  um paludismo acompanhado de     febre alta, muitas vezes
mortal, como o povo chama as febres malignas. So assim chamadas     as
   febres prprias do clima, as intoxicaes alimentares, as infees
 intestinais.     Quando a pessoa adoece dessas e de outras doenas, o
 povo diz que a pessoa est com a malina ,     corruptela de maligna.

     MALOQUEIRO . Diz-se de quem  vadio,     jogador e furta para
               sobreviver, de vez que no tem profisso.

 MAL-OUVIDO . Diz-se que o menino  mal-ouvido quando ele  malcriado,
     no ouve os conselhos que so dados e s quer fazer o que tem
                               vontade.

  MALUNGO .  o amigo, camarada, o irmo de     criao. A palavra foi
trazida pelos escravos africanos e era o nome dado aos     companheiros
              que viajavam no bojo dos navios negreiros.

 MALVADEZA . Nas cidades de Jundia,     Campinas e Indaiatuba e outras
   da mesma regio paulista,  comemorado, na Quinta-Feira     Santa,
   quando o dia vai anoitecendo, o Dia da Malvadeza . Nessa noite uma
poro     de folies fica at tarde da noite, contando causos , tomando
cachaa  luz do     luar e cometem toda sorte de estripulias, correndo
 as fazendas, os stios, as colnias,     fazendo, com as pessoas e as
  coisas, brincadeiras de mau gosto. Abrem as porteiras, soltam     o
         gado, espantam as galinhas, os porcos, pintam o sete.

  MAME-VEM-A . Em Pernambuco  como     tambm se chama o zper , o
fecho eclair . Riri  como  chamado no     Maranho, Paraba e Cear.

 MAMELUCO . Chama-se mameluco o filho     da unio de homem branco com
                             mulher ndia.

  MAMULENGO .  uma representao teatral     popular em Pernambuco na
     qual tomam parte bonecos num palco, atrs do qual duas ou mais
  pessoas se encarregam de moviment-los, falando, cantando, brigando,
     vivendo pequenas     peas criadas pela imaginao popular. Os
 mamulengos so as marionetes dos franceses, s que no tm movimentos
atravs de cordes. Os bonecos artistas so     ocos e os mamulengueiros
 comandam suas cabeas com o dedo indicador, enquanto o polegar e     o
 mdio se encarregam de movimentar os braos. Debaixo do queixo sai um
 cordo, que      para fazer com que eles abram e fechem a boca quando
 esto falando. Dizem que a origem da     palavra mamulengo vem de mo
                     molenga , isto , mo mole .

MANA-CHICA .  uma espcie de quadrilha     danada na cidade de Campos
    e adjacncias, no Estado do Rio de Janeiro. Os pares     comeam
 danando, girando em balanc . Em seguida, fazem o chemin des dames .
O grande chaine , com sapateado, d continuidade  dana. Fazem um novo
chemin     des dames , enquanto os cavalheiros, cada qual de frente para
  o outro, sapateiam. Na mana-chica ,     tambm danam a Marreca , a
           Andorinha , a Mineira , o Feijo     Mido , etc.

 MANA-JOANA .  uma espcie de quadrilha ,     parecida com a de origem
 francesa, mas simplificada, danada na cidade de Campos, Estado     do
                            Rio de Janeiro.

   MANDACARU .  uma planta existente no     serto do Nordeste que,
  durante as estiagens prolongadas (as secas ), alimentam o     gado e
   cujo fruto, muito vermelho e muito bonito,  comestvel. Tambm 
               conhecido     como jamacar e jamacaru .

    MANDINGA .  o mesmo que mau-olhado,     feitio, despacho, eb,
 coisa-feita . Os negros mandingas, do Senegal, na frica,     eram no
         somente guerreiros como tambm feiticeiros e mgicos.

  MANDIOCA . Entre os ndios parecis, do     Estado de Mato Grosso, 
  muito conhecida a lenda que deu origem  mandioca. Contam que     um
ndio chamado Zatiamare, casado com Kkter, teve um casal de filhos: a
menina se     chamava Atiol e o menino Zoki. Acontece que o pai no
 gostava da filha e nunca     falava com ela. Atil vivia muito triste
     e, no aguentando o desprezo de seu pai,     pediu  me que a
  enterrasse viva. A me no queria atender ao pedido da filha, mas a
 filha tanto pediu que a me satisfez sua vontade. Depois de enterrada
 num cercado e no     campo pediu  me que a sepultasse na mata aberta
 onde ficou para sempre. Um dia, sua     me foi fazer uma visita e viu
que na sepultura de sua filha havia nascido um arbusto     diferente. A
  me tratou a sepultura da filha, limpou o solo, arrancou o mato que
 nascia.     Numa outra visita, Kkter viu o arbusto maior e arrancou
         do cho a planta e sua raiz     que era a mandioca .

           MANDIOCA-DOCE . O mesmo que macaxeira,     aipim.

   MAN-GOSTOSO . Man-Gostoso      um boneco que tem as pernas e os
  braos movimentados por meio de cordes.  um     brinquedo infantil
  ainda hoje vendido nas feiras e nos mercados nordestinos. Tambm tem
outros nomes: Man-Besta , Man-Bestalho , Man-Coco , Man-de-Souza .
 Na linguagem popular significa o homem tolo, palerma, imbecil, idiota,
     sem vontade. Man-Gostoso  um personagem do bumba-meu-boi .

  MANGUE .  uma planta que cresce nos     alagadios, nas mars e nos
  rios de proximidade com as mars. Mangue (manguezal)     tambm  o
lugar onde essa planta vive e em cujo lamaal proliferam vrias espcies
  de caranguejos. Na linguagem popular, estar ou cair no mangue  uma
 expresso que     significa a pessoa arruinada, perdida. Uma moa est
no mangue quando est     perdida, prostituda. Ganhar o mangue  fugir,
                       desaparecer, esconder-se.

    MANGUSTA . O povo acredita que chupar manga     e tomar leite em
  seguida, faz mal. Mas no Cariri, uma regio do Cear, este faz-mal ,
   este tabu alimentar no existe porque o povo faz a mangusta , uma
merenda que     consiste em pr numa panela algumas mangas de-vez , isto
, querendo amadurecer e,     depois de fatiadas e cozidas, so passadas
      numa peneira, misturando-se com leite e     acar a gosto.

MANI . Esta  outra verso de como surgiu     a mandioca: H muitos anos
 passados apareceu grvida a filha de um cacique. Querendo     punir o
  autor da infelicidade de sua filha, o cacique usou de todos os meios
  para saber     quem havia sido o autor da desonra de sua filha que,
 apesar dos castigos recebidos, nunca     disse quem lhe havia tirado a
  virgindade e que tambm nunca havia mantido relaes     sexuais com
nenhum homem. O pai resolveu, ento, matar, sacrificar a filha, quando,
num     sonho, lhe apareceu um homem branco que lhe disse para no matar
  a moa, que ela era     inocente. Passados os nove meses nasceu uma
  menina muito bonita e, para surpresa de todos,     de cor branca. A
    menina que recebeu o nome de Mani, morreu aps um ano sem haver
adoecido nem sofrido nenhuma dor. Mani foi enterrada na sua prpria casa
 e, de sua     sepultura, nasceu uma planta que, por ser desconhecida,
   nunca foi arrancada. Um dia, a     sepultura se abriu e, nas suas
 razes, brancas como Mani , os indgenas     encontraram alimento para
 matar a fome. A lenda  tupi. E mandioca , na lngua     tupi, vem de
                Mani-oca , que significa casa de Mani .

  MANICACA ou MANICANCA . Diz-se do homem     muito apaixonado que se
        deixa manobrar pela mulher, fazendo tudo que ela quer.

MANIOBA .  um prato da culinria     brasileira, de origem tupi, feito
com folhas novas da mandioca espremidas, pisadas e     cozidas com carne
             de porco, toucinho, mocot e temperos comuns.

 MANJA . As crianas gostam de brincar de manja, que consiste em sarem
  correndo, perseguidas por um menino munido de um chicote. Mas     se
 chegarem a uma rvore, um poste, etc, no podero mais ser perseguidas
          porque aquela     rvore, aquele poste,  a manja .

 MANJERONA .  uma planta que as pessoas     botam nos guarda-roupas e
  nas cmodas, como se faz com o alecrim, a alfazema, o resed e     o
  manjerico para que as roupas e os panos de cama fiquem cheirosos e
   livres de insetos.     Da manjerona tambm se faz um leo que, na
medicina,  aplicado como     antiespasmdico e tnico. Na feitiaria a
      manjerona defende o povo das pragas e     dos ventos maus .

  MANPIGUARI .  um animal cabeludo,     parecido com o homem. Os seus
 pelos fazem com que ele no seja morto por balas, salvo se     a bala
  lhe atingir o umbigo. Diz a lenda que o manpinguari mata os homens,
                   devorando, apenas, suas cabeas.

   MANU .  um bolo feito com fub de     milho e mel que, depois de
cortado em retngulos,  embrulhado em folhas de bananeira e     assado
                           em forno quente.

MO-DE-CABELO .  um fantasma de forma     humana e que tem, como mos,
uma maaroca de cabelo. O mo-de-cabelo , vestido de     branco, costuma
       castigar os meninos que, em Minas Gerais, urinam na cama.

  MO-DE-MILHO .  a quantidade de 50     espigas de milho determinada
                              pelo povo.

   MO-DE-VACA .  um delicioso prato da     culinria nordestina, na
  composio da qual so usados unhas e tripas de vaca,     coalheira,
 bucho, um pedao de bode, tudo bem limpo com limo e bem tratado. Como
tempero,  costume usar hortel, tomate, cebola, alho, pimenta-do-reino,
   cominho e sal.     Come-se com o piro feito com o caldo quente.

 MO-MOLE .  uma brincadeira que os     adultos fazem com as crianas
    deixando uma das mos bem mole, com a qual, depois de     muito
        balanada, batem no peito e no rosto, com pouca fora.

MOZINHA-PRETA . Na regio compreendida     pelos Estados de So Paulo,
Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, a mozinha-preta  uma assombrao
     que aparece para fazer medo s pessoas. Trata-se apenas de uma
mozinha negra, sem brao e sem mais nada, que faz todos os trabalhos de
uma casa, com a     rapidez de espantar, e obedece s ordens que lhe so
 dadas, castigando, batendo nas     pessoas, surrando-as at e s pra
quando se diz: - "Chega, mozinha de     Justia!". E como a mo  negra
ela no castiga os escravos negros. Tambm      conhecida por Mozinha
                             de Justia .

 MAR . Muitas crendices se referem ao mar .     Os pescadores dizem que
 em uma canoa que se possa, com as mos, tocar na gua, no se     deve
   cantar depois que o Sol desaparecer; que no se deve gritar no mar
quando     anoitecer; que o mar gosta das cores azul, vermelha e branca,
   razo pela qual     todos os navios tm essas trs cores; que quem
   estiver no mar no deve dizer os     nomes de Jesus, Maria e Jos,
 porque o mar no foi batizado,  pago, e fica     zangado quando ouve
    as trs palavras; que na praia em que mulher toma banho, no tem
 peixe; que quando o mar est bem calmo, silencioso,  porque ele est
           cochilando; que quem fala mal do mar nele morre.

   MARAC . O marac  uma cabaa     na qual se colocam pedrinhas ou
sementes secas ou chumbo de caa. Tem um pedao de pau     pregado numa
   de suas extremidades e que serve para a pessoa segurar. Agitado, o
marac faz um pequeno barulho que serve para marcar o ritmo das danas.
                     Herdamos o marac dos ndios.

 MARACATU . O maracatu  um grupo do     carnaval pernambucano, animado
   por uma orquestra composta por instrumentos de percusso     como
 tambores, chocalhos, gongu e que, nos dias de carnaval, percorrem as
    ruas de     muitas cidades de Pernambuco, danando e cantando. O
  maracatu no tem coreografia     especial e  composto de negros. O
  maracatu  chamado de nao , Nao     de Porto Rico, Nao do Leo
  Coroado, Nao de Cambinda Velha. Na frente, aparecem o rei ,     a
rainha , os prncipes , as damas os embaixadores seguidos de danarinas
vestidas de baianas e de ndios com seus cocares . Abrem o desfile dois
negros conduzindo os calungas : um homem (o Prncipe Dom Henrique) e uma
mulher (a     Princesa Dona Clara) que tambm  chamada de Dama do Pao
, conduzindo uma     boneca, a calunga , que vai danando e, sem falar,
 pedindo dinheiro aos que esto     assistindo a seu desfile, ao som de
 tambores. O maracatu no tem enredo. O rei e a rainha desfilam sob um
       plio. Temos dois tipos de maracatu , cada um com     suas
 caractersticas prprias: O Maracatu de baque solto ou Maracatu Rural
foi o resultado da mistura de vrios folguedos populares nos engenhos de
   cana-de-acar     da Zona da Mata, principalmente os Cambindas -
brincadeira nas quais os grupos     masculinos vestiam roupas de mulher.
 A orquestra que acompanha o Maracatu de Baque     Solto  composta por
  instrumentos de percusso e de sopro, como o trombone e o     gnero
musical tocado  a marcha. Sua principal figura  o Mestre , que puxa as
  toadas .     Outros figurantes: Mateus, Bastio, Catirina, a Dama do
Poo, bandeiristas, a burra,     caadores, caboclos de pena e caboclos
de lana . O Maracatu de Baque Virado ,     conhecido como nao , ainda
mantm o cortejo real no seu desfile, lembrando a     coroao do rei do
Congo. O Maracatu do Baque Virado  da rea urbana,     principalmente,
no Recife. Com o passar dos anos, o cortejo do Maracatu do Baque Virado
       evoluiu e se transformou numa pea do carnaval recifense.

    MARACUTAIA . Negcio mal feito, desonesto,     quase sempre com
            finalidade de ganhar dinheiro, obter vantagens.

    MARAGATO . Eram chamados de maragatos, no Rio Grande do Sul, os
  partidrios polticos do parlamentarismo defendido por Gaspar     da
Silveira Martins, desde a Revoluo Federativa de 1893 e que ainda hoje
 a     denominao  dada aos que pertencem ao Partido Libertador, que
   herdou as idias do     antigo Partido Federalista. Atualmente no
   podemos precisar qual o partido poltico que     sucedeu o partido
                 libertador na sua filosofia poltica.

MARALINA . O povo, no municpio de     Pedreira, no Maranho, canonizou
Santa Maralina , mulher negra, uma velha muito     caridosa que cuidava
  dos boiadeiros quando adoeciam, o mesmo fazendo com todas as pessoas
 da cidade. Quando morreu, seu enterro foi acompanhado por muita gente.
Dias depois de sua     morte foi constatado que a sepultura de Maralina
aparecia iluminada durante a     noite e, pela manh, seu tmulo estava
   semi-aberto, exalando um odor intenso. Comearam     a aparecer os
       visitantes, os devotos e, consequentemente, os milagres.

MARCHA . A marcha carnavalesca  a     animao nos bailes de carnaval.
Quando os folies esto desanimados, as orquestras     fazem uma seleo
 das marchas dos carnavais passados e a animao volta a     reinar nos
    sales de baile. E todos danam ao som de Jardineira, Um Pierrot
Apaixonado, Mscara Negra ,  de amargar, Cabeleira do Zez, Abre alas e
 tantas outras. Atualmente as escolas de samba-enredo e os compositores
 cariocas no     compem mais marchinhas gostosas como antigamente. Em
  Pernambuco, com a morte de     Nelson Ferreira, Capiba, Maramb, os
nossos compositores esto mais preocupados com o frevo que , sem dvida
   a alma do nosso carnaval. E a marcha carnavalesca? A nossa marcha
  carnavalesca, msica, letra e dana maliciosa e brejeira, anda meio
                   esquecida, o que      uma pena.

                      MARELINHA . Veja ACADEMIA.

  MARIA DE LOURDES BORGES RIBEIRO nasceu no     dia 19 de setembro de
 1912, na cidade de Aparecida, SP. Exerceu as funes de Tcnico     de
Educao do Estado de So Paulo, professora de Folclore da Faculdade de
   Filosofia,     Cincias e Letras de Lorena (SP), e da Faculdade de
Msica de Pindamonhangaba (SP),     Assessora de Folclore do Programa de
  Ao Cultural do MEC, membro do Conselho Nacional     de Folclore e
 Assistente Tcnico do Instituto Nacional de Folclore. Recebeu medalhas
 Anchieta e Slvio Romero e o ttulo de cidad do Estado da Guanabara.
     Alm de     inmeros artigos e ensaios publicados em revistas
especializadas, Maria de Lourdes Borges     Ribeiro publicou, na rea de
 Folclore, Folclore (1980), Inqurito sobre     prticas e supersties
   agrcolas de Minas Gerais (1971), Na trilha da     independncia:
    Histria e Folclore (1972), O jongo (1984) e Moambique (1981).
  Depois de prestar importantes servios ao Folclore, Maria de Lourdes
        Borges Ribeiro     faleceu no dia 11 de junho de 1983.

 MARIA DO ROSRIO TAVARES DE LIMA nasceu     na cidade de Caapava, SP,
 passando, a partir dos cinco anos de idade, a residir na     capital,
  onde exerceu as seguintes funes: professora de Folclore na Escola
 Municipal     de Msica (1994-5), coordenadora geral do 1  Congresso
 Internacional de     Folclore da International Organization of Folkart
(1995), participando em congressos     internacionais de Lisboa (1992),
de Cuba (1994,1996 e 1997), integrante do corpo docente     do Curso de
 Folclore Brasileiro coordenado pela Associao Brasileira de Folclore,
vice-presidente da Associao Brasileira de Folclore, diretora do Museu
de Folclore     Rossini Tavares de Lima, membro da Comisso Paulista de
Folclore, membro correspondente     da Comision Internacional Permanente
     de Folklore da Argentina, delegada do Intercmbio     Cultural
   Brasil/Cuba. Publicou os seguintes livros: Uma pitada de folclore
    (1995), Lobisomem:     assombrao e realidade (1983), Cobras e
 crendices (1995) alm de estudos,     ensaios e artigos na imprensa e
                       revistas especializadas.

MARIA-MACUMB .  uma brincadeira     infantil. As crianas se escondem
para que uma, de olhos vendados, as procurem. Se     agarrar uma delas,
      esta passa a ser a Maria-Macumb , isto , fica com os olhos
    vendados ou de costas at agarrar alguma para lhe substituir na
                             brincadeira.

 MARIA-ZAB . Na Amaznia, principalmente     entre os garimpeiros nos
rios Araguaia e das Mortes,  uma comida diria de carne cozida     com
                                arroz.

  MARICAS . Nome dado, tanto no passado como     at hoje, aos homens
   efeminados, cheios de dengos, delicados, perfumados, de fala fina,
     amigos das mulheres, de andar bamboleante, cheios de trejeitos
                              femininos.

 MRIO SOUTO MAIOR nasceu no dia 14 de     julho de 1920, na cidade de
  Bom Jardim, Pernambuco. Frequentou a escola da professora     Josefa
Coleta de Albuquerque (Santinha), onde aprendeu as primeiras letras. No
  Colgio     Marista, do Recife, fez o curso primrio e ginasial. No
  Colgio Carneiro Leo, fez o     curso pr-jurdico e em Macei, na
  Faculdade de Direito de Alagoas, concluiu o curso de     Bacharel em
 Cincias Jurdicas e Sociais. Advogado, exerceu as funes de promotor
 pblico das comarcas de Surubim e Joo Alfredo. Foi prefeito de Orob,
professor da     Escola Normal Santana, de Bom Jardim, fundador, diretor
e professor do Ginsio de Bom     Jardim, Inspetor Federal de Ensino, do
    Ministrio da Educao e Cultura. A partir de     1967 comeou a
trabalhar, na parte administrativa, no ento Instituto Joaquim Nabuco de
   Pesquisas Sociais, hoje, Fundao Joaquim Nabuco, e, em 1976, como
 diretor do Centro de     Estudos Folclricos, quando desenvolveu todas
as suas pesquisas na rea de sua     especialidade. Publicou Como nasce
um cabra da peste (1969), Cachaa (1970/1), Antnio Silvino  Capito de
 Trabuco (1971), Em torno de uma possvel     etnografia do po (1971),
  Dicionrio da cachaa (1973), A morte na boca do povo (1974), Nomes
 prprios poucos comuns (1974), Territrio da danao (1976), Nordeste:
   a inventiva popular (1978), Dicionrio do Palavro e termos afins
   (1980), Folclorerotismo (1980), Galalaus & bators (1981), Painel
    folclrico do Nordeste (1981), Comes e bebes do Nordeste (1984),
Remdios populares do Nordeste (1986), Folclore     quase sempre (1986),
Folclore e alimentao (1988), Antologia pernambucana     de Folclore 
      com Waldemar Valente (1988), Antologia da poesia popular de
   Pernambuco  com Waldemar Valente (1989), Antologia do carnaval do
Recife      com Leonardo Dantas Silva (1991), A lngua na boca do povo
 (1992), Sogras:     prs & contras (1992), O Recife, quatro sculos de
sua paisagem  com     Leonardo Dantas Silva (1992), O puxa-saco: aqui,
 ali & acol (1993), A     paisagem pernambucana  com Leonardo Dantas
   Silva (1993), Trs estrias de     Deus quando fez o mundo (1993),
 Riqueza, alimentao e folclore do coco (1994), Geografia vocabular do
   pau atravs da lngua portuguesa (1994), A mulher e o     homem na
   sabedoria popular (1994), A mulher que enganou o diabo (1994), As
dobras do tempo: quase memrias (1995), O homem e o tempo (1995), Brasil
  x     Portugal: aquele abrao (1995), Folclore, etc & tal (1995), Os
mistrios do faz-mal (1996), Frei Damio: um santo? (1998), Oraes que
   o povo reza (1998), Pedro e seus mil carneirinhos (1998), Cangao:
algumas     referncias bibliogrficas  com Lcia Gaspar (1999), A moa
que casou com     uma cobra, (1999), Um menino chamado Gilberto Freyre ,
      (1999) e Padre Ccero     Romo Batista: algumas referncias
bibliogrficas  com Lcia Gaspar (1999), Dicionrio     de Folcloristas
 Brasileiros (1999), Bibliografia pernambucana de Folclore (1999) e Um
menino chamado Hlder Cmara (1999). Pesquisador Emrito da     Fundao
     Joaquim Nabuco, onde atualmente exerce as funes de chefe da
  Coordenadoria     de Estudos Folclricos, Mrio Souto Maior  poeta,
      contista, pesquisador, colaborando     em jornais e revistas
   especializadas do Brasil e do estrangeiro e, em 1979, com o livro
 Folclore & Alimentao ganhou o Prmio Slvio Romero, do Ministrio da
     Educao     e Cultura e, com o mesmo livro, em 1989, ganhou o
 Gran-Prmio beroamericano Augusto     Cortazar, institudo pelo Fondo
Nacional de las Artes, do Ministrio de la Educacin y     Justicia, da
                              Argentina.

  MARRU .  o nome que os vaqueiros     nordestinos do ao novilho ou
   garrote ou touro brabo, que no conhece curral e que nunca     foi
           capturado, vivendo solto, em liberdade completa.

   MARTELO . Martelo no  somente o nome     dado ao instrumento de
     trabalho do pedreiro, do carpinteiro, do sapateiro e de outros
 profissionais e que tm a finalidade de bater pregos, etc. 1. Martelo,
   na arte da     cantoria, so os versos de dez slabas, com 6 a 10
 linhas. O martelo-de-seis-slabas tem o nome de martelo-agalopado . 2.
 Martelo tambm  uma medida de     cachaa, de vinho, correspondente a
166 mililitros. Na linguagem popular, martelo  a pessoa que persegue e
procura exterminar um mal;  a pessoa importuna, maante;      a ninfa
  de certos mosquitos depositada pelos mesmos em gua estagnada;  uma
    qualidade     de peixe. De martelo surgiu o verbo martelar , que
                          significa insistir.

MARTIM-PESCADOR . Nos candombls de     Salvador, o Martim-Pescador  um
   orix .  um passarinho que tem a misso     de levar e trazer as
   splicas dos mortais s divindades do mar, como Iemanj ,     por
                     exemplo.  um moo de recado.

         MARUJADA . O mesmo que fandango .     Veja FANDANGO.

 MASCA-FUMO .  um hbito que o homem     branco herdou dos indgenas e
 que hoje faz parte da vida de poucas pessoas. Consiste em     ficar, a
pessoa, mastigando folhas secas de fumo ou pedaos de fumo em rolo. Era
                        o chiclete dos antigos.

MSCARAS . O uso das mscaras      universal e sua origem est perdida
  nas dobras do tempo. Feitas de tela, pano, papiro,     madeira e at
    mesmo de ouro como a das mmias dos faras, as mscaras so mais
usadas na sia. No Brasil, os grupos indgenas tinham seus bailados nos
quais seus     componentes usavam mscaras . Atualmente, as mscaras so
uma tnica nos     festejos carnavalescos, nas quais as pessoas escondem
as fisionomias para pular e danar.     Nos clubes sociais, o bal-masqu
                     a nota chique dos carnavais.

   MATA-FOME . D-se o nome de mata-fome a um bolo de forma redonda,
 pequeno, vendido nas feiras, nos mercados.  um bolo de pobre     que
                  serve para matar ou enganar a fome.

            MATAR-O-BICHO . Tomar cachaa, no     Nordeste.

MATE . A erva-mate , de cujas folhas     secas, torradas e pulverizadas
     se faz o mate  uma planta nativa do Paraguai e do     Brasil
   meridional. Da erva-mate se faz o ch-mate servido com acar, e o
 chimarro, servido por um tubo de metal ( bomba ), contido numa cuia (
    porango )     de feitio variado. O chimarro tem gosto amargo e,
geralmente, no leva acar,     como acontece com o ch-mate. Mateador
          a pessoa que gosta de mate . Matear  tomar mate .

  MATINTAPEREIRA . A matintapereira ,     tambm conhecida como mati ,
mati-perer ,  uma ave de nome cuculida. Ela      tida como agourenta.
    Quando canta nas horas mortas da noite, quem est dentro de casa
     deve dizer: "Matinta, amanh podes vir buscar tabaco" (fumo).

MATRACA .  um instrumento de percusso,     com uma ou mais tbuas que
 se deslocam, produzindo um rudo seco e persistente. s     vezes, as
  tbuas da matraca so substitudas por argolas de ferro, aumentando,
   ainda mais, o barulho que fazem. Como os sinos no tocam durante a
  Semana Santa, a matraca desempenha o papel deles, principalmente na
  Quinta-Feira Santa e na Sexta-Feira da     Paixo. Tambm a matraca
 aparece no bumba-meu-boi e em outros grupos     carnavalescos. Quando
 uma pessoa fala pelos cotovelos , isto , fala de mais,     diz-se que
                          ela  uma matraca .

  MATUNGO . Diz-se do cavalo quando fica     velho e no serve mais ao
          homem, nem como montaria nem para carregar cargas.

                         MATUTO. Veja CAIPIRA.

MAU-OLHADO . Certas pessoas tm, nos     olhos, o poder de fazer murchar
as plantas, adoecer as pessoas, fazer com que os negcios     dos outros
 no dem certo. Essas pessoas tm mau-olhado , olhar de seca-pimenta .
   Para combater o mau-olhado , as pessoas usam, nas pulseiras ou nas
voltas, figas,     meia-luas, corcundas, elefantes , feitos de madeira,
 metal, osso. H pessoas que no     sabem se so ou no portadoras do
   mau-olhado . Quando essas pessoas acham um     menino bonito, por
exemplo, dizem: - "Que menino bonito, benza-te Deus". Mas     quando uma
  pessoa est com mau-olhado , triste, melanclica, sem achar graa em
nada, o remdio que tem  chamar uma benzedeira , geralmente uma mulher
  de meia     idade que, com um galhinho de arruda numa das mos, vai
rodeando a pessoa com mau-olhado     e rezando. E quando termina a reza,
       o galhinho de arruda est murcho e a pessoa,     curada.

  MAURO MOTA nasceu em 1911, na cidade do     Recife, PE, embora tenha
passado sua meninice e parte de sua adolescncia em Nazar da     Mata.
Estudou no Ginsio do Recife e no Colgio Salesiano. O primrio, fez na
 Escola da     professora Alice Vieira. Mauro Mota concluiu o curso de
Bacharel em Cincias Jurdicas e     Sociais na Faculdade de Direito do
Recife. Dedicou-se ao Jornalismo, a partir de 1935,     fazendo parte do
   corpo redacional do Dirio da Manh e do Dirio de     Pernambuco,
tornando-se professor de vrios educandrios do Recife, especialmente do
   Instituto de Educao de Pernambuco, onde conquistou a ctedra de
  Geografia do     Brasil aps concurso de ttulos e provas. Publicou
poemas em jornais e revistas, no     s de Pernambuco, mas do Rio, So
   Paulo e Belo Horizonte. Embora consagrado como     admirvel poeta
   lrico pela crtica mais idnea do Brasil e do estrangeiro, s em
 1952 lanou Elegias, seu primeiro livro, valorizando o soneto, por ele
renovado     pelo lirismo, sendo considerado pelos crticos do Brasil e
de fora, um dos maiores poetas     em lngua portuguesa. Durante mais de
  uma dcada foi Diretor Executivo do Instituto     Joaquim Nabuco de
 Pesquisas Sociais, hoje Fundao Joaquim Nabuco. Alm de     membro e
  durante muitos anos Presidente, da Academia Pernambucana de Letras,
 pertenceu      Academia Brasileira de Letras e foi correspondente de
entidades congneres.     Muitos de seus poemas foram traduzidos para o
  ingls, francs, espanhol e italiano. Do Dirio     de Pernambuco no
  qual dirigiu um suplemento literrio, a ele apenas se equiparando os
de jornais do Rio e de So Paulo. Dirigiu o Departamento de Cultura , da
 Secretaria     de Educao (Recife, 1982), do Estado de Pernambuco e o
    Arquivo Pblico Estadual ,     renovando a sua dinmica com seu
   desarquivamento . Atuou como membro dos Conselhos     de Cultura,
 Estadual e Federal . Alm de consagrados livros de poesias  entre os
    quais Elegias (1952), Epitfios (1959), Canto ao meio (1964), A
tecel (1956), publicou O cajueiro nordestino (1955), tese defendida no
 IEP,     com reedies sucessivas, Capito de fandango (1960), Votos e
ex-votos (1968), Os bichos na fala da gente (1969), Histria em rtulos
 de cigarros (1971), Terra e gente (1973), Paisagens das secas (1958) e
  Baro de     chocolate & companhia  apelidos pernambucanos (1983).
 Desta relao,     percebe-se, pelos prprios ttulos, a preocupao e
             interesse pelo Folclore. Faleceu     em 1984.

  MAXIXE . O maxixe foi, durante muito     tempo, a dana predileta do
povo brasileiro.  uma mistura da polca, da habanera ,     do lundu e da
 toada . Aparecido na segunda metade do sculo XIX, o maxixe tanto era
 dana de serto como dana de cabar, com os corpos dos danarinos bem
             unidos, exigindo, dos pares, muita agilidade.

MEDICINA POPULAR . A medicina popular ,     folclrica, ortodoxa, sempre
existiu desde o comeo dos tempos e, como no poderia     deixar de ser,
  se antecipou  medicina cientfica de hoje. Antes dos remdios serem
 industrializados pelos laboratrios farmacuticos, o povo usava, para
combater seus     pequenos males, a medicina popular,  base das folhas,
    dos frutos e razes das plantas.     Atualmente as pessoas esto
  voltando a usar os remdios populares por no produzirem     efeitos
 colaterais. Herdamos a medicina popular da sabedoria dos ndios e dos
africanos.     Com o alecrim , o agrio , o alho , a alfazema , o angico
  ,     a alfavaca , a alcachofra , a aucena , o arruda , a avenca e
   tantas outras plantas, em forma de ch, de suco, de cataplasma, de
      lambedor, o povo     fica bom de suas doenas mais comuns.

MEIA-LUA .  uma procisso fluvial no     Amazonas feita com a imagem de
 santo, como So Benedito, num barco seguido de outras     embarcaes
que do algumas voltas na frente do povoado, vila ou cidade onde o santo
                                 venerado.

   MEIZINHA .  o nome que o povo d aos     remdios, inclusive aos
 populares. Alguns autores dizem que o nome certo  mezinha ,     mas o
                          povo usa meizinha .

  MEL . O mel mais popular do mundo      o mel de abelha , que tanto
alimenta como at mesmo participa da medicina popular     como remdio.
     Outro tipo de mel  o mel de engenho , feito do caldo de cana
  cozido, nos engenhos e que no sul recebe o nome de melado . O mel de
abelha  conhecido como mel de pau , porque as abelhas fazem sua morada
no tronco das     rvores. Melado  o nome dado a quem est embriagado,
cheio do mel . O mel     de abelha misturado com cachaa vira cachimbo ,
uma bebida servida s pessoas     que vo visitar as mulheres quando do
                          luz, quando parem.

  MELADINHA. Aperitivo feito com mel de     abelha uruu com cachaa.

MELA-MELA . Brincadeira de carnaval,     remanescente do antigo entrudo,
proibida vrias vezes em todo o pas, que     consiste em molhar e sujar
 as pessoas nas ruas da cidade, usando gua limpa ou suja,     colorau,
                  talco, farinha de trigo, ovos, etc.

   MENINO-DO-RANCHO . Entre os ndios de     Tacaratu, Pernambuco, 
realizada a cerimnia do menino-do-rancho , quando os     pajs (prais)
 capturam um menino que  levado para um rancho, onde lhe so ensinadas
as tradies da tribo para sua futura iniciao como verdadeiro homem.

MESTRE .  o ttulo que o povo d aos     trabalhadores manuais, quando
   so bons na sua arte: mestre carapina, mestre pedreiro,     mestre
                              sapateiro .

                       MEZINHA . Veja MEIZINHA.

 MIJAR-NA-COVA . A pior ameaa que se faz a     um inimigo  a de mijar
                             na sua cova.

MILAGRE . O milagre ou ex-voto  a representao do rgo ou da parte do
 corpo humano, feito de cera, de madeira, de     marfim, de prata e at
 mesmo de ouro e que  colocado na casa dos milagres das     igrejas do
  interior. Quando uma pessoa est doente do p, por exemplo, faz uma
 promessa     ao santo de sua devoo de, se ficar bom do mal, oferecer
 um p de cera, de madeira ou     de qualquer outro material, de acordo
com suas posses. Dizem os entendidos que, o milagre ou ex-voto tem muito
 mais valor quando  feito pela prpria pessoa; tem mais     mrito. No
 Brasil todo, muitas igrejas tm sua casa de milagres : Aparecida (So
 Paulo), Nazar (Belm, PA), So Francisco (Canind, CE), Abadia (GO),
Nossa Senhora     dos Impossveis (Patu, RN), So Severino do Ramo (PE),
                   Santa Quitria (Freixeiras, PE).

  MILHO . A origem do milho est     ligada a uma lenda guarani: Dois
   guerreiros guaranis procuravam, certo dia, mas sem     encontrar,
 alimento para a famlia. Apareceu, ento, um enviado de Nhandeiara , o
grande esprito, dizendo que a soluo do problema seria uma luta entre
os dois     guerreiros. Quem morresse seria sepultado e de sua sepultura
 nasceria uma planta que     alimentaria a todos. Os dois lutaram e um
 deles, o guerreiro Avati, morreu. De sua     sepultura nasceu o milho,
 avati, milho na lngua tupi. Do milho, cujo o ciclo vejetativo     no
Nordeste coincide com as festas de So Joo,  feito o bolo de milho, a
 pamonha,     a canjica, o milho assado ou cozido . Do milho tambm se
faz a pipoca , o cuscuz , o manguz, xerm para os pssaros e rao para
                os     cavalos, galinhas, porcos, etc.

   MINEIRO-COM-BOTAS .  uma sobremesa     mineira, feita com banana,
                       queijo e glac de goiaba.

   MINEIRO-PAU .  uma antiga dana de roda,     cantada, com o ritmo
   marcado por palmas. As pessoas que esto danando o mineiro-pau ,
  voltam-se para a direita e para a esquerda, cumprimentam o parceiro,
   fazendo de conta que     vo dar uma umbigada . Cantam quadrinhas,
 algumas das quais so inventadas na     hora: "Vou-me embora daqui/ e
 no dou adeus a ningum/Quem no me conhece, chora,/     Que dir quem
     me quer bem!" O estribilho, aps cada verso,  " Mineiro-pau,
 mineiro-pau !" J no Cear o nome da dana muda para maneiro-pau e os
  danarinos empunham pequenos bastes que,  maneira das espadas, se
                             entrechocam.

  MINGUSOTO . Em Joo Pessoa, na Paraba,     foi registrada a figura
  folclrica do mingusoto , um fantasma, senhor dos     elementos, das
guas vivas dos rios e das guas mortas das lagoas, barreiros e audes,
                      que amedronta as crianas.

    MINHOCO .  uma cobra enorme que mora     nas guas do Rio So
  Francisco e, por baixo da terra, como fazem as minhocas, o minhoco
  desmorona casas, destri cidades. A existncia do minhoco em Minas
 Gerais e     Gois tambm j foi registrada. Segundo os barqueiros do
  Rio So Francisco, o minhoco  um bicho enorme, preto, meio peixe e
  meio serpente que anda no rio perseguindo as     pessoas, virando as
     embarcaes. Transforma-se, s vezes num pssaro muito grande,
branco, do pescoo comprido como uma minhoca. Da seu nome, minhoco .

    MIOTA . Nas festas do Divino Esprito     Santo, em So Lus de
 Paraitinga, SP, aparece a miota , representada por uma     mulher bem
alta e magra, feita com correntes enfiadas num cordo de tal forma que a
   pessoa que vai dentro da armao, puxando cordinhas, faz todos os
  movimentos, ora     mexendo seus braos, ora balanando a cabea da
                                miota .

 MISSA-DOS-MORTOS .  uma missa de     defuntos, celebrada por um padre
 morto. Os fiis so esqueletos. Dizem que a lenda da missa-dos-mortos
       ocorreu na igreja das Mercs de Cima, em Ouro Preto, MG.

 MISSA-PEDIDA .  a missa paga com dinheiro     pedido s pessoas como
     esmola para pagar uma promessa feita por uma graa alcanada.

 MISSA-SECA . Era o nome que antigamente se     dava aos protestantes,
   presbiterianos, quando comearam a aparecer os primeiros cultos no
                                Brasil.

 MNEMNICA . So as frmulas ritmadas que     fazem com que as crianas
 aprendam a decorar os dedos, os dias da semana, os meses do     ano. 
  uma prtica interessante que circula em vrios pases. Uma mnemnica
   brasileira: "Um, dois, feijo com arroz;/ Trs, quatro, feijo no
prato;/ Cinco,     seis, chegou minha vez;/ Sete, oito, comer biscoito;/
Nove, dez, comer pastis".     Outra mnemnica : " Una, duna, trina (ou
   tena) catena;/ Bico de pena (ou de     ema):/ So, sod?/ Gurupi,
                   gurup;/ Conte bem que so dez".

  MOA . Nome que se d  adolescente,     depois que tem as primeiras
   regras, o primeiro catamnio. Moa tambm  a     mulher virgem.

MOA-BRANCA .  uma qualidade de abelha     que faz muita cera e um mel
     que no  de boa qualidade. Tambm  o sinnimo de cachaa .

   MOAMBIQUE . Em Gois, Minas, So Paulo,     Rio Grande do Sul, o
  Moambique  um bailado popular que acontece durante os festejos do
Divino, de Nossa Senhora do Rosrio, de So Benedito. Seus participantes
  usam tnicas     azuis ou vermelhas, capacetes enfeitados de fitas e
   espelhos, jarreteiras de guizos,     desenvolvendo uma coreografia
movimentada, agitando os bastes numa luta simulada. Os     instrumentos
  so de percusso mas aparecem, tambm, conjuntos de violas, violo,
rabecas, cavaquinho. Lembra os maculels brasileiros. Alguns estudiosos
 afirmam     que Moambique  uma dana africana, conforme explica seu
    nome, um pas do     continente africano, de lngua portuguesa.

MOCOROR .  uma bebida feita de mandioca     ou de arroz. No Maranho,
  mocoror  um mingau de arroz. J no Cear, o mocoror  uma bebida
  feita com o sumo do caju depois de quatro dias de fermentao ao ar
                                livre.

                      MOCOT . Veja MO-DE-VACA.

  MODINHA . Diminutivo de moda, a modinha      uma cano brasileira
amorosa, de sabor, muitas vezes, ertico. As modinhas eram     cantadas
 nas serenatas e, com este nome, no existem mais a no ser na memria
                         dos     saudosistas.

   MOLEQUE . De incio, moleque era um     adolescente de cor negra.
    Depois, a palavra passou a significar todo ou qualquer homem sem
    dignidade, que no cumprisse nem com a palavra dada, nem com os
compromissos assumidos,     um irresponsvel. A palavra moleque , neste
outro sentido, gerou outras palavras     como molequice , molecagem , e
             o verbo molecar , isto , fazer molecagens .

   MOQUECA . Prato muito apreciado da     culinria da orla martima
 brasileira, feito com peixe, mariscos ou camares, leite de     coco,
        azeite, temperos, inclusive bastante pimenta-de-cheiro.

MORCEGO . 1. Os morcegos so     animais agourentos, que se alimentam de
  frutas,  noite, quando saem aos bandos. Os morcegos gostam muito de
    sapoti. O povo diz que o rato quando fica velho se transforma em
morcego,     em passarinhos do Diabo. Os morcegos dormem durante o dia e
  saem,  noite, procurando o     que comer; 2. Morcego  a pessoa que
 viaja nos estribos dos bondes, na traseira     dos nibus. Morcegar 
  tambm o ato de quem aproveita uma conduo de outra pessoa.     Uma
                           espcie de bigu.

MORCEGO-VAMPA . Em Palmares, PE, corre uma     crendice: o morcego-vampa
, de noite, chupa o sangue de quem vai dormir sem rezar e     faz gente
                           virar lobisomem .

  MORTE . Morrer, na linguagem do povo,  esticar     a canela, comer
   capim pela raiz, ir falar com So Pedro , etc. A morte  o fim da
vida material, quando o esprito se separa do corpo. A pessoa, no dizer
 do povo, pode     morrer de morte morrida (quando a morte  natural) e
 de morte matada (quando a pessoa morre assassinada, comete suicdio ou
em conseqncia de desastre). A     sabedoria popular diz que a morte 
                   a nica certeza que o homem tem.

  MOURO . Na arte da cantoria , mouro  o mesmo que trocado . Tem o
mouro de cinco e de sete ps - os mais     usados. O mouro  dialogado
  e difcil porque a resposta do outro cantador tem que ser imediata,
                  obedecendo s rimas j escolhidas.

 MUAMBA . Catimb , despacho,     invoco. Na linguagem popular de hoje,
  muamba  contrabando, mercadoria que se     traz do estrangeiro sem
               passar pela alfndega, sem pagar imposto.

  MUU . Tambm conhecido como mocim , muum , o muu  encontrado nos
rios, poos e alagados. Tem a forma de uma     cobra de cor cinza/preta,
comestvel, difcil de ser pegado porque  muito fcil de     escapulir
 das mos de quem pega, por ser muito liso. Quando uma coisa escorrega
     das     mos, o povo costuma dizer que escorrega como muu .

   MUCURA . , no Amap e no Par, uma     bebida servida na dana do
   mara-baixo .  feita com cachaa, ovo batido, casca de     limo e
                 acar.  o nome que se d ao gamb.

  MUIRAQUIT .  um amuleto encontrado na Amaznia, principalmente na
  cidade de bidos, PA. Segundo uma tradio     que ainda persiste, o
muiraquit (uma pedra de jade) era um presente que as     amazonas davam
 aos homens como lembrana da sua visita anual. Nas noites de lua cheia
  elas retiravam as pedras ainda moles do fundo do lago em cuja margem
 viviam, dando-lhes a     forma desejada antes de ficarem duras quando
  expostas ao ar. As pedras, depois de     trabalhadas pelas amazonas,
tomavam a forma de peixes, de batrquios, de quelnios     (tartarugas,
                  cgados e jabutis) e de cilindros.

    MUJANGU .  uma guloseima amaznica     feita com ovos crus de
tartaruga ou de tracaj ou de gaivota, misturados com     farinha-dgua
                               e acar.

  MULA-SEM-CABEA .  a amante do padre.     Todas as noites da quinta
 para a sexta-feira ela se transforma num animal e sai galopando     e
assombrando as pessoas que encontra. Bota fogo pelo nariz e pela boca e
    tem as patas     como se calasse sapatos de ferro. O encanto s
  desaparece quando algum homem de     muita coragem consegue tirar o
freio de ferro que ela tem. Outros dizem que para acabar o encantamento
 basta que algum consiga feri-la. Seu sangue faz com que volte a ser a
 pessoa que era     antes. Para evitar que a amante se transforme numa
 mula-sem-cabea  preciso que     o padre amaldioe a companheira sete
                    vezes, antes de rezar a missa.

MULATO .  o filho de branco com negra.     Tambm  mulato o produto do
                           cavalo com burra.

    MULHER-DE-PIOLHO . Diz-se da pessoa que      cabeuda, teimosa,
   obstinada; que no h quem lhe faa mudar de opinio. A expresso
que o povo usa na sua linguagem: - "Fulana  como a mulher-do-piolho ",
 vem de um conto popular universal em que a mulher, mesmo dentro de um
 rio, com apenas as     mos de fora, ainda teima em fazer o movimento,
   com as unhas dos polegares, de matar o     piolho que dizia ter na
                           cabea do marido.

MUNGUNZ ou MANGUNZ . Comida nordestina     feita com milho, temperada
  com leite de coco ou de vaca, acar, manteiga e canela. O mungunz
ou mangunz  feito assim: Toma-se o milho seco e sem olhos, bota-se na
    gua     fria durante toda  noite. No outro dia, vai logo para
cozinhar. Quando os gros de     milho estiverem bem molinhos, junta-se
  leite-de-coco ou de vaca, acar e sal. Deixa-se     ferver durante
 cinco a dez minutos. Deve ser servido quente. Em Alagoas, o munguz 
         conhecido como ch-de-burro e, no sul, como canjica.

MUTAMBA . Tambm conhecida como ibuxuna,     macungo, mutambo, guaxima ,
a mutamba  uma planta usada como substituta do     fumo. Misturada com
        o fumo, passa a ser estupefaciente, uma droga que causa
   entorpecimento. A mutamba  usada como remdio no combate a certas
                               doenas.

 MUTIRO . O mutiro  a reunio     de diversas pessoas para fazer um
trabalho qualquer: reparo nos baldos dos audes (baldo      o nome dado
aos paredes de terra ou de barro, feito para represar a gua do aude),
cobrir uma casa, limpar tanto no interior como na periferia das cidades.
                        O mutiro  universal.

   MUVUCA . Lugar pequeno, esconderijo, enfusca , maloca , moquifo .

*   NA-GUA-E-NO-COURO . Diz-se quando a pessoa s tem uma roupa. Tira
              quando vai lavar e veste depois de lavada.

  NA-HORA-DA-PORCA-TORCER-O-RABO . No momento     difcil, preciso, de
              algum mostrar seu valor, suas qualidades.

NAG . Nome dado a todos os negros da     Costa dos Escravos que falavam
o ioruba . Os franceses colonizadores do Daom     chamavam os iorubanos
de nags, que chegaram, em maior quantidade, na cidade de     Salvador e
  tiveram muita influncia na formao social e religiosa dos mestios
  baianos. O candombl , os babalas , os babas , as filhas de santo ,
 os instrumentos musicais (tambores, agogs, argus, adjs ), os cantos
    da     tartaruga, a culinria ( vatap, acaraj, abar , etc), o
santurio peji ,     Exu, Ogum, Oxumar, Oxssi, chegaram ao Brasil por
                        intermdio dos nags .

 NAMORO-DE-CABOCLO .  como se diz, do     namoro, da paixo em segredo
       que o homem sente sem ter coragem de se declarar. Namoro a
                   distncia, respeitoso, platnico.

NANAR .  o verbo que as crianas usam     quando querem dormir. E, para
 adormecer os filhos de colo as mes costumam entoar este     acalanto,
esta cantiga de ninar muito conhecida em Portugal e no Brasil: - "Nanai,
  meu menino,/ Nanai meu amor;/ A faca que corta/ D talho sem dor".

     NO-D-UM-CALDO . Diz-se de quem no      de nada, incapaz de
trabalhar, de resolver um problema, de sair de uma situao     difcil.


NO--FLOR-QUE-SE-CHEIRE . Diz-se de quem     no  boa pessoa, de quem
                          tem ms qualidades.

        NO-ESTAR-PARA-BIU . O mesmo que no     estar pra mim.

     NO-SABER-DA-MISSA-UM-TERO . Ignorar     toda a verdade sobre
                     determinado fato ou assunto.

NO-ME-TOQUE . 1.  um doce feito com     goma de tapioca, leite de coco
  e acar e que se desmancha na boca; 2.  como so     designadas as
pessoas cheias de melindres, de n-pelas-costas , de nove-horas,     de
                              fricotes .

   NO-VALER-O-QUE-O-GATO-ENTERRA . Diz-se de     quem no tem nenhum
                       valor, nenhuma qualidade.

NATAL . O Natal  uma festa universal.     Cada pas comemora o Natal 
 sua maneira. No Brasil, durante o Natal, temos autos     tradicionais,
 bailes, alimentos tpicos, reunies, bumba-meu-boi, boi, boi-calemba,
    cheganas, marujadas ou fandangos, pastoris, lapinhas, congadas,
reisados e     missa-do-galo, peru assado, castanhas confeitadas, etc.

  NAU-CATARINETA .  uma xcara (narrativa     popular em versos), de
      procedncia portuguesa, que conta a estria de um barco que
    atravessava o Atlntico em circunstncias trgicas. No Brasil, a
nau-catarineta ,     convergiu para o auto ( um gnero teatral que vem
   da Idade-Mdia, perodo histrico     que comea no sculo V at a
metade do sculo XV), do fandango onde aparece como a     jornada XVI.

  NAZAR . No ms de setembro tem lugar, na     cidade de Belm-PA, a
   festa de Nossa Senhora de Nazar que rene milhares de devotos de
todo o Brasil.  a festa mais popular do Par. Tem procisso, desfile de
  promessas,     conduzindo a imagem da santa que percorre as ruas da
  cidade, acompanhada do crio de     Nazar, uma vela grande de cera,
    debaixo de uma chuva de flores. A festa dura quatorze     dias.

     NEGO-BOM .  um doce popular nordestino     que se faz assim:
 Machucam-se vinte bananas-prata com um quilo de acar numa caarola,
 que  levada ao fogo brando, mexendo-se at soltar da vasilha, isto ,
num ponto bem apurado .     Bota-se o suco de dois limes, retira-se do
fogo e bate-se bem. Depois de bem batido,     pega-se a massa e fazem-se
      bolinhas que so enroladas em pedaos de papel e vendidas em
tabuleiros nas feiras ou nas pequenas mercearias dos bairros da cidade.

  NEGRINHO-DO-PASTOREIO . O negrinho era     escravo de um estancieiro
      (fazendeiro) rico, mau e perverso. Quando o negrinho estava
 pastorando os cavalos do patro alguns deles se perderam, motivo pelo
  qual foi surrado     barbaramente, atirado dentro de um formigueiro,
   onde faleceu. Dizem que ele aparece     montado num cavalo baio, 
  frente de uma tropilha que ningum v mas o tropel de     cavalos 
 ouvido. O negrinho-do-pastoreio  afilhado de Nossa Senhora, a quem as
  pessoas fazem promessas para encontrar as coisas perdidas. A lenda 
muito conhecida do     Rio Grande do Sul at as fronteiras do Estado de
                              So Paulo.

   NEGRO. O mundo s tomou conhecimento da     existncia da frica a
 partir do sculo X, afirma Dela Fosse. E o Imprio de Ghana foi     a
 porta que se abriu aos olhos curiosos dos europeus aventureiros. Mas,
  somente a partir     do sculo XV  que a mobilidade dos portugueses
comeou a explorar o litoral africano,     "situao que perdurou at os
   meados do sculo XIX", na opinio de     Kretschmer.  Nunca foram
 cientficos nem somente polticos os motivos que     entusiasmaram os
  navegantes portugueses na explorao da costa africana. Claro que as
  expedies, em sua maioria, eram custeadas pelos cofres da Coroa que
 tinha tambm     interesse em tomar posse das terras descobertas para
 faz-las colnias. Com exceo     das misses religiosas a servio da
 catequese, a motivao responsvel, a motivao     responsvel pelas
 incurses no mundo africano foi um misto de colonialismo oficial e de
 comercializao particular, visando o aumento da rea de dominao e o
  enriquecimento     do tesouro real e de particulares, com a venda de
especiarias e demais produtos do     continente.  E o escravo, durante
      mais de trs sculos, foi a mercadoria mais     procurada e,
  conseqentemente, de maior valor e que mais lucros proporcionou aos
mercadores de negros.  Do sculo XVI at 1830, a escravido humana foi,
at     agora, o perodo mais negro da histria desta nao.  Capturado
como se fosse um     animal qualquer, atravessando o Atlntico no poro
infecto dos navios, misturados com     ratos e dejees, sem luz e quase
 sem ar, mal alimentado, o negro africano chegou ao     Brasil contando
 apenas a seu favor com a igualdade de condies climticas contra toda
 uma enorme srie de adversidades entre as quais se avultava a completa
negao de sua     condio de ser humano. O escravo no era considerado
  gente, pessoa; era apenas uma     pea, como se dizia, na poca. Do
 sculo XVI at 1830, 4.830.000 escravos africanos      entre congos,
cambindas, angolas, angicos, e macuas  chegaram ao     Brasil, perodo
  em que, mais do que o ndio e do que o branco, ajudaram este pas a
 crescer.  A participao do negro na vida brasileira  imensurvel. A
 fora de     seus braos nos deu a cana-de-acar, o cacau, o caf, o
  milho, o algodo, os     minrios, o feijo. Todos os acontecimentos
  histricos contam com a participao do     negro: da marcha para o
      Oeste  invaso holandesa, da guerra do Paraguay  II Guerra
   Mundial, Cruzando com o portugus, ele nos deu a mulata de dentes
 claros, faceira,     sensual, de corpo bem feito, andar bamboleante e
  olhos de amor. Deu-nos, tambm, a morena     jambo que, com o mesmo
     dengo e faceirice, constituem os mais representativos tipos de
   beleza tropical brasileira. Na msica, o samba descido dos morros
 cariocas e o maracatu     pernambucano nos falam de sua tristeza e das
 dores de amor, constituindo, assim, o que se     pode chamar de msica
      brasileira. A prpria lngua portuguesa falada no Brasil foi
   enriquecida com a contribuio do negro: acaraj e angu, bang e
batuque,     cachaa e cafun, dengoso e dunga, engabelar e Exu, fub e
    fulo, guandu e gamb, iai     e inhame, jerebita e jil, lundu,
   mandinga e maracatu, Oxum e Orix, papagaio e patu,     quiabo e
quitute, samba e senzala, tanga e tuta, vatap, xang, zabumba, zebra e
 mais 368 vocbulos que Renato Mendona estudou, foram palavras, muitas
 delas gostosas,     trazidas pelo negro escravo.  Que dizer da enorme
 contribuio do negro      culinria brasileira do Nordeste? Inmeros
 so os pratos encontrados na rea de sua     maior freqncia: abar e
 acaraj, bamb e bob, caruru e cux, dend, ef,     fufu, humulucu,
  ipet, lel, mungunz e muqueca, olubo, quibbe, quizibiu, sabongo,
uado, vatap, xinxin e uma poro de outras comidas gostosas, estudadas
    por Lus     da Cmara Cascudo. At na prpria religio catlica
 professada no Nordeste o negro     tem dado uma colaborao especial.
    Nas artes, nas cincias e nas letras vamos encontrar     negros
enriquecendo e abrindo novos horizontes s suas atividades.  O folclore
brasileiro tem seu lastro maior na herana do portugus colonizador. Os
 ndios, por sua     vez, mais filsofos do que os negros, sempre foram
  batuqueiros, e nos legaram muitas     lendas explicando a origem das
  coisas terrenas e sobrenaturais, feitiarias e pratos     ligados 
mandioca. Depois da contribuio portuguesa, a participao do negro no
     folclore brasileiro  a mais importante, quantitativa e, mesmo
  qualitativamente.     Contribuio mais musical do que oral. E muito
mais rtmica. O coco, o samba, o     maracatu, a capoeira, o bate-coxa,
   a batucada, o batucaj, o bumba-meu-boi, o     esquenta-mulher, o
 caiaps, o carimb, as supersties, os tabus, os fetiches, so     do
negro.  Quando Deus acabou de fazer o mundo, ficou muito cansado. Ficou
 muito cansado mas ficou tambm muito contente. Os pssaros, as flores,
as rvores, o     mar, as borboletas, a brisa, o pr-do-sol, tudo ficou
   muito bonito. Mas, quem  que ia     admirar as belezas do mundo?
  Precisava de algum para ouvir os pssaros, sentir o cheiro     das
   flores, ver o vo colorido das borboletas, sentir a brisa, viver o
 pr-do-sol.     Pensou, pensou, pensou e, com um pouco de barro, fez o
homem. Achando que o homem estava     muito s, fez, depois, a mulher. E
assim foi se fazendo o povo. S que tinha uma coisa:     todos os homens
 e mulheres eram pretos, da cor do barro, que era de massap. Como no
 gostassem de ser pretos, foram todos falar com Deus para que ele desse
um jeito. Nosso     Senhor ouviu a reclamao e mandou que todos fossem
  se lavar num poo. Os que     encontraram a gua limpa lavaram-se e
  ficaram brancos. Os que vieram depois j     encontraram a gua meio
 toldada, e, quando tomaram banho, ficaram mulatos. Os que     chegaram
   por ltimo, j encontraram pouca gua e, assim mesmo, escura, e s
  fizeram     lavar as palmas das mos e as solas dos ps que ficaram
quase brancos. Assim, os homens     so brancos, mulatos e pretos desde
o comeo do mundo.  a estria que o povo conta,     explicando por que
     os homens tm cores diferentes.  Apesar de sermos um povo sem
preconceito racial, qualidade que herdamos do portugus colonizador que
se misturou com o     escravo africano e os ndios, o que no aconteceu
com o ingls na frica, onde viveu     at hoje isolado dos nativos  o
  negro, muito poucas vezes, sofre     restries sociais da parte de
alguns brancos. De alguns brancos que nem so brancos de     todo,  bom
  que se diga. H, entretanto, uma rivalidade entre negros e brancos,
principalmente entre brancas e mulatas quando se trata de conquistar os
homens. E essa     briga vem de muito longe, desde os tempos coloniais,
quando os senhores de engenho com     ainda bom sangue lusitano correndo
 nas veias, amavam doces escravas, misturando seus     gemidos aos dos
   canaviais aoitados pelo vento. E esse problema sexual envolvendo
senhores do engenho preferindo ebrneas mucamas em detrimento de plidas
    sinhs j foi     magistralmente estudado por Gilberto Freyre em
Casa-Grande & Senzala.      Mas, os brancos portugueses gostavam tanto
   do negro, de suas comidas, de seus     batuques, de suas crendices
 religiosas, que incluram no seu vocabulrio muitas palavras     ainda
 hoje correntes e vestiram sua linguagem com muito carinho e com muito
 dengo quando     usaram a palavra negro na sua corrutela mais popular,
  nego. Minha nega,     neguinha significam amor e carinho na boca dos
brancos e at mesmo dos prprios     pretos quando dialogam com a mulher
   amada. Informa Lus da Cmara Cascudo que Dom Pedro     I, quando
  escrevia suas cartas e seus bilhetes  Marquesa de Santos, terminava
                sempre     assim: "Seu negrinho Pedro".

  NEGRO-E-ONA .  voz corrente, no     interior, que a ona prefere a
 carne do negro  carne dos homens brancos, mulatos e     morenos. Da
                dizer-se que "Negro  comida de ona".

   NEGRO-PRETO . Como se chama o negro     retinto, da cor de bano,
             luzidio, mais preto do que os negros comuns.

 NELSON DE ARAJO nasceu no dia 4 de     setembro de 1926, na cidade de
   Capela, SE. Fez o curso mdio no Colgio Salesiano de     Aracaju.
    Passando a residir em Salvador, militou durante longos anos como
     jornalista,     revisor, tradutor, fotgrafo documentarista e
 laboratorista, reprter, articulista e factotum da Livraria Progresso.
Em 1957 publicou seu primeiro livro Um acidente na estrada e     outras
histrias, com o qual ganhou o Prmio Gerhard Meyer. Em 1959 veio a lume
A     companhia das ndias (teatro). Em 1960 foi convidado para ensinar
     Histria do Teatro     na Universidade Federal da Bahia. Como
teatrlogo, tambm escreveu vrias peas, entre     as quais Rosarosal,
  rosalrosa, Auto do tempo e da f, Cinco autos do Recncavo, e     os
 trabalhos Alguns aspectos do teatro no Brasil nos sculos XVIII e XIX,
   Histria do     Teatro, Duas formas de teatro popular do Recncavo
  baiano, O baile pastoril da Bahia, La     percepcion de la realidad
 africana en el Brasil (publicado na Argentina e em     Portugal), Trs
 novelas do povo baiano, Folclore e poltica. Em 1982, recebeu o Trofu
Martim Gonalves, como prmio pelo conjunto de suas obras sobre teatro e
 em 1985, o     ttulo de Cidado da Cidade de Salvador, Concedido pela
   Cmara Municipal de     Salvador. Autor de outras peas de teatro,
 muitas das quais tendo o popular como tema, e     de ensaios e artigos
   sobre o folclore do Recncavo, Nelson de Arajo tambm se destacou
como fotgrafo (meno honrosa com a foto Carroussel, no II Salo Baiano
 de     Fotografia, 1969) e produtor de audio-visuais. Faleceu no dia 7
                  de abril de 1993, em     Salvador.

        NEM-COM-ACAR . De modo nenhum, por     nenhum motivo.

           NEM-QUE-CHOVA-CANIVETE . Veja     NEM-COM-ACAR.

  NINA RODRIGUES nasceu no dia 4 de     dezembro de 1862, na cidade de
Vargem Grande, MA. Fez o secundrio no Seminrio de N. S.     das Mercs
   e no Colgio So Paulo. Comeou a estudar medicina na Faculdade de
Medicina     da Bahia e concluiu o curso na Faculdade de Medicina do Rio
   de Janeiro. Regressou ao     Maranho, onde pouco demorou, fixando
    residncia em Salvador, ingressando no magistrio     superior e
 dedicando-se s pesquisas de sua rea de ao. Foi membro da Academia
    Maranhense de Letras. Publicou Os mestios brasileiros (1890), O
  problema negro     na Amrica do Sul (1932), Os africanos no Brasil
  (1932), alm de inmeros     ensaios, estudos e artigos em revistas
   especializadas. Faleceu em Paris, no dia 17 de     julho de 1906.

NINAR .  botar o menino para dormir,     acalentando, entoando cantigas
                       de ninar. Veja ACALANTO.

  N . Os feiticeiros e catimbozeiros do ns nos fios de algodo que
     simbolizam a vida humana. E os ns que     os catimbozeiros e
 feiticeiros do atrasam os negcios, botam as pessoas     para trs.

 NOITE . A noite tem muitos     mistrios. Durante a noite no se deve
   pronunciar nomes malditos nem praguejar     porque o Diabo ouve. 
durante a noite que os fantasmas e as almas do outro mundo     aparecem.
Gemidos so ouvidos, gritos, animais horrveis, assombraes que nascem
 das     sombras. s altas horas da noite e pela madrugada acontecem os
                         assaltos, os roubos.

  NOITEIRO . No ms de maio cada     noite uma pessoa se encarrega de
enfeitar a igreja com flores e velas, foguetes-do-ar ,     pagar a banda
   de msica, etc. Essa pessoa  o noiteiro, que deseja que sua noite
   seja a mais bonita de todas as noites da novena do ms de maio .

 NOMES . Os meninos quando nasciam,     antigamente, recebiam o nome do
santo do dia, o nome do av, ou do pai. As mes faziam     promessas na
 hora do parto, para que tudo corresse bem. Depois, os pais passaram a
registrar os filhos com o nome de homens ilustres, de pedras preciosas,
  de pases.     Atualmente, muitos recm-nascidos so registrados com
 nomes de personagens de novela, de     filmes. H, tambm, os pais que
 registram os filhos com nomes enormes, extravagantes,     como no caso
   do menino que foi batizado como Tchaikovsky Johannsen Adler Pryce
 Jachmanfaier Ludwin Zollman Hunter Lins, nome que no vai caber em sua
carteira de     identidade, no seu ttulo de eleitor e que o menino, na
 escola, vai levar muito tempo     para aprender a escrever. O nome das
pessoas  muito importante; a pessoa tem que     carreg-lo durante toda
                                a vida.

  NOVA-SEITA .  o nome que se dava aos     protestantes, evanglicos,
batistas, presbiterianos e outros adeptos de seitas diversas,     quando
                   comearam a aparecer no Nordeste.

*   OB . Orix nag da macumba carioca. Ob  a mulher     de Agod.

         OBATAL .  o maior dos orixs iorubanos. Veja ORIX.

                OBG . Abreviatura popular de obrigado.

  OBRA-DE-SANTA-INGRCIA . Diz-se quando um     trabalho nunca acaba,
                          nunca chega ao fim.

OBRIGAO . Obrigao,  a mulher, os     filhos, as pessoas da famlia,
para as quais o pai tem que alimentar, vestir, educar,     medicar, etc.


     O-CO-CHUPANDO-MANGA . Na linguagem que o     povo usa, no seu
dia-a-dia, a expresso o-co-chupando-manga  usada quando a     pessoa
      boa,  bamba em determinado assunto (em informtica, Jos 
    o-co-chupando-manga ),     valente, determinado, inteligente.

OJ .  um fetiche (objeto animado     - com movimentos, ou inanimado -
    sem movimentos prprios, feito pelo homem ou produzido     pela
 natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto, se
venera) do candombl ,     que consta de uma faixa ornada de conchas do
                             mar e contas.

                       OLHADO . Veja MAU-OLHADO.

OLHAR-DE-CABRA-MORTA ou DE-PEIXE-MORTO .     Diz-se das pessoas que tm
o olhar inexpressivo, perdido no espao, no mundo do sonho,     fora da
                              realidade.

     OLHAR-PARA-TRS . O ato de olhar-para-trs  uma das tradies
   religiosas mantidas no populrio brasileiro. Quem olha para trs,
 viajando s, principalmente  noite, fica assombrado e com medo. Dizem
os caadores que     a ona mata a pessoa que, ao caminhar na mata, olha
para trs. Os noivos, quando vo     saindo da igreja, acompanhados dos
padrinhos e convidados no devem olhar para trs. A     Bblia diz que a
 mulher de L, porque olhou para trs, foi transformada em uma esttua
  de sal. Quando se atira o primeiro dente de leite no telhado, no se
deve olhar para     trs. Quando uma moa passa por um rapaz e olha para
         trs, para ele, diz-se que est quebrando-o-catol .

     OLHO-DE-SECA-PIMENTA . Diz-se de quem tem o     poder de botar
  mau-olhado nas pessoas, nos animais, nas coisas. As pessoas adoecem,
                os animais morrem, as plantas murcham.

 OLHO-GRANDE . Olho que irradia malefcio,     ruindade, infelicidade,
 tudo de ruim que possa acontecer a uma pessoa. H pessoas que     tm
 esse poder que faz com que os casamentos se desfaam, os negcios no
      dem certo,     etc. Quem tem olho-grande tem mau-olhado .

OLHOS . Que os olhos sejam as     janelas da alma, ningum tenha a menor
dvida porque  olhando bem os olhos de     uma pessoa que podemos saber
   se ela  boa ou m, romntica ou sensual, pura ou     pecaminosa,
 sincera ou falsa.  que os olhos sempre deixam transparecer o mundo de
 sentimentos, defeitos e qualidades que moram dentro de cada um de ns.
 Quando estamos     preocupados ou angustiados, falando uma verdade ou
dizendo uma mentira, quando somos     dominados por uma emoo qualquer,
os nossos olhos so capazes de revelar tudo     quanto sentimos com uma
  exatido que a cincia ainda no conseguiu explicar. At mesmo     a
prpria cor dos olhos pode qualificar as pessoas. Dizem que os ciumentos
    tm olhos azuis. As pessoas sinceras, leais, costumam ter olhos
castanhos. Tm olhos verdes     as pessoas capazes de enganar, assegura
  a sabedoria popular atravs de um antigo e muito     conhecido fado
portugus. Os olhos pretos so misteriosos, difceis; guardam     muito,
escondem a alma de seus donos. E o que dizer, ento, da fora que certas
 pessoas     tm nos olhos, fora capaz de fenecer as flores, adoecer a
sade, entristecer a     alegria e at mesmo de matar pessoas, animais e
  plantas? So pessoas que tm mau-olhado e, atravs de seus olhos de
 seca-pimenta, olhos maus, invejosos, podem     at mesmo fazer o mal,
  espalhando tristeza, gerando preocupaes de toda natureza. Os olhos
tambm participam da linguagem popular. Tanto  assim que botar no olho
  da rua      mandar algum embora, expulsar. Ir de olhos fechados, 
conhecer bem o caminho     sem precisar de guia. Com um olho no padre e
 outro na missa  prestar ateno a     tudo, sem perder nenhum detalhe
  do que est sendo observado. Ter olhos de cabra morta diz-se     das
 pessoas de olhar lnguido, triste, sem expresso. Ter sangue no olho 
qualidade de quem  valente, esperto, de quem no tem medo de nada. Com
    o olho no     caminho fica quem est esperando algum com certa
ansiedade. Ter os olhos maiores     do que a barriga  a qualificao do
guloso, cuja vontade de comer  maior do que     o tamanho da fome. Ter
  o olho grande exprime o desejo incontrolvel de certas     pessoas.
 Estar de olho,  estar atenciosamente observando algo. Dever os olhos
da cara  a situao de quem est devendo muito, devendo at os cabelos
 da     cabea. Num abrir e fechar de olhos, o que  feito com a maior
     rapidez possvel. Botar areia nos olhos,  ato de quem usa de
subterfgio para esconder a verdade. Custar     os olhos da cara, diz-se
de tudo que est muito caro, caro demais. Ter olhos de     peixe morto 
  qualidade de quem tem o olhar parado, perdido na distncia, como se
 no tivesse vida. Olhos pides so olhos de quem suplica, de quem pede
  sem usar palavras, sem falar. Olhos de pitomba so os olhos pulados,
salientes. Ter ou Estar de olho vivo, significa perspiccia de seu dono.
  Pinicar     o olho,  piscar o olho, dar um sinal, namorar  antiga.
 Quando se faz alguma coisa     em pouco espao de tempo, o que se fez
  foi feito enquanto o Diabo esfregou um olho.     Arriscar um olho, 
aventurar pra ver se algo d certo. Abrir os olhos, alm     de ser uma
advertncia  tambm nascer para a vida, para o mundo. Fechar os olhos 
            morrer para o mundo e nascer para a Eternidade.

 OMAL . O conjunto de alimentos votivos     destinados ao orix . Cada
orix tem seu omal . O omal de     Ibeji  composto de caruru, aca,
             acaraj, abar e farofa de azeite-de-dend .

 O-MAR-NO-EST-PARA-PEIXE . Expresso     usada para se dizer que nada
est bom, que as coisas no andam boas, que no  o     momento oportuno
                     para as coisas serem feitas.

    ONA . 1. Nome que o povo d s vrias     espcies do mamfero
   carnvoro do gnero felino, entre as quais a ona pintada ,     a
    suuarana , a preta . 2. A ona participa bastante da linguagem
popular: a) No tempo da ona - tempo muito antigo; b) Espcie de jogo em
  tabuleiro como o de damas, representando as pedras a ona e um certo
nmero de cachorros ,     ganhando a partida quem conseguir encurralar a
  ona na furna formada por um     tringulo com a base para cima; c)
    Andar-na-ona , diz-se de quem est sem     dinheiro, liso ; d)
 Comer-a-ona  comer devagar, aos pouquinhos; e)     Amigo-da-ona  o
                amigo falso, importuno, inconveniente.

  ONDE-O-DIABO-PERDEU-A-BOTA . Lugar ermo,     distante, desconhecido.
Igual  expresso nos-cafunds-de-judas,     onde-o-vento-faz-a-curva .

ONDE-O-VENTO-FAZ-A-CURVA . O mesmo que     ONDE-O-DIABO-PERDEU-A-BOTA.

ONOFRE, Santo .  um santo muito popular     no Brasil. O povo acredita
    que Santo Onofre guarda a despensa, o guarda-comida e     todo e
 qualquer lugar que tenha alimento. , assim, o padroeiro da fartura.

      OS-PS-DA-BESTA . Diz-se da pessoa danada,     inteligente,
            o-co-chupando-manga , que faz tudo bem feito.

O-QUE--BOM-PRA-TOSSE . Revidar; dar um     corretivo; tomar uma medida
 em represlia a uma afronta sofrida,  mostrar o-que--bom-pra-tosse.

ORAO . Orar  conversar com Deus e os     santos, pedindo-lhes sade,
emprego, chuva, etc. A orao-forte ( amuleto ou     talism ), guardada
num saquinho, lida ou rezada todas as noites antes de dormir, tem     o
   poder de proteger a pessoa que a conduz contra as doenas, os maus
 negcios, tudo de     ruim que possa acontecer na vida de uma pessoa.

 ORELHA . Era costume dos guerreiros antigos     cortar as orelhas dos
 inimigos abatidos em combate e presente-las ao seu chefe,     ao seu
rei, como prova de coragem e de habilidade na arte de guerrear. No alto
   Serto     brasileiro, costumava-se cortar as orelhas dos ladres,
costume que esteve em uso     at a primeira dcada do sculo XX. Ainda
  hoje muitos pais puxam as orelhas de     seus filhos, como castigo,
 quando fazem coisas erradas. Puxar as orelha s de algum     era fazer
com que as pessoas se lembrassem das coisas, de vez que as orelhas eram
  consagradas  deusa Memria, da mitologia greco-romana. E quando na
 pessoa a orelha direita arder  porque esto falando de bem do dono da
 orelha ; mas, se a orelha que estiver ardendo for a esquerda,  porque
  esto falando de mal. Estar a pessoa de     orelha em p , diz-se da
            pessoa que est atenta, vigilante, desconfiada.
 Torcer-a-orelha-e-no-sair-sangue diz-se da pessoa arrependida do que
                                 fez.

RIO . No rito jeje-nag  o     sacrifcio de animais para que se possa
                   conseguir a benevolncia divina.

ORIX . Simbolizando as foras naturais,     os orixs so divindades da
religio iorubana. Os orixs moram nas     costas africanas e, atrados
pelos cntico e ritmo dos tambores em sua honra, eles se     encarnam e
  se apossam de seus mdiuns, cavalos , intrpretes, tomando o aspecto
                         que tiveram na terra.

  OVELHA-NEGRA . D-se o nome de ovelha-negra ao filho de uma famlia
 diferente dos demais, e que  mau-carter, enganador, jogador,     sem
 palavra, mentiroso e que possui todas as ms qualidades que uma pessoa
                              possa ter.

OVO . As crendices e supersties tendo o ovo como motivo esto ligadas
   fecundidade. Para se botar uma galinha para     chocar seus ovos 
 prefervel faz-lo com a Lua em quarto crescente. Para que os ovos no
  gorem  bom fazer uma cruz com tinta de escrever em cada um e depois
coloc-los no ninho, dizendo: - "Nas horas de Deus,/ Por So Salvador,/
Nasam     todos fmeas/ E um s galador ". Depois de nascerem os pintos
 bom queimar     as cascas dos ovos .  bom colocar as cascas dos ovos
 na extremidade das     varas das cercas, para combater o mau-olhado .
Quando muita gente enche um teatro,     um campo de futebol, o povo diz:
   "Est cheio que s um ovo !" Entre os     bons bebedores, corre a
seguinte expresso: - "Todo mundo bebe. Menos o sino, que     tem a boca
               para baixo e o ovo , que j est cheio".

   OVOS-DE-PSCOA . Nas grandes cidades do     Sul, a partir de 1920,
  comearam a aparecer, vindos de Paris, os ovos-de-pscoa .     Eles
foram popularizando-se como um hbito de gente rica. Os ovos- de -pscoa
tiveram a seguinte origem: No sculo XIII, os estudantes da Universidade
de Paris iam     cantar laudes na porta da catedral e, depois, coletavam
   presentes de ovos que eram     distribudos aos amigos, vizinhos e
parentes, depois de tingidos de azul e vermelho.     Durante a Pscoa as
 crianas ficam com a incumbncia de procurar ovos-de-pscoa feitos de
chocolate, escondidos nos mais diferentes lugares da casa.  um costume
                               recente.

   OXAL . Entidade andrgina, Oxal  o maior dos orixs e de maior
tradio religiosa na Bahia. Oxal, de     carter bissexual, simboliza
                  as energias produtivas da natureza.

    OXENTE . Interjeio designativa de     admirao, de desdm, de
  desprezo: - " Oxente , no est vendo que o que     voc quer  uma
coisa impossvel?" Deve ser corrutela (forma popular) de      gente !

OXSSI .  o orix da caa e dos     caadores, e tem, na quinta-feira,
 o seu dia. O fetiche que representa Oxssi, no peji,  um arco com uma
  flecha, uma frigideira de barro e uma pedra. Suas     insgnias so:
 rabo de boi, polvarinho e o capanga de Oxssi , reunio das     coisas
usadas por um caador, como espingarda, bucha , vareta, bornal, etc. As
    filhas de Oxssi tm as vestimentas de cor verde e amarelo, usam
pulseiras de     bronze e colares de contas verde-branco nos candombls
    bantos e azul-claro nos nags. Os animais votivos so o galo e o
       carneiro. Seu alimento  o achoch , feito de     milho.

 OXUM . Oxum  o orix das     fontes, dos rios, deusa do rio Oxum , na
  frica, gide das guas doces, enquanto     que Iemanj  das guas
salgadas e Ananburucu , Nanburucu ou Nan  orix da chuva. Oxum  filha
  de Iemanj , casada com seu     irmo Xang. Seu fetiche  uma pedra
  marinha ou um seixo polido. Sua     insgnia  um leque de lato (o
 abad) , tendo uma estrela branca no centro ou     uma sereia. O Omal
          de Oxum  a tainha, a cobra, a galinha e o feijo.

*  PACIC. A tartaruga  considerada como o boi-do-Amazonas. De     sua
  carne e de seus ovos a culinria amazonense faz gostosssimos pratos
como o pacic, feito com os midos da tartaruga, temperados e cozinhados
                           no prprio casco.

 PAOCA ou POOCA.  um prato que se faz     com carne-seca, farinha de
                     mandioca ou milho e rapadura.

   PAOQUINHA. Doce feito de amendoim     inteiro e mel de rapadura.

                         PACUM. Veja PUCUM.

 PAD-DE-EXU.  a oferta de alimentos     feita ao orix Exu, no comeo
de qualquer cerimnia do candombl afro-brasileiro     na Bahia, porque
   preciso entret-lo com pipocas e farinha de azeite-de-dend, para
                      ele no atrapalhar a festa.

 PADRE CCERO. O padre Ccero Romo     Batista  o Padim Cio  nasceu
    no dia 24 de maro de 1844, na cidade     do Crato, CE. Ordenado
   sacerdote em 1870, o Padre Ccero foi morar no arraial do Juazeiro
(1872), que contava com apenas cinco casas de telhas, trinta casebres e
a capelinha de     Nossa Senhora da Conceio. Mas, em 1911, Juazeiro j
 era vila e, em 1914, uma cidade     com mais de trinta mil habitantes.
 Em 1897, o Padre Ccero foi suspenso das ordens     religiosas mas no
      perdeu seu prestgio, de vez que era muito querido por seus
     paroquianos, razo pela qual foi deputado federal e at mesmo
   vice-presidente do Cear.     Foi tema de muitos folhetos de feira
 contando suas virtudes, seus milagres. Mesmo     depois de falecer, em
   20 de julho de 1934, seu prestgio vem aumentando cada vez mais. E
    tanto  assim que so inmeras as romarias  cidade de Juazeiro.
 Milhares de     caminhes cheios de romeiros vo pagar suas promessas,
ver a casa onde morou, o quarto     onde morreu e visitar seu tmulo que
 recebe muitas flores e muitas velas. A areia de seu     tmulo  usada
 como remdio e amuleto. Em 1924 foi inaugurada a esttua de bronze do
 Padre Ccero, da autoria de Laurindo Ramos, que  objeto da venerao
dos romeiros.     Medalhas de ouro, de prata e de alumnio so vendidas
  aos milhares. O Padre Ccero      um santo "canonizado" pelo povo.

  PAGO.  a criana que no foi     batizada. Diz o povo que o pago
  protege as casas contra os raios, faz parar a     chuva. Se o pago
morrer, s pode ser enterrado junto  porteira dos currais,     porque o
gado  abenoado por haver assistido ao nascimento de Nosso Senhor, ou,
 nas encruzilhadas, por causa de sua forma geomtrica, isto , em forma
 de cruz. Sete     anos depois de enterrado, o pago chora no fundo da
    cova e seus ossos servem de     amuleto, fazendo crescer os bens
                              materiais.

PAGAR-O-MIJO. No dia do batizado, o     padrinho paga a bebida consumida
       em homenagem ao afilhado.  o que se chama pagar-o-mijo.

 PAGAR ou PAGAR. No Rio Grande do Sul e     em So Pauilo o pagar 
             uma dana popular que faz parte do fandango.

 PAGODE. 1. Brincadeira: - "Eu falo     srio. No sou homem de pagode.
         2. Reunio de msicos tocando para o povo     danar.

                      PAI-DE-FOGO. Veja ISQUEIRO.

                      PAI DE SANTO. Veja BABALA.

  PAI-DO-MATO. O folclore alagoano registra     o pai-do-mato como um
      bicho muito grande, maior do que os paus da mata, de cabelos
enormes, com unhas de dez metros. O urro dele estronda em toda a mata e
 sua risada,      noite,  ouvida longe. Bala e faca no conseguem nem
feri-los. Ele s morre se a bala     ou a facada acertarem numa roda que
  ele tem no umbigo. Quando os filhos esto com os     cabelos grandes
    demais, as mes de famlia costumam reclamar: - "Voc quer virar
                         pai-do-mato, menino?

      PAJ. O paj  tudo na sua     tribo:  o padre, o mdico, o
conselheiro, o feiticeiro. O paj no pode ser     qualquer elemento da
   tribo:  preciso ser forte de corao e ter mais de cinco flegos
 para poder curar as doenas. O paj que tem de sete flegos para cima,
   l o     futuro, cura  distncia, fica invisvel e  capaz de se
transportar de um lugar para     outro de acordo com sua vontade. Hoje o
  paj desapareceu; existe, apenas, o curandeiro cujos poderes so bem
                               menores.

    PAJELANA.  a ao do feiticeiro das     tribos amaznicas.  a
     cerimnia do paj para conseguir as frmulas     teraputicas
    tradicionais por intermdio dos espritos encantados de homens e
   animais. Conjunto de regras e de atos do feiticeiro aconselhando,
     ditando regras de vida,     vendendo remdios, amuletos, etc.

PALITO. O povo chama palito no     somente o que  destinado  limpeza
     dos dentes, aps as refeies, como tambm ao de     fsforo.
Antigamente, o palito de fsforo era feito de madeira ou de cera. Mas o
  povo nunca aceitou o palito de cera, certo de que o mesmo dava azar,
talvez por ter     seu cheiro alguma semelhana com o das velas, usadas
                       nas cerimnias fnebres.

PALMATRIA. A palmatria era um     pedao de madeira, arredondada e de
 pequeno tamanho, usada nas escolas, antigamente, para     castigar os
 alunos mal comportados ou que no sabiam as lies. Os escravos tambm
 sofreram a ao da palmatria, quando eram castigados, e os criminosos
para     descobrirem seus crimes. Afirmam os estudiosos que sua origem 
  muito remota, desde os     tempos da antiga Roma, como excitador da
   memria infantil. Salvo raras excees seu     uso, hoje,  quase
                                nenhum.

 PALMO-DE-GATO. Popular no Nordeste,     o palmo-de-gato  a distncia
 entre o polegar e a extremidade do indicador     estendido. Significa,
                 tambm, pouca coisa, pouca distncia.

   PAMONHA. 1. No Nordeste, a pamonha      uma das comidas de milho
 tpicas do ciclo junino. Feita de milho verde ralado, com leite     de
coco e acar,  cozida e depois embrulhada, na prpria palha do milho;
2. Diz-se,     tambm, que pamonha  a pessoa preguiosa, o moleiro; 3.
Tambm , em outras     regies, um bolo de fub, de milho ou de arroz,
cozido com gua e sal, at ficar     gelatinoso sendo envolto em folhas
verdes de bananeira. Depois de frio,  dissolvido em     gua e acar,
       recebendo, ento, o nome de garapa-de-pamonha, alimentao
         refrigerante e aconselhada s mulheres que amamentam.

PANDEIRO. O pandeiro, trazido pelos     portugueses,  um instrumento de
      percusso destinado a marcar o compasso, muito usado     nas
 escolas-de-samba e orquestras regionais. H dois tipos de pandeiro: a)
os que     no tm pele, somente guizos; b) os que tm pele e guizos ao
mesmo tempo e que so os     mais usados entre ns. O cantador Incio da
 Catingueira, nas suas cantorias, era um dos     poucos cantadores que
                           usavam pandeiro.

PANELADA.  uma comida preparada com os     intestinos, os ps e alguns
   midos do boi, com toucinho, linguia ou chourio,     devidamente
 temperada.  servida no almoo, com piro escaldado feito do caldo da
                    panelada e farinha-de-mandioca.

    PANQUECA. 1. So dois os tipos de panqueca: a) a panqueca doce,
sobremesa feita como uma fritada de ovos batidos, frita na     manteiga
 de ambos os lados e cobertas com acar e canela; 2. A panqueca  uma
   espcie de fritada de ovos, bem fina, e que embrulha carne moda,
        servida no almoo ou     jantar; 3. A expresso popular
estar-na-panqueca, diz-se da pessoa que est sem     cuidado, contente e
                          satisfeita da vida.

 PO. Muitas e variadas so as     supersties sobre o po e que foram
 trazidas pelo portugus colonizador.      bom, antes de ir ao forno,
  fazer uma cruz na massa para o po crescer, ficar fofo e     dourar.
 Antigamente cada famlia fazia seu prprio po. Com a industrializao
 do     po pelas padarias, tais supersties foram desaparecendo. Mas,
  depois do po comprado     nas panificadoras, outras crendices foram
surgindo: 1. No se deve jogar o po no lixo;     2. Quando o po cai de
 nossas mos, algum da famlia est em situao difcil,     passando
   necessidade que  tanto maior quanto maior for a distncia entre o
     pedao de     po e a pessoa de quem, por acaso, deixou cair.

      PO-DE-L ou PANDEL. O po-de-l sempre     foi o bolo dos
convalescentes, das mulheres que do--luz e das famlias enlutadas. Do
    po-de-l fazem-se as fatias-de-po-de-l, secas ao fogo e para
 acompanhar o ch ou o     caf.  um bolo inocente que nunca fez mal a
ningum e muito popular. No passado, era     um presente que se mandava
s famlias enlutadas, depois de coberto com um leno de     seda preta.
   Na linguagem do povo, a expresso pandel-de-toda-festa  a pessoa
  que aparece em toda parte, no perde uma festa, casamento, batizado,
                             velrio, etc.

    PO-POR-DEUS. O po-por-Deus      uma mensagem escrita em papel
colorido, filigranado, rendilhado, em forma de corao,     enviada aos
  parentes e amigos, nos meses de outubro e novembro, que ficam com a
 obrigao de enviar, pelo Natal, um presente ao remetente. Na maioria
            das vezes a     mensagem  em forma de quadras.

           PAPA-ARROZ. Como so chamados os     maranhenses.

 PAPA-FIGO. Diz-se que, no Recife, um homem     muito rico estava muito
 doente de lepra ou morfia. O remdio indicado era comer fgado     de
  criana. E seus empregados saam pelas ruas menos movimentadas para
    pegar criancinhas     que eram mortas com a finalidade de serem
 retirados seus fgados para o ricao comer.     Da o nome papa-figo,
como as mes falavam para que seus filhos pequenos ficassem     em casa
                                   .

 PAPAGAIO. O papagaio, tambm     conhecido como pipa ou pandorga,  um
  brinquedo feito com papel de seda,     esticado por meio de talas de
bambu, com rabo feito com tiras de pano fino, preso a uma     linha, que
  os meninos costumam empinar, principalmente em agosto, ms de muito
vento. A     variedade da forma geomtrica dos papagaios  muito grande.
Ora so redondos como os arraias, lembrando o peixe do mesmo nome. Ora,
tm a forma de avio, variando de acordo com a     inventiva de cada um.
  Colocando-se um caco de vidro ou gilete na ponta da cauda, travam-se
    verdadeiras batalhas que consistem em cortar a linha do papagaio
       adversrio. Outra     brincadeira de papagaio  chamada de
passar-telegrama, isto , colocar um pedao     de jornal com um furo no
     meio, por onde passa a linha; o pedao de jornal vai subindo,
 impulsionado pelo vento, levando o telegrama at o papagaio. Em 1752,
      Benjamin     Franklin usou o papagaio em suas experincias.

 PAPA-GOIABA.  o fluminense, nascido no     Estado do Rio de Janeiro.

       PAPA-JERIMUM.  o potiguar, o     rio-grandense-do-norte.

     PAPA-MAMO. Diz-se de quem nasce na     cidade de Olinda, PE.

 PAPANGU.  o folio que, durante o     carnaval, circula nas ruas das
 cidades brasileiras, vestindo fantasias improvisadas,     aproveitando
  roupas velhas de outras pessoas, usando mscaras ou pintando o rosto
para     no ser reconhecido. Pula, faz graa,  um verdadeiro palhao.
  As crianas,     participando das brincadeiras do papangu, gritam: -
"Papangu, papang !     Bolo de ang! Me d a farinha pra fazer beju"!

  PAPA-VENTO.  o nome que o sertanejo d     ao camaleo, que muda de
  cor, como certas pessoas mudam de idia ou de partido     poltico.
       Comer a carne do papa-vento  bom para as pessoas que tm
                    inflamaes e doenas da pele.

PAPO-DGUA.  uma ave do Sul que,     segundo a tradio popular, atrai
              a morte. Tambm  conhecida como covo-covo.

             PAPO FURADO. Conversa mole, sem     sentido.

PAQUETE. 1. Nome que se d      embarcao do Rio So Francisco, movida
 vela, destinada ao transporte de passageiros     e carga. Tambm  uma
   jangada grande, com duas velas, que navega com maior rapidez e que
       tem uma cobertura para melhor proteger os passageiros; 2.
  Estar-de-paquete  uma     expresso popular que se refere  mulher
                    quando se encontra menstruada.

    PARI. Termo usado na zona rural fluminense     para designar uma
   armadilha para pegar peixe nos rios.  feita de bambu e estacas de
madeira e colocada na cabeceira dos rios na poca da desova. Tem carter
                               predador.

 PARLENDA. A parlenda  uma maneira     de entreter, acalmar e divertir
  as crianas e at mesmo para escolher quem vai comear     o jogo ou
    nela tomar parte.  uma cantilena ou lengalenga como: "Amanh 
  Domingo,/ P de cachimbo;/ Galo monteiro/ Pisou na areia/ A areia 
   fina/ Que deu no     sino/ O sino  de prata/ Que deu na barata/ A
 barata  de ouro/ Que deu no besouro/ O     besouro  valente/ Que deu
          no tenente/ O tenente  mofino/ Que deu no menino".

                    PAROARA.  quem nasce no Par.

PARRAXAX.  um insulto dos cangaceiros     aos soldados de polcia, os
    macacos , seus inimigos figadais, apontando os     malfeitos das
   volantes (veja VOLANTE), seus crimes, suas covardias e enaltecendo
seus companheiros de bando: "Eu no respeito polia ,/ Soldado nunca foi
gente,/ Espero morrer de velho,/ Dando carreira em tenente!/ A moleque
       Higino,/ S     tenho para te d,/ A ponta do meu punh!"

     PARTIDO-ALTO.  um gnero musical que     tem suas origens no
samba-de-roda da Bahia e trazido pelos baianos para o Rio de     Janeiro
   depois da guerra de Canudos.  executado por um pequeno nmero de
  danarinos e     msicos. Faz-se uma roda, no centro da qual fica um
    danarino, homem ou mulher,     improvisando passos, enquanto um
   cantador faz verso ou cria melodias, no que      acompanhado por
reco-reco , pratos , faca e chocalho . Os     veteranos do samba gostam
                        muito de partido-alto.

PARTIR-O-BOLO-NO-CU. Merecer o prmio     da fidelidade conjugal. Dizem
  os sertanejos que no Dia do Juzo haver um grande bolo no     Cu e
          desse bolo somente os maridos fiis podero comer.

PARTO. O parto aglutina um nmero     enorme de tradies, herdadas dos
  portugueses: 1. A mulher grvida no deve colocar     nenhum objeto
sobre o seio porque o filho nasce com o objeto impresso no corpo. Se for
uma     chave o objeto colocado, a criana nascer com o lbio leporino;
2. Se a me olhar um     eclipse lunar, o filho nascer com uma meia-lua
no rosto ou em qualquer parte de seu     corpo; 3. A me no deve olhar
animais mortos, caveiras, porque refletiro sobre o     corpo do filho,
 fazendo-o feio, aleijado; 4. A me no deve atravessar riacho; 5. No
  pode ser madrinha de criana, porque ficar fraca; 6. Se pisar numa
 cobra, a cobra     morrer; 7. Se visitar uma pessoa mordida de cobra,
  essa pessoa morrer; 8. Se tiver um     susto, o marido deve lavar o
    rosto e dar a gua para a mulher beber; 9. No pode sofrer     a
  insatisfao do desejo, devendo comer o que tem vontade, sob pena de
  abortar; 10. No     comer fruta gmea para no ter filhos gmeos. A
 mulher grvida no deve olhar para     escama de peixe porque no ser
  feliz no resguardo. A mulher de boca grande pare logo.     Mulher de
 mos finas e pernas grossas tem parto difcil, o mesmo acontece com as
que     tm os quadris estreitos. Para que a mulher tenha o menino logo,
   bom pr ela     tomar um pouco de cabea-de-galo (bebida feita com
 pimenta-do-reino, sal, alho e     gua), soprar numa garrafa, vestir a
 ceroula do marido, pr o chapu do marido na     cabea. Mas para no
 ter filhos a mulher deve tocar com a mo direita em pedra     dara do
 altar, enterrar a placenta de boca para baixo, pr o nome do pai ou de
 So     Geraldo no ltimo filho, pegar no badalo de um sino de igreja
consagrado a So     Sebastio, engolir trs caroos de chumbo enquanto
             reza trs padre-nossos e trs     ave-marias.

 PASPALHO.  um prato da culinria     fluminense. Faz-se com aipim ou
    mandioca raspados ainda crus, depois do que so prensados     ou
  espremidos em pano de algodo. Temperado com erva-doce e sal, vai ao
 forno embrulhado     em folha de bananeira.  para ser consumido com o
 caf da manh ou da tarde e tambm      conhecido como po-da-roa.

 PASSAR-FOGUEIRA.  um ato da pessoa que,     com muita f, atravessa,
 descala, as brasas de uma fogueira numa noite de So Joo,     sem se
                               queimar.

  PASSARINHA. 1.  o nome que as pessoas     do ao bao. Na linguagem
popular quando uma pessoa est com medo de alguma coisa,     diz-se que
 est com a passarinha na mo ou com a passarinha tremendo; 2.     Nome
                 tambm dado ao rgo sexual feminino.

 PASSAR MANTEIGA EM FOCINHO DE GATO OU EM VENTA     DE CACHORRO. Perder
 tempo, ajudar a quem no merece, aconselhar a quem no quer     ouvir
                              conselhos.

  PASSAR-UM-RABO-DE-OLHO. Olhar rapidamente     sem que ningum veja;
                           olhar de soslaio.

PASSO. O passo  a coreografia (a     dana) do frevo , especialmente no
 Recife, onde teve origem. O passo nasceu     da capoeira . No Recife,
 logo quando o frevo nasceu, dominava a capoeira que sempre acompanhava
as bandas de msica, abrindo caminho. Para se danar o frevo ,     isto
, fazer o passo no  preciso obedecer a nenhuma regra. O passo depende
muito da criatividade de cada folio, de sua animao, de sua idade, de
   seu     peso. Mesmo assim, so conhecidos alguns tipos de passo :
 caindo-nas-molas,     carrossel, ch-de-barriguinha, ch-de-bundinha,
  dobradia, ferrolho, frango-assado,     tesoura, ponta-e-calcanhar,
  mulher-carregando-menino. O passo no obedece a nenhuma     regra.

 PASTORIL. O pastoril  o folguedo mais     popular do Natal. So duas
 espcies de pastoril: o pastoril religioso e o     pastoril profano. O
pastoril religioso , composto de um grupo de 12 mocinhas     ou meninas,
   dividido em dois cordes : o azul ou encarnado .     Dispostos em
  grupos de seis pastorinhas  direita e seis  esquerda do palco, e a
  Diana     - pastora que se veste metade de azul e a outra metade de
  encarnado - fica no meio. Sua     apresentao geralmente  feita em
casas de famlia, teatrinhos, auditrios de     colgios, nas praas, em
palanques armados, acompanhada de orquestra (instrumentos de     sopro e
de percusso). As pastorinhas cantam. J o pastoril profano perde toda a
  religiosidade que  substituda por anedotas picantes, contadas pelo
velho , e as     pastorinhas, com saias muito curtas, entoam canonetas
de duplo sentido, apelando sempre     para as coisas do sexo. No Recife,
 os pastoris profanos sempre foram animados por     velhos que marcaram
 poca: Futrica, Cebola, Faceta, Barroso e Xaveco foram os reis     do
                     pastoril profano, deformado.

                      PASTORINHAS. Veja PASTORIL.

  PATACA. A pataca era uma moeda de     prata da poca colonial e que
 valia 320 ris e que ainda circulou durante algum tempo     depois da
   nossa emancipao poltica. Ainda hoje, quando uma pessoa no tem
              qualidades, diz-se que no vale uma pataca.

PATA-CEGA. No municpio de So Pedro da     Aldeia, RJ,  o nome que se
    d  brincadeira conhecida em outras regies como cabra-cega .

 PATA-DE-COELHO. A pata-de-coelho      um amuleto de origem africana,
  trazido para o Brasil pelos americanos, em 1942.     Aqui, o amuleto
      ganhou terreno principalmente na Bahia onde se aliou aos j
        existentes como a figa e a medalha do Senhor do Bonfim.

PATU. O patu  um dos amuletos     mais antigos do mundo.  uma orao
contida num saquinho de pano ou de couro para se     trazer numa fita ou
        cordo de ouro ou prata ao pescoo. O mesmo que breve.

   PAU-DE-ARARA. 1. D-se o nome de pau-de-arara ao caminho que, com
bancos e toldo de lona, conduz retirantes ou romeiros que vo pagar suas
   promessas no Juazeiro, CE, ou em outros santurios religiosos; 2.
  Tambm  o nome dado aos prprios passageiros; 3.  o instrumento de
 tortura policial     que consiste em uma barra de ferro que atravessa
 entre os punhos amarrados e a dobra do     joelho, colocado entre duas
mesas, ficando o corpo do torturado pendurado de 20 a 30 cm do     solo.


PAU-DE-FITA.  um folguedo que os     portugueses e espanhis trouxeram
para a Amrica Latina.  um baile de roda em volta de     um mastro, da
extremidade do qual pendem fitas coloridas at o alcance das pessoas que
            participam da brincadeira, cantando e danando.

     PAU DE VIRAR TRIPA. Diz-se de quem  alto     e magro demais.

                         PAXIC. Veja PACIC.

P. Do corpo humano a parte que mais     participa da lngua falada pelo
   povo talvez seja o p, meio de locomoo nascido com o     homem.
      Arrasta-p  dana. Arrasta-asa  o ato de quem se apaixona.
  Bater-com-o-p-na-boca  no blasfemar. Botar-o-p-atrs  opor-se.
   Botar-o-p-na-rua,      sair caminhando, enchendo a rua de perna.
Cair-aos-ps  humilhar-se, pedir     clemncia. Dar-com-o-p-na-fortuna
        perder o que se herdou, perder uma boa     oportunidade.
  Enterrar-os-ps  pular, sair com pressa. Encontrar-a-forma-do-p 
     encontrar pessoa do mesmo nvel, da mesma laia. Falsear-o-p 
escorregar,     cair. Entrar-com-o-p-direito  comear um trabalho com
xito. Fazer-seu-p-de-meia  fazer economia, guardando parte do que se
  ganha. P-d'gua  aguaceiro,     temporal. P-de-moleque  um bolo
brasileiro. P-de-pato  o co,     Satans. P-de-pau  rvore, como o
 matuto chama. P-de-pessoa      gente, como na expresso: "Na festa,
no tinha um-p-de-pessoa!"     P-de-pilo  ter o p inchado. P-l e
 p-c,  ir,     rapidamente, comprar um remdio ou fazer um mandado.
  P-rapado  a pessoa pobre,     sem posio social sem dinheiro, um
   z-ningum . Sair-com-os-ps-pra-frente      sair morto. Entre os
ditados e refros, temos os seguintes: P de galinha no mata     pinto;
Quem quer moa bonita tem que bolir com o p e a bolsa. Tirar-p-da-lama
         ,      galgar uma posio melhor, melhorar de vida.

P-DE-MOLEQUE.  um dos mais     tradicionais bolos brasileiros.  feito
  com ovos, massa de mandioca, acar, castanhas     de caju assadas,
  coco, manteiga, erva-doce, cravo e sal. No Sul,  um doce feito com
                    rapadura, amndoas ou amendoim.

P-DIREITO e P-ESQUERDO. Pisar com o p     direito atrai felicidade e
 vitria, razo pela qual  bom levantar da cama e pr,     em primeiro
  lugar, o p direito no cho, comear as caminhadas dando o primeiro
 passo com o p direito , o que no acontece se for usado o p esquerdo
            que     atrai infelicidade, desastre, desgraa.

P DURO. 1. Participante de uma escola de     samba que no sabe danar
     certo, de acordo com a coreografia apropriada; 2. Na linguagem
      popular tambm qualquer coisa antiga, carro velho, cururu.

   P-NA-COVA. Diz-se dos doentes terminais,     dos que se encontram
       prestes a morrer, em avanada idade. P-na-cova tambm  o
      aposentado que recebe um adiantamento de sua aposentadoria.

  P-QUEBRADO. 1.  a poesia sem mtrica,     sem rima, usada at pelo
  padre Anchieta no seu poema Ao Santssimo Sacramento : -     "Oh que
 po, Oh que comida,/ Oh que divino manjar,/ Se nos d no Santo Altar/
 Cada     dia!" O p-quebrado  o av da poesia modernista, tambm sem
   mtrica, sem     rima. 2. P-quebrado , na linguagem popular,  o
                           amante, o urso .

  PEDRINHAS (JOGO DAS). O jogo-das-pedrinhas  muito antigo e, tanto 
  assim que, num vaso grego do Museu Nacional de Npoles,     consta o
 desenho mostrando vrias pessoas entretidas com a brincadeira. Na zona
   rural     nordestina as crianas ainda se distraem com o jogo que
consiste no seguinte: joga-se com     dez pedrinhas ou at mais. Com as
mos em concha atiram-se as pedrinhas no ar (uns 30 ou     40 cm) e, na
volta, procura-se apar-las quantas puder. Depois, com uma pedra jogada
 para     cima e, enquanto ela estiver no ar, procura-se agarrar as que
  esto no cho: uma, duas,     trs, conforme a proximidade. Depois,
outros parceiros fazem a mesma coisa. E quem     conseguir apanhar maior
                  nmero de pedrinhas, ganha o jogo.

PEDRO (SO). So Pedro foi     discpulo de Jesus, o chaveiro do cu, o
primeiro Papa, o patrono dos pescadores e das     vivas,  festejado no
       dia 29 de junho juntamente com So Paulo. Participando das
 festividades do ciclo junino, os festejos em sua honra no tm a mesma
 animao que os     de Santo Antnio e So Joo. So Pedro aparece nas
  estrias populares, sempre astuto,     finrio, uma espcie de Pedro
Malasartes com mais respeito por ser um santo. No     Nordeste, na zona
 rural, ainda persiste, embora esporadicamente, o costume de se amarrar
com um fita no brao, no dia 29, um homem chamado Pedro, que fica com a
       obrigao de     dar um presente  pessoa que o amarrou.

                  PEDRO MALASARTES. Veja MALASARTES.

  PEGA-CABOCLO. As adolescentes costumavam     fazer, com uma mecha de
  seus cabelos, na testa, um anel, ao qual chamavam de pega-caboclo e,
                        tambm de pega-rapaz .

PEGA-FOGO.  uma dana cantada e     sapateada, figurando no fandango ,
               que  baile popular no Rio Grande do Sul.

 PEGA-PINTO.  uma planta da qual se faz:     a) um ch considerado um
excelente diurtico; b) um refresco que, gelado,  vendido nos     cafs
                  do Cear e do Rio Grande do Norte.

                    PEGA-RAPAZ. Veja PEGA-CABOCLO.

PEITICA. A peitica  uma ave de     canto insistente, montono. Peitica
 , na fala do povo,  a pessoa chata, que enche-o-saco de qualquer um.

PEJA. A peja  a comemorao do     fim da moagem das canas nos engenhos
bangs do Nordeste. A peja no tem a mesma     dimenso da botada , de
vez que dela no participam o senhor de engenho, sua     famlia e seus
  convidados. Os trabalhadores, enquanto colocam as canas na moenda ,
cantam: - "Acabou-se a cana,/ Acabou-se o m ,/ At para o ano/ Se Deus
 quis" .     Depois, os trabalhadores vo esperar o novo inverno para
   limpar os canaviais das ervas     daninhas, plantar mais cana para
                         aumentar a produo.

PEJI. O peji  o altar dedicado a     um orix nos candombls jeje-nags
   e bantos. O peji muda de nome:      altar nas macumbas do Rio de
   Janeiro, oratrio, santurio, capela,     orixrio, residncia dos
   orixs . A palavra peji no existe na frica;      uma criao do
                          africano no Brasil.

  PELA-GUA.  um prato de culinria     fluminense, da zona rural do
      municpio do Rio de Janeiro.  feito com os ingredientes da
  feijoada, s que o feijo  substitudo pela canjiquinha de milho. O
pela-gua ,     por seu alto valor nutritivo, era a alimentao dada aos
escravos no trabalho e     conduzida no lombo dos animais, ainda quente.
                    Da a origem do nome do prato.

 PELANCA-DE-VELHO.  um prato usado pelas     famlias da zona rural da
regio de Campos, RJ. Feito com farinha de trigo, gua, gema     de ovo
e gordura e que, em forma de massa, depois  frita. Depois de pronta, a
 pelanca-de-velho fica com um aspecto, como a pele dos velhos, e da o
                               seu nome.

PELEJA.  um desafio cantado entre dois     cantadores, de improviso, ao
 som da viola. Os cantadores procuram, em seus versos,     diminuir as
    qualidades e aumentar os defeitos de seus parceiros. No final da
                    cantoria ,     tudo acaba bem.

 PEQUI. O pequi  uma fruta muito     apreciada no serto nordestino e
              que faz parte da alimentao do sertanejo.

  PEREIRA DA COSTA. Filho de Augusto Menezes     Costa e de Dona Maria
  Augusta Pereira da Costa, nasceu Francisco Augusto PEREIRA DA COSTA
 na cidade do Recife, no dia 16 de dezembro de 1851. Fez seus primeiros
estudos no Colgio     de Nossa Senhora do Bom Conselho. Com a idade de
 dezesseis anos deixou de estudar para ser     balconista numa livraria
recifense. Aos vinte anos escreveu um artigo intitulado Nmero     Sete
  , que publicou no Diario de Pernambuco . A partir de ento, passou a
  divulgar estudos e ensaios sobre figuras e fatos ligados  histria
  pernambucana como     tambm  do Nordeste, firmando-se, assim, como
  estudioso das coisas pernambucanas e da     histria da regio onde
nasceu e viveu. No ano de 1884, Pereira da Costa foi convidado     para
exercer as funes de Secretrio do Governo do Piau. Com quarenta anos
 concluiu     o curso de Cincias Jurdicas e Sociais pela Faculdade de
   Direito do Recife. Foi membro     do Conselho Municipal do Recife
   (1884-1891), deputado estadual e um dos fundadores da     Academia
Pernambucana de Letras. No foi na poltica, entretanto, que Pereira da
 Costa     mais se destacou. Como homem inteligente que era, claro que
    sua passagem pelo Conselho     Municipal do Recife e pela Cmara
  Estadual no foi em vo, porque seu nome sempre     esteve ligado a
     todas as leis que visavam a higiene, a sade e o bem-estar dos
recifenses     e dos pernambucanos. Pereira da Costa permaneceu vivo na
  histria cultural de Pernambuco     pela fora e pelo valor de seus
  magnficos trabalhos, ainda hoje de grande valia para os     que se
 dedicam ao estudo da Histria e do Folclore pernambucanos. Obras como
   Mosaico     Pernambucano (Coleo de excertos histricos, poesias
  populares, anedotas,     curiosidades, lendas, antiqualhas, usanas,
ditos populares, etc., !884). A Ilha de     Fernando de Noronha (1888),
Enciclopediana Brasileira (1889), Folk-Lore     Pernambucano (Subsdios
       para a histria da poesia popular em Pernambuco, 1909), A
 Naturalidade de Camaro (1909), Anais Pernambucanos 10 v. (onde vamos
    encontrar registrados, com impressionante riqueza de detalhes, a
  histria de Pernambuco,     desde sua fundao at o ano de 1850) e
  outras, num total de trinta e seis, entre as     quais o Vocabulrio
     Pernambucano , trabalho de flego resultado de, ningum sabe,
   quantos anos de pesquisa, num tempo em que a tcnica e os meios de
 comunicao no     eram os de hoje. Faleceu no dia 21 de novembro de
                                 1923.

PERICN.  uma dana popular no Rio     Grande do Sul, fazendo parte do
fandango .  uma dana prpria dos pampas, do     Chile e da Argentina,
                 s aparecendo nas festas folclricas.

      PERNA. A perna tambm participa da     linguagem popular: a)
  passar-a-perna  enganar; b) comer-por-uma-perna      explorar; c)
Estirar-as-pernas  andar, passear; d) ficar-de-pernas-quebradas  ficar
    sem determinado apoio indispensvel a um trabalho, derrotado; e)
perna-santa  a perna inchada, de elefante; f) pernas-pr-que-te-quero 
                    o ato de quem sai     correndo.

  PERNA-DE-PAU.  um brinquedo universal.     Consta de duas hastes de
 madeira, cada uma com um pedao de tbua como se fosse um     degrau.
 Com os ps apoiados nos degraus das hastes e as mos segurando a parte
    superior     da perna-de-pau , equilibradas, as crianas andam,
                     crescendo, assim, de tamanho.

PERNAMBUCANO.  um doce encontrado na     regio de Maca, RJ, feito de
  fub, leite de coco, gema de ovo, acar e manteiga.      assado em
                              forminhas.

  PERU.  toda pessoa vaidosa, afetada,     orgulhosa.  a pessoa que
     assiste a um jogo de cartas, de dama, dando palpites, quando 
       advertido: "  Peru calado ganha um cruzado (antiga moeda
     brasileira)."Na     linguagem popular registramos as seguintes
  expresses: a) Quem morre na vspera      peru ; b) estar como uma
perua choca , diz-se de quem est inquieto; c) que      que h com seu
peru? ; d) peru  cachaa com vermute ou caldo de cana com     cachaa.

 PETECA.  um jogo entre rapazes e que     consiste em atirar ao ar uma
 bola achatada feita com pano ou palha de milho seco,     impulsionada
   com a palma da mo dos participantes. Essa bola  a peteca . Perde
                      quem deixar a peteca cair.

    PEZINHO.  uma dana comum em Santa     Catarina, trazida pelos
colonizadores portugueses dos Aores e que consiste no seguinte:     os
 pares fazem uma roda e, de mos dadas, cantam, batendo, com o bico do
  sapato do p     direito no cho, diversas vezes. No Nordeste,  uma
     dana de crianas, com as mesmas     caractersticas, cantando
 quadrinhas, com o refro obrigatrio: "Bote aqui, bote     aqui o seu
 pezinho ,/ Bote aqui, bote aqui, junto do meu:/ No botar, no botar do
seu pezinho ,/ Um abrao e um beijo lhe dou eu". Depois, os meninos e as
meninas,     comem bolos, docinhos, tomam sucos, servidos pelas pessoas
     da casa onde esto brincando     ou comemorando aniversrio.

  PIABA. Vivendo na gua doce dos audes,     lagoas, lagos e rios, a
 piaba  um peixinho muito do gosto popular, usada na     culinria do
 Nordeste, quando bem torrada .  uma comida de pobre. Na linguagem do
       povo, piaba  a pessoa esperta, gil, viva. Diz-se que tem
         bucho-de-piaba quem  incapaz de guardar um segredo.

  PIO. O pio talvez seja um     brinquedo universal muito apreciado
pelos meninos. Feito geralmente de madeira, tem a     forma de uma pra,
    com um prego na ponta, girando por fora do impulso de um cordo
 ("fieira") que o veste de baixo para cima, menos o fim que fica na mo
                       de quem     vai jog-lo.

 PICADINHO.  um guisado feito com     pedacinhos de carne, misturados
                com pedacinhos de quiabo, maxixe, etc.

PICA-PAU. Diz uma lenda corrente em Cabo     Frio, RJ, e adjacncias que
  h, nas matas, uma rvore encantada cujas folhas tm o     poder de
  resolver os problemas das pessoas. Mas, para se conseguir uma folha
dessa rvore      necessrio encontrar um ninho de pica-pau , no oco de
 uma rvore e fechar, com     um pedao de tbua bem pregado, a entrada
    do ninho, assim que a me sai  procura de     comida para seus
 filhotes. Quando ela volta e encontra a abertura do ninho fechada, ela
 volta e traz no bico uma folha da rvore encantada. Batendo com ela na
   madeira que est     fechando a entrada do ninho, a madeira cai, o
  pica-pau solta a folha e entra no     ninho. Este  o momento de se
  pegar a folha e guard-la com todo cuidado. Com a folha a     pessoa
                          acha o que quiser.

PICUM.  um remdio muito usado no     Nordeste para estancar o sangue
  proveniente de ferimentos ou cortes. Chama-se de picum as teias de
 aranha que pendem das chamins dos foges que queimam lenha ou carvo,
cheias de poeiras e outros detritos.  um santo remdio, diz o povo. Na
    falta de picum ,     botar, no corte ou ferimento, p de caf.

PIERRE VERGER nasceu no dia 4 de novembro     de 1902, em Paris, Frana.
 Fotgrafo, etnlogo, babala francs, viajou,     durante quinze anos,
    conhecendo diversos pases do mundo. Em 1946, descobriu a Bahia
 lendo o romance Jubiab  de Jorge Amado e se apaixonou pela cidade de
 Salvador, onde residiu e passou a estudar os cultos afro-brasileiros.
Professor da     Universidade Federal da Bahia, Doutor pela Universidade
 de Paris, (muito embora tenha     abandonado os estudos aos 17 anos de
idade), Pierre Verger est implantando o Museu Afro     Brasileiro e j
  publicou, no Brasil, Retratos da Bahia (1980), Lendas dos     Orixs
  (1981), Orixs, os deuses iorubs na frica e no Novo Mundo (1983),
Oxssi,     o caador (1981), Lendas africanas dos Orixs (1985), Fluxo
e refluxo do     trfico de escravos entre a costa de Benin e a Bahia de
 Todos os Santos (1987), Os     libertos, sete caminhos na liberdade de
       escravos da Bahia no sculo XIX (1992) e Artigos (1992).

 PILO. Feito com pedao de um tronco de     madeira seca, dura como a
sucupira, com as duas extremidades cavadas e que, no meio do     pedao
do tronco  feita uma cintura. Com o auxlio da mo-de-pilo - feita de
 um pedao de madeira da mesma espcie, sendo mais fino, o pilo serve
 para     triturar o milho, o caf. Tambm  usado um pilo muito menor
 para pisar     temperos. Sobre o pilo o adgio popular registra: Mas
vale pisado a pilo do     que comprado a tosto . A linguagem popular,
por sua vez, registra a expresso cintura     de pilo , que significa a
             mulher ter a cintura fina, como a do pilo .

            PILOTO. Diz-se de quem tem um olho s     (PE).

      PIMENTA. A pimenta  um condimento     muito apreciado pelos
brasileiros, principalmente nos molhos. Vrias so as qualidades     de
       pimenta : a de-cheiro , a malagueta , a olho-de-peixe , a
tripa-de-macaco ,     a umbigo-de-tainha , a pimenta-do-reino . A comida
baiana usa muito a pimenta .     Na linguagem do povo, pimenta  o homem
 vivo, esperto;  a mulher ardente,     libidinosa, assanhada. Pimenta
    nos olhos dos outros  refresco  diz a     sabedoria popular.

PINHO.  uma planta do agreste,     indgena, usada nas cercas nativas.
  Na feitiaria  de muita eficcia nos maus olhados     e quebrantos,
     razo pela qual toda casa deve ter um p de pinho plantado no
 jardim ou no quintal. Se um feiticeiro ou catimbozeiro levar uma surra
      com um galho de pinho ,     ele perde os poderes que tem.

PINHEIRO.  uma dana do Rio Grande do     Sul que figura, entre outras,
             no baile popular do interior. Veja FANDANGO.

  PINU-PINU.  uma qualidade de urtiga da     Amaznia que serve para
    melhorar as dores reumticas se acoitadas com um galho verde da
                 referida planta, na regio dolorida.

PIO.  a mesma coisa que chama ,     destinado a imitar o canto das aves
  para serem localizadas pelo caador. De uso     universal, o pio ou
            chama  feito de madeira ou at mesmo de barro.

  PIQUE.  o modelo feito num pedao de     papelo no qual  furado o
 desenho, com o qual as rendeiras fazem suas rendas. Cada     rendeira
  inventa ou copia seus piques . No Estado do Rio de Janeiro, o pique
                  tambm  uma brincadeira infantil.

  PIRACA.  o nome que se d, no Rio     Grande do Norte,  luminria
feita com uma garrafa, em que se coloca querosene e nela se     introduz
 uma mecha. A piraca ilumina as festas do interior e vento no consegue
                           apagar sua chama.

 PIRACU.  uma farinha de peixe que,     depois de torrado,  pilado,
 peneirado. Com tal procedimento o peixe se conserva durante     algum
                tempo e pode ser conduzido nas viagens.

 PIRANHA.  um peixe de gua doce que     pode atingir, a de cor preta,
       at quarenta e cinco centmetros. Anda em cardume, com uma
 voracidade incrvel e  capaz de devorar um bezerro, um carneiro e at
   mesmo um boi     quando dentro dgua em pouco tempo. Na linguagem
 popular, piranha  a     mulher de vida fcil, a mulher que se entrega
                            com facilidade.

    PIRO. Feito com caldo de carne ou de     feijo, com farinha de
  mandioca,  um prato que acompanha as buchadas , os cozidos ,     as
  paneladas . Pode ser feito de duas maneiras: a) escaldado, quando se
coloca o     caldo bem quente sobre a farinha; b) mexido, quando se mexe
  o caldo e a farinha at     ficarem semelhantes a uma papa. O piro
    feito com caldo de galinha guisada tambm      muito gostoso.

 PIRARUCU.  o maior peixe de gua doce     (chega a medir mais de dois
 metros) e de maior peso (dependendo da idade), encontrado nos     rios
                             da Amaznia.

   PITIGUARI.  um pequeno pssaro     brasileiro que avisa quando as
visitas se aproximam da casa. Tem vrios nomes: "Olha     o caminho que
vem gente!" (PE), "Gente de fora vem!" (BA) e "Olha pro     caminho, que
                               j vem!".

PITOMBA (FESTA). A Festa da Pitomba  um     evento que acontece h 342
anos e rene boas atraes no Parque Histrico Nacional do     Monte dos
  Guararapes, em Prazeres, Municpio de Jaboato dos Guararapes, PE. A
  Festa     comea no dia 4 e termina no dia 12 de abril. Um pblico,
  calculado em mais de 50.000     pessoas, comparece todos os anos e,
    durante as nove noites de festejos, so montados     parques de
 diverses, palcos para shows e cerca de quinhentas barracas, que, alm
de pitombas, comercializam comidas e bebidas tpicas. Coincidindo com a
safra da pitomba,     a festa tambm tem seu cunho religioso, de vez que
  o evento surgiu como uma homenagem a     Nossa Senhora dos Prazeres,
   responsvel, na crena do povo, pela vitria das duas     batalhas
travadas nos Montes Guararapes, em abril de 1648 e em fevereiro de 1649.
  E, aps     a vitria contra as tropas holandesas, o mestre de campo
  ordenou a construo de uma     igreja em louvor a Nossa Senhora dos
Prazeres. Parte da rea onde  realizada a Festa da     Pitomba recebeu,
  por fora de um decreto federal, em abril de 1971, o nome de Parque
 Histrico Nacional do Monte Guararapes, tombados sua igreja e o local
        das batalhas,     totalizando uma rea de 363 hectares.

 PITOMBEIRA DOS QUATRO CANTOS. Troa     carnavalesca fundada em 1947,
 por folies do bairro dos Quatro Cantos, Olinda, PE. No     comeo os
 integrantes da troa saiam nus da cintura para cima, empunhando galhos
  de     pitombeira. A partir de 1949, a troa desfila a cada ano com
 fantasia diferente, mudando     sempre o tema, j com seu estandarte e
                              orquestra.

PE-MESA. Nome que se d no Nordeste e     no Norte do Brasil ao inseto
 que, no Centro-Sul,  conhecido como louva-a-deus .     Encontrar este
    inseto  sinal de que alguma coisa vai acontecer  pessoa. Veja
                             LOUVA-A-DEUS.

 POLCA. Este foi o nome dado a uma dana     que apareceu no Bomia, em
1830, e se espalhou pelo mundo. Pela primeira vez a polca foi danada no
 Brasil na noite de 3 de julho de 1845, no Teatro So Pedro, do Rio de
Janeiro, pelos danarinos Filipe e Carolina Catton e De Vecchi e Farina.
 O xito foi     enorme. Trs dias aps o casal Catton abriu uma escola
  de polca. E os nossos msicos     passaram a compor polcas, entre os
                   quais Chiquinha Gonzaga e Calado.

 POMBA LESA. O mesmo que pomba sem f .     Pessoa inocente, ingnua.

                      PONCHE.  garapa, refresco.

  PONCHO.  uma capa geralmente de fazenda     azul e forrada de baeta
   vermelha, cortada de forma redonda, com uma abertura no centro por
             onde se enfia a cabea at o pescoo. (Sul).

PONTO. 1.  o grau de consistncia da     calda de acar ou mesmo de um
  doce quando so dados como prontos para sair do fogo; 2.     O barro
   tambm tem seu ponto, quando os artesos fazem seu trabalho; 3. Na
 linguagem     popular e expresso esta-no-ponto significa tudo quando
est pronto, na hora de     se fazer, de se dizer. Quando a adolescente
   fica uma moa, por exemplo, ela est no     ponto, isto , j pode
                                casar.

PR AS MANGAS DE FORA. Mostrar-se, a     pessoa, quem realmente ela .

   PORCA-DOS-SETE-LEITES. Uma baronesa     gostava de maltratar seus
escravos e foi, por um feiticeiro negro, transformada em uma     porca e
seus sete filhos tambm foram transformados em sete leites. E a porca,
em     companhia dos sete leites, anda pela floresta, fossando o cho 
procura de um anel.     Somente quando encontrar o anel, ele quebrar o
 encanto e voltar a ser a baronesa e os     sete porquinhos voltaro a
                         ser seus sete filhos.

 PORCO. Como o porco que no  criado em     pocilga vive sempre sujo,
porco significa sujo, imundo. Porco tambm  o     estudante que prestou
   apenas um exame. A sabedoria popular registra: 1. Comer ou dormir
como um porco; 2. Ganhar um ovo de porco (nada); 3. Toucinho de porco s
se v depois de     morto; 4. Passar de porco a porqueiro; 5. Quem anda
  aos porcos tudo lhe ronca; 6. Quem com     porcos se mistura, farelo
 come; 7. Ser como o porco que de cada cochilo nasce um     porquinho.

 PORCO PRETO. Superstio corrente no     Paran, segundo a qual no 
  bom ningum sair de casa em noite escura. Pode encontrar     o Porco
      Preto , enorme, que ataca as pessoas, correndo atrs delas.

PORTA. A porta  motivo de muitas     supersties: 1. Devemos entrar e
sair pela mesma porta; 2. Quem sai por outra porta     leva a felicidade
 dos donos da casa; 3. Entra-se, por uma porta, sempre com o p direito
                 e no  bom bater com o p na porta.

  POT.  um inseto que morde as pessoas,     expelindo um lquido que
                     dilacera e enodoa a epiderme.

  POTOCAS. So exageros, lorotas, mentiras,     petas. Potoqueiro  a
             pessoa que  dada a contar ou falar potocas .

                       PRAGATA. Veja ALPARCATA.

  PRATOS. Feitos de metal, percutidos um no     outro, fazem parte das
      bandas quando tocam dobrados ou marchas militares nas festas
  cvicas. Tambm so usados em alguns conjuntos musicais populares.

       PREGO.  uma bicada , uma lapada que se toma de cachaa.

 PREGES. So vozes dos vendedores     ambulantes que percorrem as ruas
  da cidade anunciando suas mercadorias. Os preges so conhecidos no
mundo todo. Cada cidade tem seus preges . A cidade do Recife     tem os
seus, que podem ser tocados (como o do picol, com uma corneta), falados
 (como o do vendedor e jornais, de frutas) ou os cantados e falados ao
mesmo tempo     (como o do vassoureiro: -"Vassoura, espanador, regador,
    esteira dangola,     caarola, grelha! Olhe o vassoureiro!)".

PRESENTE DE IEMANJ. No dia 2 de     fevereiro, na Bahia  no dique e no
   Rio de Janeiro - na praia do Russel ou Santa     Luzia, acontece a
 cerimnia ritual do presente de Iemanj, a Rainha do Mar. Atualmente,
   Copacabana  a praia escolhida. As pessoas depositam nas guas as
 oferendas (pentes,     perfumes, alfinetes, colares, pedaos de seda e
  de outras coisas que as mulheres gostam)     como pagamento de suas
                              promessas.

 PRESPIO. Grupo feito de barro     representando a cena de adorao ao
 menino Jesus, na manjedoura de Belm. So Jos,     Nossa Senhora, os
 pastores, os animais que cercam o menino Jesus. No dia 6 de janeiro o
 grupo  aumentado com a presena dos Reis Magos, com seu squito, seus
    presentes de     incenso, ouro e mirra. Os prespios so armados
   geralmente no comeo de dezembro. Do     fim do sculo XVIII at o
 comeo do sculo XX, os pastoris aconteciam diante dos     prespios e
    ento eram chamados lapinhas , as pastoras cantando as jornadas,
 divididas em cordes (vermelho e azul). Tudo faz crer que o frade Frei
 Gaspar de     Santo Agostinho tenha sido o introdutor dos prespios em
            Olinda, PE, no sculo XVII.     Veja PASTORIL.

 PRIMEIRO DE ABRIL. Tudo comeou em 1564,     quando Carlos IX, rei de
Frana, por uma ordenance de Roussillon, Dauphine,     determinou que o
ano comeasse no dia primeiro de janeiro, no que foi seguido por outros
 pases da Europa.  claro que, no incio, a confuso foi geral, de vez
   que os meios de     comunicao ainda eram inexistentes. No havia
 rdio, televiso, nem mesmo o jornal,     pois a inveno da imprensa,
 por Gutenberg, s aconteceu muitos anos depois. Antes de     Carlos IX
  determinar que o dia primeiro de janeiro fosse o comeo do ano, este
    tinha     incio no dia primeiro de abril, o que resultou ficar
conhecido como o Dia da Mentira ,     por fora das brincadeiras feitas
     com a inteno de provocar hilaridade. Surgiram,     ento, as
 brincadeiras (que os franceses denominavam de plaisanteries ) em todo
  mundo, como a carta que se mandava por um portados destinada a outra
pessoa, na qual se     lia o seguinte: "Hoje  primeiro de abril. Mande
este burro pra onde ele     quiser ir". Seria um nunca acabar se fossem,
aqui, relacionadas as brincadeiras     referentes ao primeiro de abril.
At mesmo eram distribudas cartas convidando amigos     para assistirem
     ao enlace matrimonial de pessoas que nem sequer se conheciam,
   mencionando     a igreja, o dia e a hora em que seria celebrado o
 suposto casamento. Vejamos alguns primeiros     de abril pregados pela
 imprensa mundial, conforme relata a revista Isto  , de     So Paulo,
n 1488, edio de abril de 1998: 1) A frica do Sul comprou Moambique
 por US$ 10 bilhes. O anncio do negcio fora feito na Organizao das
 Naes     Unidas pelo presidente sul-africano Nelson Mandela. Deu no
   jornal Star , de     Johannesburgo; 2) A rdio Medi, de Tnger, no
Marrocos, noticiou que o Brasil no iria     participar da Copa do Mundo
 porque o dinheiro da Seleo seria usado na luta contra o     incndio
em Roraima: 3) A minscula repblica russa Djortosto declarou guerra ao
  Vaticano. Motivo: arrebatar o ttulo de menor Estado da Europa. Para
tanto, ele teria     doado seis metros quadrados de seu territrio a uma
 repblica vizinha. Isso tudo de     acordo com o jornal Moscou Times ;
 4) Diego Maradona, ex-capito da seleo     argentina de futebol,  o
   novo tcnico da seleo do Vietn. Deu nos principais     jornais
vietnamitas; 5) Ao deixar o Senegal, o presidente americano Bill Clinton
    seria     acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros 50
senegaleses que fossem  embaixada     para pedir o visto de entrada nos
  EUA. Assim informou o jornal Le Soleil , do     Senegal. Centenas de
     senegaleses acreditaram na mentira e correram para a embaixada
 americana." Noticiando o falecimento de Maurcio Fruet, ex-prefeito de
 Curitiba, e     ex-deputado federal, a revista Isto  , So Paulo, n
    1510, edio de 9 de     setembro de 1998, informou que ele era
considerado o parlamentar mais brincalho e     espirituoso que passara
pela Cmara dos Deputados. Um exemplo: convocou uma falsa     reunio de
  todo o secretariado do ento governador Roberto Requio no dia 1 de
     abril     de 1990 (havia 15 dias que Requio tomara posse). Os
Secretrios, sem entender nada,     passaram toda a madrugada no Palcio
Iguau. De manh, Fruet fez chegar a informao     de que era um trote
do Dia da Mentira ." Tudo faz crer que as     brincadeiras, originrias
 das plaisanteries francesas, continuem sempre a existir,     graas 
      eternidade das manifestaes folclricas no mundo inteiro.

                   PRINCESA DO AIOC. Veja IEMANJ.

                    PRINCESA DO AROC. Veja IEMANJ

                     PRINCESA DO MAR. Veja IEMANJ

 PRINCESA ENCANTADA. No Nordeste, vrias     so as lendas que falam de
      princesas encantadas . Em Jericoacoara (CE) h uma princesa
   encantada transformada numa serpente morando numa gruta. Ela tem a
cabea e os ps     de mulher e s se desencantar no dia em que algum
fizer uma cruz com sangue humano no     seu dorso. Em Serra Talhada (PE)
o povo conta que uma princesa encantada mora numa     gruta.  uma cobra
   jibia enorme que ningum sabe sua idade. Noutros pases do mundo
        tambm ocorrem muitas lendas de princesas encantadas .

   PROCISSO. A primeira procisso     brasileira aconteceu em 1549 
 quando Tom de Souza, o primeiro governador-geral,     fundou a cidade
  de Salvador (BA)  em homenagem ao Corpo de Deus. A procisso  uma
cerimnia externa da Igreja Catlica. O padre, sob o plio, acompanhado
 pelos     componentes das associaes religiosas e pelos fiis, ao som
   de bandas de msica e de     cantos religiosos entoados pelo povo,
  percorre as ruas da cidade em louvor ao padroeiro da     parquia e
                outros santos festejados durante o ano.

PROMESSA. A promessa  o pagamento feito     aos santos por haver algum
  alcanado algum favor. A pessoa promete ao santo de sua     devoo
fazer alguma coisa caso consiga o favor pretendido. A promessa consiste
em     praticar ou no determinados atos (no cortar os cabelos durante
  certo tempo, vestir uma     cor durante um tempo determinado, etc),
deixar de comer doces, deixar a barba crescer,     subir a escadaria de
   uma igreja de joelhos. Paga-se, tambm, uma promessa oferecendo-se
ao santo uma pea feita em madeira, couro, cera, flandres, representando
a perna, o     brao ou a mo que ficaram curados, a casa comprada, etc.
     No pagar ou quebrar a     promessa tem srias conseqncias.

 PROVRBIO. Os provrbios so sentenas     de cunho moral, nascidas da
       vivncia, experincia e inventiva da filosofia popular. Os
  provrbios so universais e tm outras denominaes: ditados, ditos,
mximas,     adgios, anexins, refres. Os provrbios caminharam atravs
    dos sculos, de boca em     boca, de gerao em gerao. Alguns
exemplos: 1. A mentira tem pernas curtas; 2. A f     remove montanhas;
  3. gua mole em pedra dura tanto bate at que fura; 4. Uma andorinha
s no faz vero; 5. Um dia  da caa e outro do caador; 6. Com um olho
no padre e     outro na missa; 7. Quem d aos pobres empresta a Deus; 8.
 Quem  bom j nasce feito; 9.     O uso do cachimbo faz a boca torta;
    10. Em casa de enforcado no se fala em corda. Os     humoristas
 ironizam os provrbios; 1. Quem d ou empresta aos pobres, adeus!; 2.
                 Uma     andorinha s no faz, vero.

PUCUM.  um remdio muito usado no     Nordeste para estancar o sangue
  nos ferimentos e cortes.  a fuligem existente nas     chamins dos
                  foges que queimam carvo ou lenha.

PUITA. A mesma coisa que cuca. Puita  como se conhece a cuca no Norte
                              do Brasil.

 PULGA. A pulga incomoda, transmite     doenas atravs de sua picada e
  tambm ocasiona o bicho de p . Para acabar com     as pulgas de uma
  casa, o dono ou a dona da casa vai  missa e, l, diz:     -"Pulga,
  vamos para a missa!". Na volta da igreja a pessoa no deve entrar em
  casa pela mesma porta por onde saiu e, sim, por outra. Na linguagem
 popular, algumas     expresses so usadas tendo a pulga como tema: 1.
      Andar com uma pulga atrs da orelha     (diz-se de quem est
    desconfiado); 2. Cada pessoa tem a sua maneira de matar a pulga
   (Cada um tem a sua maneira de fazer as coisas); 3. Contente que s
cachorro com pulga     (diz-se de quem est alegre, satisfeito); 4.  um
     salto de pulga! (daqui pr casa de     Jos  bem pertinho).

PUTICI.  uma palavra que significa     abundncia, grande quantidade de
  qualquer coisa: -"No casamento de Joo tinha um putici de gente!".

 PUXA-PUXA.  um doce que se faz com mel     de engenho meio grosso. A
pessoa passa goma nas mos que  para o mel no pegar e     depois pega
 uma pequena poro de mel de engenho que vai puxando, de uma mo para
 outra, a que se vo juntando outras pores, sempre puxando, at ficar
dourado. Depois     de pronto, deixa-se esfriar para se lhe dar a forma
  desejada de cachimbo, de leo, de     bichinhos, como acontece com o
          alfenin. Tambm se d a forma de pequenos suspiros.

  PUXAR TERRA PARA OS PS. Trabalhar, com     enxada, na agricultura.

*    QUADRA. Espao que as escolas-de-samba cariocas destinam para a
    realizao dos ensaios de suas alas quando  cobrada uma pequena
    importncia para     fazer face s despesas com sua manuteno.

 QUADRADO. Diz-se de quem no acompanha os     costumes da poca em que
                           estamos vivendo.

    QUADRO. Oitava de poesia popular,     cantada, na qual os trs
primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo e o     quinto, o
 sexto e o stimo tambm entre si, usado pelos cantadores do Nordeste.

     QUADRILHA. Dana palaciana francesa do     sculo XIX e que se
   popularizou no Brasil depois que os mestres da orquestra Millet e
Cavalier trouxeram-na para o Rio de Janeiro onde causaram muito sucesso.
  A quadrilha era executada em cinco partes, gritadas pelo marcador ,
 bisadas, aprendidas at nos     sertes brasileiros. Hoje  uma dana
   que desapareceu, menos nos festejos juninos     quando, ao som de
    sanfonas, instrumentos de corda, de sopro e de percusso, ainda
 permanece no gosto popular. Da quadrilha apareceram, no Brasil, vrias
 modalidades: 1. A quadrilha caipira , no interior paulista; 2. O baile
  sifiltico , na Bahia e Gois; 3. A saru (derivao de soire ), no
   Brasil Central; 4. A mana-chica e suas variantes, em Campos, RJ.

QUANDO-O-DIABO-NO-VEM-MANDA-O-SECRETRIO. Diz-se     quando as pessoas
  aparecem nos momentos inoportunos, causando transtornos, confuso.

QUANTOS CAJUS? Pergunta que se faz a     algum quando se quer saber sua
 idade.  um costume herdado dos ndios que, de cada     safra de caju,
         guardava uma castanha para saber a idade dos filhos.

QUATRAGEM.  uma dana popular do     interior de Minas Gerais. Formada
  por um grupo de quatro pessoas (da o nome)  a dana     preferida
pelos tropeiros depois de um dia de trabalho. Os grupos sapateiam, batem
               palmas,     ao som de adufes e tambores.

 QUEBRA-BUNDA.  uma dana muito antiga,     de Gois, tambm conhecida
por dana dos velhos , na qual apenas os homens     participavam, usando
  barbas tingidas, vestidos de fraque e cartola, ao som de sanfona. Em
  dado momento, cantando versos, os homens, de costas uns para outros,
                      batiam com as     ndegas.

QUEBRA-PANELA. Brincadeira que  feita     nos aniversrios de crianas
  e que consiste em vendar os olhos do menino com um pano     preto, a
quem se d um basto para que ele acerte em uma panela, cheia de bombons
e     chocolates, que est pendurado por um fio. Antes do menino comear
 a dar golpes para     atingir e quebrar a panela, fazem-no dar vrias
 voltas para ele no saber mais ou onde a     panela est dependurada.

 QUEBRA-QUEIXO. Doce de coco bem ligado;     todo doce que fica ligado
demais; doce japons. Todo doce que exige, para sua     mastigao, bons
            dentes e um bom par de queixos para acion-los.

                      QUEBRANTO. Veja MAU OLHADO

QUEBRAR-A-CABEA. Ter dificuldades para     resolver qualquer problema,
                      qualquer situao difcil.

 QUEBRAR-CATOL. Diz-se quando a arma (de     fogo) nega fogo, isto ,
depois de acionado o gatilho ela no dispara. Diz-se tambm,     da moa
        que quando passa por um rapaz, fica olhando para trs.

 QUEBRAR-SE-O-PAU-NAS-COSTAS. Diz-se de     quem paga sozinho pelo ato
          que foi cometido por vrias pessoas, conjuntamente.

QUEDA-DE-BRAO.  uma luta usada para     medir a fora de duas pessoas,
   homens ou meninos, que, sentados a uma mesa, se davam as     mos
 direitas e depois do sinal, cada qual fazia o possvel para encostar a
  mo do     parceiro sobre a mesa. Quando um dos participantes  mais
 forte do que o outro, o mais     forte permite que o mais fraco use a
mo esquerda (mo e cambo) para reforar sua     fora. As pessoas que
         esto assistindo, s vezes, fazem apostas a dinheiro.

  QUEIJO. 1.  a base de madeira ou de     material plstico, de forma
redonda e que serve de palco ao destaque de uma     escola-de-samba; 2.
                 a virgindade conservada muito tempo.

 QUEIJO-DO-CU. Diz o povo que, no cu,     existe um bolo bem grande e
      gostoso que s pode ser comido pelos maridos que, depois do
 casamento, foram fiis s suas esposas.  uma tradio portuguesa. Na
    Beira,  um     presunto ou um queijo; no Minho,  uma broa. Nas
 procisses de Cinzas do Recife, de     Olinda e de Salvador, no andar
   dos santos So Lcio e Santa Bona  os bem casados,     figurava o
                             queijo-do-cu

  QUEIMA. H uma diferena entre as lapinhas e os pastoris .  que as
lapinhas eram representadas diante dos prespios.     Os pastoris podiam
dispensar a lapinha . A queima acontece no final     das representaes
    dos pastoris, quando as pastoras faziam uma pequena fogueira de
gravetos. A queima das lapinhas est quase desaparecendo. Consistia num
 grupo de     moas conduzindo palhas de coqueiro usadas no prespio e
    que saam em procisso pelas     ruas da cidade acompanhadas de
  orquestra composta de instrumento de sopro. Feita a     fogueira, as
   pastorinhas cantavam: -"A nossa lapinha/J se queimou.../E o nosso
                       brinquedo/J se acabou".

  QUENTO. O quento  uma bebida     do interior de So Paulo e Minas
           Gerais.  cachaa, fervida com acar e gengibre.

  QUERER.  uma comida feita com as     vrtebras dorsais e o grosso
intestino do peixe pirarucu, preferida pelos caboclos da     Amaznia.

 QUERMESSE. Bazar, feira beneficente,     leilo de prendas muito comum
    nas cidades do interior. O padre arrecada as prendas     (bolos,
galinhas, carneiros, perus, cabritos, frutas, etc.) que so arrematadas
 na quermesse por quem oferecer melhor preo. O produto das quermesses
    geralmente  destinado s     obras ou conservao das igrejas.

QUERO-MANA.  uma dana popular do Rio     Grande do Sul, Paran, e So
  Paulo.  sapateada, valsada e acompanhada por violas e     palmas.

 QUERO-QUERO. No Estado do Rio de Janeiro,     o quero-quero  uma ave
agourenta. Seu canto parece dizer "quero-quero",     parecendo, segundo
            acredita o povo, querer levar a alma da pessoa.

   QUIBANO. , no estado do Rio de Janeiro,     uma peneira feita com
   taquara, num traado bem fechado, que serve para peneirar o arroz,
       separando os gros maduros e pesados, dos gros chochos.

QUIBEBE. Papa ou pur de jerimum     (abbora) ou de banana com paoca;
 na Bahia, de carne ou outra comida; ou com farinha de     mandioca. Na
  cidade de Campos, RJ.,  usado o quibebe de banana, gua e sal, para
                          comer com ensopado.

QUIC. Resto de faca de mesa quando     quebrada ou gasta por ser muitas
                    vezes amolada, ficando pequena.

 QUILOMBO (A DANA DOS). A dana dos     quilombos  uma sobrevivncia
    dos Quilombos dos Palmares que, a partir do sculo     XVII, se
  estabeleceram na Serra da Barriga, no local onde hoje est situada a
 cidade de     Unio dos Palmares. Os componentes, ndios ou caboclos,
usam tangas, cocares,     braceletes, perneiras de penas ou capim, sobre
  cales e camisetas tinturados de     vermelho, pintam-se de ocre e
 carregam arcos e flechas. Os negros trajam calas curtas de     mescla
azul, camiseta branca sem manga, chapu de palha de ouricuri, pintam-se
de fuligem     e carregam foices de madeira como armas. Os reis  um dos
negros e outro dos ndios     ou caboclos - usam cales, manto, blusas
 de cetim vermelho ou azul, meias compridas,     guarda-peito enfeitado
     de espelhos, coroa de ouropel, aljfan e areia brilhante. Como
armas, os reis empunham antigas espadas. A Rainha  uma menina de 5 a 10
anos, e usa     vestido branco comprido, com guarda- peito de espelhos,
capa de cetim, enfeitada de     espiguilha e diadema de papelo pintado.
A dana conta, ainda, com outros personagens: a Catirina (homem vestido
de escrava negra, carregando um boneco nos braos), o Papai     Velho ,
 de barbas brancas e um cajado nas mos, o Espia dos Caboclos num traje
mais rico e vistoso de ndio e o Vigia dos Negros , com chapu enfeitado
de     espelhinhos e uma espingarda a tiracolo. A dana tem trs etapas:
Roubo da Liberdade, o Roubo e o Batuque e A Luta e a Priso dos Negros .
             uma dana que     se prolonga durante horas.

QUIBANDA.  o sacerdote nos candombls     de procedncia banta. O mesmo
                        que Umbanda ou Embanda.

QUIMANGA.  a refeio que os pescadores     levam quando vo pescar em
alto mar. Uns dizem que quimanga  o cabao em que     so guardados os
 alimentos; outros dizem que quimanga  a refeio conduzida,     como
                    acontece com o bode. Veja BODE.

  QUIMBEMB.  uma bebida feita com milho     fermentado. O mesmo que
                                 alu.

   QUIMBEMBEQUES. Figas e medalhas presas     a um fio, colocadas no
                         pescoo da crianas.

    QUIMBETE.  uma dana de origem     africana, em Minas Gerais.

QUINAS (CAF DE QUATRO).  o caf     adoado com rapadura, como se toma
                   na zona dos engenhos do Nordeste.

 QUINDIM. 1. Quindim  uma dana da     cidade de Campos, RJ., do baile
  mana-chica ; 2. No plural, quindins  um     doce; 3. Tambm so os
                   requebros de uma menina ou moa.

                 QUINTA.  a corda mais fina da viola.

QUIPATA.  em Pernambuco, uma poro de     peixes que os pescadores do
 aos seus companheiros que nada pescaram ou no puderam ir     pescar.

  QUISIBIU.  um prato da culinria     baiana, que consiste em milho
   verde debulhado, misturado com quiabos verdes, temperados     com
  torresmo e cozinhados at se tornarem uma papa. O quisibiu deve ser
             comido com     carne-de-sol assada na brasa.

       QUIT. O mesmo que MUIRAQUIT, a pedra     da felicidade.

    QUIZILA.  a antipatia, aborrecimento,     rixa, que se tem por
                          determinada pessoa.

    QUIZUMB. Canto e dana popular da     regio do So Francisco.

QUIZUQUI. , na Bahia, o cuscuz feito com     milho mais pra seco do que
  pra verde. No leva nenhum tempero. Come-se com manteiga ou     com
                               feijoada.

*   R. A r, como acontece tambm com o sapo,  tida como a protetora
das nascentes dgua. As rs, quando coaxam, esto chamando chuva, razo
          pela     qual os ndios chamam-na de me da chuva .

 RABADA.  um prato da culinria     nordestina, bastante apreciado. A
       carne da rabada do boi ou da vaca, cozida com     temperos
 convencionais,  servida com o piro feito do prprio caldo, com molho
                            de     pimenta.

RABECA.  um tipo de violino de timbre     mais baixo, com quatro cordas
 de tripa, afinadas por quintas, sol-r-l-mi, que so     friccionadas
    por um arco de crina untado com breu. A rebeca  uma espcie de
 violino popular. Seu som  fanhoso e triste. A rebeca  um instrumento
         universal     e tocada nos bailes matutos do serto.

 RABICHO-DA-GERALDA.  o mais antigo     modelo da gesta do gado que se
conhece, poesia contando as proezas de um boi do Cear     que, durante
nove anos, resistiu aos vaqueiros da regio que saam em sua perseguio
sem xito. A poesia  em quadras ABCB. O rabicho da geralda foi abatido
                       a tiros     de bacamarte.

    RABO-DE-GALO.  a traduo do cock-tail .     Mistura de bebidas
 alcolicas. Rabo-de-galo , em So Paulo,  a mistura de     vermute e
cachaa; j no Recife  a mistura de conhaque, vermute e gim ou conhaque
                            e     vermute.

     RABO-DE-OLHO. Ato de olhar     disfaradamente e bem rpido.

 RAFAEL. No Rio Grande do Sul Rafael  sinnimo de apetite, de fome, na
 linguagem popular. L, a expresso chegou-o-rafael ,     significa que
                 est na hora do almoo ou do jantar.

                     RAINHA-DO-MAR. Veja IEMANJ.

RAIO. A maioria das crendices referentes     ao raios foi trazida pelos
 colonizadores portugueses. Para evitar a morte pela     fulminao dos
raios  bom queimar as palhas secas de coqueiro guardadas do Domingo de
 Ramos, fazendo-se, tambm, cruzes com a mesmas palha, cruzes que devem
ser pregadas na     porta de entrada da casa. Os santos que protegem as
  casas contra os raios so Santa     Brbara e So Jernimo. Algumas
  famlias, nos dias de tempestade, costumam cobrir os     espelhos.

 RAIVA.  um bolinho feito com farinha de     trigo, ovos e acar, em
 Portugal. No Brasil, a farinha de trigo  substituda pela     goma de
              mandioca; assim, a raiva fica mais gostosa.

     RAIZEIRO. Nome que se d s pessoas que     lidam com plantas
      medicinais, sabendo prepar-las e us-las para curar doenas
   diversas. Tambm conhecido como Doutor-Raiz, tipo encontradio nas
                        feiras do     Nordeste.

                RALA-BUCHO.  a dana popular, o forr.

  RAMALHO.  o nome que se d a uma     dana popular paulista, com a
    finalidade de serem pagas as promessas feitas a So     Gonalo.
Consiste a dana em uma fileira de homens e outra de mulheres, frente a
frente,     fazendo evolues, permutando os lugares ao som da viola. Os
           versos que cantam s vezes     so improvisados.

     RAMO.  doena, enfermidade veiculada     pelo ar, de natureza
  infecciosa. Vrias so as modalidades de Ramo : Ramo do     Ar, Ramo
      Ruim , congesto cerebral, estupor, paralisia, gota serena.

 RANCHO. 1. No Nordeste  uma casinha     rstica, pousada, hospedaria,
      onde os vaqueiros, que conduzem boiadas, param para dormir,
  descansar. 2. Na Bahia e no Sul,  um grupo festeiro das solenidades
  populares do Natal,     cantando e danando. Tambm  conhecido como
                               reisado .

 RAPADURA ou RASPADURA.  um tijolo de     acar mascavado e constitui
uma gulodice no Norte do Brasil. Vrias so as espcies     de rapadura
  : as de acar branco, rapadura de laranja, confeitadas com cravo e
 castanha de caju. As conhecidas so as rapaduras do Cariri que no tm
 forma de tijolo     e so envolvidas por palha seca de bananeira e so
 conhecidas como rapadura batida ,     mais moles, macias e de gosto um
                  pouco diferente por conta do cravo.

  RASGA-MORTALHA.  uma pequena coruja     alvacenta, de vo pesado e
baixo. O atrito de suas asas produz o som de um pano que est     sendo
rasgado. Quando ela passa sobre uma casa onde alguma pessoa est doente,
o povo     acredita que ela esteja rasgando mortalha do doente, prestes,
                   assim, a morrer. Veja     CORUJA.

 RASOURA.  o nome dado s procisses de     curto percurso, geralmente
                          em torno da igreja.

RASPA-RASPA.  uma mistura de gelo     raspado com xarope de fruta muito
 vendido nas feiras, nas praias, na entrada dos campos de     futebol e
                   nas ruas das cidades do Nordeste.

    RASPADOR.  o nome dado ao reco-reco na Folia de So Benedito do
Amazonas.  feito com um pedao de taquara grossa, fechada     nas suas
    extremidades pelos prprios ndulos da madeira, com parte de sua
  superfcie     dentada. Sobre a superfcie dentada, raspa-se com uma
vareta. O raspador  o     instrumento do mestre-sala atravs do qual d
                          todos os comandos.

                       RASPADURA. Veja RAPADURA.

RASTEJADOR.  a pessoa que descobre onde     a caa ou seres humanos se
 encontram seguindo o rastro que vo deixando pelo cho onde     passam
   ou atravs dos galhos quebrados dos pequenos arbustos. Onde existe
      floresta, mata,     caatinga, existe sempre o rastejador .

    RATOEIRA.  uma dana regional de Santa     Catarina. Dana-se a
ratoeira , formando-se um crculo de moas e rapazes de     mos dadas.
   No meio da roda fica um rapaz ou uma moa que canta uma quadrinha
  enquanto     os da roda avanam, repetindo a quadrinha.  a ocasio
  prpria para as declaraes     de amor ou para os desafios entre os
                                rivais.

                     REALEJO. Veja FOLE ou GAITA.

                         REBA. Veja RIBA.

    RECADO-PELO-MORTO. Em alguns pases da     Europa e da frica o
    recado-pelo-morto era uma prtica antiga. At mesmo aqui,     no
 Nordeste, pode-se encarregar um defunto, que vai ser enterrado, de dar
         um recado a     outra pessoa falecida anteriormente.

RECO-RECO.  um instrumento de percusso     feito com um gomo de bambu,
 com talhos transversais e que, friccionado com uma vareta de     ferro
   ou mesmo de madeira, produz um som de rapa. Na Bahia o reco-reco 
                      conhecido     como ganz .

REDE. 1. Feita de tecido resistente e     suspenso pelas extremidades em
armadores ou ganchos, a rede  uma espcie de     leito  para dormir ou
   descansar  muito usada no Nordeste. Os meninos     sertanejos no
dormem em beros; depois que nascem, so acostumados a dormir em rede ,
 que as mes balanam at o sono chegar; 2. Rede tambm  o nome que se
  d a     uma pea feita de cordes/fios entrelaados para pescar; 3.
   Rede-de-arrasto ,     tambm, a moa que tem muitos namorados, na
                          linguagem do povo.

REDEMOINHO.  o vento, em espiral,     tambm conhecido como remoinho e
rodamoinho . O povo acredita que o redemoinho seja o encontro, a briga,
 a vadiao dos ventos. No Sul, o Saci-Perer  o     responsvel pelos
 redemoinhos . Ela salta no meio dos ventos, roda, gira,     corcoveia,
arrebatando folhas, garranchos e poeira. Para fazer cessar o redemoinho
 ,     atira-se nele um rosrio de contas brancas ou uma palha benta.

REIS. Festas populares em alguns pases     da Europa dedicadas aos Reis
Magos em sua visita ao Menino Deus. Na Espanha e em Portugal     os reis
 continuam comemorados, sendo a poca de se dar e receber presentes. O
Dia     de Reis marca o fim do ciclo natalino, com a queima-da-lapinha e
a exibio do     bumba-meu-boi, da chegana, do fandango, dos congos.

                   REIS-DO-BOI. Veja BUMBA-MEU-BOI.

REISADO.  o nome que os eruditos do     aos grupos que cantam e danam
                       na vspera e Dia de Reis.

 REMATE.  um prato nordestino feito com     carne picada, farinha bem
     peneirada ou farinha de milho, temperado a gosto de quem faz.

RENDA. Renda feita a mo, tambm     conhecida como renda de almofada, 
 um artesanato muito comum no Nordeste, em Santa     Catarina e outros
  estados brasileiros. Trazido pelo colonizador portugus, a renda  o
   entrelaamento de fios formando desenhos. Para se fazer renda so
   necessrios: a almofada ,     os bilros , os espinhos de carda ou
    alfinetes, tesoura e pique . A almofada (um acolchoado de forma
 cilndrica) serve de base para a confeco da renda. Os bilros so uma
espcie de bobina onde a linha  enrolada, servem para tramar a renda, o
 que se     consegue trocando-os em diferentes posies. O pique , que
mede 20 cm,  o     padro da renda que se vai fazer. Cada tipo de renda
tem o seu pique , seu padro,     que passa de gerao a gerao e que 
 preso na almofada por alfinetes. As rendeiras ,     sentadas no cho,
  com a almofada nas coxas, trabalham o dia todo, ora conversando, ora
 cantando. A linha pode ser colorida, dependendo da vontade do fregus.
                  So diversos os     tipos de renda.

RENDEIRA. 1  a mulher que faz rendas e     est no cancioneiro popular:
   "Ol, mulher rendeira/ Ol, mulher rend/ Tu me     ensina a fazer
renda/ Queu te ensino a namorar"; 2. Rendeira tambm      a mulher que
   trabalha na terra dos outros, pagando uma renda anual, um foro .

 REPBLICA.  a casa, onde moram os     estudantes que no tm famlia
                       nas cidades onde estudam.

    RESTILHO. D-se o nome de restilho  cachaa quando  duas vezes
                       destilada nos alambiques.

RETIRANTE.  como so conhecidos os     sertanejos que, acossados pelas
estiagens prolongadas, abandonam tudo  procura de     trabalho noutros
lugares. Quando chove, muitos retirantes voltam para suas casas e tornam
 a cuidar de suas plantaes, de seus animais. O nico remdio capaz de
  combater as secas  a irrigao das terras sertanejas, o que j est
    acontecendo com as plantaes     situadas s margens do Rio So
  Francisco. Abrir frentes de trabalho  medida paliativa     que no
                           combate a seca .

 RETORCIDA.  uma dana sapateada     pertencente ao fandango , no Rio
                     Grande do Sul. Ver FANDANGO.

  RETUMBO. Retumbo  uma das     danas da Marujada na festa de So
  Benedito, na cidade de Bragana-PA.  a mesma coisa     que carimb,
      corimb, curimb, como a dana  conhecida em outras regies
   paraenses. A orquestra da dana do retumbo  composta de tambores
    grandes e     pequenos pandeiros, cuca ( ona ), rabeca, viola,
         cavaquinho e violino. No se     canta no retumbo .

REVIRADO. O revirado, tambm     conhecido como roupa-velha ou mexido, 
um prato feito com o que sobrou da     refeio anterior. Feijo, arroz,
 carne e legumes so colocados em uma frigideira e     levados ao forno
 brando para esquentar, acrescentados de farinha de mandioca a gosto. 
                   um prato da culinria fluminense.

 REZA. So oraes populares rezadas     pelos rezadores ou benzedores
 para curar doenas, pedir proteo e sade     para as pessoas que os
            procuram.  uma prtica existente no pas todo.

 REZA-DE-DEFUNTO. So oraes que os     parentes e os amigos do morto
 rezam em voz alta ou cantadas, costume tradicional     nordestino. As
   oraes podem ser: a) Tero rezado pelos presentes ao velrio; b)
  Ofcio de Nossa Senhora ou dos defuntos; c) Excelncias diversas: 1.
 Excelncia da     hora; 2. Excelncia da hora do dia, isto , quando o
   dia vai clareando, amanhecendo; 3.     Excelncia Maria, em que se
 cantam as partes do corpo do falecido e as partes de sua     roupa; 4.
    Excelncia da roupa ou da mortalha, quando vestem o defunto; 5.
 Excelncia do     cordo da mortalha; 6. Excelncia da despedida, por
 ocasio da sada do caixo para o     cemitrio, cantada at o cortejo
             desaparecer. E a ladainha de Todos os Santos.

   REZADOR ou BENZEDOR.  a pessoa que cura     as doenas proferindo
rezas, acompanhadas por gestos, sinais, cruzes, asperses quando     na
presena do doente. Mas o rezador pode rezar um doente a distncia, sem
 v-lo. No Nordeste  um tipo muito comum. Geralmente so mulheres que,
quando vo     ficando velhas, s ensinam sua rezas  filha mais velha.
Caso no tenha filha, pode     ensinar  sobrinha mais velha. Geralmente
    o rezador ou benzedor usa um     galho de arruda quando faz seu
                               trabalho.

                    RIAMBA. Outro nome de MACONHA.

 RIBA. No Nordeste a riba tambm  conhecida como reba, arriba,
   avoante, avoente . Elas costumam     aparecer, todos os anos, nas
 caatingas do serto nordestino, em grandes bandos,     pousando sempre
 nos lugares onde tem o capim-milho, e so abatidas pelos caadores e
                         vendidas nas feiras.

   RITA. Padroeira de muitas parquias     brasileiras, Santa Rita de
 Cssia nasceu em 1381 e faleceu em 1480.  uma santa muito     popular
 no Nordeste, onde tambm  conhecida como Santa Rita dos Impossveis.
        Seu     Rosrio de Santa Rita  muito rezado pelo povo.

  ROBERTO CMARA BENJAMIN nasceu em 1943,     na cidade do Recife, PE.
 Filho do professor Coronel Jos merson Benjamin e da     professora e
Inspetora Federal do Ensino Laudelina Cmara Benjamin. Fez o primrio no
 Grupo Escolar Joo Barbalho, o secundrio no Colgio Marista, ambos do
    Recife. Bacharel     em jornalismo pela Universidade Catlica de
  Pernambuco, especializou-se em Cincias da     Informao no Centro
     Internacional de Estudos Superiores de Periodismo para Amrica
   Latina , em Quito, Equador. Promotor Pblico, professor-adjunto da
   Universidade     Federal Rural de Pernambuco, professor titular da
      Universidade Catlica de Pernambuco,     membro das Comisso
  Pernambucana de Folclore, foi diretor do Departamento de Cultura da
   Secretaria de Educao de Pernambuco, Roberto Cmara Benjamin tem
 participado de muitos     congressos, seminrios realizados em todo o
 pas e tem diversos trabalhos publicados em     revistas cientficas e
 jornais sobre Comunicao Rural, Folclore: Os Folhetos     Populares e
      os Meios de Comunicao Social (1969), Literatura de Cordel,
  Expresso Literria Popular (1970), Religio nos Folhetos Populares
   (1970), A     Festa do Rosrio do Pombal (1976), Maracatus Rurais
 (1976), Os Congos da     Paraba (1977), Cambindas da Paraba (1978),
  Maracutus Rurais de     Pernambuco (1982), So Gonalo  Uma Devoo
              reprimida (1984), Rabecas (1997) e outros.

ROA. 1.  o nome que se d a uma     plantao de mandioca. 2. O mesmo
                             que roado .

  ROER-A-CORDA. No cumprir com a palavra     dada, empenhada. Voltar
              atrs no que disse, no que prometeu fazer.

ROER-TAMPA-DE-PENICO. Diz-se de quem passa     privaes, sem dinheiro,
                         sem ter o que comer.

ROGER BASTIDE nasceu em 1898, na cidade de     Lyon (Frana). Diplomado
pela Faculdade de Letras de Bordus (Frana), professor e     Sociologia
da Universidade de So Paulo, ensasta, crtico, folclorista, veio para
o     Brasil em 1937 e, depois de haver publicado vrios livros sobre o
folclore brasileiro,     entre os quais Psicanlise do cafun (1941), A
 poesia afro-brasileira (1943), Imagens do Nordeste mstico em preto e
 branco (1945), Estudos     afro-brasileiros  3v (1946/53), A cozinha
    dos deuses (1952), Sociologia     do Folclore brasileiro (1959),
 Candombls da Bahia (1961) e outros, alm de     ensaios e artigos em
revistas especializadas e jornais  voltou  Frana em 1954.     Faleceu
       no dia 11 de abril de 1974, na cidade de Paris (Frana).

   ROLETE. Pedaos de cana-da-acar vendidos     nas cidades da zona
canavieira. Descascada a cana, de preferncia caiana por ser     mole e
doce, cortada em rodelas e enfiadas nas hastes de um pedao de bambu ou
   taquara em     forma de guarda-chuva, as unidades so arrumadas em
 tabuleiros que os meninos vendem nas     ruas das cidades que esto 
                       sombra da cana-de-acar.

ROMARIA. D-se o nome de romaria ao grupo     de pessoas que, a p ou em
caminhes, viaja muitos quilmetros, com a finalidade de     chegar aos
locais onde a Igreja Catlica, em suas capelas ou baslicas, igrejas ou
 matrizes, venera um santo religioso ou popular, como no caso do Padre
Ccero Romo     Batista (CE), So Severino do Ramo (PE), Nossa Senhora
aparecida (SP) e outros. Depois de     pagar sua promessa por uma graa
  alcanada, o romeiro deposita no altar do santo, sua     velas, seus
    ex-votos , suas esprtulas. Outros centros de romaria so: Nossa
Senhora de Nazar (Belm-PA), So Francisco do Canind (Canind-CE), Bom
Jesus de     Pirapora (Pirapora-SP) e Bom Jesus do Bonfim (Salvador-BA).


  ROQUEIRA ou RONQUEIRA.  uma pea feita     de um pedao de cano de
ferro preso num toro de madeira e que, depois de carregado (por     uma
  das bocas do cano que fica aberta) dispara-se com um tio junto ao
 ouvido (um buraco feito na extremidade fechada do cano) provocando uma
 violenta exploso. A roqueira     ou ronqueira faz parte dos festejos
                               juninos.

ROSSINI TAVARES DE LIMA nasceu no dia 25     de abril de 1915, na cidade
   de Itapetininga (SP). Fez primrio no Ginsio Osvaldo Cruz e     o
 secundrio no Ginsio do Estado. Freqentou a Faculdade de Direito de
 So Paulo at     o 3 ano, quando se transferiu para o Conservatrio
 Dramtico e Musical de So Paulo.     Foi professor do Ginsio Osvaldo
   Cruz, da Escola Tcnica do Comrcio, do Liceu     Acadmico de So
    Paulo, do Liceu Piratininga e professor de Histria da Msica e
Folclore Nacional do Conservatrio. Fundou e dirigiu a revista Folclore
e     publicou, na rea do Folclore, Ntulas sobre pesquisas de folclore
musical (1945), A ,eu entrei na roda (sd), Poesias e adivinhas (1947),
O     Folclore na obra de Mrio de Andrade (1950), Achegas ao estudo do
romanceiro no     Brasil (1951), Abec do Folclore (1968), Geografia do
  folguedo popular (1968). Rossini Tavares de Lima faleceu no dia 5 de
                            agosto de 1987.

 ROUPA-DE-VER-A-DEUS.  o termo feito de     boa fazenda, de cor escura
  ou preta, que os homens costumam ter para ser usada em     ocasies
 solenes, missas, batizados, casamentos, enterros e que, muitas vezes,
               so     sepultados com ela. Da, o nome.

  ROUPA-VELHA. 1.  um prato preparado com     o que sobra da refeio
     anterior; 2. Prato feito de carne seca de boi ou de porco, com
                          cebola e manteiga.

ROXO.  uma mistura de caf com     cachaa, no interior de So Paulo.

 RUD. Rud ou Perud, um     guerreiro que reside nas nuvens,  o deus
 do amor indgena, encarregado da reproduo     dos seres criados. Sua
    misso  criar o amor no corao dos homens, despertando-lhes a
  saudade e fazendo com que voltem para a tribo de onde saram em suas
                     guerras e     peregrinaes.

         RUM.  o atabaque maior dos candombls     da Bahia.

        RUMPI.  o atabaque mdio nos     candombls da Bahia.

*   S-DONA. Tratamento que os homens do interior, camponeses, do s
                     senhoras casadas (Nordeste).

  SABO.  uma dana do fandango no Rio     Grande do Sul, So Paulo e
        Pernambuco, bastante popular nos meados do sculo XIX.

SABER-ONDE-O-CALO-APERTA. Saber, a pessoa,     as suas dificuldades, os
                            seus problemas.

SABONGO.  um doce feito com coco ralado     e com mel de engenho ou de
 rapadura at o ponto apertado, para ser comido puro ou com     farinha
   de mandioca. A mesma coisa que cocada, com um ponto mais brando.

 SACI-PERER.  um duende conhecido em     diversas regies brasileiras
do sul,  um negrinho que s tem uma perna, gil, astuto,     atrevido,
    traquinas, gosta de fumar cachimbo, tem as mos furadas, usa uma
    carapua     vermelha que tem poderes mgicos e que lhe cobre a
      carapinha.  noite, ele assobia,     inquietando as pessoas,
criando-lhes dificuldades, apagando o fogo, queimando os     alimentos,
  assustando os viajantes durante a noite. O Saci  associado ao Diabo
 entre os     mestres de folias de reis. Tudo faz crer que o Saci tenha
                        nascido no sculo XIX.

  SACOL.  um picol feito em casa, mas     acondicionado em pequenos
       sacos plsticos, amarrados com linha, sem o pauzinho. Para
   sabore-los s  preciso cortar uma das extremidades do saquinho e
                          pux-la para baixo.

  SAGUIM.  um macaquinho que anda aos     bandos. Dizem que o saguim
morre se algum lhe fizer uma careta. Tambm      conhecido como sagu,
                            sau e sauim .

             SAIA-SAI. Dana do fandango, do     Paran.

SAIA-VERDE. As meninas da saia verde so     entidades que se manifestam
 no catimb nordestino. So incontveis, moram no fundo do     mar, um
                        dos reinos invisveis.

SAIDEIRA.  como se diz do ltimo copo     de bebida na despedida de um
               dos parceiros ou quando a farra se acaba.

  SAIETA.  um doce tradicional em Minas     Gerais, feito da polpa de
                       coco da palmeira buriti.

 SAL. Usado no batismo da Igreja Catlica,     com aplicao universal
 para afastar os malefcios sobre a criana. Um dos feitios     que se
possa fazer para maltratar uma pessoa  misturar sal com areia na pegada
 de uma     criatura tendo, no meio, uma unha, um cabelo e um pedao de
 roupa ntima. O contra     feitio  diluir o sal na gua do mar. Pr
sal  porta de uma rival, obriga-a a     deixar o namorado. Derramar sal
 na mesa  agouro. A sabedoria popular diz que para se     conhecer um
amigo, a pessoa tem que comer sal com ele, isto , conviver algum tempo.
O     sal era a moeda circulante entre alguns povos antigos e dizem at
  que entre os indgenas     brasileiros. Por isso a palavra salrio 
                           derivada de sal.

  SALA-DE-DANA. Nome que se d, na Bahia,     aos candombls que no
              seguem a tradio autenticamente africana.

 SALGAR-O-GALO.  tomar a primeira dose do     dia.  matar o bicho .

SALIVA. Com a saliva Jesus curou cegos e     surdos-mudos. Na dcada de
40 andou pelo Agreste e Zona da Mata de Pernambuco um cidado     que se
 dizia mdico e que aplicava injees de saliva para curar determinadas
doenas.     A saliva tinha que ser de uma criana. J na feitiaria, a
saliva pode at matar. Na     medicina popular vamos encontrar a saliva
 usada para combater o mau-olhado. A saliva no     deve ficar exposta,
   mas, coberta com areia ou esmagada com os ps para que o diabo no
        se apodere dela, hbito muito nordestino na zona rural.

 SALTAR FOGUEIRA. Acontece por ocasio das     festas do ciclo junino,
        quando as fogueiras so acesas; salt-las,  um folguedo
 tradicional, como prova de coragem e agilidade de quem assim procede.

  SAMBA.  baile popular nas cidades e na     zona rural, sinnimo de
        funo, pagode, fob, arrasta-p, balanar-o-esqueleto,
 balana-flandre. A palavra samba vem de semba e significa umbigada na
    lngua dos escravos de Luanda que aqui chegaram. Somente em 1916
apareceu, pela primeira     vez, a primeira msica impressa mencionando
  a palavra samba: "Pelo     telefone", de Donga, compositor carioca.

 SAMBA-DE-LENO. O samba-de-leno tem     sua origem africana. Homens e
   mulheres, em fila, todos com um leno na mo acenando para     os
cavalheiros e, homens e mulheres, formando pares, se dirigem ao centro,
    danam ao som     de uma caixa e, s vezes, pandeiros e guais.

        SAMBOCA.  uma mistura de gua de coco com     acar.

SAMBUR.  um cesto feito de cip, de     tamanho pequeno, preso por um
  cordo grosso, para se trazer a tiracolo. Os pescadores     botam no
sambur os peixes que pescam. Na linguagem popular barriga de sambur 
 a pessoa que tem barriga grande. Pescar para o seu sambur  cuidar de
                seus     negcios, de seus interesses.

SANFONA.  o mesmo que acordeona ou acordeon , fole , harmnica . No Rio
  Grande do Sul este instrumento     musical  conhecido como gaita .

    SANGRIA. 1.  uma mistura de vinho tinto     com gua e acar,
 aconselhada s mulheres que do  luz, para aumentar o leite; 2.     
 uma inciso que se faz numa das veias para soltar o sangue, tratamento
     de algumas     doenas quando a medicina estava engatinhando.

SANGUE-DE-BARATA. Como se sabe, a barata     no tem sangue. E quando se
diz que uma pessoa tem sangue-de-barata significa que     essa pessoa 
                       insensvel, calma demais.

SANHAU. Pssaro tambm conhecido por sanhao, que gosta muito de comer
mamo. Na linguagem popular, sanhau  a pessoa que     gosta de beber.

 SANSA.  um instrumento musical trazido     pelos escravos africanos,
  feito com um casco de jabuti no qual so presas tiras     metlicas.
                 Toca-se como um instrumento de corda.

 SANTA RADI.  uma santa popular     canonizada pela populao do Alto
Madeira, Amazonas, onde nasceu, viveu e morreu. Era     uma moa de uma
  beleza sem igual, que ensinava catecismo s crianas, tocava violino
 sem saber msica e vivia sempre rezando. Restabelecia a paz domstica
  quando os casais     brigavam e curava as pessoas quando estavam com
                paralisia, erisipela e outras doenas.

SANTA VITRIA. Era o nome dado  palmatria nas escolas, antigamente. Os
alunos, s escondidas da professora, escondiam ou mesmo     davam fim 
   palmatria para no serem castigados quando se comportavam mal ou
                         no sabiam as lies.

   SANTO-DO-PAU-OCO. Frase irnica aplicada     a um menino travesso,
 traquinas, com ares de bonzinho. A explicao desta expresso      a
  seguinte: as imagens de santos, esculpidas em madeira, eram ocas, e
           vinham de Portugal,     cheias de dinheiro falso.

SANTOS SEM DIA. Todo dia tem seu santo.     Acontece que os 365 dias do
   ano no acomodam todos os santos da Igreja Catlica que,     para
   corrigir tal deficincia, determinou que o primeiro domingo do ano
depois de     Pentecostes, fosse o Dia de Todos os Santos. Hoje o Dia de
 Todos os Santos tem data fixa:     1 de novembro. O povo, para se ver
livre de obrigaes, criou um santo que no tem     dia:  o Dia de So
 Nunca. Inventou, tambm, o Dia So Pagomio, que  o dia mvel     em
    que os assalariados recebem seus salrios e pagam suas contas.

 SO JORGE.  um santo muito popular,     tambm conhecido por Ogum nos
ritos afro-brasileiros, patrono de corporaes     militares, escolas de
     samba, clubes de futebol. Justiceiro, protetor dos oprimidos e
  injustiados, So Jorge  cultuado no somente nas igrejas catlicas
   como tambm em terreiros de todas as linhas. Como Ogum-beira-mar,
comanda o povo do mar. Como Ogum-ronda, cuida da segurana das pessoas,
dos veculos, das casas de residncia e comerciais.      conhecido como
    o Santo Guerreiro e festejado no dia 23 de abril, com procisses
catlicas e atividades nos terreiros. A espada-de-so jorge  uma planta
usada     nos banhos e libaes.  bom ter um p de espada-de-so jorge
plantado no     jardim das casas que ficam, assim, protegidas de todo o
                                 mal.

SO SEBASTIO. So Sebastio nasceu na     Narbnia e foi legionrio do
 Imperador Carino. Era o chefe dos Pretorianos que, na     antiga Roma,
  se encarregavam de distribuir a justia. Como ele era cristo, e foi
   denunciado ao imperador, ele, depois de amarrado numa rvore, foi
crivado de setas at a     morte.  um santo muito popular no Brasil. 
    o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro e     d seu nome a dois
     municpios fluminenses: So Sebastio do Rio de Janeiro e So
 Sebastio do Alto. Conta a lenda que, na batalha final que expulsou os
franceses que     ocupavam o Rio de Janeiro, So Sebastio foi visto, de
  espada na mo, entre os     portugueses, mamelucos e ndios, lutando
    contra os franceses calvinistas. O dia da     batalha coincidiu,
  exatamente, com o dia do santo, celebrado no dia 20 de janeiro. So
Sebastio  o protetor da humanidade contra a fome, a peste e a guerra.

   SAPATOS. Os sapatos esto ligados s     crendices do povo. O povo
    acredita que deixar um sapato emborcado, isto , de solado para
cima, est chamando a morte do dono.  comum o uso de sapatinhos feitos
de     madeira, osso ou metal, como adorno, para a pessoa ter boa sade,
 boa sorte e situao     financeira equilibrada. Tem tambm a estria
   daquele homem que era to econmico que     os filhos s usavam um
             sapato para no gastar o par, de uma s vez.

SAPOS . O sapo  muito usado nas     bruxarias, nos feitios. Escrever o
  nome de uma pessoa na boca de um sapo, costurando-a,     em seguida,
  traz muito mal  pessoa que  dona do nome. Acontece, tambm, que os
sapos     chamam a chuva e so seus guardies. Diz-se que a pessoa tem a
 boca de sapo quando tem a boca muito grande. Uma das cantigas de ninar
  mais conhecidas no Brasil  a     do sapo-cururu, com a qual as mes
  embalam seus filhos: "Sapo-cururu/Da beira do     rio,/Quando o sapo
             canta,  maninha,/Diz que est com frio!..."

SARABAGU .  uma dana da Santa Cruz,     em Carapicuba-SP, ao som de
        uma viola de dez cordas, pandeiros, cuca e reco-reco.

SARAPATEL. O sarapatel foi trazido     da ndia pelos portugueses.  uma
comida que conta com os seguintes ingredientes: sangue     de porco, uma
garrafa de vinagre, uma colher de sopa de sal, todos os midos do porco,
 temperos secos e verdes, duas folhas de louro, meio quilo de banha. 
  uma comida     considerada como pesada , significando que, depois de
 comer sarapatel , uma     pessoa no pode dormir nem tomar banho. Para
cortar o peso do sarapatel o     povo costuma tomar, depois de saborear
    um gostoso sarapatel , um clice de cachaa     ou de batida .

   SARAR.  uma formiga vermelha, de asas.      o mulato de cabelos
               vermelhos, como a formiga de igual nome.

 SARNA.  uma dana do Rio Grande do Sul.     Enquanto danam, os pares
fingem que se coam, como se estivessem com sarna , uma     coceira que
             ataca as pessoas e que s passa com enxofre.

SARRABULHO. 1. O mesmo que SARAPATEL; 2.     Diz-se que uma pessoa leva
  um sarrabulho quando  derrubado por uma onda do mar     quando est
                                brabo.

SARU.  uma dana que mistura a     quadrilha francesa com a americana
 e tambm com passos do serto.  a corrutela     de soire ou sarau .

                          SAU. Veja SAGUIM.

                          SAUIM. Veja SAGUIM.

SAVA. Tambm conhecida como saba,     carregadeira, formiga-de-roa e
sobitu . As fmeas so as tanajuras ,     um prato tradicional, e fazem
  parte do molho do tucupi . H um antigo slogan que diz: "Ou o Brasil
        acaba com a sava , ou a sava acaba com o     Brasil."

  SEGREDO-DE-ABELHA. Diz-se quando qualquer     coisa  muito cheia de
                        mistrio impenetrvel.

 SEIXEIRO.  a pessoa que engana, passa calote ,     no paga a dvida
                              contrada.

  SEIXO.  uma pedra que de tanto percorrer     a correnteza dos rios
                ficou arredondada, perdendo as quinas.

SEM-P-NEM-CABEA. Diz-se de tudo que     no tem nexo, no tem sentido,
                        no tem comeo nem fim.

 SENTINELA.  o mesmo que velrio ,     em Pernambuco, Alagoas e Cear.
 Na Paraba, no Rio Grande do Norte e tambm no Cear,      quarto ou
                guarda . Em So Paulo,  guardamento .

   SENZALA. Casa onde moravam os escravos nos     antigos engenhos e
      significa morada, habitao, ambundo . A palavra  de origem
                               africana.

 SEQUILHOS. De origem portuguesa, os sequilhos so rosquinhas de massa
 seca, com ou sem amndoas, castanhas de caju ou amendoim, de     forma
                             arredondada.

SER-FILHO-DO-PADRE. Diz-se de quem tem     muita sorte em tudo que faz,
   em tudo em que se mete, negcios, mulheres, agricultura,     tudo,
                                enfim.

 SER-O-CO-DO-SEGUNDO-LIVRO. Nas dcadas     de 20 e 30 o Primeiro e o
Segundo Livro de Leitura , de Felisberto de     Carvalho, eram adotados
    nas escolas primrias brasileiras. Mas era justamente no Segundo
 Livro de Leitura que os meninos daquela poca se deparavam, a pginas
  tantas, com o     desenho do Co  como  mais conhecido o Diabo, o
Satans, o Demnio no Nordeste.     Era uma figura terrvel, de chifres,
 de cauda, botando fogo pelo nariz e empunhando um     tridente, figura
 que causava medo na poca em que tudo que se fazia era pecado e ainda
 existia o inferno. Da a expresso popular ser-o-co-do-segundo-livro
    com dois     significados diferentes: a) como sinnimo de feio,
   horrvel; b) significando danado de     bom, inteligente, brabo ,
 valente, bom em futebol, jogo de cartas, cantando,     danando, etc.

SER-UM-RAPADO. Ser um pobreto, no ter     onde cair morto, nada ter de
                                 seu.

 SER-O-BENEDITO? Expresso popular     equivalente a Ser possvel? 
                            inacreditvel!

 SERAFIM. Santo italiano da Ordem dos     Capuchinhos, canonizado pelo
    Papa Clemente X. Ele tinha uma das mos tortas e as     crianas
costumavam brincar, assim: - "Uma esmola para So Serafim! Quem no der
             fica assim", diziam entortando uma das mos.

SERENATA. Um pequeno grupo de rapazes     entre os quais um toca violo
ou piston e que, nas noites de lua, vo cantar  janela     da moa pela
qual um dos componentes do grupo est apaixonado. Alguns pais no gostam
 de serenatas e, s vezes, at mesmo atiravam ou derramavam urina sobre
                     os rapazes     da serenata .

 SERENGA.  o canto entoado pelos romeiros     por ocasio da festa do
Divino Esprito Santo quando, remam, em suas canoas, para o     encontro
          festivo das duas bandeiras, rio abaixo e rio acima.

 SERENO. Ficar no sereno  o ato de     quem no  convidado e fica do
 lado de fora, olhando, atravs das janelas, os bailes     familiares.

                        SERESTA. Veja SERENATA.

  SEREIA. A sereia  metade mulher muito     bonita e a outra metade 
      peixe, que seduz os pescadores, fazendo com que eles morram
                               afogados.

SERICIA.  um pssaro, uma espcie de saracura que, quando canta, est
                      anunciando que vai chover.

   SERPENTE. A serpente tem muito valor na     sabedoria popular. Ela
   significa vida, fora, mistrio. O povo acredita que uma serpente
 cortada ao meio vira duas serpentes. Quando a serpente entra num rio,
    deixa o veneno fora     dgua, e se morder uma pessoa, por mais
 venenosa que seja a serpente, a pessoa nada     sofrer. Se uma mulher
 grvida passar por cima de uma serpente, esta morrer. Depois     que
Deus fez o mundo, o Diabo, muito invejoso e mau, pediu-lhe licena para
tambm fazer     seus bichinhos e tanto suplicou que Deus atendeu a seu
pedido. O Diabo, ento, fez a     serpente, a cobra. O homem do interior
    tem seus remdios contra as picadas de cobras     venenosas. Os
      rezadores tambm tm suas rezas para combater o mesmo mal.

SERRAO-DE-VELHA. Serra-a-velha  uma brincadeira muito antiga, trazida
  pelos colonizadores portugueses, e que consiste     no seguinte: um
 grupo de pessoas se reunia  porta de uma velha e, chorando, gritando,
        com um serrote, serravam um pedao de madeira, gritando
   "Serra-a-velha!". s     vezes o serra-velha terminava em tragdia
quando os familiares da pessoa que     estivesse sendo serrada disparava
 velhas espingardas contra os serradores .     Pessoas at jogavam gua
quente ou urina sobre os serradores . A brincadeira     acontece durante
  a Quaresma, at o Sbado de Aleluia. Em algumas cidades do interior
              nordestino ainda persiste esta brincadeira.

     SERRANA.  uma dana dos fandangos do     Rio Grande do Sul.

SEXO. Prever qual  o sexo da criana     que vai nascer,  uma tradio
    corrente e popular na Europa. Foi o colonizador     portugus o
   responsvel pela divulgao dessa tradio entre ns. Vejamos como
saber qual o sexo das crianas que ainda vo nascer: 1. Ferver um quiabo
e, se     ele se abrir depois da fervura, nascer uma menina e, em caso
 contrrio, ser um     menino; 2. D um talho num corao de galinha e
faz-lo cozinhar; se o corao     conservar o talho aberto, nascer uma
 menina e, se ficar fechado, nascer um menino; 3.     Pe-se uma folha
  de salsa na chapa do fogo; se a folha se encrespar, ficar encolhida
 com o calor, nascer uma menina e, se no encolher, nascer um menino;
4. Ao subir numa     escada se a mulher grvida comear a subir com o p
  direito, nascer um menino e, em     caso contrrio, uma menina; 5.
Pedir  mulher grvida que mostre a mo; se a estender     com as costas
da mo para cima, nascer um menino e se mostrar a palma da mo, nascer
 uma menina; 6. Se o ventre da me for pontudo, nascer um menino e, se
    for arredondado,     nascer uma menina; 7. Se o feto for muito
  bulioso, nascer um menino e, se no for     bulioso, nascer uma
    menina; 8. Manda-se, tambm, que a mulher fique em p, encostada
numa parede e pede-se que ela comece a andar. O sexo da criana depende
   do primeiro     passo: se for dado com o p direito, ser do sexo
 masculino e, se for dado com o p     esquerdo, ser do sexo feminino;
 9. A primeira pessoa que bater em casa, no momento em     que a mulher
  comea a cortar o enxoval do filho, tambm indicar o seu sexo; se a
 pessoa que bateu na porta da casa for um homem, a criana ser do sexo
  masculino e, se     for mulher, a criana ser do sexo feminino; 10.
  Pelo bico do seio da gestante tambm      possvel saber o sexo do
   futuro filho: se a coroa que se forma em seu redor for     escura,
  nascer um menino, e se for clara, quase natural, ser uma menina.

    SILNCIO. Lara, Mata e Tcita so a     mesma deusa do silncio,
 festejada no dia 18 de fevereiro. No folclore, o silncio est     nas
supersties dos remdios, do tratamento das mordidas de cobra venenosa,
de     guarda-defuntos, do ato de desenterrar dinheiro dado por almas do
outro mundo, de viagem     noturna, de promessa de acompanhar procisso
  e outros  so coisas que a pessoa tem     que fazer calada, no mais
 absoluto silncio. No Brasil, alguns jogos infantis em que     perde o
       menino que quebra o silncio, isto , fala, grita, chora.

   SILVIO ROMERO nasceu no dia 21 de abril de     1851, na cidade de
   Lagarto, SE. Fez o primrio com o professor Badu e, aos doze anos,
estudou os preparatrios no Rio de Janeiro, onde tambm cursou o Ateneu
Fluminense. Com     17 anos chegou ao Recife para cursar a Faculdade de
  Direito, bacharelando-se no dia 12 de     novembro de 1873. Cursou a
     Faculdade, naquele tempo com Tobias Barreto, de quem se tornou
    amigo. Em 1871 colaborou no Correio de Pernambuco , no Diario de
Pernambuco ,     no Jornal do Recife e na A Repblica . Do Recife passou
 a residir no Rio de     Janeiro, publicando ensaios, artigos e muitos
livros. Na rea de Folclore, salientamos: Contos     populares do Brasil
   (1882), Etnografia brasileira (1888) e Estudos sobre a     poesia
 popular no Brasil (1888). Pertenceu  Academia Brasileira de Letras do
 qual     foi um dos fundadores. Faleceu no dia 18 de junho de 1914, na
                       cidade do Rio de Janeiro.

 SIMPATIA.  uma prtica muito difundida     entre as diversas classes
sociais, empregada com a finalidade de chamar chuva, curar     doenas,
  afastar formigas, encontrar noivo, achar emprego, fazer chover, etc.
  Entre as     muitas simpatias, lembramos: 1. Para menino aprender a
andar: dar de beber  criana     gua da primeira chuva de janeiro; 2.
 Para cimbra: amarrar um barbante virgem na perna;     3. Para dor de
 dente: aplicar na crie cera de ouvido de cachorro; 4. Para bronquite:
 matar uma barata, colocar num saquinho de pano e amarrar no pescoo do
  paciente; 5.     Coceira: passar urina de vaca no lugar afetado; 6.
   Embriagus: colocar um pedao de     limo no bolso do bbado; 7.
Insnia: colocar trs folhas de alface na fronha do     travesseiro; 8.
Para dor de barriga: tomar ch feito com olhos da goiabeira; 9.     Suor
   nas mos: passar as mos na parede de uma igreja; 10. Urina solta:
  urinar dentro de     uma casca de ovo e enterr-la num formigueiro.

  SINH.  como os escravos chamavam as     mulheres de seus senhores.
 Sinhazinha eram as filhas da sinh, tambm     chamadas de Sinh Moa.
     Com a abolio da escravatura, a palavra sinh perdeu     seu
            significado inicial para se tornar um apelido.

   SINH. Sinh  uma corrutela de     senhor e tem a mesma origem da
         palavra sinh. Os filhos do sinh eram sinhozinhos .

     SIRI. 1. O siri  um crustceo do     mar e dos rios quando se
 encontram, das mars. Vrias so as qualidades de siri :     o siri de
mangue, o siri mole, o siri capiba que  o maior deles. Siri tambm  a
    pessoa que carrega o facho aceso ou o lampio no bumba-meu-boi.
Siri-donzelo  como se chama o rapaz tmido, palerma. Um adgio popular
 diz que "O siri magro     carrega gua para o gordo". Na culinria do
  Nordeste o siri  muito     solicitado: a fritada, o casquinho e as
  patas do siri so pratos encontrados nos     bares e restaurantes da
  orla martima; 2. A expresso brabo-que-nem-siri-na-lata      usada
para qualificar a pessoa quando est braba , fazendo barulho, encrenca,
                            fora     de si.

     SIRIRI. 1. Dana popular em Mato Grosso;     2. Ronda infantil
abrangendo todo o Nordeste . O siriri  o menino que fica no     meio da
roda, feita por meninos e meninas de mos dadas, cantando e, em seguida,
segura     uma das meninas que o substitui no meio da roda e no canto.

 S-TER-BOCA. Diz-se de quem s      valente na boca, sem ter coragem
                             para brigar.

 SOCA. Quando a cana  plantada em terra     apropriada, frtil, no fim
de dez a doze meses d o seu primeiro corte, ao qual     conhecemos com
    o nome de planta ; dos troncos nascem novos rebentos que, no ano
seguinte, fornecem outra safra, que  a soca ; no terceiro ano, tem-se a
   ressoca ;     e no quarto, a contra-soca . Acontece que da soca ,
   ressoca e contra-soca j no floresce uma cana de boa qualidade.

  SOGRA. No mundo todo as sogras , com     raras excees, so odiadas
pelos genros. A sogra  motivo de pilhrias, de     piadas, de anedotas
     em todas as lnguas. O povo diz que: 1. Sogra no  parente. 
castigo; 2. Sogra boa  a que j morreu; 3. Feliz foi Ado, que no teve
sogra nem     caminho; 4. Deus fez a me e o Diabo fez a sogra; 5. No
 mando minha sogra para o     inferno porque fico com pena do Diabo; 6.
 Sogra e arado s prestam debaixo do cho; 7.     Duas coisas matam de
  repente: vento pelas costas e sogra pela frente; 8. Morar com sogra
  fazer vestibular para o cu; 9. Depois que minha mulher morreu casei
 com minha cunhada     pra fazer economia de sogra; 10. Sogra, milho e
     feijo, s debaixo do cho. ANEDOTAS:     1. Dois professores
  conversavam: - conheo duas lnguas que nenhum poliglota  capaz de
  dominar.  E quais so elas?  A lngua da minha sogra e a da minha
 mulher...     2. Dizia um amigo: - Por que  que voc tem tanta raiva
  dos mdicos?   porque     eles salvaram minha sogra trs vezes...
CULINRIA: No que diz respeito  sogra a     culinria  bastante rica:
a) Beijo-de-sogra; b) Olho de sogra; c) Pudim de sogra.     APELIDOS DA
    SOGRA: a) A cobra choca; b) A mexeriqueira; c) A caninana; d) O
  pra-raios;     e) A besta fera; f) A intrusa; g) A maleitosa; h) A
                           espingarda ruim.

 SOLEIRA. Vrios povos consideram a     soleira da porta de entrada das
 casas como um lugar de respeito e at mesmo sagrado. A     pessoa, ao
entrar numa casa, antes de pisar na soleira tinha que tirar o chapu, em
    sinal     de respeito ao reinado domstico. No se deve varrer a
 soleira, lugar onde so     enterrados os umbigos dos recm-nascidos,
onde so colocadas as primeiras unhas cortadas     do filho e os cabelos
das filhas. Um mundo de crendices est, assim, associado      soleira.

SOPA. 1. Prato comum no mundo todo, feito     com caldo de carne, arroz
ou macarro, verdura, tempero verde, a gosto; 2. Tambm  o     nome que
 se dava aos pequenos nibus antigamente. Na Bahia, a sopa tinha o nome
de marinete ; 3. Sopa tambm  tudo que  fcil, bom. Fazem-se sopas de
peixe, de milho verde, de macaxeira, de jerimum, de inhame, de cabea de
                              peixe, etc.

 SOPA-DE-CAVALO-CANSADO. Em Portugal,      muito comum. A sopa  feita
           de vinho tinto com acar, canela e po torrado.

 SORORGO. Os escravos trouxeram para o     Brasil esta dana africana.

    SOVACO-DE-COBRA. Nos restaurantes     populares est tendo muita
aceitao o sovaco-de-cobra , um prato feito com     charque desfiada e
  assada, para ser comida com macaxeira.  parecido com roupa-velha ,
            prato feito com carne de boi desfiada e assada.

  SUJO-QUE-S-PAU-DE-GALINHEIRO. Diz de     tudo que  demasiadamente
   sujo, pessoas, animais ou coisas, e tambm das ms pessoas     sem
                          carter, sem moral.

SUM. Sum  um homem branco     que, antes do descobrimento do Brasil,
 aparecia aso indgenas, ensinando-lhes o cultivo     da terra e regras
morais. Acredita-se que o sum seja o mesmo So Tom, tambm     chamado
                               de Zom.

      SUOR. As roupas ntimas so muito usadas     na feitiaria,
principalmente quando esto molhadas de suor. Coar caf, ch, chocolate
numa camisa suada de uma mulher e depois de bebidos faz com que a pessoa
que bebeu merea     ao amor da dona da camisa. Quando as crianas esto
 sob a ao do quebranto, o     pai ou o parente homem mais prximo faz
     com que passem entre suas perna abertas, estando     suados.

 SUPERSTIO.  um sentimento religioso     baseado na ignorncia ou no
medo e que leva as pessoas  pratica de coisas criadas pela     fantasia
    das crendices. A superstio  universal. Para que as pessoas se
defendam das     supersties devem usar amuletos. No  bom passar por
baixo de uma escada. O nmero     13  azarento. Ver gato preto d azar.
Dormir com os ps na direo da porta do     quarto  chamar a morte. A
   pessoa deve dar o primeiro passo com o p direito. O     americano
  quando pisou o solo lunar colocou primeiro o p direito e, depois, o
                               esquerdo.

      SURRO. Pequeno saco de couro cru no qual     os vaqueiros e
  agricultores levam a comida preparada em casa, o bode , composto de
             farinha, carne seca e um pedao de rapadura.

    SURUBIM. 1. Peixe de bom tamanho     encontrado nos grandes rios
brasileiros, considerados o bacalhau nacional; 2. Tambm  o     nome de
      um boi muito famoso, cantado em verso pelos poetas populares
                             nordestinos.

     SURUCUCU.  uma cobra muito venenosa,     encontrada na regio
     amaznica. Sua carne assada  usada pelos indgenas na cura do
   reumatismo; e se faltar a carne, o remdio  feito com seus ossos
            pulverizados em     infuso de cachaa ou caf.

  SURURU. 1.  um molusco tpico da     culinria alagoana. Fritadas,
empadas, refogados de sururu so uma delcia. O     sururu  encontrado
   na lama dos brejos, das lagoas; 2. Sururu tambm significa,     na
      linguagem popular, confuso, brigas, barulho entre pessoas.

SUSPIRO. De origem oriental, o suspiro  um doce feito de clara de ovos
batidos, com acar branco e limo, assado em forno     brando, em forma
                        de flores, frutos, etc.

  SUSTENTAR-A-PO-DE-L. Tratar bem as     pessoas, sem que nada lhes
                                falte.

*TABA. O jogo de taba, que era popular entre os legionrios     romanos,
espalhou-se pelo mundo e os espanhis se encarregaram de sua divulgao
    em     suas colnias. Chegou ao sul do Brasil por intermdio dos
argentinos e uruguaios.  um     dos jogos prediletos do gacho. Joga-se
   a taba ou tava com um osso que se     encontra na parte da perna,
            situado atrs da articulao do joelho do boi.

TABACO. Alm do nome que se d ao fumo,     o tabaco ou rap  feito de
     fumo em rolo, cujas folhas so abertas,     torradas, modas,
pulverizadas em uma quenga de coco ou num caco de barro. As     pessoas
 costumam colocar pequenas pores de tabaco numa das narinas e, depois
 de     aspir-las, espirrar fortemente. Na linguagem popular, o tabaco
tambm se faz     presente: 1. Conselho e tabaco , d-se a quem pede; 2.
 Tomar para o seu tabaco  receber uma lio, um castigo; 3. No valer
uma pitada de tabaco  no     valer coisa nenhuma; 4. Tabaquear-o-caso
 ,  no dar nenhuma importncia a     qualquer coisa. O nome tabaco 
 originrio do nome da ilha de Tobago, no Caribe,     onde os espanhis
                     encontraram a planta do fumo.

         TABACUDOS.  como so conhecidos os     paranaenses.

 TABAQUEIRO.  onde se guarda o tabaco ,     feito geralmente do chifre
 de um animal de pequeno porte, como o carneiro. Os ricos     guardavam
   seu tabaco em pequenas e trabalhadas caixinhas de prata, de forma
                             arredondada.

  TABARU.  o nome que se d s pessoas     do interior. O mesmo que
                           matuto, roceiro .

 TABU. A palavra tabu  originria     da Polinsia, na Oceania, e no
  tem traduo, como acontece com a nossa palavra saudade .     Tabu 
  tudo que  proibido, que no se deve fazer. No Nordeste, o homem do
  interior, no     lugar de usar a palavra tabu , prefere a expresso
 faz-mal , principalmente     no que diz respeito s proibies na rea
 da alimentao: Faz-mal chupar     manga e tomar leite,  um exemplo.

  TACAC.  uma comida, prato da regio     amaznica. Trata-se de uma
    papa de goma  qual se junta uma quantidade varivel de tucupi ,
             alho, sal, pimenta e camares. (Ver TUCUPI).

     TAIEIRAS.  um grupo de mulheres,     vestidas de baianas, que
    acompanhava as festas de Nossa Senhora do Rosrio, na cidade de
  Lagarto, SE. Uma das Taieiras , girando no ar sua varinha enfeitada,
 acompanhando o     andor da santa, canta no que  seguido pelas demais
  componentes do grupo. As taieiras seguem a procisso que percorre as
ruas da cidade, ao som de uma banda de msica, com     muitos foguetes.
A princpio as taieiras eram uma manifestao folclrica     prpria de
Sergipe. Depois, os pesquisadores chegaram  concluso de que, na cidade
   de     So Miguel, Alagoas, as taieiras tambm se apresentavam no
apenas por ocasio     das festas de Natal como tambm na festa de Nossa
 Senhora do , padroeira da cidade, no     dia 18 de dezembro, e no dia
de So Sebastio, no dia 20 de janeiro. Os personagens das taieiras so
   o Rei e a Rainha, o Mateu, a Catarina, a Crioula e as baianas, que
  vestem as roupas     parecidas com as que so usadas nos reisados e
  quilombos , com muitas     jias, voltas, cordes de ouro, pulseiras
  prprias das baianas . As baianas formam     dois cordes, como nos
pastoris, um azul e outro encarnado. A crioula  uma     boneca, como a
   do maracatu. Como se v, as taieiras so uma mistura de baianas ,
 pastoril, reisado . Antes de se exibirem, antes de existir a igreja de
 Nossa Senhora     do Rosrio, as taieiras iam at a Igreja Matriz para
  salvar o santo no     altar onde morava a imagem de So Benedito, o
                    patrono das taieiras alagoanas.

  TAINHA.  um peixe das costas do     Atlntico, na regio da Ilha de
Maraj. Nas feiras e nos mercados, as tainhas so     vendidas frescas,
      moqueadas, salgadas. A ova das tainhas, seca ao sol,  muito
      procurada pelos moradores da regio. Nos tempos coloniais os
funcionrios pblicos     recebiam o salrio em pacotes de tainhas . Uns
ganhavam dez, vinte, at cem     pacotes, conforme o cargo que exercia.
                    A tainha era, assim, dinheiro.

  TALISM. Os talisms so objetos     que, conduzidos pelas pessoas,
 fazem com que elas se livrem de influncias malficas,     mas somente
  depois de preparados pelos pajs ou feiticeiros, como acontece com o
   uirapuru, o olho do boto, a canela do soc, o rabo do tamancuar.

TAMANDAR. Tamandar era o No     dos tupinambs, filho de Sun e irmo
de Aricute. Tamandar vivia com Aricute numa     aldeia. Ao regressar de
uma expedio guerreira, Aricute insultou Tamandar, atirando     contra
     sua cabana o brao de um inimigo que havia decepado. A aldeia
 desapareceu e     Tamandar, batendo com o p no cho, fez surgir uma
 fonte dgua que inundou a     Terra, cobrindo as serras e as rvores.
   Tamandar subiu, ento, numa rvore bem alta,     com a famlia e
    Aricute subiu num jenipapeiro, tambm, com a mulher e os filhos.
 Escapando do dilvio, os irmos se separaram e repovoaram a Terra. De
Tamandar vm os tupinambs e de Aricute, os tomimis. Tamandar, que  o
     No dos     indgenas, significa aquele que repovoou a Terra.

 TAMARAC.  um tambor feito pelos tupis,     de um tronco escavado no
 qual, em uma de suas extremidades,  colocada uma pele de     animal,
                               esticada.

 TAMBAQUE. Nas festas de Nossa Senhora do     Rosrio, em So Paulo, os
  negros faziam um batuque ao qual davam o nome de tambaque, precedido
por um cortejo do qual participavam um rei e uma rainha e todos iam para
           determinada casa     onde era servido um jantar.

 TAMBATAJ.  uma planta da regio     amaznica, na qual a folha maior
 tem, sobre si, uma folha menor, em forma de vulva (no     Amazonas) ou
de corao (no Par).  um amuleto para conquista e fidelidade amorosa.
 Para uns, o amuleto tem que ficar escondido, para no perder as foras
 quando visto.     Para outros, acontece justamente o contrrio: quanto
           mais visto mais aumenta seu poder de     atrao.

   TAMBORIM.  um tambor pequeno, feito com     a pele de animal bem
esticada s de um dos lados, tocado com a mo direita e segurado     com
a esquerda. Instrumento de percusso muito usado nos conjuntos musicais
e nas escolas     de samba. Na ordem de colocao dos instrumentos para
 o desfile das escolas de samba, o     tamborim ocupa a terceira fila.

 TAMBU. Nos gongos de So Paulo      usado o tambu, feito de um tronco
  rolio, oco, medindo de 35 a 40 centmetros de     dimetro, mais ou
menos, com um metro de comprimento, afinando para uma das extremidades.
Numa delas,  colocado um pedao de couro de boi, bem esticado, pregado
com tachas     amarelas e cravos pretos. O tambu  amarrado no corpo do
tocador. No batuque de     Tiet, os msicos tocam sentados sobre eles,
                        com as pernas abertas.

 TANAJURA. A tanajura  a fmea da     formiga sava, tambm conhecida
   como formiga-de-asa. Desde os tempos coloniais os     portugueses
 aprenderam a sabore-la. Assada na manteiga,  um prato delicioso para
 muitas pessoas. A tanajura faz seu ninho no cho. Em outubro, quando o
tempo est     quente, ela sai do ninho, em enxame, e fica nos galhos da
  rvore mais prxima. Os     apreciadores da tanajura, munidos de uma
urupema, entoam a parlenda: -     "Tanajura, cai, cai,/Pela vida de teu
pai!". A que consegue se livrar de seus     perseguidores, cava sua toca
 no cho onde pe seus ovos, formando, assim, um novo     formigueiro.
    Acresce, ainda, que a tanajura, alm de participar da culinria
   brasileira, tambm  usada  comida ou dela se fazendo um ch bem
   apurado      para combater os males da garganta, como faringite,
     amidalite. Dizem, tambm, ser a tanajura um prato considerado
afrodisaco, aconselhado s pessoas que sofrem de debilidade     sexual.
 Na linguagem popular, tanajura  a mulher que tem a cintura fina e as
    ndegas desenvolvidas, as raimundas, os violes. Como preparar a
    tanajura e dela fazer um prato gostoso? A receita  a seguinte:
  Arrancam-se as asas, o ferro     e as pernas da tanajura depois de
lav-las em gua corrente. Em uma frigideira,     prepara-se um refogado
    com cebolas raladas, um pouco de leo ou manteiga e sal a gosto.
Depois de dourar as cebolas, fritam-se as tanajuras em fogo brando, at
  que fiquem     torradas, sem queimar. Junta-se farinha de mandioca e
                           deixa-se dourar.

  TANGAR.  um pssaro do tamanho de um     pardal, todo preto, com a
cabea de um amarelo alaranjado. Ele no canta. O tangar se     faz de
   morto e os outros, em seu redor, saltam e gritam. Seus gritos so
ouvidos bem     longe. E depois a dana termina quando o tangar que se
  fazia de morto, volta a     andar, a pular, d um grande assovio e,
                       gritando, sai em revoada.

TANGERINO.  a pessoa, geralmente     um vaqueiro, que vai tangendo uma
                    boiada de um lugar para outro.

 TANGOLOMANGO. 1. Na linguagem popular dar     o tangalomango significa
 morrer, ir para a cidade de ps juntos, comer capim pela     raiz; 2.
  Tambm  uma cantiga de roda que, no final de cada verso, uma menina
   deixa     o brinquedo: - "Eram nove irms numa casa/ Uma foi fazer
 biscoito;/Deu o     tangolomango nela,/No ficaram seno oito!". E as
meninas, uma de cada vez, vo     saindo da brincadeira at que s fica
 uma: - "Era uma, meu bem, que ficou/Meteu-se     a comer feijo;/Deu o
               tangolomango nela,/Acabou-se a gerao!".

 TANTO-FAZ-COMO-TANTO-FEZ. Diz-se do que     no obsta; do que no tem
                         nenhuma importncia.

   TAPIOCA.  uma comida, parecida com o beiju, mas feita de goma de
 mandioca meio seca e cozida num tachinho circular, tomando,     assim,
 sua forma. Quando comea a secar, bota-se uma camada de coco ralado e
dobra-se ao     meio, em forma de semicrculo. Faz-se, tambm, a tapioca
 molhada, com leite de coco ou     de vaca, depois que ela fica pronta.
          Come-se com manteiga no caf da noite ou da manh.

TAPUIA.  o nome que ainda se d ao     indgena do interior, do serto
                   e tupi aos indgenas do litoral.

TARECO.  um biscoito feito com farinha     de trigo, ovos e acar, de
 tamanho pequeno e de forma arredondada.  um biscoito     pernambucano
                    que se espalhou pelo Nordeste.

TAR ou TAROL.  uma caixa, um     tambor mais estreito, tocado com duas
     vaquetas nas bandas marciais e no maracatu     pernambucano.

  TARTARUGA. A tartaruga de gua doce      pescada nos tabuleiros dos
 rios da Amaznia por ocasio da desova, de anzol ou de     flecha. Ela
   pe uma mdia de cem ovos que so enterrados numa rea e o sol se
    encarrega de chocar.  chamada de boi-do-caboclo e dela se fazem
diversos pratos:     o guisado, o sarapatel, o paxic, o picado do peito
 e a farofa no casco. A gordura da     tartaruga depois de derretida 
                     superior  gordura do porco.

TARUP.  um beiju preparado para fazer     o caxiri e de onde se extrai
               a tiquira, a cachaa feita com mandioca.

TATO. 1.  uma brincadeira infantil que     consiste em dar uma pequena
 pancada nos dedos dos companheiros, fazendo cair o objeto que     este
 tem na mo, objeto que passa a pertencer a quem deu a pancada; 2. Tato
tambm  a     pessoa cuja linguagem  viciada na letra T. Conta-se at
 a estria de dois tatos; Um,     dono de uma loja de tintas e o outro,
   fregus. O fregus chegou  loja e     perguntou:"- Tem tinta a ti
 (aqui)? O outro respondeu: - De t t qu? A     resposta veio logo em
                      seguida: - De tat t!..."

 TATU. 1.  um mamfero protegido por     couraa e que no tem dentes
 incisivos nem caninos. S tem molares; 2. Tatu      dana do fandango
                   de So Paulo e Rio Grande do Sul.

TEI-TEI. Bate boca, discusso acalorada     que pode terminar em briga.

TEJU. Tambm conhecido como tei,     tiju ou tijuau ,  um lagarto que
tem a cauda serrilhada, usada na briga com     cobras. Quando uma cobra
venenosa morde o teju, ele deixa a briga no meio e sai em     disparada
   procura de determinada planta (caule ou raiz) e, depois de comida,
  volta para     matar a adversria. O teju mora em buracos feitos no
                                 cho.

TEMPO. 1.  uma medida que os homens usam     para determinar uma poca,
 um perodo de dias, de meses, de anos. Na linguagem popular     usa-se
expresses como no tempo em que galinha tinha dente, no tempo antigo, no
 tempo     dos escravos, no tempo do Ona (apelido do sargento-mor Jos
Correia da Silva que,     de 1787 a 1811, dirigiu o servio policial do
 Recife, PE), no tempo em que se amarrava     cachorro com lingia, no
tempo dos Afonsinhos , expresses populares que significam     um tempo
   muito remoto, de coisas que aconteceram h muito tempo; 2. Tempo ,
tambm      um deus cultuado nos candombls de Angola e do Congo, e na
                                Bahia.

 TEORIA. Para os cantadores das     feiras do Nordeste, cantar teoria 
 discutir histria do Brasil, gramtica,     religio ou qualquer outro
                     ramo do conhecimento humano.

 TER-CORAGEM-DE-MAMAR-EM-ONA. Diz-se de     quem  valente, corajoso.

   TER-FLEGO-DE-SETE-GATOS. 1. Diz-se de     quem custa a morrer; 2.
     Diz-se de quem  paciente, perseverante e tem fora de vontade
                    quando quer fazer alguma coisa.

   TERER.  o mate quando preparado     com gua fria no Paraguay. O
   terer no se aclimatou no Brasil onde o mate      feito com gua
quente. Mas a palavra terer caiu na linguagem popular,     significando
                            conversa mole.

  TERESA.  o nome que os nossos homens do     interior do s peruas,
     porque a palavra perua tem um sentido pejorativo, significando
 mulher-da-vida ,     prostituta. Quando eles falam em perua , costumam
              dizer, antes, "com licena     da palavra".

 TERREIRO. 1. No interior, terreiro  a pequena parte de terra que fica
 na frente das casas dos stios, das fazendas; 2. Terreiro  o nome que
      tambm se d aos candombls da Bahia e s macumbas do Rio de
Janeiro. Assim os candombls so conhecidos como terreiro do pai Ado ,
                                 etc.

TESOURO. Nome como so determinadas as     moedas, as barras de ouro que
eram enterradas no tempo em que no havia banco. So as botijas que seus
donos, quando morriam, apareciam, em sonho ou visagem, s pessoas de sua
  preferncia que ficavam donas da fortuna. Diz o povo que enquanto as
botijas no     forem desenterradas, as almas dos donos ficaro penando,
 sem o descanso eterno. A pessoa     que for desenterrar uma botija tem
 que ir sozinha e no contar nada a ningum. O     povo tambm diz que
dinheiro de botija no bota ningum pra frente, ningum     prospera com
                         dinheiro de botija .

   TESTAMENTO. 1.  um instrumento     jurdico, atravs do qual uma
   pessoa, em gozo de suas faculdades mentais, na presena     de um
  tabelio e de testemunhas, faz doao de seus bens a pessoas de sua
famlia ou     no, a entidades filantrpicas, etc. 2. Mas, no Folclore,
temos o testamento de Judas ,     por exemplo, em que os moradores de um
bairro, de uma rua ou de um lugar, legam bens     fictcios. No caso, o
   testamento  colocado no bolso do palet do Judas. s     vezes a
leitura do testamento d em briga.  um costume que tem sculos de idade
 e foi trazido pelos colonizadores portugueses. Tambm tem o Testamento
  da Velha ,     lido por ocasio do Serra Velha em Portugal e outros
                           pases da Europa.

TETU.  um pssaro que pe uma     patinha no meio da perna e fecha os
olhos. Quando est quase dormindo, a pata escapole e     o tetu acorda,
e canta bem alto, a ponto de acordar as pessoas que esto     dormindo.
Quando uma pessoa passa as noites acordada, o povo diz que "virou tetu
                                  ".

   THEO BRANDO nasceu no dia 26 de janeiro     de 1907, na cidade de
    Viosa, AL. Diplomado em Farmcia e Medicina, membro da Academia
  Alagoana de Letras, e de outras associaes culturais, Theo Brando,
  cujo verdadeiro     nome era Teotnio Vilela Brando, era um grande
 folclorista, deixando, publicados os     seguintes livros: Folclore de
 Alagoas (1949), Trovas populares de Alagoas (1951), o reisado alagoano
(1953), Folguedos natalinos de Alagoas (1961), O     guerreiro (1964), O
 pastoril (1964), outros trabalhos ensaios e artigos     publicados em
           revistas especializadas e jornais. J  falecido.

  TIAGO DE OLIVEIRA PINTO nasceu no dia 10     de dezembro de 1957, na
cidade de So Paulo, SP. Fez o primrio no Colgio Visconde de     Porto
 Seguro (SP, 1964/67). Concluiu o curso Ginasial e o Colegial na Escola
 Higienpolis     (1967/75). Fez o curso de Lngua Alem pela Deutsche
kubtusministerkonferenz (Ken,     1976); o de Tcnico em ourivesaria e
lapidao de pedras (SP,1973/76); o de violino com     a professora Ana
     Wittmann (SP, 1970/78); o curso superior nos departamentos de
   Etnomusicologia e Etnologia da Universidade de Tubongen (Alemanha,
 1978/80); o curso     superior de Msica (Viola) na Escola Superior de
 Msica  Hochschule der Ksnte     (Berlim, 1980/84); o curso superior
nos departamentos de Etnomusicologia, Etnologia e     Estudos da Amrica
  Latina na Freie Universitt de Berlim, (Alemanha, 1980/84); o curso
de ps-graduao em Musicologia, Etnomusicologia, Antropologia e Estudos
   Latinoamericanos na Freie Universitt (Berlim, 1984/87). Tiago de
Oliveira Pinto      Doutor (Dr.phil.), com "magna cum laude" pela Freie
    Universit de Berlin (1989)     e fez muitos registros sonoros e
 pesquisas folclricas sobre capoeira, maculel,     samba, candombl ,
     msica afro-brasileira, bandas de pfanos, umbanda, carnaval e
 agremiaes carnavalescas do Recife, casas de xang, forr, escola de
samba, pesquisa     envolvendo registro sonoro e video-tape. Na rea de
   Folclore publicou Brasilien.     Einfhrubrung in Musiktraditionen
Brasiliens (1986), Snger und poeten mit der     Laute (1989), Capoeira,
  samba, candombl. Afro-brasilianische Musik in Reconcavo,     Bahia
    (1991) e Sambas und Sambistas in Brasilien (1992), Consideraes
  sobre a musicologia comparada alem  Experincias e implicaes no
 Brasil (1983), Reflexes sobre algumas tradies natalinas brasileiras
 (1983), e     inmeros outros ensaios publicados na Alemanha, alm de
  programas divulgados nas     radiodifusoras alems sobre o folclore
 brasileiro, cassettes, filmes, CDs, vdeos,     etc.  scio fundador
    da Sociedade Brasileira de Musicologia  So Paulo, scio     do
International Council for Traditiones Music  UNESCO-USA, Cavalheiro da
 Ordem     Brasileira dos Trovadores  Salvador-BA, membro da Comission
  on Urgent     Anthropological and Ethnological Reseach  Viena, Life
  Member da Society for     Ethnomusicology  USA, membro do grupo de
Trabajo en Etnomusicologia da OEA      USA, e scio do European Seminar
   in Ethnomusicology. Tiago de Oliveira Pinto vem     realizando um
  excelente trabalho de divulgao do Folclore brasileiro em diversos
                   pases, notadamente na Alemanha.

 TICUMBI.  uma espcie de congada ,     de congo , de baile de congo ,
em Conceio da Barra, no Esprito Santo,     dramatizao que no deve
ser confundida com o cucumbi do Rio de Janeiro, nem     com os Autos dos
  congos do Cear, nem com o cucumbi baiano, nem com os congos do Rio
  Grande do Norte, nem com as congadas do Municpio de Osrio, no Rio
 Grande do     Sul. Do ticumbi do Esprito Santo no participa nenhuma
 Rainha Ginga, nenhum     Prncipe Sueno, nenhum Rei Henrique Criongo,
nenhum feiticeiro. No h morte nem     ressureies. O ticumbi capixaba
   tem, entretanto, seu enredo que se desenvolve na     repetio dos
  cantos, embaixadas e bailados caractersticos. Participam do ticumbi
 vrios personagens: o Rei de Congo, o rei Bamba, seus secretrios e o
 corpo de baile ou congos ,     que representam os guerreiros das duas
     naes . Vestem longas batas brancas e     pesadas  com fitas
coloridas, calas brancas  com friso lateral vermelho,     tm a cabea
coberta por um leno branco e um chapu enfeitado com flores de papel de
 seda e fitas coloridas. Os reis das duas naes usam coroas de papelo
 de papel dourado     e prateado, peitoral com espelhinhos e flores de
 papel brilhante, capa comprida e uma     espada  mo. Os instrumentos
 musicais so chocalhos de lata e pandeiros e, para dar o     tom, uma
   viola. O enredo do ticumbi se resume no seguinte: Dois reis negros
 querem     fazer, cada qual, a festa de So Benedito. Depois de muita
  discusso no chegam a um     acordo, declaram guerra e trava-se uma
batalha na qual os reis e seus secretrios batem     as espadas com seus
      inimigos. Vencidos, o rei e seus secretrios so batizados,
terminando o auto com uma festa em honra do rei congo, quando se dana,
ento o ticumbi :     - "Au, como est to belo, / O nosso ticumbi ! /
Vai puxando pro seu     rendimento / Que So Benito  filho de Zumbi!".

TIJUCO. Lodo que, misturado do timb (Veja TIMB) faz com que, depois de
 jogados nas guas paradas, os peixes fiquem     atordoados e se deixem
                           pegar facilmente.

TIMB.  o sumo de diversas plantas ( paulinas,     cculos , etc.) que,
misturado com tijuco ,  jogado nas guas paradas para     que os peixes
     fiquem atordoados, na superfcie, para serem apanhados  mo.

   TIMBU. O timbu tem diversos nomes: saru,     gamb (no Nordeste),
  cassaco (em Pernambuco), micura ou mucura (na Amaznia), sarigu (na
  Bahia).  um inimigo das galinhas e das mangas. Diz o     povo que o
   timbu tem uma glndula debaixo do brao que, depois de retirada, o
   animal perde todo o mau cheiro que tem, podendo at ser comido. Na
 medicina popular, o     uso da cauda do timbu , depois de retalhada 
posta numa infuso de gua que,     bebida algumas vezes em jejum,  um
   remdio que faz expelir os clculos renais (pedras     na urina),
   aumenta produo de leite nas mulheres que amamentam seus filhos,
aliviam as     clicas,  purgativo, provoca a menstruao. D-se o nome
  de timbu  mistura     de farinha de castanha de caju com o suco do
  caju, no Rio Grande do Norte. No Recife,  o     nome dado ao Clube
                          Nutico Capibaribe.

 TINCU.  um pssaro da Amaznia que,     quando canta, atrai desgraa
                    para as pessoas que o escutam.

TINGUIJADA.  o meio que os ndios da     Amaznia usam para pescar, sem
  muito trabalho. Basta lanar, principalmente nas guas     paradas,
 alguns galhos de tingui , uma planta txica, para que os peixes fiquem
 atordoados e se deixem pegar com facilidade. O tingui  uma planta to
        venenosa     que mata os bois e as vacas que o comem..

  TIPITI.  um aparelho rudimentar usado     para espremer a massa da
                               mandioca.

 TIPIA. D-se o nome de tipia no somente  faixa de pano destinada a
   descansar o brao ou a mo quando feridos ou     quebrados. Tipia
tambm  a rede estreita, pequena;  a barraca feita com     folhas, em
 Gois;  a carruagem puxada por um cavalo s;  qualquer coisa reles,
                          comum     e vulgar.

 TIPUCA.  a ltima poro de leite que     se tira do bere da vaca; 
  mais grosso, mais rico em gordura.  aconselhado s     pessoas que
                            esto doentes.

  TIQUARA.  o nome que se d  garapa ou     a qualquer outra bebida
    fermentada. No extremo norte brasileiro,  sinnimo de cachaa.

TIQUIRA.  uma cachaa destilada do sumo     da mandioca.  muito forte;
com duas ou trs doses derruba qualquer um. Dizem, no     Maranho, que
 quando uma pessoa toma umas doses de tiquira no  bom tomar banho ou
 molhar a cabea ou os ps; assim acontecendo, a pessoa pode at morrer
 ou ficar aluado ,     ruim da cabaa. No Maranho, o outro produtor da
                     tiquira  a regio do Munim.

  TIRADEIRA-DE-NOVENA. Nas cidades do     interior, onde o povo  mais
religioso, as novenas so rezadas sempre: novena para fazer     chover,
 novena para os santos, etc. Tiradeira-de-novena  a rezadeira que puxa
                       ou d incio s novenas.

  TIRAR-O-PAI-DA-FORCA. Diz-se de quem est     muito apressado quando
                       quer fazer alguma coisa.

   TIRAR-UM-COTEJO. Significa, esta     expresso popular, usada nas
fronteiras de So Paulo com Mato Grosso do Sul, um desafio     para uma
 luta entre dois homens portando arma branca, para lavar a honra de um
        dos     contendores. No Nordeste, diz-se medir-as-armas,
 ememdar-os-bigodes, emendar-as-camisas (ato que consiste em amarrar as
 extremidades das camisas de ambos os contendores, para que     nenhum
    deles possa correr). Fica vivo o mais esperto, o mais valente.

 TIRE-O-CHAPU. Dana usada em Parati,     Estado do Rio de Janeiro, na
qual as damas trazem os chapus dos cavalheiros  cabea,     tirando-os
       quando o cantador manda: - "Tire o chapu, menina!", etc.

TOADA.  uma cantiga, uma cantilena     melanclica, sentimental, tendo,
      quase sempre o amor como tema, em quadras, refro.      uma
   manifestao do lirismo popular, com alguma influncia do fado: -
   "Azulo  passo preto,/ Rouxinol cor de canela,/ Quem tem seu amor
               defronte/ Faz ronda, faz     sentinela!".

   TONTA.  uma dana do fandango, no     Paran, somente cantada de
     manhzinha, no nascer do Sol; quando a festa se acaba e todos
regressam s suas casas. Dana valsada e sapateada, tem que falar no Sol
                         que vem     nascendo.

  TOPAR-O-BOI. Ato que consiste em, o     vaqueiro, ou qualquer outra
 pessoa, enfrentar o boi, ou armado com uma vara de ferro ou no, at
 subjug-lo pelos chifres ou mat-lo, se for o caso, usando o ferro .

 TOQUIM. Era uma seda finssima, que vinha     de Toquim, na Indochina,
quando era colnia francesa. A seda de Toquim andou muito em     moda no
  sculo passado e toda mulher gostava de ter um vestido com a fazenda
                    mais chique     daquela poca.

TOR. 1. Espcie de flauta feita de     taquara, taboca, bambu; 2. Dana
indgena dos mestios de Cimbres, Pernambuco. A dana      cantada. No
auto do Quilombo de Alagoas os negros danavam o tor em crculo,     no
    meio do qual um velho tirava as toadas . O tor  uma dana, uma
 diverso que lembrava as guerras, acompanhada de pfanos e trombetas.

TORM.  uma dana de Araca, Cear.     Quase a mesma coisa que o tor
, mas com a coreografia diferente: os homens e     mulheres, sem trajes
  especiais, giram em torno do bailarino que fica no meio da roda que,
   com um marac na mo, imitam os movimentos de animais ( guaxinim,
  caninana, jaan,     nambu, peixe-garoupa, etc. ), requebrando-se,
  batendo com os ps no cho, ora     recuando, ora avanando os ps,
pulando com uma perna s, andando na ponta dos ps     como no andar de
  certos animais da regio. Enquanto dana, o bailarino central entoa
    versos sem p nem cabea, s vezes em lngua tupi, de vez que os
     danarinos do torm so descendentes dos indgenas do lugar.

 TORRADO. 1.  o nome que tambm se d     ao rap; 2.  uma dana mais
  agitada do que o frevo. Homens e mulheres, numa gritaria     enorme,
fazendo meneios e gestos obscenos, dando umbigadas. O torrado existe em
  Pernambuco. Ainda hoje  como so conhecidos os bailes nas zonas de
        meretrcio do     interior, nos quais tudo  permitido.

 TORRINHAS. D-se o nome de torrinha ou galinheiro ,  parte mais alta
dos teatros, onde a viso  imperfeita, de vez     que os que esto nas
torrinhas vem os personagens da pea de cima para baixo,     razo pela
  qual o ingresso  vendido pela metade do preo. Num teatro temos as
poltronas numeradas que ficam em frente ao palco, na parte do trreo. No
primeiro andar     ficam os camarotes de 1 classe; no segundo andar, os
camarotes de 2 classe e, no     terceiro, a parte do teatro chamada de
                       torrinha ou galinheiro .

   TOT. Nome tambm dado ao coc,     coque, pirote . Trata-se de um
 penteado que as senhoras usam, juntando os cabelos,     enrodilhados,
 acima da nuca. Faziam assim, no Nordeste, por causa do calor ou porque
                            estava em moda.

   TOUCINHO. Brincadeira entre meninos, em     uso na Bahia e outros
estados brasileiros e que consistia numa pequena pancada dada na batata
     da perna dos que estavam sentados; se, com a pancada, o garoto
       flexionava a perna,     dizia-se: - "No como toucinho".

TRAADO.  uma mistura que se faz, no     Rio de Janeiro, de cachaa com
                               vermute.

   TRACU.  uma formiga da Amaznia que     os ndios e seringueiros
acreditam que ela faz uma substncia que pode ser usada para     manter
                         o fogo nos isqueiros.

   TRAIO.  uma espcie de mutiro ou muxiro que os habitantes do
  interior de Gois fazem, quando tm conhecimento     que algum est
 precisando de ajuda na roa. Juntam-se as mulheres e os homens amigos
do necessitado e, de madrugada chegam a sua casa e, disparando armas de
 fogo, acordam o atraioado ,     no meio de uma barulheira enorme. Os
   homens se dirigem para a roa e as mulheres ficam     preparando o
   almoo e o jantar que  por conta do atraioado .  noite, tocam e
                        danam at o Sol raiar.

TRARA. Peixe de gua doce existente     desde a Argentina at o Mxico.
No Nordeste a trara est nos audes, nas     barragens, nos rios. Tem,
  este peixe, uma resistncia fsica que faz com que se adapte     nos
  climas tropicais, temperados e frios, ficando dentro de lodo para se
proteger do frio     e do calor. Na linguagem popular, trara  a mulher
        malcriada, braba e o menino     guloso, que come muito.

TRATAR-A-PO-DE-L. Diz-se da pessoa que     trata as outras muito bem,
                   com boas conversas, com ateno.

 TREPA-MOLEQUE. Eram, no passado, pentes ou     marrafas de tartaruga,
     enfeitados de ouro, prata ou pedras preciosas, que as mulheres
    usavam para prender os cabelos. O trepa-moleque media at quinze
                             centmetros.

TRS-PEDAOS. Era o nome que se dava em     Porto de Pedras, litoral de
                      Alagoas, ao bumba-meu-boi .

   TRS-VEZES-SETE. Na Bahia, fazer trs-vezes-sete significa roubar,
    furtar, expresso acompanhada do gesto que consiste em colocar o
  polegar direito no meio da mo esquerda, fazendo os demais dedos um
                          movimento circular.

 TREZE. A superstio, que  filha do     medo, aponta o treze como um
       nmero azarento. Trata-se de uma crendice muito antiga. O
 historiador Mommsen no encontrou, na histria de Roma, um s decreto
   assinado no dia     13. Hesodo, por sua vez, aconselhava a no se
 plantar nada no dia 13. Mas, a     superstio  to atual que muitos
 prdios, nos Estados Unidos e em alguns pases     europeus, no tm o
nmero 13, nem o 13 andar, nem apartamento n 13, nem poltronas     de
   cinemas e teatros usam o n 13. No  dia bom de se comprar, de se
 vender, de     viajar, de casar, de fazer qualquer coisa. Tudo que for
   feito no dia 13 no d certo. De     contrapartida h pessoas que
desafiam a superstio do treze, mandando gravar o n 13     em medalhas
                   que trazem penduradas no pescoo.

TREZE-DE-MAIO. Denominao pejorativa     dada aos negros libertos pela
   Lei de 13 de maio de 1888. Ainda hoje algumas pessoas     costumam
                  chamar os negros de treze-de-maio .

   TRIO ELTRICO. O trio-eltrico  um     conjunto musical no qual a
 guitarra eltrica  o principal instrumento e que anima o     carnaval
   baiano. Surgiu em 1950, quando os msicos Osmar Macedo e Adolfo do
      Nascimento,     num velho ford de bigode, equipado com dois
 auto-falantes percorreram toda a Rua Chile em     Salvador durante os
   dias de carnaval. O sucesso foi to grande que fez surgir, no ano
    seguinte, o trio eltrico , com Armando Meirelles na percusso.
  Atualmente o trio     eltrico  composto, alm dos instrumentos de
  corda (uma guitarra, um triolim e um     contra-baixo) apresenta uma
  bateria eletrificada de quatro surdos, quatro tambores e     quatro
caixas surdas. E a msica de Caetano Veloso imortalizou o trio eltrico:
          "Atrs do trio eltrico s no vai quem j morreu".

TROCADO. 1.  um tipo de cantoria     nordestina. No  propriamente um
 desafio mas  usado por muitos cantadores. O trocado acontece assim: O
 primeiro cantador cantou uns versos para ter uma resposta     imediata
do segundo cantador, que deve cantar seus versos obedecendo s rimas que
 seu parceiro escolheu. O trocado tambm  conhecido como mouro. 2. Em
Minas Gerais  o conjunto dos movimentos executados pelas danadeiras de
                             So Gonalo.

 TROCAR. Ningum deve dizer que comprou uma imagem. O certo  dizer que
 trocou dinheiro por uma imagem, ou comprar o     feitio de uma imagem,
             quando se encomenda uma imagem a um santeiro.

 TROA. 1. Grupo de pessoas, geralmente     jovens, que se renem para
  brincar, divertir-se s custas de algum; 2. Tambm  um     pequeno
    rancho, organizado durante o carnaval, com ou sem acompanhamento
musical,     sem cantigas prprias, que percorre as ruas dos bairros das
                           grandes cidades.

    TROTE. Festa organizada pelos estudantes     de segundo ano das
universidades, recebendo os do primeiro ano, os calouros ,     fazendo,
 com os mesmos, brincadeiras de mau gosto de conseqncias s vezes at
 mesmo     fatais. Os veteranos fazem com que os calouros desfilem com
 pouca roupa,     dancem, faam discursos, paguem despesas em bares. O
 trote  originrio da     Universidade de Coimbra, Portugal. E hoje 
 uma festa que no falta em todas as     universidades brasileiras, no
                         primeiro dia de aula.

 TROVO. As tradies populares     referentes ao trovo ainda existem
  nas cidades do interior, no serto. O trovo era considerado como um
 castigo de Deus. O trovo era Tup, um deus entre os     indgenas. A
 influncia do trovo na religio catlica era muito grande e o trovo
 foi usado na catequese dos indgenas. Hoje com o passar dos sculos, o
    trovo      um fenmeno natural. Quando, no inverno, durante as
tempestades, trovejava e     relampagueava, as donas de casa costumavam
cobrir os espelhos com lenis brancos, na     crena de que os espelhos
                atraiam os raios trazidos pelo trovo.

TRUCO (TURCO e TRUQUE). No jogo do truco, como  mais conhecido,  usado
  um baralho comum. Participam do truco quatro     jogadores, formando
duas duplas.  um jogo de artimanhas, subterfgios e simulaes,     um
 dos raros jogos de cartas cujas regras permitem a utilizao de sinais
entre os     parceiros. So retiradas do baralho as cartas de 8, 9 e 10
de todos os naipes, restando,     assim, apenas 40 cartas, divididas em
manilhas (que valem mais) e cartas simples. O jogo     tem suas regras,
 como todo jogo de cartas, e  muito popular, principalmente no sul do
                                 pas.

  TUCUPI.  o suco da mandioca, apurado ao     fogo, e que fica com a
aparncia do mel de engenho, molho usado na culinria, nos pratos     de
peixe e de caa. Tomando-se um clice aps cada refeio, cura beribri.


 TUM-DUM-DUM. Na cidade de Bragana,     Par, durante o ciclo junino,
 danava-se, at pouco tempo, o tum-dum-dum, uma     dana s de homens
vestidos de cala e camisa branca, armados com um basto de     madeira,
    no ritmo do tamborim, batendo os bastes no cho ou no basto do
 companheiro     da frente, ou no do companheiro do lado, ou no mouro
 central. Os bastes mediam dois     metros. Ningum cantava.  s uma
                                dana.

TUMBANSA. Na Amaznia, tumbansa      o suco feito de caju com a farinha
              da castanha de caju assada e reduzida a p.

  TUP. Tup  o deus do trovo, criado     pela catequese catlica no
                              sculo XVI.

TURUNDU.  uma dana dramtica no     distrito de Neves, Contagem, Minas
    Gerais. O turundu  danado no ciclo do Natal     a Reis. Tambm
acontece no dia 2 de fevereiro por ocasio da festa de Nossa Senhora das
Candeias. Conhecido tambm por folia ,  uma espcie de reisado do qual
participam os trs Reis Magos. O rei Gaspar  o guarda-mor da folia , o
  mulato     Basto e mais vinte a trinta figurantes. Os instrumentos
usados so a caixa, o chocalho,     a viola e a rabeca. O turundu sai em
 visita s casas de famlia, saudando seus     donos, quando o Bastio,
 por meio de quadras, pede cachaa, caf, etc. Conta a     histria de
uma princesa encantada que mora numa floresta e recebe muitos presentes
  de     bas cheios de ouro, violas. A princesa termina casando com o
    rei. Depois do casamento     acontece o baile e o mascarado , na
companhia de todos os figurantes, comea a     sapatear de maneira forte
 e fazendo muito barulho. Depois vo cantar em outra casa at o     dia
                              amanhecer.

 TUTU. 1.  o bicho-tutu , o bicho-papo que amedronta as crianas que
  no querem adormecer e est presente nas cantigas de     ninar. So
   vrios os tutus: tutu-zambeta, tutu-maramb, tutu-do-mato ; 2. Na
   culinria de Minas Gerais e So Paulo o tutu-de-feijo  um prato
  regional     muito conhecido e famoso.  feito da seguinte maneira:
 pega-se o feijo que sobrou do     dia anterior e refoga-se em gordura
    com todos os temperos e um pouco dgua. Em     seguida, vai-se
  engrossando com farinha de mandioca bem peneirada at o ponto que se
   quiser. Serve-se com pedaos de lingia frita, em Minas Gerais ou
 cobre-se com molho     de tomate como se faz no Rio de Janeiro. J em
  So Paulo, recebe o nome de virado--paulista ,     coberto com ovos
                fritos, torresmo e costeletas de porco.

          TUXAUA.  o paj, o chefe das tribos     indgenas.

*UALALOC. Flauta tpica dos indgenas pertencentes  tribo dos parecis .


UALRI. Indgena velho iniciado por     Turupari, a quem traiu, revelando
o segredo dos instrumentos sagrados; razo pela qual,     por ser odiado
  e impopular, foi queimado vivo e, de suas cinzas, nasceram insetos e
                          rpteis venenosos.

   UARAPERU. Chama-se uaraperu o     instrumento musical de sopro de
algumas tribos amaznicas. O uaraperu      constitudo por um pedao de
    taboca, tendo o comprimento de um palmo. Possui uma     abertura
retangular no meio, por onde o tocador toca, abrindo ou fechando com os
dedos, as     duas extremidades abertas. O som do uaraperu serve para o
 pescador atrair os     peixes, alm de acordar as moas que dormem no
                             fundo do rio.

UARIUAI.  um bailado indgena     representando a caa do uariuai , o
                            macaco guariba.

UATAPI.  um instrumento musical da     Amaznia, feito de bzio, tambm
      encontrado entre os ndios amoipiras, do serto     baiano.

    UATAPU. So chamados de uatapu os     colares usados por homens
 indgenas, feitos de pedaos de conchas.  usado como     ornamento em
                             suas danas.

UBAT. D-se o nome de ubat ao     instrumento musical, que foi trazido
                pelos escravos africanos para o Brasil.

                       UBATUBANA. Ver FANDANGO.

 UCA.  uma bebida baiana que se faz com     os seguintes ingredientes:
um litro de cachaa, meio litro de conhaque, uma xcara de     casca de
laranja, duas razes de gengibre, uma colher de sopa de erva-doce. Modo
de     fazer: macera-se durante cinco dias e agita-se bastante no dia de
                               filtrar.

U.  um caranguejo grande, muito     gostoso, engordado nos meses que
     no tm a letra R e que so maio, junho, julho e     agosto.

 UDECR. D-se o nome de udecr a     um tipo de viola usada pela tribo
   indgena dos xerentes . O modelo da viola  de     estilo europeu,
                    tambm chamado de Uds-Hecr .

  UFU. D-se o nome de ufu , ao     instrumento musical indgena do
   Amazonas. Parecido com uma trombeta, o ufu      feito de taquara
(bambu), no qual h um orifcio com uma pequena taquara rachada. Produz
                       um som fnebre e fanhoso.

 UIANA. D-se o nome de uiana      fase de agitao e toxidez da gua
   dos rios da Amaznia, quando h oscilaes da     gua logo aps a
  vazante. Os peixes ficam inquietos e entorpecidos, comeam a flutuar
podendo ser apanhados com as mos. No se deve comer o peixe nem beber a
                      gua durante     essa fase.

 UIRAPURU. O uirapuru  um pssaro     da regio Amaznica. Dizem que,
 quando ele canta, todos os pssaros ficam calados para     escut-lo,
  to mavioso  o seu canto. Preparado pelo paj, o uirapuru torna-se
  um amuleto que faz atrair, ao seu dono, virtude e fortuna. Conhecido
  como a maravilha da     mata, seu nome significa "pssaro pintado".

  LTIMO. Nos contos populares ltimo  um nmero simptico. Assim, o
ltimo filho  o filho mais moo, o ltimo dos ces   o mais fiel e o
mais forte, o cavalo ltimo  o mais resistente.     Diz-se que o ltimo
filho  superior ao primeiro filho (o primognito), pois     demora mais
 tempo na companhia dos pais, preferindo a bno com pouco dinheiro 
  maldio com muito dinheiro. At um velho provrbio assegura que ri
    melhor quem ri     por ltimo e os ltimos sero os primeiros .

 UMBANDA. No comeo, os cultos de origem     africana do Rio de Janeiro
como na Bahia, trazidos pelos escravos africanos, chamavam-se candombls
,     reconhecidas duas sees principais que eram os orixs (os cultos
   nags) e os alufs (os cultos muulmanos). Depois, passaram a ser
      denominados por macumbas e, mais     recentemente, umbanda.

 UMBIGADA.  a pancada, de leve, que se     d com o ventre, nas danas
de roda e que significa o convite ou a intimao para que     o umbigado
 substitua o danarino encarregado do solo, do canto. No fandango e no
 lundu ,     em Portugal, a umbigada tem o mesmo propsito, como tambm
  acontece na dana     da punga , no Maranho e nos cocos de roda ou
  bambels e at mesmo em     certos sambas. J no batuque paulista a
      umbigada aparece durante a     dana e no como um convite 
substituio de quem est cantando na dana de roda.     A umbigada foi
trazida para o Brasil pelos bantos , escravos africanos, que     tambm
                    trouxeram o batuque e o semba .

 UMBIGO-DE-BOI.  um azourrague, muito     flexvel e resistente, feito
com o umbigo do boi. Homero, na Ilada , j se     refere ao azourrague
                      feito com o umbigo de boi.

                           UMBU. Veja IMBU.

                         UMBUZADA. Veja IMBU.

 UNICORNE.  uma ave pernalta, do tamanho     de um peru, que tem penas
     pretas, e que se alimenta de capim e de insetos. Tem chifre e
   esporas. Seu canto, na voz do povo,  assim: - "Joo Gomes, que tu
                    comes?      minhoca, minhoca!"

 URINA. 1. Na medicina popular a urina      usada assim: a) A urina da
 vaca, bebida em jejum, cura maleita; b) Lavar os ps     com urina de
gado cura frieiras; c) Passar urina de gado em impinges, cura;     2. No
 catimb e na macumba, o povo acredita que a pessoa que urinar sobre um
                feitio,     anula-lhe todas as foras.

  URSO. 1. Como  oriundo de clima frio, o urso no  muito citado nos
nossos contos populares. Mas, na linguagem popular o urso      o amante
     da esposa e amigo urso  o amigo falso como tambm  falso um
abrao-de-urso. Sonha com a morte a pessoa que sonhar com urso. E quando
  a mulher tem um filho     diferente dos outros, o povo diz que ele 
     filho-do-urso. 2. O Urso ou La     ursa faz parte do carnaval
  pernambucano. Um homem se veste de urso  com     uma roupa feita de
embirras e pano geralmente marrom ou preto e o outro  o domador .     O
 urso dana e pede dinheiro s pessoas. s vezes, o urso  acompanhado
    de uma pequena orquestra composta de bombo, sanfona, tringulo e
   reco-reco . Tudo     comeou com um italiano que, de passagem pelo
Recife, se apresentava com um urso amestrado.     Quando ele foi embora,
  outras pessoas aproveitaram a idia para se fantasiarem de urso pelo
         carnaval e, da, nasceu o urso, ou La ursa, at hoje.

               URU . Cesto feito com palha de carnaba.

URUBU. 1. O urubu camiranga tem a     cabea vermelha e o urubutinga tem
  a cabea branca, alm de outras espcies     como o urubu-rei. Todos
 vivem de animais mortos e, de certa maneira, trabalham     limpando o
mundo de suas podrides.  uma ave solitria, egosta.  esperto, sabido
e     raramente enganado nos nossos contos populares. Dizem que o urubu
quando nasce      de cor branca; 2. Urubu-malandro  um passo do frevo
    pernambucano. O passista faz um jogo de pernas sem que os braos
acompanhem os movimentos. Na linguagem     popular, diz-se que a pessoa
    est lavando urubu quando est sem fazer nada,     desempregada,
                       azeitando o eixo do Sol .

URUCUBACA. Ou cafife , ou     caiporismo, ou azar, ou sorte mesquinha ,
ou sorte torcida , ou m sorte,     significa, como o prprio nome est
 dizendo, a falta de sorte no que a pessoa faz. A     palavra urucubaca
 vem de urubu  ave de mau agouro e cumbaca, um peixe     azarento que,
    se pescado estraga o dia do pescador. Para a pessoa se livrar da
urucubaca, nada como dar uma pancada em qualquer mvel de madeira com as
                 costas dos dedos da     mo direita.

   URUCUNGO. O urucungo, tambm     conhecido por orucungo, oricungo,
uricungo, ricungo ou mucungo,  um     instrumento musical trazido pelos
 escravos africanos e consiste num arco de madeira, tendo     um arame
esticado entre suas extremidades. Numa de suas extremidades ou na metade
  do arame      presa uma pequena cabaa com uma abertura em forma de
crculo. O instrumento      tocado percutindo a corda (o arame) com os
  dedos ou com uma vareta ou haste de metal. A     cabaa  a caixa de
ressonncia colocada sobre o peito ou a barriga. O urucungo tambm     
conhecido pelos nomes de berimbau, berimbau-de-barriga, marimbau, gabo,
  bucubumba,     gunga, macungo, motungo e mutungo.  usado no jogo de
capoeira. No Rio     Grande do Norte so colocadas na cabacinha sementes
                secas que fazem o efeito de um marac.

URUU.  uma abelha indgena que faz um     mel delicioso, cuja cera, de
cor castanho-clara,  excelente. O mel de uruu foi     muito usado nas
farmcias antigas e, com ele, ainda so feitos o charuto (vinho     com
o mel de abelha uruu) e a meladinha (mel de abelha uruu com cachaa).
       bastante usado na medicina popular, curando tosse, bronquite,
                              rouquido.

URU. No Piau, o uru  um     negro falastro que se junta com o Diabo
  para derrubar e amansar cavalos, sem nunca ser     vencido por outro
  vaqueiro. Era conhecido como Barra Nova, mas ficou famoso como uru
  porque quando ia beber costumava dizer: - Vou matar aru ! Um dia o
    Diabo tentou     arrebat-lo, mas uru salvou-se, mas ficou meio
                              amalucado.

 URUPEMA.  uma espcie de peneira, de     uso popular no interior e de
   grande utilidade nas cozinhas nordestinas no preparo de     muitos
 pratos. Serve para escorrer a maniva , o leite de coco, passar a massa
do     feijo cozido, da goma e sessar o milho, o arroz, a farinha. Tem
    origem indgena. Nas     casas do Recife antigo as urupemas eram
colocadas nas janelas, para que o sol no     se penetrasse nas salas.

 URURAU.  o nome que se d ao jacar     que tem o papo amarelo, comum
                         no Rio So Francisco.

  URUTAU. No Par, corre a crena de que     o uruta faz com que as
 donzelas no sejam seduzidas. No interior, com as penas     do rabo do
  urutau varrem o cho sob a rede da noiva para sua honestidade como
                        esposa seja garantida.

USINA. A usina , na agro-indstria     do acar, acabou, em parte, com
os pequenos engenhos bangs, fabricantes de acar     bruto, rapadura
e cachaa. Os usineiros foram comprando as terras dos engenhos prximos
  sua rea de ao industrial, at que, atualmente, em grande parte do
Nordeste, os     engenhos que no foram comprados pelas usinas deixaram
 de moer e resumiram suas     atividades apenas ao plantio da cana para
                          vend-la s usinas.

*  VAIA. A vaia  a maneira usada pelo povo quando, em grupo      no
  importando se pequeno ou grande -, para protestar ou contrariar uma
 idia, ou     uma pessoa. Sua origem se perde no tempo. Os romanos, os
  gregos e todos os povos de hoje,     usam a vaia , toda vez que no
  aprovam, quando esto contra qualquer ponto de     vista ou pessoa.

 VALDEMAR DE OLIVEIRA nasceu no dia 2 de     maio de 1900, na cidade do
 Recife, PE. Desde criana demonstrou pendores musicais, razo     pela
   qual comeou a estudar piano com a professora Olmpia Braga, com o
  professor     Euclides Fonseca e com a professora francesa Angeline
 Radevese. Em 1918 foi estudar     Medicina em Salvador, onde se formou
  em 1923, defendendo sua tese sobre musicoterapia.     Regressando ao
  Recife, passou a escrever no Jornal do Commercio e a partir de 1935,
  manteve uma coluna, A propsito , dedicada  msica e ao teatro. Mas
Valdemar de     Oliveira, no decorrer de sua vida, foi um homem plural.
     Foi mdico, professor,     jornalista, teatrlogo, musiclogo,
   compositor, escritor, crtico de arte, foi membro     da Academia
    Pernambucana de Letras, da Academia Pernambucana de Medicina, da
Academia     Brasileira de Msica, do Instituto Arqueolgico, Histrico
 e Geogrfico de Pernambuco,     da Comisso Pernambucana de Folclore,
 foi diretor do Teatro Santa Isabel, diretor do     Nosso Teatro  hoje
     Teatro Valdemar de Oliveira, da Sociedade de Cultura Musical,
fundador e diretor do Teatro de Amadores de Pernambuco, representante da
  SBAT, presidente     regional da Sociedade Brasileira de Escritores
    Mdicos, professor das faculdades de     Medicina do Recife e de
Cincias Mdicas, Delegado Regional do Instituto Nacional do     Cinema,
   presidente da Sociedade de Cultura Musical de Pernambuco. Escreveu
    livros     didticos adotados na rede nacional de ensino, livros
 cientficos e peas de teatro     encenadas em todo o pas. Na rea do
Folclore, alm de inmeros artigos publicados em     jornais e revistas
 nacionais so de sua autoria O frevo e o passo de Pernambuco (1946), A
  recriao popular (1966), A origem do fado (1969), Frevo, capoeira e
 passo (1971), Frevo (1976), As modalidades do Frevo (1976). Morreu no
             dia 18 de abril de 1977, na cidade do Recife.

 VALSA. As origens da valsa      um gnero musical que esteve muito em
    voga at os comeos do sculo passado      so desencontradas,
       diferentes. Os franceses, os alemes discutem, entre si, a
    paternidade da origem da valsa , antiga dana aristocrtica, dos
  palcios     imperiais e que, logo em seguida, passou a ser cantada,
  tocada e danada pelo povo. As valsas vienenses de Strauss so muito
   famosas. As valsas brasileiras, muito bonitas,     tambm marcaram
poca, como Sobre as ondas, de Juventino Rosa, para muitos no     mesmo
                 nvel das melhores valsas vienenses.

    VAMOS-PENEIRAR.  uma modalidade de samba     danado na Bahia.

 VAQUEIRO. O vaqueiro  a figura     principal da criao de gado. Com
 seu chapu, suas luvas e sua roupa de couro cru, o vaqueiro penetra na
caatinga, para trazer de volta a rs fugitiva. Junta o gado que  levado
  para     o pasto ou para bebedouro. Ajuda a ferrar , com a marca do
dono, as reses compradas     ou filhas do rebanho. Quando conduz o gado,
 o vaqueiro , com seu aboio triste, enfeita as tardes sertanejas. Veja
                           ABOIO, VAQUEJADA.

VAQUEJADA. No fim do inverno      antigamente, quando o gado ainda no
  era criado em currais,  os vaqueiros saam, com seus chapus, suas
  luvas e sua roupa de couro cru,  procura do gado nas caatingas para
ferrar, castrar, tratar as feridas e separar o gado de muitos donos.  a
   festa da apartao ,     de separao do gado. Feita a separao ,
acontece a vaquejada. O s vaqueiros mais jovens, mais valentes, saem em
disparada e, pegando na cauda dos     bois, derrubam-nos sob os aplausos
   das pessoas presentes. Correm apenas dois vaqueiros e o que fica 
esquerda, o esteira, tem o trabalho de manter o animal correndo     mais
 ou menos em linha reta. Com a mucica ou saiada  que  o puxo     do
vaqueiro na cauda da rs  esta perde o equilbrio e cai. Se o vaqueiro
  no conseguir derrubar a rs (o boi, a vaca, o garrote, o novilho),
      recebe uma vaia dos     que esto assistindo  vaquejada .

VARA-DE-BATER-PECADO ou VARA-DE-VIRAR-TRIPA.      o homem, magro, alto,
                    o mesmo que espanador-da-lua .

 VASSOURA. Vrios so os tabus da vassoura :     1. A vassoura no pode
ser emprestada, porque carrega a felicidade e a sade das     pessoas da
 casa para as pessoas da outra casa  qual foi emprestada; 2. Casa nova
 pede     uma vassoura tambm nova, para que ela no traga para a casa
 nova os problemas da     casa velha; 3.  bom colocar a vassoura atrs
da porta para que a visita no demore muito, v embora; 4. Depois que a
   vassoura fica velha, imprestvel,      bom queim-la para no dar
   infelicidade aos donos da casa; 5. Quem leva uma surra com     uma
  vassoura a pessoa seca o corpo; 6. A vassoura deitada traz desgraa
 financeira para a famlia; 7. Quem primeiro deve varrer a casa com uma
   vassoura nova  a mulher mais velha da casa; 8. Uma casa deve ser
varrida da porta de entrada para     a porta da cozinha; assim fazendo,
             fica mais fcil a felicidade entrar na casa.

      VATAP. O vatap  o prato mais     tradicional da culinria
     afro-brasileira.  feito com peixe ou crustceos numa papa de
farinha de mandioca com molho de dend e com pimenta, a gosto da pessoa.
         Faz-se, tambm, vatap de galinha, de milho e de po.

 VATICANO. Vaticano  o nome que se     d aos vapores de novecentos a
     mil toneladas, usados nos rios da Amaznia. Dentro de     suas
                limitaes, oferecem um certo conforto.

VELA. Antes dos candeeiros a querosene e     da energia eltrica, a vela
   era um tipo de iluminao muito comum no mundo     inteiro. Hoje,
somente quando o fornecimento de energia  interrompido,  que a vela 
  usada. Mas, nas igrejas, a vela  uma espcie de chama da f e, nas
procisses, os fiis conduzem sua vela enquanto cantam e rezam. Em todas
as     cerimnias religiosas a vela est presente, significando a f do
    cristo, que     nasce e morre com uma vela na mo, pagando suas
promessas, acendendo-a nos     tmulos dos familiares no dia de finados.
 At mesmo para se tirar uma botija ,     o ato tem que contar com uma
    vela acesa, meio consumida, retirada de um altar da     igreja.

  VELHA-DO-CHAPU-GRANDE.  a     personalizao da fome no Nordeste.

VELHO.  uma figura cmica dos pastoris nordestinos. Tambm  conhecido
como o bedegueba . No pastoril profano ou pastoril     de ponta de rua,
o velho no escolhe as palavras para declamar versos apimentados     e,
 s vezes, at mesmo indecentes, e cantar suas canes imprprias para
 menores. Ele     se apresenta como um verdadeiro palhao, vestindo um
 fraque de cores espalhafatosas,     calas listradas, uma gravata bem
    maior do que a comum, com uma flor na lapela,     empunhando uma
bengala, com um chapu de abas largas, acompanhando a dana das pastoras
exagerando nos gestos. No Recife, vrios velhos marcaram poca, entre os
quais o     velho Barroso. Os velhos de antigamente usavam uma linguagem
comedida e muito     diferente da que hoje  falada pelos bedeguebas .

   VELHOS (DANA DE). Durante as festas do     Divino Esprito Santo
        realizadas nas regies Sul e Centro-Oeste brasileiras e,
principalmente nas cidades de So Lus de Paraitinga (So Paulo), Parati
  e Angra dos     Reis (Rio de Janeiro), a dana-dos-velhos acontecia
  sempre nos sales da nobreza     aristocrtica do caf e do acar.
    Depois, como aconteceu na Europa com relao  quadrilha ,     a
   dana-de-velhos ganhou as ruas, popularizando-se. Os participantes
 vestem roupas     antigas e nobres (fraques, cartola, etc.) e empunham
suas bengalas para bater, de leve,     nas pessoas que esto assistindo
 brincadeira. O grupo percorre as ruas da cidade aos     pares, andando
   como velhos, engomando, danando msicas antigas (polcas, valsas)
 tocadas por sanfonas e alguns instrumentos de percusso. Ao anoitecer,
   mais mortos do que     vivos, os brincantes voltam s suas casas,
            readquirindo suas verdadeiras     identidades.

VELRIO. O velrio acontece     depois que a pessoa morre at a hora do
enterro. Em outras regies brasileiras o velrio  conhecido como fazer
quarto ao defunto . Quando o velrio  de uma     criana, os cantos so
     festivos acompanhados  viola. Durante o velrio, as pessoas,
madrugada adentro, ficam conversando, comendo, velando, at que o corpo
               do falecido      conduzido ao cemitrio.

  VENTANIA. Frevo-de-rua que, quando     executado pela orquestra, as
                 clarinetas e os saxofones predominam.

   VENTO. Para se chamar o vento nada como se     assobiar trs vezes
 seguidas, como fazem os meninos quando esto soltando seus papagaios ,
suas pipas . Costumam, tambm, em tais ocasies, dizer: - "Abra a porta
  do     vento, So Loureno!" O nome de So Loureno  assim invocado
porque o santo     morreu assado numa grelha de ferro. Outra maneira de
se chamar o vento  sessar milho ou     arroz, atirando os gros para o
alto. Nos navios  vela, antigamente, era proibido     assobiar porque o
                   assobio podia chamar tempestades.

   VER-A-CAMA. No dia do casamento era     hbito a famlia da noiva
convidar os parentes e amigos para visitar os aposentos dos     noivos.
    um costume existente ainda hoje em algumas regies brasileiras.

  VERSSIMO DE MELO nasceu no dia 9 de     julho de 1921, na cidade de
Natal. Concluiu o curso de bacharel em Cincias Jurdicas e     Sociais
 pela Faculdade de Direito do Recife, exercendo as funes de advogado,
 juiz     municipal, professor de Etnografia do Brasil da Faculdade de
   Filosofia de Natal e de     Antropologia Cultural da Universidade
Federal Rio Grande do Norte, alm de jornalista. Em     1989, depois de
 aposentado, Verssimo de Melo dedicou-se, com mais afinco, aos estudos
folclricos e ao jornalismo. Foi, tambm, membro do Conselho Estadual de
   Cultura e da     Academia Norte-Riograndense de Letras. Publicou:
Adivinhas (1948), Acalantos (1949), Parlendas (1949), Jogos populares do
  Brasil (1956), Gestos populares (1960), Cantador de viola (1961), O
 conto folclrico no Brasil (1976), Folclore     brasileiro: Rio Grande
    do Norte (1978), Folclore infantil (1965), Tancredo     Neves na
literatura de cordel (1986), Medicina popular no mundo em transformao
(1996),     alm de outros trabalhos, ensaios, artigos e participao em
  congressos e seminrios     folclricos. Faleceu no dia 18 de agosto
            (ms do folclore) de 1996, na cidade de Natal.

VER-QUEM-TEM-ROUPA-NA-MOCHILA. Na     linguagem popular, esta expresso
    significa ver quem tem razo, quem tem direito, quem     pode.

    VSTIA.  a roupa encourada do vaqueiro ,     composta de gibo,
 peitoral, perneiras, chapu e luvas . S assim o     vaqueiro consegue
   sair em disparada, atravs da caatinga sertaneja, sem se ferir, 
                 procura da rs que fugiu do rebanho.

VIOLA.  um instrumento de corda trazido     pelo colonizador portugus,
ao som da qual cantava para curtir a saudade da ptria     distante. Tem
   cinco ou seis cordas duplas, metlicas: as duas primas e segundas
 eram de ao, a terceira era feita de metal amarelo (lato), enquanto o
        bordo de r     era de ao, o de l e o mi, de lato.

VIOLO.  um instrumento de corda, maior     do que a viola , e em forma
  do nmero oito. Tem seis cordas, com a afinao mi-l-r-sol-si-mi ,
sendo as trs primeiras feitas de metal e as outras de tripa .  a mesma
  guitarra     espanhola, com o mi grave a mais.  um instrumento que
nunca saiu de moda e, nas     serenatas, nunca falta. Hoje, as cordas do
violo so feitas de matria plstica. As     cordas de metal, de tripa
               ou de seda so preferidas na zona rural.

   VISAGEM.  a apario sobrenatural de     alma do outro mundo. Na
   linguagem popular visagem , tambm, fingimento,     hipocrisia.

VITALINA.  a moa velha que no casou,     que ficou no carit . Diz a
 cantiga popular: - "Bota p, vitalina bota     p/ Que moa velha no
                         sai mais do carit !"

 VITALINO. Vitalino Pereira dos Santos     nasceu no dia 10 de julho de
        1909, no lugar Ribeira dos Campos, Caruaru-PE. Filho de
 agricultores, Vitalino teve sua infncia na zona rural, ajudando o pai
na agricultura e     no criatrio de pequeno porte. Comeou a trabalhar
  no barro com seis anos de idade,     fazendo bichinhos (boi, cavalo,
 bode) com as sobras do barro de sua me Joana Maria da     Conceio,
   que era louceira. Seu pai, um dia, levou-o  feira de Caruaru onde
     Vitalino     exps  venda boizinhos, paliteiros, galinhas com
 pintinhos. Depois da loua de     brincadeira, Vitalino passou a fazer
   figuras isoladas como a pea O caador de ona, seguida de muitas
      outras. Depois nasceram os bonecos agrupados como a banda de
pfanos, os cangaceiros, os soldados. Vitalino adulto, era j conhecido
 no mundo todo e     suas peas esto nos museus das grandes cidades da
 Europa, da sia e dos Estados     Unidos. Faleceu em 1963, com 54 anos
   de idade, de varola, no Alto do Moura, arrabalde de     Caruaru,
Pernambuco. Seus filhos e netos continuaram, no todos, seu trabalho at
          hoje.     Uma pea de Vitalino vale muito dinheiro.

 VO-DE-ANDORINHA.  um tipo de passo ,     no frevo pernambucano. Com
sua sombrinha colorida, o passista eleva o corpo     com grande impulso,
       cruza as pernas no ar e, ao mesmo tempo, atira os braos.

   VUCO-VUCO. 1. No Par, vuco-vuco significa, na linguagem popular,
 confuso, agitao; 2. No Recife, vuco-vuco      o nome que se d ao
   compartimento do Mercado So Jos onde se compra e se vende roupa
                                usada.

*  WALDEMAR de Figueiredo VALENTE nasceu no dia 9 de novembro 1908, na
cidade do Recife, PE. Formou-se em Medicina e Farmcia pela Faculdade de
Medicina e     Farmcia do Recife. Fez estudos de ps-graduao na rea
   mdica, em malria e     peste. Em 1934, no Rio de Janeiro, sob a
    orientao de Roquette Pinto, no Museu     Nacional, a ttulo de
     Mestrado, estudou Antropologia. Foi professor catedrtico, por
concurso, do Instituto de Educao e do Ginsio Pernambuco, professor da
  Universidade     Catlica de Pernambuco, do Instituto de Higiene de
  Pernambuco, da Universidade Federal de     Pernambuco e, tambm, de
quase todos os estabelecimentos de ensino do Recife. Foi diretor     do
Ginsio Pernambucano, do Instituto de Educao, do Anexo Jao Barbalho,
   do     Departamento de Antropologia do Instituto Joaquim Nabuco e
  Pesquisas Sociais, hoje,     Fundao Joaquim Nabuco, do Servio de
 Educao Sanitria, do Departamento de     Bio-Estatstica. Participou
de inmeros congressos, seminrios, encontros, simpsios     no somente
  no Recife como tambm em diversas cidades brasileiras. Foi, durante
   muitos     anos, presidente da Comisso Pernambucana de Folclore e
Consultor Cientfico para     Assuntos de Pesquisas da Fundao Joaquim
Nabuco. Foi membro da Academia Pernambucana de     Letras e do Instituto
Arqueolgico, Histrico e Geogrfico de Pernambuco. Mas foi em     1950
 que passou a se interessar pelos estudos afro-brasileiros e publicou o
 livro Sincretismo     Religioso Afro-brasileiro (1955), volume 280 da
  Coleo Brasiliana, obra antolgica     que j teve vrias edies.
Publicou, ainda, entre outros, oss seguintes livros: Maria     Graham 
  uma inglesa em Pernambuco nos comeos do sculo XIX (1957), O padre
Carapuceiro (1969), Serrinha: aspectos antropossociais de uma comunidade
 nordestina (1973), Misticismo e regio (1963), Islanismo em Pernambuco
(1978), Folclore     de Pernambuco (1978), O japons no Nordeste agrrio
   (1978), tambm vertido     para o japons, A dama de ouro (1990) e
Pastoris do Recife antigo e outros     ensaios, obra pstuma (1995), uma
   reunio vrios ensaios publicados em revistas     especializadas.
 Waldemar Valente deixou vrios livros inditos: Anchieta  homem     e
  santo, So Francisco de Olinda: histria, arte e folclore, Gesta do
cangao, Manuel     Bandeira  desenhista, alm de mais dois volumes de
    suas memrias iniciadas com A dama de ouro. Faleceu no dia 27 de
                novembro de 1992, na cidade do Recife.

* XCARA.  um romance cantado ao som alegre da viola . No     gnero da
 narrativa popular temos trs espcies: 1  O romance, quando predomina
 o pico, o herico; 2 a A xcara, quando prevalece a forma dramtica,
 na qual os personagens falam muito e o poeta quase nada; 3 a O solau,
que      mais lrico, com dilogo cheio de lamentaes. A xcara no se
                      popularizou     no Brasil.

XANG.  um dos mais populares orixs dos terreiros, dos candombls, das
   macumbas, em todo o pas.     Foi trazido pelos escravos africanos
vindos do Togo, Daom, Lagos, barra do Nger, golfo     de Benin, jejes
  e iorubas ou nags . Xang  a divindade das     tempestades, raios,
   trovoadas, descargas da eletricidade atmosfrica. Seu fetiche  um
  meteorito e sua insgnia  a lana e a machadinha de pedra, dupla, a
bipene. Apresenta-se     como um rapaz forte, gil, sensual. Usa contas
 vermelhas e brancas, pulseira de lato e     come galo, bode, caruru e
cgado. i--  o seu grito e, na religio     catlica,  representado
 por So Jernimo e Santa Brbara, santos que protegem seus     devotos
contra os meteoros. Seu dia  a quarta-feira e sua festa  celebrada no
                        dia 30     de setembro.

 XAPAN. Ou sapon, chapon, wari-waru,     afoman,  o mesmo omonolu,
                                omolu.

 XAR. 1.  uma dana do fandango     do Rio Grande do Sul. Dizem que 
 originrio daquele estado, mas os colonos, que vieram     da ilha dos
Aores para o sul do Brasil, danavam muito o car e o xar; 2.      a
           pessoa que tem o mesmo nome de batismo que outra.

                      XARAPADA. O mesmo que XAR.

      XAROPE.  a pessoa chata, tudo que      ruim e no agrada.

XAXADO.  uma dana s de homens,     originria do serto de Pernambuco
   e que foi divulgada por Lampio e seus cangaceiros.     O xaxado 
   danado em crculo, fila indiana, cada danarino fica um atrs do
outro, avanando o p direito em trs ou quatro movimentos para os lados
  e puxando o     p esquerdo num ligeiro sapateado. Os cangaceiros de
Lampio, quando danavam o xaxado, marcavam o compasso dominante com uma
   pancada da coronha do rifle no cho. Xaxado      a onomatopia do
   barulho feito pelas alpercatas quando arrastadas no cho durante a
                                dana.

                XEPA. Comida de gente pobre, gororoba.

   XEQUET.  uma bebida tradicional entre     os adeptos das seitas
   africanas nordestinas.  feita com cravo-do-reino, canela em pau,
  erva-doce, castanha de caju, amendoim e batida de limo com pitanga.
   Depois de     trs dias de feita, o xequet, tambm conhecido como
     levanta-saia,  que     pode ser servido, com melhor paladar.

    XERA. No Par,  um tratamento carinhoso     dado s mulheres.

    XERE.  um chocalho usado na     apresentao dos caboclinhos.

           XEXEIRO.  a pessoa que no paga o     que deve.

   XERM. Milho pilado pra fazer cuscuz,     bolo, alimentar pintos.

XEXU.  um passarinho que imita o canto     dos outros ou outros rudos
                     que ele escuta vrias vezes.

XINXIM-DE-GALINHA.  um prato muito     gostoso, feito com galinha, meio
quilo de camares secos, trs xcaras de     azeite-de-dend, uma cebola
  grande ralada, um ramo de salsa, coentro, pimenta e sal. O xinxim 
feito da seguinte maneira: Corta-se a galinha em pedaos e bota-se para
cozinhar     em pouca gua, com os camares secos, descascados e modos,
  a salsa, a cebola ralada, o     sal e pimenta a gosto, bem como uma
xcara de azeite de dend. Se for necessrio,     acrescentar mais gua
   at que os pedaos de galinha fiquem bem cozidos e macios. Quando
estiver no ponto, seca-se a gua e acrescentam-se duas xcaras de azeite
 de dend.     Neste azeite, os pedaos de galinha e os camares devem
ser refogados, com mais sal e     pimenta. Deve ser servido bem quente,
                           com arroz branco.

           XIR.  o caldo do arroz, temperado com     sal.

  X.P.T.O. Significa tudo que  excelente,     superior, muito bonito,
       timo.  a abreviatura do nome de Cristo na lngua grega.

*ZABEL.  uma ave que, no Sul,  conhecida como ja , de     carne muito
                               gostosa.

ZABUMBA.  o nome popular do bombo,     instrumento de percusso, usado
nos maracatus, nos sambas, nos pastoris, nos     z-pereiras, nas bandas
de pfanos. Na Espanha e em Portugal, zabumba  o que     ns conhecemos
                          aqui como cuca. .

ZAMB. 1. D-se o nome de zamb ao tambor que mede mais de um metro, de
   forma cilndrica, tendo uma pele numa das     extremidades e que 
    percutido com ambas as mos pelo tocador e que  sustentado por
tiras de couro; 2. Zamb tambm  o nome que o povo d ao baile popular,
 ao     pagode, no qual a presena do instrumento  muito importante.

  ZANIAPOMBO. Segundo a crena dos que     participam dos candombls,
zaniapombo  um ser superior, um deus supremo, tambm     conhecido por
                                Olorum.

    ZINHO. No sul, zinho  o nome que      dado aos meninos, quando
pequenos. J no Nordeste, zinho e zinha so     denominaes pejorativas
                 dadas s pessoas de mau procedimento.

ZORO. 1.  um prato da culinria     sulista, feito com camaro, azeite,
salsa, pimenta-do-reino, cebola, cebolinha, tomate,     maxixe, jils ou
com quiabos, gua. Depois de tudo bem cozinhado, o zor      comido com
   angu de milho; 2. No Nordeste, a palavra zor  usada na expresso
  "est zor de fome", significando que a pessoa est com muita fome,
                               faminta.

ZUMBIDOR. No Nordeste,  o ri-ri ,     feito com um pedao de madeira,
 de osso, de marfim, de metal ou de matria plstica,     amarrado num
  cordo, soando pela deslocao do ar quando girado circularmente. O
                        mesmo     que ZUNIDOR.

                        ZUNIDOR. Veja zumbidor.

  ZIGUE-ZAGUE.  uma das motivaes da     quadrilha. Os participantes
 fazem uma fila, de mos dadas, e o cavalheiro que encabea a     fila,
                danando, vai formando linhas sinuosas.

ZS-TRS-N-CEGO.  uma expresso     bastante usada no Norte e Nordeste
     brasileiros, quando uma pessoa faz qualquer coisa na     hora,
 imediatamente: - "Num instante eu fao isso. E  zs-trs-n-cego !"

    ZURU. Diz-se de quem est fora de si,     embriagado, cheio da
                    gua-que-passarinho-no-bebe .

   ZURETA. Denominao dada s pessoas que     sofrem das faculdades
                               mentais.

Z-PEREIRA. No sbado de carnaval, sai o z-pereira , tendo como mscara
 uma cabea maior do que o tamanho normal, seguido     de folies que,
 com muita alegria, cantam: - "Viva o z-pereira ! / Que a     ningum
faz mal! / Viva o z-pereira ! / No dia do carnaval!". O z-pereira  de
 origem portuguesa e, em Portugal, ele aparece no somente no carnaval
como tambm     nas festas locais e romarias. No Brasil, o z-pereira s
  aparece no Sbado de     carnaval e a letra da msica  brasileira.
  Origens brasileiras: Z Pereira      apelido dado ao portugus Jos
    Nogueira de Azevedo Paredes, sapateiro no Rio de Janeiro.     Na
  segunda-feira do carnaval de 1846, Jos Nogueira juntou os amigos e
realizou uma     barulhenta passeata pela Rua So Jos. Acontece que os
 participantes trocaram o nome do     portugus Jos Nogueira por Jos
                Pereira, da a denominao Z Pereira .
